Obama entre o protagonismo brasileiro e as incertezas americanas

Compartilho artigo do amigo prof. Creomar Lima Carvalho de Souza*, sobre a visita do Obama no Brasil. O conservadorismo da política externa norte-americana, justificado pela conturbada situação política interna dos EUA, impede a grande potência continental a darem passem firmes na direção da reforma do sistema internacional e a aceitarem uma participação mais ativa do Brasil. Seu apoio aos organismos multilaterais têm mais a preocupação de  evitar que o sistema internacional aumente as pressões sobre a sua política externa do que, efetivamente, fazer avançar o rearranjo de forças.

No entanto, os EUA não desconhecem que o Brasil vem ganhando importância, mas parecem não saber lidar muito bem com isso. A meu ver, querem aproveitar as vantagens econômicas e estratégicas, especialmente com as oportunidades abertas pela realização da copa do mundo e das olimpíadas e, principalmente, com o Pré-sal, sem firmarem uma parceria política de fato. O Brasil precisa saber barganhar isso muito bem. Se não há free lunch na política internacional, quanto queremos cobrar pelo cardápio que temos a servir?

O artigo do Prof. Creomar sinaliza exatamente isso. Vejam mais no blog dele: http://profcreomardesouza.blogspot.com/ Abaixo o post completo, também publicado no blog da jornalista Christina Lemos, no portal R7.com

 

A visita de Barack Obama ao Brasil foi cercada de uma série de expectativas e simbolismo. O primeiro aspecto a se destacar é o momento vivido pelos Estados Unidos tanto em âmbito interno quanto externo. Internamente, os resquícios da crise econômica recente, fruto da má gestão governamental, em termos de regulação das atividades financeiras e da própria estagnação dos modelos produtivos locais, não parece dar sinais de superação no curto prazo. E, se por um lado a eleição de Obama simbolizou uma retomada da esperança entre os cidadãos americanos, de outro, a aparente dificuldade da administração em implementar as mudanças prometidas durante a campanha aumenta a pressão sobre o presidente por resultados e dá combustível à oposição no questionamento das decisões tomadas.
Essas várias frentes de confrontação interna podem explicar o conservadorismo com o qual os Estados Unidos têm levado sua política externa, estratégia cautelosa para não abrir mais trincheiras no plano político interno. Diante desse quadro, o país busca renovar parcerias tradicionais e buscar novas e estratégicas, prova disso têm sido as manifestações do presidente Obama, que nega o papel de dar solução solitária de crises internacionais. O reforço, portanto, a determinadas instâncias multilaterais não surge da crença nas mesmas. Ao contrário, nasce da percepção de que novas aventuras internacionais aumentam as desconfianças com relação aos EUA e também fazem subir a pressão sobre o orçamento nacional, prejudicando o contribuinte e provocando resultados eleitorais indesejados.
A preocupação maior dos Estados Unidos parece ser, portanto, antes evitar que o sistema internacional aumente as pressões sobre a sua política externa do que, efetivamente, fazer avançar o rearranjo de forças. Isso explicaria a rejeição velada em considerar o Brasil uma liderança no Sistema Internacional. O Brasil reconhece a liderança americana e reclama de forma justa o reconhecimento por parte de Washington do protagonismo brasileiro que vem se consolidando nos últimos anos.
No imaginário dos tomadores de decisão do Brasil, reclames históricos como a necessidade de reformular organismos internacionais – como o Conselho de Segurança das Nações Unidas – são cada vez mais inadiáveis. Porém, por não ser uma potência global consolidada, o Estado Brasileiro, de certa forma, necessita do endosso de outros atores para suas pretensões. O fato de a Casa Branca apoiar ambições semelhantes de outros atores – caso do endosso de Obama a uma vaga para Índia como membro permanente no Conselho de Segurança, pode indicar que o Brasil ainda não é o parceiro estratégico no tabuleiro político que os EUA vêm buscando.
Conclui-se que os EUA ainda possuem bastante dificuldade em lidar com o surgimento de uma liderança continental que possui discurso autonomista. Isto, porém, não quer dizer que não haja um reconhecimento da crescente importância do Brasil em vários âmbitos das relações internacionais, particularmente no plano econômico e estratégico, principalmente do ponto de vista energético. Ciente disso Obama veio ao Brasil, para dar impulso material a uma relação que não pode viver de simbolismo.
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Desigualdade de renda no Brasil

Abaixo, o artigo de Marcelo Neri sobre a desigualdade de renda no Brasil.

Os dados são contundentes.

Enquanto a renda dos 10% mais ricos, levando em conta a renda domiciliar per capita, aumentou 12,58% nos últimos das anos, a renda dos 10% mais pobres subiu 69,08%, e a dos 50% mais pobres, 52,59%.

Entendo que a desconfiança daqueles que creditavam a melhora na situação econômica do Brasil ao bom ambiente econômico internacional, ao menos até 2008, deve render-se a esses números. Isso nem de longe explica a mudança no padrão de crescimento brasileiro, apenas possível pelas políticas públicas levadas a cabo na última década.

É, também, até certo ponto, contraditório ao ceticismo e preocupações que estão acesas quanto a uma reprimarização da economia brasileira, na qual as commodities vão ganhando espaço da indústria. Entendo que o processo de geração de renda dos produtos prímários, como minérios e grãos, são perversamente concentradores.

