Uribe, a onda de escândalos e a UNASUL

O prestigio de Álvaro Uribe diminui entre os colombianos enquanto completa 100 dias fora do poder. Ainda há quem especule seu nome para a Secretaria-Geral da Unasul. IMPOSSÍVEL. Entre os nomes levantados, ainda constam Michele Bachelet e Tabaré Vásques. Este último fez oposição ao nome de Kirchner, então acho difícil emplacar. Bachelet ocupa cargo na ONU, mas, mais do que uma aposta, gostaria de vê-la por lá. Uma mulher, traz o Chile para o jogo sul-americano, de centro-esquerda… Wishfull thinking.

Do site operamundi

Colômbia faz 100 dias sem Uribe descobrindo um escândalo após outro

A Colômbia completou na última segunda-feira (15/11) os primeiros 100 dias do governo de Juan Manuel Santos, que também significam 100 dias sem o ex-presidente Álvaro Uribe, que governou por oito anos, no comando da política nacional. Só neste período, desde o dia 7 de agosto, já estouraram nove escândalos envolvendo direta ou indiretamente funcionários da administração anterior. Um dos mais graves veio à tona na DNE (Diretoria Nacional de Entorpecentes), órgão que administra os 76 mil bens confiscados dos traficantes de drogas desde os anos 1980.

“A Diretoria Nacional de Entorpecentes é o parque de diversões da máfia!”. A constatação foi dita por Juan Carlos Restrepo, nomeado por Santos como o novo chefe do órgão. Depois de assumir o cargo, Restrepo encaminhou denúncias ao ministério público colombiano e fez as autoridades intervirem na DNE. Ele comprovou pessoalmente que quase todo o pessoal interno e externo do órgão tinha privilégios no sistema eletrônico de gerenciamento dos bens, suficientes não só para consultar as propriedades, como também modificá-las ou até mesmo apagá-las do sistema.

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Como resultado, durante os dois mandatos de Uribe desapareceram da base de dados da DNE propriedades inteiras, como a enorme fazenda de 33 mil hectares confiscada do cartel do Norte do Vale, enquanto outras, como a mansão Montecasino, de 30 mil metros quadrados, do chefe paramilitar Carlos Castaño, são administradas por “laranjas” da mesma família.

Já o ministro da Agricultura, Juan Camilo Restrepo, assim que tomou posse, analisou os documentos do Instituto Colombiano de Desenvolvimento Rural (Incoder, análogo ao INCRA brasileiro), afirmou: “Pessoas muito próximas do paramilitarismo se infiltraram no Incoder e, depois de afastar os donos, entregaram estas parcelas a outros que não passam de testas-de-ferro dos delinquentes que aterrorizaram e expulsaram os camponeses”. O ministro prometeu reverter algumas dessas decisões por “exceção de inconstitucionalidade” e devolver 300 mil hectares aos proprietários.

Um terceiro escândalo atingiu o Fondolibertad, órgão que administra cerca de 13 milhões de dólares para combater sequestros. Sob o governo Uribe, foram assinados contratos que beneficiaram diretamente uma série de funcionários de alto escalão e suas famílias, como a do general Freddy Padilla, ex-comandante das forças armadas.

Menos achaque

Escândalos parecidos envolvem outros órgãos públicos, como a Diretoria de Impostos e Alfândegas Nacionais (Dian, equivalente colombiano à Receita Federal), o Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário (Inpec), a Ingeominas, que cuida das concessões de mineração, o Instituto Nacional de Concessões (Inco) e o Banco Agrário. Em todos esses casos, atos de corrupção favoreceram membros do governo Uribe ou seus amigos.

Segundo o ex-ministro Camilo González Posso, hoje diretor do think tank Indepaz, o motivo da descoberta de tantos casos há muito tempo escondidos é que “está sendo reafirmada uma autonomia relativa do ramo judicial, pois foram diminuídos o poder de intimidação do próprio presidente e do poder executivo e a capacidade de funcionários de alto escalão de frear e obstruir as investigações”. Mas o analista não acredita que haja uma intenção do novo governo de acuar o ex-presidente Uribe.

No entanto, o escândalo que mais preocupa o presidente é o dos grampos ilegais do DAS e da vigilância de opositores políticos. O DAS é a polícia federal colombiana, órgão de inteligência civil subordinado à presidência da República. No momento, 52 funcionários são investigados, 18 estão presos e seis de alto escalão confessaram “ter recebido ordens da diretoria do DAS e da presidência para vigiar ilegalmente e participar de campanhas de difamação” contra integrantes da Suprema Corte de Justiça, políticos de oposição e jornalistas. Por isso, aceitaram a sentença antecipada e já foram condenados.

O escândalo do DAS já envolve alguns dos colaboradores mais próximos do ex-presidente, como Bernardo Moreno, ex-secretário-geral da presidência, destituído pela Procuradoria, e três ex-diretores do DAS. Mas Posso considera improvável que o próprio Uribe seja condenado na Colômbia por esses escândalos.

