Serra e as carreiras típicas de Estado

O Fórum Nacional das Carreiras Típicas de Estado – FONACATE, redigiu uma carta programa para ser entregue aos principais candidatos à presidência da República em 2010. Na carta, alguns itens importantes de defesa do funcionamento do estado, ao lado de alguns elementos legítimos corporativistas, indo desde  a defesa do sistema previdenciário público, respeito a condição de admissão por concursos públicos até a reserva de cargos comissionados para funcionários dessas carreiras, adoção de medidas contra as propostas de legislação que limitam os aumentos salariais do funcionalismo ou mesmo a implantação da negociação coletiva a todas as carreiras típicas de Estado.

No dia 14.09, realizou-se uma reunião para a apresentação da carta ao coordenador de campanha de José Serra, Geraldo Biasoto, economista, doutor e Professor do Instituto de Economia da Unicamp; ex-Coordenador de Política Fiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda; ex-Secretário de Gestão de Investimentos do Ministério da Saúde; ex-vice-presidente da EMURB da Prefeitura de São Paulo, ex-Diretor Executivo da Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo) do Governo do Estado de São Paulo, ou seja, auxiliar de primeira ordem do candidato Tucano.

A seu favor, o único candidato que se dispôs a conversar com o Fórum até o momento.

Contra si, uma série de constrangimentos que transpareceram na reunião. O primeiro deles, o modo de tratamento do presidente e do secretário-geral da FONACATE, ao se referir ao Serra como “nosso candidato”.  Isso deve explicar o tratamento favorável que à assessoria de comunicação do Fórum deu ao encontro, que pode ser acessado aqui:

http://www.fonacate.org.br/fn/?h_pg=noticias&bin=read&id=211

Ao contrário da Nota, no entanto, creio que a reunião foi marcada por algumas declarações polêmicas do assessor. Em primeiro lugar, uma tentativa de desvincular o governo FHC do que seria as linhas do governo Serra no tratamento com o funcionalismo. Procurou-se distanciar Serra do governo FHC, que, sabido por todos presentes e reconhecido pelo assessor tucano, foi uma catástrofe para o funcionalismo, com terceirização, contratos via agências internacionais e defasagem salarial. Além do mais, o temperamento de Serra, que não gosta de receber empresários, foi também reconhecido pelo seu assessor, que buscava defendê-lo da acusação de os servidores teriam pouco espaço de diálogo no seu governo.  Mas com servidores capazes, que queiram contribuir, ele teria um bom diálogo. Por outro lado, expressou a visão de que há vários servidores públicos vagabundos, que querem se esconder atrás de uma divisória de repartição pública e ganhar altos salários sem fazer nada. E, com isso, ganha um grande descrédito quanto à propensão ao diálogo do Ex-Futuro Presidente Serra.

Além desse, mais dois pontos são fundamentais para se entender a visão que o candidato tucano tem sobre o Estado. Para Serra, o Estado não deve ser o principal agente na ponta de atentimento à população. Ele deve regular essa ação da ponta, enquanto elabora as diretrizes e políticas de cima. Não faz sentido o Estado, pelas amarras que tem, ficar comprando esparadrapo, tendo que gerenciar um posto de atendimento à saúde, um hospital. Acreditem, isso retrata quase que literalmente as palavras do senhor Biasoto. Lembrou-me do caso da terceirização do Hospital de Santa Maria no DF, realizado pelo Governo Arruda. Na mesma linha que o governador do DEM, defende que as organizações sociais, o setor privado ou o terceiro setor podem substituir o Estado, ainda que em áreas determinadas como prioridades pelo governo. É mais uma versão da máxima que diz que o Setor Privado é muito mais competente que o Setor Público. Parece que o endeusamento ao “mercado” continua com força no pensamento tucano, mesmo depois da última crise internacional

Vê, por fim, uma hipertrofia estatal na viabilização de grandes usinas hidrelétricas, esquecendo-se de que quando os investimentos em geração do setor elétrico foram delegados ao setor privado, tivemos apagão. Voltou a defender a ideia de agrupamentos de projetos, experiência dos Planos Plurianuais do Governo Cardoso, no Brasil em Ação e do Avança Brasil, que não surtiram o efeito esperado. Serra, foi encantado pela sua propaganda eleitoral: ao querer olhar apenas o futuro para negar as comparações entre o Governo FHC e o Governo Lula, não percebeu que o passado nos apresenta importantes lições que deveriam ajudar na evolução das nossas ideias e posturas.