Algo agiu no sentido contrário. E esse algo, certamente, não foi o mercado sozinho.

O espelho da desigualdade

Marcelo Neri
22/03/2011

Em diversos artigos que escrevi neste espaço ao longo dos últimos 11 anos, me referi aos anos 2000 como a década da queda da desigualdade de renda. Acompanhar a desigualdade brasileira até 2001 era um tanto monótono, era como se ela fosse uma constante da natureza. Depois disso, a desigualdade medida pelo índice de Gini, por exemplo, cai entre cada Pesquisa Nacional de Amostras a Domicílio (PNAD). Agora, finda a década no sentido gregoriano da palavra, o que podemos dizer da desigualdade nesse período?

Seguimos aqui o conceito de renda domiciliar per capita medido pela PNAD, que referencia a maior parte das discussões brasileiras acerca do trinômio bem estar-social, pobreza e desigualdade. Se ordenarmos a população por renda per capita e dividi-la em dez pedaços iguais, entre a primeira e a última PNAD da década passada, a renda dos 10% mais pobres subiu 69,08% real per capita acumulado no período. Esse ganho vai caindo paulatinamente à medida que nos aproximamos do topo da distribuição, atingindo 12,58% entre os 10% mais ricos.

A fim de sintetizar melhor as mudanças observadas, restringimos a análise que se segue aos 50% mais pobres e aos 10% mais ricos. Os primeiros detém por definição a metade mais pobre da população enquanto os segundos no auge da desigualdade, detinham quase metade do bolo de renda tupiniquim. As respectivas taxas acumuladas de crescimento da renda real per capita foram de 12,58% e 52,59%. Isso indica que o bolo da metade mais pobre da população brasileira cresceu a uma taxa 318% mais alta que a dos 10% mais ricos entre 2001 e 2009. Essa é uma medida intuitiva da evolução da desigualdade.

Tecnicamente, a década passada, se iniciou na virada de 2000 para 2001 e terminou na mudança de calendário de 2010 para 2011. Infelizmente, a PNAD não vai a campo em anos de Censo Demográfico que delimitam as décadas, como 2000 e 2010. Logo só poderemos saber pelos dados da PNAD apenas o que aconteceu em 8 dos 10 anos que nos interessam.

Optamos aqui por completar as séries da PNAD pelas da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que só pesquisa a renda do trabalho nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras. Tenho a consciência que pelas diferenças de cobertura geográfica e de conceito de renda, a comparação direta entre PNAD e PME é inviabilizada. Seria o equivalente a comparar laranjas com bananas.

Aqui comparamos PME com PME nos mesmos meses do ano. Pois mesmo bananas do mesmo tipo possuem diferentes qualidades em diferentes meses em função de sazonalidades.

Posteriormente, essas variações serão incorporadas às séries da PNAD com as devidas ressalvas – as PMEs captam apenas a renda domiciliar per capita do trabalho, que corresponde a ¾ da renda das pessoas, de forma mais ou menos uniforme ao longo da distribuição de renda.

Nessa analogia, os censos são espécies de abacaxis, muito raros e saborosos mas cheios de espinhos, função das mutações metodológicas sofridas ao longo de cada década. De forma que preferimos não comparar abacaxis do tipo A com abacaxis do tipo B. Até por que os últimos ainda não foram nem descascados, muito menos processados. A longa defasagem incorrida entre a coleta de campo e a disponibilização das séries de microdados do novo censo indica que só poderemos calcular os mutantes números censitários da desigualdade no final de 2012.

A renda dos 50% mais pobres nos anos 2000 sobe 69%, a imagem do espelho do ganho dos 10% mais ricos nos anos 60

Segundo a PME, as taxas de crescimento da renda dos pobres foram sempre superiores à dos ricos entre dezembro de 2000 e setembro de 2001 e de setembro de 2009 a dezembro de 2010. Isso indica que a desigualdade caiu não só entre cada PNAD mas sugere que também caiu nos extremos das décadas gregorianas. A diferença é que no começo da década passada a renda caia menos para os mais pobres e no final crescia mais para os mais pobres.

Ao completarmos as séries pela taxa de variação da PME observadas nas extremidades da década, chegamos a uma taxa acumulada de crescimento na década passada de 10,03% para os 10% mais ricos e 67,93% para os 50% mais pobres. Ou seja, a taxa de crescimento da metade inferior foi 577% mais alta que a dos 10% mais ricos. Isso faz com que a razões de rendas médias nos dois estratos populacionais que é uma medida de desigualdade, caia quase à metade dos valores iniciais: de 18,12 em dezembro de 2000 para 9,76 em dezembro de 2010.

Agora dado o cenário para a década de 2000 como um todo precisamos compará-lo com as demais décadas. O estudo da desigualdade de renda brasileira completa agora meio século, começando no Censo de 1960, a primeira das pesquisas domiciliares representativas do país a perguntar diretamente a renda da população. O espetacular aumento da desigualdade entre 1960 e 1970 foi seguido de uma longa monotonia estatística. Alguns chegaram a comparar a dinâmica dessas séries à do eletrocardiograma de um morto.