“É muito difícil um congresso e uma comissão formados por governistas condenarem o ex-presidente Uribe”, afirma. “Além disso, não existem situações nas quais presidentes da República tenham sido punidos por escândalos. Por exemplo, a comissão de acusação não condenou o presidente [Ernesto] Samper pelo escândalo do processo 8000, que envolvia sua campanha com o cartel de Cali”.

Fora do país

Ele não descarta, porém, que outros processos relacionados a esses escândalos avancem no exterior. “Acredito que, pelo menos nos próximos dois anos, serão constantes as sanções por todos esses escândalos, pois os abusos foram inúmeros e muito graves”.

Na Espanha, foi formalizada uma denúncia contra Uribe justamente nos assuntos relacionados ao DAS. Muitas das vítimas encontraram provas nos expedientes do ministério público de que foram seguidos ilegalmente em território espanhol. E há pelo menos um caso que envolve uma cidadã espanhola. Por isso, foi possível acusar Uribe não por um crime internacional, mas por um crime cometido em território espanhol.

Esta é apenas uma das denúncias apresentadas em tribunais internacionais contra o ex-presidente colombiano. Luis Guillermo Pérez, diretor da Federação Internacional de Direitos Humanos, instaurou outro processo contra Uribe nos tribunais de Bruxelas, por causa do monitoramento praticado pelo DAS contra membros da própria federação, com fins de difamação, como provariam documentos em seu poder.

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Outra intimação foi entregue ao ex-presidente durante os protestos na Universidade de Georgetown, onde ele desempenhava a função de professor convidado. Ele foi convocado para depor pelo escritório de advocacia Conrad & Scherer, que representa uma centena de famílias de vítimas dos paramilitares em um processo contra a mineradora multinacional Drummond.

Prestígio, não poder

Apesar de todas as denúncias, a popularidade do ex-presidente não parece diminuir entre os colombianos.

“Uribe continua com uma imagem favorável mas, ao mesmo tempo, cada vez menos cidadãos querem que ele volte a governar. Isso porque ocorre uma deterioração constante de sua imagem. As pessoas estão se tornando ‘santistas’ muito rapidamente”, explica o diretor do Indepaz.

Já González Posso acredita que, hoje, é justamente nos círculos de poder que Uribe é mais rejeitado.

“Esta é a novidade! Os poderosos deste país acham que ele já cumpriu seu papel, fez o trabalho sujo e já não serve mais. O mesmo ocorreu com a única ditadura da Colômbia, a de Rojas Pinilla. Resta muito prestígio para Uribe, mas pouco poder – um poder marginal que repousa principalmente nos setores rurais latifundiários”, analisa.

O ex-presidente tem usado um meio não convencional para sua defesa e a de seus funcionários: transformou-se num fã do Twitter, pelo qual ataca os jornalistas, justifica os escândalos e se vangloria dos sucessos de seu governo e seus ministros.

“Ex-ministro Arias desmente The Economist. Nega benefícios a floricultores em troca de apoios à campanha”, “Nossa honesta luta contra o terrorismo, por liberdade e bem-estar, não será detida pela calúnia”, “A infâmia não conseguirá desvirtuar a honradez de Andrés Peñate”, “Martha Leal: Nunca recebi ordens nem instruções de parte do presidente Álvaro Uribe nem de nenhum dos funcionários do Palácio de Nariño”… São, até esta tarde de domingo (21/11), 2.295 tweets e 214 mil seguidores; mas ele, por sua vez, segue apenas 24.

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Balança comercial e guerra cambial: o Brasil além de Seul, por Leandro Freitas Couto & Carlos Andre Bezerra Goes

Publicado originalmente em www.mundorama.net

Os últimos números positivos da balança comercial brasileira escondem uma tendência subjacente das contas externas do país. A sinalização de um superávit comercial para cerca de US$ 18 bilhões em 2010 não inverte a tendência de que em 2011 as importações superem as exportações, pela primeira vez desde 2000.

Na primeira metade da presente década, o superávit comercial brasileiro foi crescente, alcançando o auge em 2006, com US$ 46,5 bilhões. A partir daí, as importações passaram a crescer mais do que as exportações, tendo levado o saldo comercial brasileiro, em 2008 e 2009, para um patamar em torno de US$ 25 bilhões positivo.

Junto com essa retração no saldo comercial, há uma reprimarização da pauta exportadora brasileira. Em 2000, 83,4% de tudo o que o Brasil exportou eram bens industriais, enquanto em 2009 esse número é 15 pontos percentuais menor, 68,4%. Considerando apenas produtos manufaturados, a queda é de 59,1%, em 2000, pra 44%, em 2009. Produtos básicos e semimanufaturados saltam de 38,2% em 2000, para 53,9% em 2009.