A carta do FONACATE pode ser acessada aqui:

http://www.fonacate.org.br/fn/public/web_disk/carta_programa_fonacate_eleicoes_2010.pdf&rct=j&sa=X&ei=_RmWTIiGGYSClAeMupCnCg&ved=0CBcQzgQoADAA&q=fonacate+carta+programa&usg=AFQjCNEgs4fTHTdv3Dsgn6YmcXxwwqA0sQ

Para outra visão da reunião, ver no site da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento:

http://www.assecor.org.br/sitenovo/index.php?option=com_k2&view=item&id=100:assecor-participa-de-reuni%C3%A3o-com-coordenador-de-campanha-de-jos%C3%A9-serra&Itemid=39

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A política externa nas eleições

Tenho refletido nos últimos dias sobre a importância da pauta da política externa nas eleições presidenciais. É tradição nas relações internacionais a afirmação de que política externa não dá voto? Isso não estaria mudando?

Tenho impressão que sim, e estou desenvolvendo um pequeno artigo sobre isso. Logo, será publicado.

Por ora, refiro-me à visita do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ao Brasil, logo a sua primeira viagem oficial. Em primeiro lugar, uma sinalização do reconhecimento da importância do Brasil para o arranjo regional. Ao afirmar que as FARC não são mais prioridade na agenda colombiana, que estaria preocupada com questões econômicas, ressaltou que está inteiramente satisfeito com a postura brasileira nessa área. Uma intromissão nos assuntos políticos domésticos, afinal, tirou a razão do discurso inflamado de Índio da Costa e José Serra.

Mas o mais importante ressaltar são essas razões econômicas que trouxeram Santos ao Brasil. Veio em busca de tecnologia para produzir etanol na colômbia. Como tenho dito, a diplomacia do etanol é um grande trunfo da PEB nos últimos anos. Além disso, busca parceria da Embraer para a construção de cargueiro militar.

Sim, esse movimento de aproximação da América do Sul, e institucionalização do diálogo regional com a Unasul, traz ganhos para o Brasil. Não é filantropia ou benevolência. É política externa, estúpido! Com linguagens apropriadas, o povo e as elites ficam sabendo disso, enquanto setores conservadores tentam minimizá-la.

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Calúnias, má memória e escola ruim

Editorial da Carta Capital dessa semana, no qual Mino Carta argumenta contra os que acusam CartaCapital de ser leniente com o governo Lula e defende o apoio à candidata Dilma Rousseff

Por uma série de boas razões que não vale a pena declinar agora estou a colecionar aleivosias variadas perpetradas contra CartaCapital. Calúnias, para ser preciso. Em um texto de quatro anos atrás, um colega (colega?) jornalista chegou a afirmar em papel impresso que apoiamos a candidatura de Lula à reeleição para, em troca, contar com a presença do presidente da República na cerimônia anualmente realizada para premiar as empresas mais admiradas no Brasil. Tratou-se, segundo o autor, de uma verdadeira operação comercial, na linha do do ut des, ou facio ut facias.

Há quem some periodicamente os anúncios publicados em CartaCapitalpara registrar quantos são do governo e quantos da iniciativa privada. Há quem sustente que o próprio presidente da República nos encomenda reportagens convenientes à sua política, por exemplo, algumas de anos atrás a respeito de Hugo Chávez. Mas que fazer? Mino Carta não tem “capacidade” de atestar sua honradez.

Outro é o tom da carta de um jovem estudante de jornalismo (não cito o nome para não constrangê-lo). Ele fica “ávido em receberCartaCapital toda semana” porque a considera “a vanguarda da imprensa brasileira”. Mesmo assim, confessa ter dúvidas a respeito da nossa posição a favor de Lula e de Dilma Rousseff. Será que exageramos? Neste mesmo espaço, inúmeras vezes, e em outros da revista, fomos severos críticos do governo e não pretendo agora voltar a este assunto.

Temos, porém, a convicção de que Lula é um divisor de águas na história do País. Em primeiro lugar, porque um ex-metalúrgico chegou ao poder em lugar dos costumeiros engravatados e a maioria dos brasileiros achou-se muito bem representada. Tal seria, de alguma forma, um mérito involuntário, embora determinante de uma identificação que garante de saída a popularidade. -Há -outros, contudo, e são do seu governo.