A comparação que nos interessa portanto é a da década de 2000 com a de 1960. O problema do Censo de 1960 é que a renda individual não era passível de ser agregada em termos de renda per capita de cada domicílio. Em função dessas limitações comparamos mudanças de medidas distintas. O conceito usado na obra seminal de Carlos Langoni 1973, reeditada pela Editora da Fundação Getulio Vargas, era renda individual. O trabalho de Langoni continua surpreendentemente atual na metodologia e nas conclusões, se as últimas forem invertidas. O resumo da ópera é uma revolução de 360°. Acabamos de voltar ao menor nível de desigualdade de nossas séries históricas observado em 1960.

Senão vejamos: a renda dos 10% mais ricos sobe 66,87% entre os censos de 1960 e 1970. Se restringimos a análise apenas aos 5% mais ricos o aumento foi ainda maior 75,42%. Os 50% mais pobres obtiveram um aumento de 15,26% no mesmo período. Ou seja, a renda da metade mais pobre cresceu 81,22% menos que a dos 10% mais ricos.

Incidentalmente quando comparamos as décadas de 1960 e a de 2000, as taxas acumuladas de crescimento dos estratos extremos da distribuição são similares. A renda dos 10% mais ricos nos anos 60 sobe 66,87% quase o aumento de renda dos 50% mais pobres na década passada. É o que podemos chamar de imagem no espelho da desigualdade.

Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, Fundação Getulio Vargas. Autor dos livros “Ensaios Sociais”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Microcrédito, o Mistério Nordestino e o Grammen brasileiro”. mcneri@fgv.br.

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Fórum de Planejamento e Desenvolvimento

Primeira reunião do Fórum de Planejamento e Desenvolvimento

Representantes da ASSECOR, da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste (AFBNB), da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES), e da Associação dos Funcionários do IPEA (AFIPEA) participaram da primeira reunião do Fórum de Planejamento e Desenvolvimento promovida na sede da ASSECOR. No encontro, foram debatidas a estruturação do Fórum e a agenda e forma de condução dos trabalhos.

Inicialmente, esclareceu-se o objetivo do Fórum, que é elaborar e, posteriormente, articular para que se implemente um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, conforme prevê a Constituição Federal. Outro ponto ajustado foi a estruturação do Fórum de maneira informal, sem maior institucionalidade.

Participação

O Fórum foi criado com a participação inicial de cinco entidades: ASSECOR, AFBNB, AFBNDES, AFIPEA e a Associação dos Analistas de Comércio Exterior (AACE). Essas instituições enviarão por e-mail, até o dia 23 de março, os nomes de dois representantes titulares e dois suplentes para a formação do Grupo Executivo que deverá conduzir as discussões do Fórum.

A Diretoria Executiva da ASSECOR deliberou que os representantes titulares da entidade serão os associados Leandro Freitas Couto e Márcio Oliveira Gimene, idealizadores da iniciativa, os suplentes ainda serão escolhidos.

A decisão quanto o ingresso de novas carreiras foi adiado para um segundo momento, após a primeira discussão sobre o escopo e linhas gerais do plano nacional de desenvolvimento econômico e social. “Quando tivermos isso, poderemos tentar mobilizar todas as carreiras que entendermos que possam se interessar pelos temas que serão discutidos” disse Leandro Couto, representante da ASSECOR no Fórum.

Trabalhos

A proposta de escopo e linhas gerais para o Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social será debatida por todas as entidades com os associados. Após as discussões sobre o tema, será elaborada uma proposta final que deve ser enviada ao Fórum até o dia 01 de abril.

As propostas de todas as entidades serão debatidas, por meio virtual, pelos integrantes do Grupo Executivo do Fórum, que ficará responsável por integrar todas as idéias e formar um texto conjunto. O documento deve estar finalizado até o dia 17 de abril.

Segunda reunião

O próximo encontro do Fórum de Planejamento e Desenvolvimento está marcado para o dia 18 de abril. Nessa oportunidade, será fechar a primeira versão do escopo do Plano e haverá novas indicações de outras associações que  farão parte do Fórum.

Após essa reunião, o Grupo Executivo deverá elaborar, até o dia 2 de maio, o manifesto, de caráter institucional e político, de constituição do fórum. O documento será publicado na primeira edição da Revista Brasileira de Planejamento e Orçamento (RBPO), que será lançada juntamente com o Fórum em um evento programado para o dia 20 de maio.

 

Camila Jungles, assessora de comunicação da ASSECOR.

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Escola e cultura – um patrimônio do DF para o Brasil

Participei, junto com um grupo da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo,  da pré-conferência de cultura do DF pra discutir memória e patrimônio, e fui eleito um dos delegados para a plenária final. Grata surpresa foi saber, ao final, que os delegados eleitos nessas conferências também serão delegados do orçamento participativo do DF, embora ainda desconheça como será realizado esse processo.

Nossa principal proposta era com relação à regulamentação da lei do patrimônio imaterial, já existente no DF, de autoria da Deputada Distrital, atual Secretária de Desenvolvimento Social, ex-vice-governadora do DF, Arlete Sampaio que havia sido questionada judicialmente, mas após decisão do TJDFT, está, novamente, em vigor.

A Vivendo e Aprendendo reinvidica o seu reconhecimento como patrimônio imaterial. Mais do que isso, penso que a associação, por sua forma de gestão coletiva, pelo modo que entende a construção pedagógica e o papel que concede à criança nesse processo, já exerce um destacável papel cultural na comunidade, que ainda pode ser aprofundado.