Ademais, setores industriais de média-baixa e média-alta tecnologia são crescentemente deficitários. A estratégia de crescimento econômico via expansão do mercado de consumo de massa, que representou uma ampliação robusta do mercado interno, tem sido suprida pela produção estrangeira, aumentando tanto a participação de produtos importados no consumo final como os componentes importados de produtos de selo nacional. Já em agosto de 2010, o Secretário de Comércio Exterior, Werder Barral, reconhecia que o crescimento da importação de bens de capital (31% na comparação de janeiro a julho de 2010 em relação ao mesmo período de 2009) era inferior ao do aumento das compras de intermediários (45%) e de bens de consumo (49,7%) na mesma comparação.1

A exposição à competição internacional da indústria nacional evidencia a necessidade de inovações de tecnologias, técnicas gerenais e marketing. Os esperados dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica – PINTEC, por exemplo, não foram animadores, demonstrando estabilidade nos investimentos das empresas em inovação ao redor de 3% do seu faturamento. Os últimos anos de crescimento econômico parecem não ter sido suficientes para estimular as indústrias empreenderem atividades de pesquisa e implantarem iniciativas de inovação, o que, certamente, impacta a sua competitividade. E, segundo alerta o professor Davi Kupfer, “cada vez mais prevalece um ambiente econômico que promove uma espécie de seleção adversa com respeito às possibilidades de sobrevivência dos diversos produtos na pauta de exportações brasileira, dificultando a permanência daqueles de maior conteúdo tecnológico”2.

Perdendo espaço na pauta de exportação e no PIB, acumulando déficits comerciais especialmente em setores de mais alta tecnologia, as estratégias para se evitar a desindustrialiazação no Brasil sofrem os constrangimentos da chamada Guerra Cambial, que tem uma trincheira armada em Seul, na próxima reunião do G-20, para onde foi a primeira viagem oficial de Dilma Roussef como presidente eleita.  De fato, de janeiro de 2009 até o início da Cúpula de Seul o real sofreu uma apreciação nominal 28,6% em relação ao dólar e comparações baseadas no ideia de câmbio conforme a Paridade do Poder de Compra reforçam a existência de apreciação, tal como explicitado pelo Índice Big Mac da The Economist, que indica uma sobrevalorização de 42%. A soma de um cenário caracterizado pela consolidação do Brasil como democracia de mercado estável; a elevação do rating do Brasil como um país investiment grade pelas agências internacionais de risco; o preço elevado de commodities; grandes capitalizações e IPOs, públicas e privadas, na Bolsa Valores de São Paulo; e, altas taxas de juros reais explicam os largos influxos de moeda estrangeira na economia brasileira.

As medidas coordenadas acordadas pelo G-20 em Pittsburg e Londres – como a coordenação de estímulo fiscal e monetário e a alocação de mais verbas emergenciais denominadas em Direitos Especiais de Saque (SDRs) para o FMI – no momento imediatamente posterior ao período de maior perturbação nos mercados financeiros internacionais, foram saudadas como sinais de que há grande espaço para novas ações coordenadas no futuro. Sem embargo, tal análise ignora que havia largo consenso prévio em relação ao tipo de ação a ser tomado: todas as partes entendiam ser necessárias medidas contracíclicas de cunho fiscal e monetário. De tal sorte, se pontualmente foi necessário ajuste de práticas, resultando em cooperação, em grande medida o que ocorreu foi harmonia, inexistindo conflito anterior (KEOHANE, 1984). No caso cambial, contudo, não há harmonia – e as perspectivas para cooperação são restritas.

Por uma parte, há amplo consenso político nos Estados Unidos quanto à necessidade do afrouxamento monetário (“quantitative easing”, impressão de papel moeda para a compra de títulos governamentais, usualmente em posse de bancos americanos) empreendido pelo Fed. Afora isso, a mudança no controle do Congresso estadunidense torna ainda mais improvável a adoção de estímulos fiscais ou gastos públicos, restando assim a política monetária como única alternativa política viável. De tal sorte, o mercado financeiro internacional continuará abundante em dólares que, frente às baixas taxas de crescimento e juros irrisórios nos mercados tradicionais, tenderão a continuar a fluir para as economias em desenvolvimento e para o Brasil em particular, pois apresenta as taxas de juros mais atrativas do mundo. Por outro lado, não há sinais de uma mudança de postura chinesa sobre a possibilidade de uma apreciação, frente ao dólar, nas taxas reguladas do yuan. Tampouco existe sinalização efetiva por parte do governo chinês quanto a utilização do yuan como moeda de transações internacionais no curto prazo, a despeito do recente ensaio por meio da emissão de títulos denominados em yuans por parte do Governo de Hong Kong3.