Dois, sobretudo, na visão de CartaCapital. Nestes últimos oito anos, a preocupação social inspirou diversas ações governistas, de maneira muito mais clara e firme do que em governos anteriores. Além disso, deu-se com Lula uma alteração profunda na política exterior, altamente benéfica a nosso ver. Colham as provas na satisfação reinante nas classes menos favorecidas e no prestígio de que gozam mundo afora o País e seu presidente.

Muito há por fazer em termos de política econômica. A industrialização clama por políticas destinadas a apressar a transformação de um país exportador de commodities e sair dos impasses criados por uma taxa de juros recordista mundial. CartaCapital acredita que Dilma Rousseff não significa somente a continuidade, mas também condições de avançar em relação aos efeitos positivos da atuação de quem a precedeu.

O que mais tenho procurado, e aqui falo na primeira pessoa, é defender a minha honra, meu único capital. O estudante acredita que eu já tenha praticado o jornalismo dos donos do poder por ter sido o primeiro diretor de redação de Veja. Permito-me um passeio pelo passado. Desde quando saí da Veja, tenho de inventar meus empregos, porque não há lugar para mim na chamada grande (grande?) imprensa. Os interesses deles não coincidem com os meus. Só um dos patrões do pretenso quarto poder me ofereceu espaço no seu jornal, Otavio Frias de Oliveira e, a despeito das diferenças entre nós, não o esquecerei até o fim da minha vida.

Ah, sim, me demiti da direção da Veja para não ser despedido, ao contrário do que afirma em seu Notícias do Planalto Mario Sergio Conti. Não me surpreendeu que depois de me entrevistar longamente, ele tenha preferido publicar a versão do patrão Civita. Passo a expor a verdade factual, e desafio até quem me difama obsessivamente a provar o contrário.

Veja sofria censura feroz, enquanto a Editora Abril pretendia um empréstimo de 50 milhões de dólares (estamos em meados dos anos 70) para consolidar no Brasil dívidas contraídas no exterior. O próprio ditador Geisel, pela boca de Armando Falcão, ministro da Justiça (Justiça?), decretou seu niet, a não ser que se livrassem do acima assinado. Quem tiver dúvidas a respeito, leia o livro Fragmentos de Memória, de Karlos Rischbieter (Travessa dos Editores, 2007), que presidia então a Caixa Econômica Federal, à qual a Editora Abril recorrera.

Tirei o meu modesto time de campo antes da expulsão. Pela elementar razão de que me recusava a negociar minha saída. Quem sabe levasse um bom dinheiro, espécie de comissão sobre o empréstimo da Caixa a ser concedido juntamente com o fim da censura. Ocorre que não queria um único, escasso centavo saído dos bolsos de Victor e Roberto Civita. Vici e Arci: assim hão de ser pronunciadas suas iniciais.

É enredo miúdo, em comparação de tantos outros de vítimas da ditadura. De todo modo, o que me surpreende é um certo desconhecimento dos fatos por parte de um estudante de jornalismo. Está bem se ignora o meu passado, que não conheça a verdadeira história da censura é desolador. Tanto mais por não ser culpa dele. As responsabilidades são óbvias. O pouco caso com a memória antes de mais nada, traço característico da sociedade nativa. E logo após a escola incompetente, talvez inútil.

www.cartacapital.com.br

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Extratos de um debate desenvolvimentista