Essa questão deve ser considerada no mais alto grau de atenção nas políticas públicas educaionais e culturais: O papel da escola na cultura. Por que não ter como meta algo que incentive a construção de escolas como pontos de cultura, não como ações eventuais, mas a partir de um entendimento mais amplo dessa relação escola e cultura?

Conversamos sobre isso nessa semana, em almoço com o secretário-adjunto de cultura no DF, e ontem o caderno de final de semana do Valor trouxe uma reportagem sobre uma pesquisa realizada na UERJ sobre mobilidade social no Brasil que reforça essa tese.

A pesquisa “compara a ocupação profissional dos filhos com a dos pais e observa fatores principais para explicar a desigualdade de oportunidades: a relação entre a origem (medida pela ocupação do pai) e o destino (medido pela ocupação do filho) e o nível de escolaridade nas duas gerações. Na comparação entre o que foi herdado e o que foi adquirido a conclusão é que, embora a educação seja muito importante, outros itens mantêm um peso relativo grande: a escolaridade da mãe, o número de irmãos e o capital cultural, conjunto de bens intangíveis e não mensuráveis em renda. Em todos os países, família e escola são os dois lugares de transmissão de capital cultural. No Brasil, a família tem desempenhado papel mais importante do que a escola, reduzindo o poder da escolarização na ascensão social.

Dois outros capitais – o social e o econômico – também exercem influência no destino profissional. Entram em jogo fatores como patrimônio e redes de relação. “Um pequeno patrimônio já faz grande diferença. Uma família que viva numa casa própria, mesmo que modesta, tem melhores condições de passar por uma situação de desemprego do chefe do que uma família que pague aluguel”, afirma. No quesito capital social, a rede de relações sociais é o que gera oportunidades de ingresso e crescimento no mercado de trabalho. “O peso da rede de relações na ascensão social faz que o Estado brasileiro seja muito cobiçado como empregador”, reconhece o sociólogo. Processos de seleção via concursos públicos funcionam como mecanismos de ascensão social para aqueles que não dispõem de redes de relações.”

É isso. Penso que a escola precisa ser um importante formador desse capital cultural, não apenas para os alunos, mas para a comunidade que lhe cerca. E um espaço de incentivo a criação das redes sociais reais que amplificam o poder desse capital.

E a experiência da Vivendo é sim um Patrimônio de Brasília a ser replicado pelo DF e pelo Brasil.



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Creches no DF

Atentem para essas informações ao mesmo tempo complementares e contraditórias.

Abaixo, uma nota da Câmara Legislativa do Distrito Federal sobre sessão solene em homeagem à mulher. A principal demanda apresentada foi com relação à construção de creches públicas para que as mães possam deixar seus filhos e poderem trabalhar com mais dignidade e segurança.O DF tem um incrível déficit de vagas em creches públicas.

Pois hoje, em reportagem do Valor Econômico, ficamos sabendo que o Distrito Federal não se interessou ainda pelo programa de expansão da rede de creches públicas do Governo Federal, proposta que teve destaque na campanha eleitoral vitoriosa de Dilma Roussef. Vejam o que saiu no Valor hoje na reportagem “Mec muda critérios para fazer deslanchar programa de creches”:

Dos 471 municípios beneficiados na primeira leva do PAC 2 da educação infantil, dez capitais de Estado – Salvador, São Luís, Cuiabá, Belém, João Pessoa, Curitiba, São Paulo, Palmas, Boa Vista e Macapá – mais o Distrito Federal, não se interessaram em obter recursos federais para a construção de creches. “Esse levantamento é no mínimo curioso, porque a maior demanda por vagas em creches está nas cidades grandes. Talvez as eleições do ano passado tenham atrapalhado o processo de inscrição ou tem a ver com diferenças políticas da prefeitura com o MEC”, acredita Vilmar Klemann, secretário-executivo Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib). Essa última possibilidade é descartada por Paim, secretário-executivo do MEC.

 

Esperemos confirmação dessa informação pelo GDF, ou ao menos de que se não foi possível nesses dois primeiros meses de governo elaborar os projetos para apresentação ao MEC/FNDE, que o faça o quanto antes. Parece-me mais uma herança do governo Arruda/Rosso que precisa ser prontamente superada. Isso porque algumas correm o risco de fincar raizes.

Mulheres reivindicam mais creches no DF

14/03/2011 18:26

A necessidade de construção de mais creches no DF, para atender  às mães trabalhadoras, foi uma das  principais reivindicações defendidas hoje (14) na sessão solene que a Câmara Legislativa realizou no Plenário para comemorar a passagem do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Apesar das reclamações contra a discriminação “machista” a sessão teve também música e dança, com apresentação do grupo “Tambor de Crioula”.

A iniciativa da homenagem foi da deputada distrital Rejane Pitanga (PT) e atraiu dezenas de militantes de organizações ligadas às lutas das mulheres, além de secretárias do governo local. A esposa do governador, Ilza Queiroz, também compareceu à solenidade, mas preferiu não se pronunciar, na tribuna.

Ao abrir a sessão especial, Rejane Pitanga destacou que embora as mulheres sejam a maioria da população ainda enfrentam dificuldades no mercado de trabalho, como também continuam sendo vítimas de violência no DF. “Muitas mulheres ainda morrem em nome do amor”, criticou. Ela aproveitou para defender a universalização das creches públicas no Distrito Federal, como uma das reivindicações mais urgentes a serem atendidas pelo GDF, na cidade.