Aquela que talvez seja a única possibilidade efetiva de coordenação seja a rejeição a possível escalada protecionista, que até o momento foi evitada pela do G-20. Já há movimentos no congresso americano para retaliar com tarifas países que subvalorizam suas moedas artificialmente. Muito embora as possíveis retaliações tarifárias às distorções cambiais não afetem o Brasil diretamente, uma abertura para o protecionismo cambial pode dar fôlego às demandas para um protecionismo mais amplo por parte do Congresso estadounidense. Durante os últimos dois anos do Governo Lula, a Política Externa Brasileira caracterizou-se por um discurso de rejeição ao protecionismo. As primeiras declarações da presidente eleita assinalam não deve haver modificações nesse aspecto, de modo que possíveis reações do governo brasileiro devem passar por medidas distintas. De toda sorte, um consenso na rejeição ao protecionismo de cunho cambial implicaria somente em evitar o escalonamento dos conflitos – não em sua solução.

Nesse sentido, as perspectivas para um acordo de regulação cambial internacional em Seul parecem bem reduzidas, o que implica na busca por soluções alternativas por parte do governo brasileiro. As duas principais movimentações do governo brasileiro, notadamente a compra de dólares pelo BC para o acúmulo de reservas e o aumento do IOF para transações internacionais, tiveram efeito apenas marginal sobre a apreciação do real. Políticas análogas dificilmente terão impacto significativo sobre a situação cambial do real.

A presidente eleita já divulgou amplamente que não abandonará  o tripé de política econômica, vigente desde 1999, composto por câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário, de modo a garantir estabilidade no cenário econômico. Sob tal cenário, uma redução nas taxas de juros reais, fator determinante para o grande influxo de capitais no país, deve acontecer, ainda que forma cautelosa, dado que Dilma já apresentou uma meta de 2% de juros reais em 2014, o que representa uma redução de menos de 4 pontos percentuais em relação à taxa Selic vigente hoje. Entretanto, é necessário enfatizar que a redução na taxa de juros deve passar pela redução na relação dívida pública/PIB. Uma possibilidade de aceleração na redução foi ventilada ainda pelo Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que afirmou boa recepção, por parte da presidente eleita, em sua proposta em controlar o aumento dos gastos públicos mantendo estes menores que as taxas de expansão do PIB.

Certamente, Seul não trará as respostas decisivas para o problema crescente da balança comercial brasileira. O caminho a ser traçado resultará  de escolhas fundamentais do novo governo, que, mais do que reconhecer a guerra cambial, deve se apresentar como bom estrategista para a batalha.

Bibliografia

Leandro Freitas Couto é Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB,  Professor de Política Externa Brasileira do Instituto de Ensino Superior de Brasília – IESB, e Analista de Planejamento e Orçamento do Ministério do Planejamento (leandro.couto@gmail.com).

Carlos Andre Bezerra Goes é estudante de Relações Internacionais na Universidade de Brasília – UnB.

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Dia de fazer história

Hoje é um dia para fazer história.

Levei minhas meninas pra votar comigo. Elegeríamos a primeira mulher presidente do Brasil, e isso carrega uma carga muito simbólica que pode apressar o passo da transformação da sociedade brasileira.

Nina apertou 1 e depois o 3. Maria apertou o verde para confirmar.

Não temos certeza, temos muita esperança. E a casa toda está assim.

Hoje será o dia de celebrar a esperança. Os próximos anos serão para ajudar a construir esse Brasil mais desenvolvido social e economicamente, e mais justo, mais igual.

Para mim, Flávia, Nina, Maria e o próximo bebê que vai nascer, a esperança vencerá o medo, pois o amor já venceu faz tempo.

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Em que nós estamos votando?

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A Verdade sobre o Pré-Sal e a Petrobrás

Entrevista com Fernando Siqueira, Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Esta entrevista foi realizada na sede da AEPET pela professora aposentada de economia da UFRJ, Ceci Juruá.

Para Conhecer melhor a Ceci neste link: sobre a Ceci

Ceci Juruá: Fernando, em 1997, se não me engano, houve uma mudança na lei de exploração da Petrobrás e na lei de exploração de petróleo. O que significou aquilo, Fernando? Realmente foi uma privatização?

Fernando Siqueira: Na verdade a coisa começou em 1995 quando o Fernando Henrique fez uma mudança na Constituição e fez o que eles chamavam na época de uma flexibilização do monopólio, ou seja, o monopólio estatal do petróleo que estava na Constituição foi fruto do maio movimento da história do país, na década de 50, que gerou a Lei 2004, a lei que instituiu o monopólio estatal do petróleo da União e deu à petrobrás a incumbência de desenvolver esse monopólio. E a Petrobrás ficou sendo a empresa que fazia o papel de executora do monopólio da União. E em 1995 o Fernando Henrique mudou o artigo primeiro do parágrafo 177 que dizia que não se podia dar o petróleo como garantia de dívida para que o Brasil não fizesse como o México e perdesse suas reservas.

Ceci JuruáHipotecou o México naquela década de 80, suas reservas.