Não aceito a argumentação de que o Governo Lula trata-se de continuação das políticas do governo FHC como foi sugerido no início da discussão. Acho que esse discurso só interessa à oposição. Num gradiente entre neoliberalismo e keynesianismo/desenvolvimentismo, acho que a distância percorrida pelo governo Lula em direção ao segundo é suficiente para marcar uma inflexão entre os projetos que se apresentam no embate eleitoral. É óbvio que poderia ter avançado mais, mas essa é, na minha opinião, a crítica mais rasa que se pode fazer a um governo. Sempre será possível dizer que dava pra ter feito mais. Mas o que foi feito, em várias áreas, infra-estrutura, com o PAC, saneamento, minha casa minha vida, PRONAF, FUNDEB, Prouni, expansão das universidades federais e recuperação dos salários dos professores, recuperação do salário mínimo, bolsa-família, expansão do crédito, etc, são suficientes para que se faça uma clara distinção entre o que representa o projeto Lula/Dilma do projeto Serra/FHC.
Todavia, isso não esgota o debate. Inclusive, acho importantíssimo para a esquerda brasileira que se construa uma alternativa partidária ao PT. O PT hegemoneizando e limitando a discussão de projetos alternativos asfixia a esquerda. É o caminho mais fácil para o retrocesso, ainda mais com a radicalização da mídia que se avizinha. Até porque, não considero o projeto neoliberal enterrado. Num lampejo, ele pode voltar. Algumas conquistas do governo Lula não foram institucionalizadas e podem ser facilmente desconstruídas. E tem muita gente interessada nisso. Temos que ficar atentos.
E é por isso mesmo que considero que as singularidades pessoais não deveriam estar acima dos projetos. Tudo nessa vida tem custos e benefícios, não só a escolha entre políticas mais liberais ou desenvolvimentistas, mas também a nossa escolha entre os projetos viáveis que se apresentam. Não ajudei a construir esses projetos, sou a favor que haja outros projetos, mas, entre os que estão em debate, eu escolho um, ainda que seja porque apenas o considere menos pior ou, numa visão menos pessimista, que é o meu caso, um bom projeto. Não definir um lado tem, do meu ponto de vista, dois aspectos cruciais: O primeiro é que o outro lado não tem pudores. Não vão ficar reclamando que o Serra não é tão liberal quanto gostariam, e vão votar nulo ou no Levi Fidelix, Eymael… Um voto nulo na esquerda, hoje, com as opções que se construiram, é um voto pra direita. Ainda que Dilma provavelmente ganhe no primeiro turno, e de lavada. O outro aspecto é de justamente não querer arcar com os custos dessa escolha. Por mais brilhantes que sejam suas ideias, um projeto político é algo coletivo. As individualidades não podem se sobrepor ao projeto, mas ajudá-lo ao construir. Eu, no auge de meus 31 anos, ainda acho possível. Até lembrei do Dunga falando da seleção, nenhum jogador é mais importante que a “amarelinha”.
Também discordo com o argumento de que a crise “salvou” o governo Lula ou algo assim. Parte das políticas que foram determinantes para que o país saísse rápido da crise foram gestadas antes, mesmo o PAC, o minha casa minha vida… O governo não se constrói a partir da crise. Obviamente, que a essas, somaram-se outras, mas a tendência era de aumento dos investimentos, ou de mobilização do estado em favor do desenvolvimento. E acredito que essa tendência continuará no governo Dilma.
Digo isso também pra enfatizar outro aspecto. Faço referência ao paradigma de Estado Logístico, criado por Amado Cervo, um dos maiores intérpretes da nossa política externa. Considero adequado para entender a forma de atuação do estado brasileiro em Lula, e não vejo maiores problemas, por essa lógica, nas parcerias, necessárias, diga-se de passagem, tanto do ponto de vista político quanto econômico, com a iniciativa privada. O Estado é indutor, orientador, promotor, e deve tomar seu espaço, com planejamento, nos setores estratégicos ou onde o setor privado não tem interesse. Onde os interesses são coincidentes, ainda mais se for nacional, por que não cooperar? Por que não nos preocuparmos, como defende Márcio Pochmann, com a formação de grandes empresas multinacionais brasileiras? Portanto, essa coisa de apoiar projetos privados com recursos públicos não tem, em princípio, um lado negativo, embora episódios negativos possam ter ocorrido…
Ademais, sendo a construção de um projeto de longo prazo, como deve ser um projeto de país, é necessário firmar alianças. Inclusive com políticos tradicionais que, ainda que premidos pela circunstância, demonstrem apoio ao projeto, porque estarão na base da importante articulação federativa. Todavia, o projeto de país também implica em, no médio prazo, de forma gradativa, propor ou construir alternativas viáveis a esses coronéis nos estados. Volto, nesse ponto, a importância de construirmos isso, essa alternativa de esquerda, no Brasil. A exemplo, o Maranhão, onde parte do PT apoia Roseana Sarney, e outra parte apoia Flavio Dino, do PCdoB.
Mas, talvez mais importante, e outra matéria em que o governo precisa avançar, é na institucionalização de canais de articulação direta com a sociedade. Embora o governo defenda, com propriedade, a realização de inúmeras conferências nacionais que mobilizaram milhões de pessoas durante os oito anos, não é suficiente.
Ainda, é preciso reconhecer que Lula é um fenômeno político ímpar no Brasil. Foi capaz de forjar um governo que tem apenas, SOMENTE, ínfimos 4% de rejeição. Essa aliança que beneficia os ricos e pobres, na lógica exposta de bolsa-família mais juros altos, ajuda a explicar, mas não explica tudo. Tanto que Dilma está na frente nas pesquisas em todos as faixas de renda, com exceção da última faixa mais abastada (corrijam-me se estiver enganado).
Pra finalizar, ainda que considere que o projeto atual, representado nessas eleições pela Dilma, é um bom projeto, esses desenvolvimentistas poderão aprimorá-lo, forjar novas alianças e construir um novo país. Critiquemos as falhas e construamos a diferença. A crítica sem a construção diminui nosso espaço de ação.