“Neste momento histórico que Brasília está vivendo, com um novo governo, temos que lutar pela desconstrução cultural do machismo. E precisamos acabar com a violência sexual contra nossas crianças e adolescentes”, afirmou a secretária de  Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Arlete Sampaio (PT), deputada distrital licenciada. Arlete disse que a construção de mais creches em todo o DF seria “uma forma de se elevar as condições de vida de todas as mulheres brasilienses.”

O deputado Olair  Francisco (PTdoB) fez coro às reivindicações das mulheres. “Sabemos que no DF temos hoje um déficit de cerca de 600 creches, que seriam necessárias para garantir a valorização das nossas mulheres trabalhadoras”, defendeu o parlamentar, que também é empresário. Os distritais Patrício (PT) e Raad Massouh (DEM) enviaram mensagens de solidariedade às mulheres, lidas na tribuna.

As secretárias do GDF Olgamir Amâncio, da Secretaria da Mulher; Regina Vinhaes, da Educação, e Samanta Sallum, de Comunicação Social, também participaram da sessão e garantiram o empenho do governador Agnelo em tratar aquelas questões como prioridade em seu governo.

A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), da Polícia Civil, participou do evento com uma exposição de cartazes com muitas fotos de mulheres agredidas, que foram instalados no Plenário, como um grito de alerta contra a discriminação de gênero.

Zildenor Ferreira Dourado – Coordenadoria de Comunicação Social
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Lições do Brasil para os rebeldes Árabes

Tradução de artigo da Al Jazeera com o Celso Amorim.

Durante duas décadas de ditadura militar no Brasil, teria sido impensável que uma mulher que participou dos movimentos de resistência ao regime governaria o país no século 21.
Essa transição da autocracia para a democracia poderia oferecer algumas lições para os rebeldes em todo o mundo árabe, disse o ministro que mais tempo permaneceu à frente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil em um fórum organizado pelo Centro Al Jazeera de Estudos, em Doha, no Catar.
“Quem teria pensado que um intelectual, um metalúrgico e uma “revolucionária” iriam suceder uma ditadura militar?” disse Celso Amorim, o ex-chanceler e diplomata de carreira, uma multidão na quinta-feira, falando sobre os antigos e atuais líderes brasileiros.
“Aconteça o que acontecer, as rebeliões no mundo árabe vão criar uma nova situação política no Oriente Médio. Isso é certo”, disse ele.
E, enquanto ele se recusou a dar conselhos diretamente aos egípcios, bahreinianos, tunisianos ou líbios, as experiências do Brasil parecem ter algumas semelhanças com a evolução dos acontecimentos atuais da região.

Passado negro do Brasil
Em 1964, os militares brasileiros promoveram um golpe, derrubando uma democracia populista liderada pelo presidente de esquerda, João Goulart. Os militares fecharam o parlamento em 1968 e os generais criaram uma ‘democracia’, com dois partidos políticos legais – Amorim descreve-os como os partidos do “sim” e “sim, senhor”.
Os militares dissolveram organizações estudantis, atacaram os líderes do movimento sindical, censuraram a imprensa e torturavam ou “desapareceram” com os seus opositores. Tipo de comportamento do Estado que muitos árabes estão todos muito familiarizados.
De 1968 até cerca de 1975, a economia brasileira se expandiu, com o PIB crescendo 10 por cento em alguns anos. Mas, como é comum em governos autoritários, os ganhos não foram amplamente compartilhados. Crescimento não chegou aos pobres e a desigualdade inchou.
“Durante o governo militar, tivemos um crescimento econômico elevado, mas a desigualdade social aumentou”, disse Amorim. “A coisa mais importante que o Brasil fez [durante meus dois mandatos como ministro das Relações Exteriores] foi a redução da desigualdade.”
No Egito de Hosni Mubarak, privatizações e as chamadas reformas de mercado em 2004 “provocaram uma impressionante aceleração do crescimento”, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional de 2008. Mas 40 por cento da população continuava a viver com menos de dois dólares por dia, enquanto os preços dos imóveis dispararam, tornando a posse de um apartamento quase impossível para muitas famílias de classe média. O bolo pode ter ficado cada vez maior, mas muitos padeiros permaneceram com fome.
“Uma sociedade que é muito desigual sempre tem a pressão da instabilidade”, disse Amorim.
O abismo entre os “ricos” – muitas vezes as pessoas com ligações com o regime – e os “pobres” é profundo no Egito. O mesmo acontece na Líbia e na maioria dos países árabes.