Fernando Siqueira: Então quando nós fizemos na Constituição de 80 a [AEPET] junto com a Barbosa Lima e várias entidades levaram a nível constitucional o capítulo da Lei 2004 que constituía monopólio, nós colocamos essa salvaguarda. E foi exatamente nela que o Fernando Henrique mexeu dizendo o seguinte: que as atividades do monopólio poderiam ser exercidas por empresas estatais ou privadas. Ou seja, tirou a exclusividade de execução da Petrobrás e abriu a entrada no monopólio para empresas, inclusive estrangeiras.

Ceci Juruá: Mas o monopólio permanece também?

Fernando Siqueira: Permanece na Constituição.

Ceci Juruá:a É cláusula pétrea?

Fernando Siqueira: É cláusula pétrea. Só que em 97, como você falou, o monopólio foi quebrado por uma lei ordinária em todos os sentidos. Uma lei mandada para o Congresso pelo Fernando Henrique que tem artigos conflitantes entre si e com a Constituição. O artigo terceiro, por exemplo, diz que as jazidas de petróleo pertencem à União, no território nacional. O artigo 21 diz os direitos de exploração do petróleo pertencem à União. Portanto, em consonância com a Constituição. Aí vem o artigo 26 e diz que quem explora o petróleo é dono. Aí entrega o petróleo. Aí tem que oi decreto 2705 que regula essa lei ordinária, em todos os sentidos, eu repito, que diz que a União recebe uma participação especial de 0 a 40%. Quem produz até 90 mil barris por dia não paga nada. A Shell produz 70 mil barris na Bacia de Campos e leva todo o petróleo. Não paga imposto de exportação não paga participação especial. A partir de 90 mil barris por dia, eles passam a pagar dez por cento sobre o óleo-lucro, ou seja, o óleo abatido das despesas de produção, financeiras, etc. Isso representa no máximo 20% do total. Ou seja, as empresas pagam no máximo ao país 20% do total quando a produção é acima de 400 mil barris por dia.

Ceci Juruá: Mas no resto do mundo não é assim?

Fernando Siqueira: Absurdo completo. No mundo, os países exportadores recebem 84% do óleo-lucro. Portanto, nós recebemos menos da metade e até a metade. Nós não recebemos a metade, nós recebemos no máximo a metade. Essa lei foi feita sob argumento que era preciso criar incentivos para a vinda de capital externo, correr altos riscos, com baixa produtividade. E ocorre que a descoberta do pré-sal é o contraponto disso. O pré-sal não tem risco e tem altíssima produtividade. Ontem a Petrobrás furou 14 poços em pontos diferentes e achou petróleo nos 14.

Ceci JuruáOu seja, os argumentos usados para, de certa forma, privatizar o petróleo naquele governo do Fernando Henrique não podem se aplicam ao pré-sal. Ao petróleo que faz parte das jazidas de pré-sal.

Fernando Siqueira: Privatizar o pré-sal seria um entreguismo brutal.

Ceci Juruá: Exatamente, seria entregar em bandeja de prata. Porque o Fernando Henrique, comumente vem à imprensa dizer que ele não privatizou a Petrobrás. Pelo que você fala houve uma privatização do petróleo sim.

Fernando Siqueira: Por que pela lei dele, o petróleo… Outro dia, o Luís Paulo Veloso Lucas, o presidente da Fundação Teotônio Vilela, que é quem formula o programa do PSDB, debatendo comigo em uma assembléia lá em Vitória: você está reclamando de que? O petróleo enquanto estiver lá embaixo é da União. Ele só vai para a empresa estrangeira depois de produzido.

Ceci Juruá: Mas o petróleo só interessa é depois de produzido.

Fernando Siqueira: Só interessa depois de produzido. Então a proposta hoje de falta de modelo pro pré-sal é criminosa.

Ceci Juruá: Mas antes de passar pra esse modelo, esse projeto que está sendo finalizado o exame pelo Congresso, o modelo de partilha, ele realmente é diferente daquele modelo de concessão?

Fernando Siqueira: Totalmente.

Ceci JuruáQue diferenças?

Fernando Siqueira: O processo atual, a lei atual, que é o processo atual, que é o processo de concessão que eu te falei, dá propriedade a quem produz. E a obrigação de pagar no máximo à União 20% em dinheiro do produto. 20% em dinheiro. O produto estratégico que é o petróleo é 100% de quem produz. Então esse é o modelo de concessão que corretamente o Presidente Lula resolveu mudar quando o pré-sal foi descoberto. Porque no modelo de partilha, a propriedade do petróleo é da União, e a União paga uma parte em petróleo a quem produzir para remunerar seus custos de produção. É mais ou menos o modelo vigente em 80% dos contratos mundiais. É um modelo muito melhor que o modelo de concessão, sem dúvida nenhuma. Nós fizemos algumas contas, ou algumas simulações colocando o preço do petróleo a 70 dólares e o custo de produção a 30 dólares. Chegamos a conclusão de que, com o contrato de concessão, 100% é de quem produz e ele paga no máximo 20% à união em dinheiro. No contrato de partilha, 60% é da União e ela paga, remunera o custos de produção em petróleo.