Não aceito a argumentação de que o Governo Lula trata-se de continuação das políticas do governo FHC como foi sugerido no início da discussão. Acho que esse discurso só interessa à oposição. Num gradiente entre neoliberalismo e keynesianismo/desenvolvimentismo, acho que a distância percorrida pelo governo Lula em direção ao segundo é suficiente para marcar uma inflexão entre os projetos que se apresentam no embate eleitoral. É óbvio que poderia ter avançado mais, mas essa é, na minha opinião, a crítica mais rasa que se pode fazer a um governo. Sempre será possível dizer que dava pra ter feito mais. Mas o que foi feito, em várias áreas, infra-estrutura, com o PAC, saneamento, minha casa minha vida, PRONAF, FUNDEB, Prouni, expansão das universidades federais e recuperação dos salários dos professores, recuperação do salário mínimo, bolsa-família, expansão do crédito, etc, são suficientes para que se faça uma clara distinção entre o que representa o projeto Lula/Dilma do projeto Serra/FHC.Também discordo com o argumento de que a crise “salvou” o governo Lula ou algo assim. Parte das políticas que foram determinantes para que o país saísse rápido da crise foram gestadas antes, mesmo o PAC, o minha casa minha vida… O governo não se constrói a partir da crise. Obviamente, que a essas, somaram-se outras, mas a tendência era de aumento dos investimentos, ou de mobilização do estado em favor do desenvolvimento. E acredito que essa tendência continuará no governo Dilma.Mas, talvez mais importante, e outra matéria em que o governo precisa avançar, é na institucionalização de canais de articulação direta com a sociedade. Embora o governo defenda, com propriedade, a realização de inúmeras conferências nacionais que mobilizaram milhões de pessoas durante os oito anos, não é suficiente.

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A charge

Gostei muito dessa charge.

Puxei lá do esquerdopata, eu acho. As fantasias dos tucanos/demistas no desespero da situação em que se encontram. Mais digno do que se passar de aliado de Lula, seria perder por WO.

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Declaração de voto e apelo por Brasília

Caros amigos e eventuais visitantes,

Chegado o momento em que as campanhas começam a esquentar, declaro meu voto para a chapa Novo Caminho, de Agnelo Querioz (PT) Governador e Tadeu Filipeli (PMDB) Vice-governador. As pesquisas divulgadas recentemente apontam uma subida vertiginosa de Agnelo, que atingiu o empate com Roriz, e, em uma delas, do instituto Exata, já aparece na frente.

Filipeli é o nome que muitos apontam como herança maldita da máfia rorizista e um indício de que as mudanças na prática da gestão pública, num eventual governo Agnelo, não representariam uma grande inflexão frente à prática tradicional de roubo do dinheiro público que se instalou na nossa capital.

Quero, no entanto, chamar todos à reflexão. O Pior inimigo de Brasília é o candidato ficha-suja Joaquim Roriz. Disso, me parece que todas as pessoas de bem, têm poucas dúvidas. Temos uma grande oportunidade de vencê-lo. Se você for cético, pode considerar a opção como a menos pior, ou se for otimista como eu, pode afirmar que Agnelo é a melhor chance que temos de vencer Roriz e tirá-lo da vida pública. A se confirmar a lei do ficha limpa, Roriz não poderá se registrar candidato nas próximas eleições. Na dúvida da interpretação da lei para essas eleições, ainda há um risco jurídico, a meu ver, no caso de sua vitória, de Roriz continuar dando as cartas no DF.