Para combater as desigualdades, o governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, um ex-metalúrgico e líder sindical, iniciou uma série de programas, incluindo bolsas e subsídios de renda para os pobres, disse Amorim. Os subsídios são entregues a famílias pobres sob determinadas condições: por exemplo, de que enviem seus filhos à escola.
O dinheiro é entregue à mulher, em vez do marido. “Isso não vai por este caminho no mundo muçulmano, [mas] no Brasil, se você dá o dinheiro para o pai, eles bebem tudo”, disse Amorim.
Religião e revolução
Desde que se tornou democrático, 30 milhões de brasileiros passaram a integrar a classe média, com mais 30 milhões deixando a miséria por menos pobreza, disse o ex-ministro das Relações Exteriores. Mas o país ainda tem um longo caminho a percorrer, se o objetivo é eliminar as disparidades imensas de renda.
Mudanças rumo à democracia no Brasil não aconteceram da noite para o dia, eles transpiraram lentamente ao longo da década de 1980. E as instituições religiosas desempenharam um papel-chave nessa transição, disse Matthew Flynn, professor de sociologia e especialista em Brasil da Universidade do Texas. “Eu imagino que as instituições religiosas desempenharão um papel muito importante em qualquer transição no Oriente Médio”, disse Flynn.
O Partido dos Trabalhadores (PT), que atualmente detém o poder, foi formado em 1978 por líderes sindicais, no coração industrial do país, ativistas religiosos da Igreja Católica e grupos de direitos humanos. “Eles [o PT] foram muito ativos em pedir eleições diretas, juntamente com outros partidos independentes”, disse Flynn.
Dilma Rouseff, atual e primeira presidente do sexo feminino, iniciou sua carreira política como uma guerrilheira, lutando contra a ditadura militar.
Lições para aprender?
Mas a luta armada não derrubou o governo militar. “Quando o governo militar caiu, nós não escrevemos uma nova Constituição imediatamente”, disse Amorim. “Nós elegemos uma comissão que passou dois anos escrevendo” em um processo que terminou em 1988. Desde as eleições de 1989, o Brasil é considerado um país democrático.
Chile, Uruguai e Argentina também livraram-se das algemas do regime militar, juntamente com a maioria dos outros países da região.
Mark Katz, professor de política da Universidade George Mason, acredita que há “muito boas razões para acreditar que o Oriente Médio vai percorrer um caminho parecido com o da América Latina”.
“As pessoas já estavam perdendo as esperanças com relação a democracia na América Latina”, disse Katz. “Mas no final, isso acabou muito bem.
“O que está acontecendo no Oriente Médio é extremamente positivo.”
Se Katz está correto, e as revoltas em todo o Oriente Médio resultarem em governança mais democrática, é provável que irá aumentar os laços entre a América Latina e o mundo árabe.

Os negócios
A primeira cúpula América do Sul-Países Árabes ocorreu em Brasília, capital do Brasil, em 2005, com um segundo encontro em Doha, no Catar, em 2009. O comércio ainda é o principal item do relacionamento. “O maior superávit comercial do Brasil é com o mundo árabe”, disse Amorim.
Fora do Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne países ricos em petróleo do Golfo Pérsico, as economias árabes não são particularmente bem integradas. “Esta integração [regional] é um tema no qual podemos compartilhar nossas experiências”, disse Amorim.
Fundado em 1991, o Mercosul, um bloco comercial entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, poderia servir de modelo para os países árabes, especialmente no Norte de África, disse o ex-embaixador.
E a integração dentro do mundo árabe poderia trazer outros benefícios além de acelerar o crescimento econômico, disse Jamie de Melo, professor na Universidade de Genebra, na Suíça, que estuda as relações econômicas. “Os países que são vizinhos e têm acordos regionais de comércio, acordos preferenciais de comércio, parecem ser menos propensos a entrar em conflito”, disse Melo.
Além do comércio, o Brasil tem pesado em questões mais importantes no Oriente Médio. O maior país da América do Sul reconheceu unilateralmente o Estado Palestino em dezembro de 2010, indicando aos outros países sul-americanos um exemplo a ser seguido. O país também mantém relações cordiais com Israel.
“Em novembro de 2009, recebeu os presidentes do Irã, Israel e a Autoridade Palestina”, disse Amorim. “Quais outros países podem dizer isso?”

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Amigo Punk – uma homenagem a um grande amigo

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O ministério de Dilma

Fernando Moura, para o caderno de final de semana do Valor Econômico. Desmistifica alguns pontos, apresenta alguns avanços e mostra como o contexto político nacional faz-se sentir na montagem de todos os governos, independente da tendência política. É, de fato, a sua circunstância. A imprensa que explora isso de acordo com as suas conveniências.

Qual é a diferença?

Quando foi eleita, Dilma Rousseff suscitou desconfiança de parte do eleitorado sobre o futuro de seu governo. Seria continuação do de Luiz Inácio Lula da Silva ou ela imprimiria características próprias? Em seus primeiros dois meses, a presidente mostrou que o estilo é a diferença essencial. Mas, a julgar pela formação do ministério, Dilma vai governar a seu modo, mantendo a influência de Lula, já que 14 ministros (40% das pastas) vieram da gestão anterior. O novo gabinete possui diferenças em relação ao primeiro composto por Lula, quando eleito em 2003. Não há empresários – o governo do ex-metalúrgico surpreendeu por nomear a maior quantidade de executivos de todos os governos do período pós-democratização -, tem um número de mulheres (nove) nunca antes visto no regime democrático, prevalência de políticos à frente das pastas e maioria de filiados a partidos políticos.

Mas, em compensação, o gabinete de Dilma tem muitas semelhanças com os compostos por governos anteriores democraticamente eleitos, no processo de composição das pastas. São elas: troca de favores, necessidade de retribuir alianças da eleição e pouca preocupação com a qualidade técnica de quem assume a pasta, característica do sistema brasileiro, que difere em muito do resto do mundo, como mostra o livro “Recrutamento Ministerial em 20 anos de Democracia no Brasil (1985-2005)”, de Carolina Juliano de Carvalho. Publicado pela Edições Colibri em 2009, o livro é fruto de pesquisa para a Universidade Nova de Lisboa, em Portugal.