Fernando Siqueira: A Petrobrás é a empresa  nacional, ou internacional, que mais remunera o serviço no Brasil. Que mais compra no mercado nacional, que mais contra pessoas, mão de obra, serviços no mercado nacional e é a que mais desenvolve tecnologia no país.

Ceci Juruá: Se o PSDB ganharem essas eleições, você vê alguma possibilidade deles abandonarem esse projeto de partilha e voltar ao sistema anterior?

Fernando SiqueiraComo eu falei, o Veloso Lucas, que é o presidente Fundação Teotônio Vilela, já declarou que vão voltar a esse modelo. O David Zylberstajn, que foi o presidente da Agência Nacional de Petróleo, ex-genro do Fernando Henrique e que hoje faz parte da equipe do Serra, já declarou que o modelo vigente não precisa ser mudado. Então não tem a menor dúvida que se o PSDB ganhar, nós vamos voltar a esse modelo absurdo que o Fernando Henrique implantou no país.

Fernando Siqueira: Isso é um risco fantástico porque nós contamos hoje realmente com o pré-sal como uma grande fonte de financiamento pra resolver de uma vez por todas os nossos grandes problemas sociais, nossa dívida social. Fernando Siqueira:Como eu falei no início, o pré-sal é nossa chance de deixar de ser o eterno país do futuro e ser o país do agora. Mas desde que o pré-sal seja nosso. E pela lei atual do Fernando Henrique não é, é de quem produzir.

Ceci Juruá: Então o futuro dessa riqueza fantástica vai depende do resultado dessas eleições.

Fernando SiqueiraO futuro da nação. Dessa decisão da população brasileira.

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Flor das Gerais

Gustavo Antônio Galvão dos Santos*

Moro fora da minha cidade natal, Belo Horizonte, há 8 anos. Este ano fui “em casa” para votar. Os campos e cerrados nas serras em torno da capital estavam rebrotando das primeiras chuvas, depois de longos meses de uma seca recorde e queimadas generalizadas. Apesar do carvão que ainda enc   obria o solo e os troncos das árvores, já era possível ver brotos viçosos e flores por todo lado. Os ipês pontilhavam de amarelo a paisagem. Nenhuma novidade, início de primavera é sempre assim, belo e cheio de lembranças para quem passou a infância e juventude rodando por essas estradas.

Nas eleições, porém, achei a cidade mudada. Sempre vota unida pra Presidente. Dessa vez, pareceu votar dividida. Nenhum dos candidatos teve maioria. Marina teve 40%, sua melhor votação entre as capitais. Segundo algumas pesquisas, no segundo turno a votação está precisamente empatada, 50% a 50% dos votos válidos na capital.

Minha filhinha de 7 meses me faz chorar de saudade e alegria, como não ocorria desde criança. Ela é carioca como a mãe. Aliás, é nascida no Rio, porque, pra mim, em Minas vale um princípio jurídico chamado jus sanguinis. Cuja tradução literal do latim, segundo meu advogado, significa exatamente: “é mineiro quem é filho de mineiro, não importa onde nasceu”. Não sei se devo confiar no advogado, mas eu fico impressionado como no latim é possível exprimir frases complexas em duas palavras.

Então, minha filhota é mineira e não tem conversa. Mas também é carioca. E isso não é contraditório, porque ser mineiro é qualidade, não é exclusivismo. E ela também vai adorar ser carioca. Porque, se BH foi bem projetada pelo arquiteto Aarão Reis e remodelada por JK, o Rio foi projetado por Deus, e Ele é incomparável. Mas os mineiros são bons de serviço criando belas capitais do nada. Brasília é um grande e lindo parque, onde as pessoas têm prazer em morar sem muros, no meio das plantas e passarinhos.

Minha família é das cidades históricas, Ouro Preto, Sabará, Oliveira. A maioria dos meus avós, bisavós, tataravós, pentavós, sei lá o que, são mineiros. Minha avó até dizia que a gente é descendente dos inconfidentes. Não sei de onde ela tirou isso, acho que em Ouro Preto todas as avós devem dizer isso. Só não digo, meu time do coração. Mineiro não mistura política com futebol, porque sabe que nessa matemática vale mais a soma do que a divisão.

Mineiro gosta de política. Mas política com arte e não com briga. Esperteza sim, mas falta de cordialidade não. Quem vê de fora, às vezes, estranha, pois adversários costumam se tratar como amigos e até aliados. A arte da política tem uma beleza própria. Nela não basta vencer, é preciso vencer com elegância. Elegância é não vencer pela força, não vencer com ofensas ou calúnias, é vencer quando tudo parece perdido. É saber usar os gestos de generosidade, a surpresa, a paciência, o pequeno movimento que tem grande significado, como em um belo jogo de xadrez

O ex-governador Aécio Neves é um mestre nessa arte. Segue, assim, os preceitos do avô: elegância, cordialidade, generosidade nos gestos e um quê de mistério. Aécio é o melhor jogador de xadrez da política brasileira neste século. Articula até melhor do que Lula.