Os eleitores de Roriz não têm dúvida. Tivesse ele se coligado com o PSTU ou com o PCO, que seja, votariam em Roriz mesmo assim. Eleitor de Roriz também não tem pudores e não vota nulo. Um voto nulo seu é um voto a favor de Roriz.

Não quero defender Filipeli, mas quero defender um projeto. Um bom projeto para Brasília começa com a derrota de Joaquim Roriz nessas eleições. A história recente nos mostrou que nenhum partido está isento de práticas nefastas, de pessoas mal-intencionadas. Por outro lado, nos mostra também que há bons quadros nos diferentes partidos. Não podemos desperdiçar essa chance por capricho, ao mesmo tempo que condenamos o radicalismo de alguns candidatos que se apresentam a nós. É possível sim que essa aliança consiga reunir pessoas capazes, éticas, que possam melhorar as péssimas condições sociais nas quais o Distrito Federal se encontra.

A política nos dá a chance de conhecer e perseguir utopias. E para alcançá-las, temos que construir caminhos. Hoje, Agnelo e Filipeli são o melhor caminho, o novo caminho, para alcançar o maior sonho da política brasiliense: Derrotar Joaquim Roriz.

Para o futuro, que seja possível construir outras opções política e eleitoralmente viáveis. Que vigiemos os passos do governo Agnelo/Filipeli.

Mas em 3 de outubro de 2010, eu voto 13 para governador. Faça o bem pra Brasília. Vote 13 você também.

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Encontro dos blogueiros – GRUPO 3

Fui o relator do grupo 3 nos trabalhos da manhã do último dia do #blogprog.

Vou colocar aqui o relato das propostas e destaques do grupo antes de enviar formalmente ao Barão de Itararé. Assim, as pessoas do grupo poderão fazer  comentário para adicionar alguma coisa que esteja faltando, ou suprimir/adequar algo que considere que não esteja de acordo com o que foi debatido:

Sugestões e destaques do grupo 3:

1. Associação em massa ao Barão de Itararé. Isso fortaleceria o]a instituição e possibilitaria que ela desenvolvesse com mais desenvoltura uma série de outras atividades, dentre as quais:

a. Apoio jurídico comum aos blogueiros

b. Estabelecimento de um fórum virtual permanente para capacitação dos blogueiros.

c. realização das oficinas regionais antes do próximo encontro nacional anual. As oficinas deveriam ter, no mínimo, três objetivo: pensar e compartilhar estratégias para aumento do número de acessos dos blogs; esclarecer questões jurídicas aos blogueiros; capacitá-los no uso de ferramentas

d. Criação e disponibilização de cartilha de softwares livres para realização de cursos e formação de multiplicadores.

e. organização de conferências temáticas virtuais (via twitcam, por exemplo)

f. Promover uma articulação parlamentar contínua. Nesse ponto foram destacados algumas questões relativas ao ordenamento legal que deveriam ter atenção especial nesse trabalho:

  • defesa da neutralidade da internet
  • defesa da inclusão digital/universalização da banda larga
  • Considerar a inclusão na Constituição Federal do direito à internet para todos os cidadãos brasileiros
  • Atenção ao processo que se vem percebendo de criminalização das Lan Houses;

g. Estimular a criação de redes de blogs temáticos

h. Resenhas quinzenais com base no material produzido pelos blogueiros progressistas.

2. Promoção de ações coletivas virtuais diretas, como postagens com dia e hora marcados para determinadas ações, como a defesa da universalização da banda larga.

3. Reforçar a importância dos comentários, tanto nos sítios da velha imprensa, de modo a sempre apresentar um contraponto ao pensamento conservador, e nos nossos blogs, inclusive pela importância de agregarmos conhecimentos técnicos específicos para robustecermos nossas posições.

4. Utilização de sítios regionais e locais de notícias para vinculação dos nossos blogs como forma de aumentar o número de acessos. Muitas vezes, órgãos menores de comunicação não tem capacidade de veicular muitos artigos de opinião, e teriam interesse em disponibilizar esse tipo de serviço.

5. Os blogueiros devem valorizar  a produção de linhas auxiliares de apoio aos blogs, como ilustrações, fotos, o que enriquece o material dos nossos posts, e consequentemente, pode ajudar a aumentar o seu acesso.

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Iº Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

Iº Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas – EU FUI #blogprog. Nada mais apropriado do que um post sobre as implicações da democratização do acesso, produção e divulgação da informação.