Com o novo governo, a autora atualizou o levantamento. Nos últimos 25 anos de democracia, compara Carolina, a formação dos gabinetes ministeriais não tem tido mudanças expressivas, já que, desde a fase de transição iniciada com José Sarney até Dilma, a escolha do ministro se dá dentro dos quadros governamentais: “A maioria dos nomeados já havia ocupado cargo público ou político antes de assumir as funções ministeriais. A nomeação do gabinete atual seguiu a mesma lógica”.

A principal característica que diferencia o recrutamento ministerial brasileiro do de países da Europa, segundo Carolina, está de novo presente no governo Dilma. “As pastas aqui são loteadas de forma a atender às alianças pré-eleitorais, aos partidos que compõem a base do governo e às trocas de favores”, diz. “A preocupação com a qualificação de quem vai assumir vem por último. Na Europa, os ministros são mais qualificados para a função.”

Na escolha de Dilma, outra vez prepondera a filiação política dos ministros e a sua origem geográfica. Ainda que “vivamos em um país federalista”, a chegada a altos cargos está, na maioria dos casos, destinada aos que provêm de poucos Estados. Nesse contexto, o governo Dilma não difere dos formados desde 1985. No período 1985-2005, de 219 ministros, 116 (53%) eram naturais do Sudeste. No gabinete atual, a situação se mantém, já que 14 (37,8%) são dessa região, originários de São Paulo (8), Rio (4), Minas (1) e Espírito Santo (1). A porcentagem mais alta de ministros do Sudeste foi registrada no governo de Itamar Franco, que teve 64,3% de nomes provenientes desses Estados.

O Centro-Oeste não foi contemplado na composição do ministério de Dilma, seguindo a tendência dos demais governos pós-democratização. Outro presidente que também não teve ministros dessa região foi Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro mandato. Ao todo, nos 20 anos de análise da autora, apenas 9 de 219 ministros (4,1%) eram naturais dessa região.

Com respeito à filiação política, Carolina afirma que até 2005 quase 60% (131 de 219) dos ministros estavam filiados a algum partido político antes de assumir a pasta. Dos presidentes anteriores, os que mais recorreram a políticos foram Sarney (81%) e Lula no seu primeiro gabinete (74,2%). No atual gabinete, a situação se mantém e 29 dos 37 ministérios estão ligados a partidos, o que representa 78,4% do total.

Uma das maiores diferenças do primeiro gabinete ministerial de Dilma é o número de mulheres. Nesse gabinete, os homens representam 76% (28) e as mulheres 24% (9), o que difere do período analisado por Carolina, no qual apenas 3,2% dos ministros eram mulheres. “O número de pastas conduzidas por mulheres no atual governo é maior do que o número somado de todos os governos que antecederam o de Dilma a partir de 1985″, aponta Carolina. “De Sarney ao primeiro mandato de Lula, foram nomeadas apenas sete mulheres. Só Dilma escolheu nove.”

Das nove “mulheres de Dilma”, nenhuma é herança do governo Lula, seis são do PT e três não têm filiação partidária. “Conclui-se, daí, que seriam escolhas pessoais da presidente. Escolhas que não obedeceriam aos acordos pré-eleitorais. Revela um estilo próprio que põe o seu governo mais próximo de modelos europeus.”

“Se compararmos os dados referentes ao recrutamento de mulheres no Brasil até o governo Lula com os dados de Portugal e outros países do sul da Europa, por exemplo, observamos que a história é a mesma: a média da participação feminina fica em 6,2%. Só nos países escandinavos [Suécia, Dinamarca e Noruega] a participação de mulheres já ultrapassou os 10%. E é aí que Dilma surpreende, pois seu governo aparece com uma participação de 24% de mulheres”, afirma.

A participação feminina na Europa está relacionada a governos de esquerda. Em Portugal, por exemplo, o período com mais mulheres no Executivo foi observado em 1995, quando o Partido Socialista assumiu o governo e pôs 15,8% de mulheres no comando.

No Brasil, a questão de gênero nos gabinetes ministeriais até o momento é uma consequência do passado político e institucional – “as mulheres brasileiras estiveram ausentes ou desfiguradas na história do país”, segundo Carolina. “A nomeação de tantas mulheres por Dilma revela não só uma mudança dos tempos – nos últimos anos, observamos muito mais mulheres à frente do poder na América Latina e Europa, como Cristina Kirchner, Michelle Bachelet, Angela Merkel, entre outras. Acaba sendo reflexo da própria chegada inédita de uma mulher ao cargo máximo do país”, diz a autora.

Apesar de a porcentagem de mulheres ser pequena nos governos que se sucederam no pós-ditadura, com exceção dos dois mandatos do presidente FHC, “todos os outros tiveram pelo menos uma mulher entre seus ministros”. O primeiro governo Lula era, até hoje, o que mais mulheres havia nomeado: três. Do total do período, a maioria (42,9%) “permaneceu no cargo por um ou dois anos”, não completando o mandato. Dilma também é diferente dos antecessores ao nomear 17 ministros (45,9% do total) do PT. Apenas Sarney nomeou mais do que ela do próprio partido: foram 34 (58,6%) pastas para o PMDB. O primeiro gabinete de Lula teve 12 (38,7%) ministros petistas. “Apesar de imprimir estilo ao seu gabinete, Dilma segue a lógica que rege o recrutamento ministerial nos últimos 25 anos”, afirma Carolina.