Lula também é muito inteligente, generoso e elegante. Mas não é isso que lhe faz ser um mito. Lula é acima de tudo um grande comunicador. Sabe tocar os corações, quando fala. Porque ele próprio tem um grande coração. Errando ou acertando, ele decide e se expressa com o sentimento.

Aécio tem outro estilo, mineiro, trabalha em silêncio. Ainda jovem, deu nó no Serra, FHC, ACM, Jader Barbalho e se tornou – contra a cúpula do próprio partido – Presidente da Câmara dos deputados. Ali ficou claro que tinha herdado a inteligência e o talento do avô. E isso nos enche de orgulho.

Aécio no Senado vai fazer bonito, e faria também na diplomacia global. Se tiver a chance, ensinará ao mundo o que significa a expressão brasileira: “dar nó em pingo d’água”. Se bobearem, é capaz de unir Coréia do Norte com do Sul, e sem avisar.

Mas eu quero falar sobre o voto no 2º turno. As pessoas precisam refletir no que é melhor para o Brasil, Minas e BH. É muito importante que votemos demonstrando união. Sem União, nem nosso representante terá a força que precisa para nos representar da melhor forma, nem nós acharemos justo cobrar com rigor todas as expectativas que depositamos e todas demandas que tivermos.

Para ter união, é preciso ter confiança. O primeiro laço de confiança é com a mãe, com a família, com a gente da terra.  Nesse sentido, é importante considerar que a Dilma é mineira. Mas não apenas isso, Dilma é de BH. Na história, presidente mineiro é mais comum do que pequi no sertão de Montes Claros. Porém, nunca houve um presidente de BH! Porque BH é cidade nova, crescida de poucas décadas.

Tá na hora dos mineiros mostrarem ao Planeta Terra o valor da gente de sua Capital. Porque o mundo vai saber! O Lula colocou o Brasil no lugar que ele merece estar. Seus discursos na ONU fazem chorar até mesmo os diplomatas, principalmente da África e países pobres. Isso é incrível! Diplomata é gente fria, acostumada a ouvir discurso, fechar acordos impublicáveis, e fazendo cara de paisagem. Presidentes e líderes do mundo todo correm para tocá-lo como povão faz nas visitas dele ao Jequitinhonha.

O Brasil sempre foi considerado um país simpático, mas exótico. Lula fez do Brasil uma nação influente e importante. Colocou o Brasil nos corações e mentes de todo mundo. E, em especial, nos jornais. Se antes, o Brasil nem ousava palpitar nas grandes decisões mundiais, agora, todos querem saber a posição do Brasil em tudo. Querem saber sempre, se o Brasil de Lula concorda ou se discorda. E como estamos sempre defendendo a posição dos países mais desfavorecidos, viramos a reserva moral do Planeta. Hoje somos visto como o país que não faz diplomacia para impor seus interesses, como fazem as grandes potências. Nossa diplomacia tem buscado fazer o que é certo. Somos a voz daqueles que não tinham voz. A Voz da África e da América Latina. Foi Lula quem construiu isso. “O cara”, segundo Obama, virou celebridade mundial. Faz até analfabeto comprar jornal no interior da Conchinchina.

Agora que o Brasil é centro das atenções, temos a chance de ter uma belo-horizontina como celebridade mundial. Moça de BH ser celebridade pela beleza é comum. Mas será a primeira vez que uma mulher brasileira será considerada uma das três maiores líderes mundiais. Porque o novo Brasil é visto como país central na diplomacia mundial. Dilma tem inteligência, experiência e liderança para mostrar ao mundo o que mineiras são capazes. Será uma grande honra para BH.

Ela já mostrou que é muito competente. Todos os indicadores econômicos e sociais do governo Lula foram superiores no 2º mandato, quando a Dilma governou soberana a Casa Civil. A Casa Civil é o principal ministério e que coordena todo o governo. Mas o indicador que sintetiza a qualidade do que foi realizado é a popularidade do governo. Hoje é muito maior do que quando ela assumiu sua a gestão há 5 anos.

Os gaúchos são um povo muito culto e politizado. Eles conhecem as realizações dela, onde foi Secretária de Energia e Fazenda. Lula teve uma das suas piores votações em 2006 no Rio Grande do Sul. Agora, Dilma surpreendentemente teve maioria lá.

Mas há outro lugar onde Dilma tem maioria absoluta, aliás, 100% de intenção de voto. Esse lugar é a Bulgária, na Europa. Como Minas, a Bulgária é um país montanhoso. Seu povo guerreiro tem mais de 1000 anos de história. Foram invadidos, dominados, massacrados por dezenas de potências estrangeiras por séculos a fio. Mas nunca baixaram a cabeça, fizeram sua Inconfidência e conquistaram a independência. Hoje vivem tranqüilos com o conforto de pertencer à próspera União Européia. Próspera, mas em crise.