A Pauta foi coincidentemente facilitada pelo 8º Congresso brasileiro de Jornais, organizado pela Associação Brasileira de Jornais, realizado no dia 19 de agosto, no qual foram dadas preciosas declarações do sociólogo preferido da grande mídia na atualidade, Demétrio Magnoli, e do candidato oposicionista, José “orkut” Serra.

A organização presidida pela Sra. Judith Brito – a mesma que declarou que, frente à fragilidade da oposição, os jornais deveriam assumir o papel oposicionista – grande merecedora do prêmio Corvo do #blogprog, e seus principais expoentes lançaram mão de insinuações já manjadas comparando o já provável governo Dilma com os governos mais radicais da América do Sul. A propósito, escrevi em um post antigo que a mídia caminhava para a radicalização do debate político, numa atitude perigosa para o país.

Dois depoimentos publicados em reportagem do Valor no dia 20. O primeiro, do paladino sociólogo, defendendo que os jornais impressos são mais importantes do que nunca, porque 1) impedem a desconstrução da opinião pública pelos milhões de palanques de debates criados pela internet e 2) têm um credibilidade maior associada ao valor, ao dinheiro que é preciso para publicá-los.

Alguns contra-argumentos: o dinheiro serve para desconstruir reputações, contratar versões. Não significa qualidade nem credibilidade. E a ideia de que os milhares de blogueiros que espalham suas opiniões na rede não o fazem de forma consubstanciada é equivocada. Muitos deles, como eu, são amadores, e também arcam com custos, no mínimo o dispêndio de parte do seu tempo, para publicar suas análises. O esforço desses blogueiros sujos valem mais do que o dinheiro sujo e interesses escusos por trás da velha imprensa.

O sociólogo não quer reconhecer também que a mídia, e particularmente a mídia impressa, não expressa a opinião pública. Num país em que apenas 4% da sua população consideram o governo Lula péssimo ou ruim, 4%, os jornais, diariamente, atacam o governo Lula como se fosse o pior dos males. A disseminação de versões que contestam a posição incansavelmente publicada na grande imprensa é um grande favor à formação da opinião pública. Ao menos, expressa vozes mais diversas.

Na mesma linha, o porta voz e candidato preferido da grande imprensa, José Serra, afirmou, na sua participação no encontro, que as grandes conferências organizada pelo governo Lula são uma maneira de cercear a liberdade de imprensa.  Segunda Serra, uma via “democrática” de estabelecer o controle sobre a imprensa. Considero que a participação social é uma questão que ainda precisa ser aprofundada, discutida e melhor encaminhada no governo federal, mas reconheço nessas conferências um importante avanço. Não vejo contradição entre o fato de que tenhamos mais pessoas interessadas, produtoras e divulgadoras de conteúdo, com participação cidadã mais intensa, e a democracia. Ao contrário, reafirma a opção democrática do país.

Pelo contrário, acho que consolida o entendimento de que o Serra já entrou na fase do desespero, vendo que Dilma vai ganhar no primeiro turno.

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Consolidação das Leis Sociais

Eu estava acompanhando com muito interesse a discussão da Consolidação das Leis Sociais, que ocorria na Secretaria-Geral da Presidência da República. Desde o início, considerei uma grande sacada do atual governo, a começar pelo nome, que remete diretamente ao governo de Getúlio Vargas, que havia implantado a Consolidação das Leis Trabalhistas.

Certamente, poderia ser um elemento de peso na corrida eleitoral, quando certamente seria utilizado em favor da candidata Dilma Roussef.

Notícia do Valor Econômico de sexta-feira dá conta de que Lula teria desistido de enviar a proposta para o Congresso ainda esse ano. Todavia, nem por isso o tema deixa de ser um trunfo para a campanha governista. A Consolidação das Leis Sociais só sai no Governo Dilma Roussef, ou José Serra teria coragem de assumir esse compromisso?

Dilma Roussef, a mãe do PAC, a mulher do Lula, poderá também ser a mãe dos pobres e fazer dupla também com Getúlio.

Em tempo, quando alguns colegas diziam que @ candidat@ do Lula iria pro segundo turno, mas não estavam certos das possibilidades de vitória, eu afirmava que ganharia. Falar da vitória de Dilma agora é muito fácil, quero ver quem aposta mil cruzeiros de que a vitória não será no primeiro turno?

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Encontro dos blogueiros progressistas

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