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Kassab, PSB e os rumos de certa esquerda incerta

Do ponto de vista do quadro partidário brasileiro, a se confirmar esse movimento do Kassab, o PSB claramente se posiciona à direita do PT no espectro partidário do país.

Aliás, curioso  que as opções levantadas por Kassab seriam justamente o PMDB ou o PSB. Nessa linha, o PSB passa a, cada vez mais, se parecer com o PMDB, um partido de lideranças regionais fortes, sem uma identidade política clara. Do ponto de vista do prefeito paulistano, aliado de primeira hora de José Serra, parece ser justamente esse o atrativo dessas agremiações.

Do ponto de vista partidário, o PSB, com esse movimento, poderia se consolidar como um dos poucos partidos médios que sobreviveriam a uma eventual reforma política que acabasse com as coligações nas eleições proporcionais. E parece ser por esse lado pragmático que Eduardo Campos vem se posicionando. Importante notar, também, a aparente lacuna democrática interna ao partido socialista. Em entrevista à CBN, a deputada Luiza Erundina, que compõe a executiva nacional do partido, denuncia que tomou conhecimento da aproximação do Kassab com o PSB por meio da imprensa, e que essa questão ainda não foi discutida pela excutiva do partido, apesar de, aparentemente, estar já adiantada.

Da perspectiva dessas lideranças do PSB mais identificadas com um programa de esquerda, estes já começam a se manifestar contrariamente a esse movimento. Penso que enquanto esse movimento não se confirmar, e essas lideranças continuarem militando no partido, tentarão tensionar à esquerda. Seria interessante, nessa perspectiva, uma tentativa de aproximação com o PDT e outros partidos médios-pequenos de esquerda não radical. Apenas assim poderiam se converter e se firmar como uma alternativa eleitoralmente viável posicionada à esquerda do PT, que vem rumando ao centro, no espectro partidário nacional.

Entendo que esse movimento é crucial para os rumos da esquerda no país. No mínimo, poderia ser uma força que tensionasse a grande coalizão formada pelo Governo Dilma em direção à esquerda. E, como aliados de primeira hora da coalização vitoriosa lideradas pelo PT, teriam todo o direito de fazê-lo.

Abaixo, segue link para a entrevista com a Erundina na CBN. Não deixem de ouvir.

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2011/03/04/ERUNDINA-AMEACA-DEIXAR-PARTIDO-SE-PSB-ACOLHER-KASSAB-E-AFIF-DOMINGOS.htm

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O potencial dos blogs

Quando a própria Folha reconhece a força dos blogs…

Ou o potencial de uma análise alternativa e mobilizadora

40 milhões de brasileiros recorreram a blogs para se informar na corrida presidencial

O internauta brasileiro é, no mundo, o que mais se informa através de blogs, segundo pesquisa da comScore, empresa que realiza estudos sobre internet.

A audiência dos blogs nacionais aumentou muito nas eleições do último ano, quando, entre outubro e novembro, 39,3 milhões de usuários acessaram conteúdo de blogs a respeito da corrida presidencial. Imagine quando a banda-larga chegar a mais domicílios.

7 em cada 10 brasileiros que tem acesso à internet, acessaram blogs em 2010

A pesquisa apurou que 71% dos brasileiros visitaram páginas de blogs durante 2010, enquanto no resto do mundo a média manteve-se em 50%.

O aumento no índice de leitura de blogs em 2010 por região:

Norte, Sudeste e Sul alavancaram 3 pontos percentuais, no Centro-Oeste a demanda cresceu de 70,7% para 74,3% dos internautas, mas foi entre os nordestinos que ocorreu o maior salto, de 72,8% para 77%. (Com informações do Comunique-se)

Internauta brasileiro é o que mais acessa blogs no mundo, aponta pesquisa

Da Redação

Contrariando o declínio de popularidade dos blogs na Europa, Ásia e na maioria dos países da América, o internauta brasileiro é mundialmente o mais interessado em acessar a ferramenta. Segundo pesquisa da comScore, empresa que realiza estudos sobre internet, 71% dos brasileiros visitaram páginas de blogs durante 2010, enquanto no resto do mundo a média manteve-se em 50%.

Para a pesquisa, a considerável audiência dos blogs nacionais se deve principalmente às eleições do último ano, quando, entre outubro e novembro, 39,3 milhões de usuários acessaram conteúdo de blogs a respeito da corrida presidencial.

O aumento no índice de leitura foi homogêneo em todo o País: Norte, Sudeste e Sul alavancaram 3 pontos percentuais, no Centro-Oeste a demanda cresceu de 70,7% para 74,3%, mas foi entre os nordestinos que ocorreu o maior salto, de 72,8% para 77%.

No campo das redes sociais, primeira razão apontada pela comScore para queda de interesse nos blogs, o Brasil absorve 85,3% dos internautas brasileiros contra 70% da média internacional. Em relação a 2009, o aumento foi de aproximadamente 10%.

As informações são da Folha de S.Paulo

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