A Grécia, que é pertinho, está em uma crise muito feia. Na Europa toda, há greves gerais, demissões em massa, colapsos financeiros. A França está até expulsando imigrantes, inclusive os búlgaros.

Na Bulgária, nada disso é notícia. Há três meses, eles só querem saber das eleições no Brasil. Todo dia é manchete de jornal: Dilma subiu, Dilma caiu, Dilma subiu. Ficaram decepcionados por ela não ter vencido logo no 1º turno. Estão dizendo que Dilma será a “búlgara” mais poderosa do mundo. A “búlgara” mais famosa da história.

Uai, mas a Dilma não é de BH? É, mas o pai é mineiro por adoção e paixão, porém, búlgaro de nascimento. Ele foi embora da Bulgária há tanto tempo, que ninguém lá lembra o motivo. Hoje os prováveis parentes estão famosos. Os jornalistas investigativos foram nas montanhas isoladas onde ainda moram para tentar descobri-los. Apareceu gente de tudo que é lado querendo dizer que era parente daquela que querem ver como mulher mais poderosa do mundo.

Mas Dilma nunca foi lá, não tem contato, não fala a língua. Ela é mineirinha da Silva. Silva é o sobrenome da mãe. Mas os búlgaros dizem que lá também vale a jus sanguinis. Então eles acham que podem dizer que a Dilma é deles também. Mas é um povinho invejoso. Querem ficar  famosos de todo jeito. Mas a Dilma é comedora de pão de queijo, não tem jeito. Na minha opinião, em Minas, a jus sanguinis só deveria valer para baixo. Pra cima, não.

BH se uniu no primeiro turno para escolher uma mulher para presidente. Dilma e Marina tiveram  juntas 72% de votação. A intuição dos mineiros diz que é hora de ter na presidência a sensibilidade feminina. O mundo está mudando. Os americanos, que eram racistas, escolheram um negro pra presidente. Está na hora de uma mulher no Brasil. É Minas, como sempre, na vanguarda política.

Para alguns, Dilma tem um jeito de durona, porque teve uma história difícil. As calúnias na internet dizem até que ela foi “terrorista”. Meu Deus, mas isso é como a ditadura chamava aqueles jovens corajosos que lutaram pela democracia em que vivemos hoje! Ora bolas, Tiradentes agora é “terrorista” também? Estão querendo inverter tudo. Mas mineiro não é pautado por propaganda de época de ditadura.

Dilma era uma menina idealista de 20 anos quando foi presa e torturada por 22 dias seguidos. Ficou 3 anos presa. Resistiu a todos os tipos de provações, sofreu heroicamente para não delatar os colegas. Sofreu por não poder ver a família, dizer que estava viva. Imagina como isso foi difícil para uma menina de classe média alta, inteligente, muito bonita (vejam as fotos dela jovem pra confirmarem), que estudou nos melhores colégios e que tinha todo o carinho e conforto de uma boa família mineira. Felizmente, Flor das Minas Gerais nasce e renasce até debaixo de pedra ou fogo.

Como conterrâneo, tenho admiração por uma mulher que lutou tão jovem e bravamente contra a ditadura e que hoje pode ser a primeira presidente. As mulheres mineiras também hão de pensar assim, especialmente em BH, que se mostra cada vez mais distante daquele machismo de épocas passadas.

Mineiro entende de política como poucos, e sabe que desunião é a arma dos adversários do povo. “Dividir para conquistar”, esse é o lema dos poderosos. Por isso, Minas sempre votou unida para Presidente. Antes do voto, podemos discutir duramente, mas, quando decidimos, vamos todos juntos, porque a União faz a força mesmo.

Ninguém nos pauta. Não baixamos a cabeça e não somos conduzidos por ninguém. Nós que decidimos. E decidimos unidos pelo justo, pelo correto, pelo futuro de nossos filhos e pela fé que temos na capacidade de nossa gente. O Mundo conhecerá nosso valor, como nós já conhecemos.

* Gustavo Antônio Galvão dos Santos é Mineiro de BH e doutor em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

Ps: caros diplomatas, me perdoem pela brincadeira


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http://saobartolomeu.com/

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Dilma Lá

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CAMISETAS DILMA

Galera de Brasília

Como algumas pessoas me incitaram, estou pensando em fazer umas camisetas da Dilma para quarta-feira, 27, dia que parece que vai rolar uma mobilização forte da campanha.

A camiseta seria branca, com a figura desse post. Sairia a um custo estimado de, no máximo, R$ 20,00. Alguém se interessa? Quer propor outra arte?

Comente, envie um e-mail, twit ou qualquer coisa do gênero.

leandro.couto@gmail.com

@freitascouto

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Por que a UnB vota(?) Serra

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Marcha Minas com Dilma

MARCHA+DILMA+01B

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