A Bandeira do Planejamento

As expectativas para o crescimento da economia brasileira em 2010 são boas.

A retomada dos investimentos do Estado, vencendo a briga de foice com os monetaristas do banco central e as viúvas da Fazenda do Dr. Palocci, vem contribuindo para isso durante esse segundo governo Lula, inaugurado com o lançamento do PAC.

Todavia, mais do que crescer, é preciso saber em que direção. Não é à toa que muitos analistas indicam que o crescimento brasileiro está se dando em torno da retomada das exportações/preço das commodities, outros enfatizam a força do mercado interno, massificado pelas políticas de fortalecimento do salário mínimo e de transferência direta de renda.

Saber qual o Brasil que teremos no futuro, construir essa visão e buscar concretizá-la são tarefas do Planejamento. E o fortalecimento desse instrumento, sua capacidade de orientação, coordenação ou cooperação multissetorial, com densa base territorial, é, por si só, uma bandeira legítima a ser levantada.

E essa bandeira tem mobilizado um grupo de analistas de planejamento, dentre os quais o autor desse blog. A intenção é promover o debate sobre o planejamento no Brasil e na América do Sul, criar oportunidades de capacitação dos servidores e mecanismos para incentivá-los, de modo a contribuir para que o Estado cumpra o seu papel de reflexão e ação na busca do desenvolvimento.

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Eleições 2010 – a definição dos vices.

Nesse contexto pré-eleitoral, estou ansioso para ver os planos de governos que serão apresentados pelas chapas que disputarão o planalto. Todavia, é uma ansiedade controlada, porque sei que os planos abordam muitos temas com certa generalidade, o que não poderia ser diferente.

Portanto, outro indicador das linhas possíveis que serão adotadas pelo presidente eleito pode ser a definição dos vice-presidentes na chapa. Esse assunto chama mais a atenção da mídia interessada que busca fulanizar a discussão.

O meu interesse não é pelo nome em si, mas o que representa em termos de orientação estratégica de governo.

Senão, vejamos:

A chapa do governo hoje apresentada como a mais provável, Dilma-Temer, representa a continuidade do que foi feito principalmente no segundo governo Lula, que já trazia uma vitória da ala mais desenvolvimentista, que pedia mais investimentos, com relação àquela representada por Palloci e Meirelles, interessada mais no controle do caixa.

Agora, caso a chapa seja Dilma – Meirelles, pode representar uma orientação diferente, ou seria apenas um para conquistar o eleitor satisfeito com a estabilidade financeira que se credita na conta do presidente do Banco Central?

E se o PMDB do B tiver força para lançar Requião? Será que haveria uma jogada de Requião ser o vice de Dilma, em torno do programa que ele representa, vinculado às idéias de Mangabeira Unger e outros nacionalistas, como Carlos Lessa e Darc Costa?

Ou sendo Requião candidato, haveria a possibilidade de Ciro ser vice de Dilma, ficando o apoio do PMDB para o segundo turno? O que isso significaria em termos de política econômica e de políticas sociais?

Os dois último são Lulistas. Defendem os avanços sociais alcançados pelo atual governo. Um fala no comprometimento da política econômica com o capital vadio, o outro fala bate mais na questão da institucionalização dos avanços alcançados.

E do lado da oposição? Com os acertos no Rio de Janeiro, será que tem chance de ocorrer a Chapa Serra-Marina? Parece que a Chapa Marina Silva-PSOL ficou inviabilizado com o movimento de aproximação do PV com o PSDB no Rio de Janeiro, e a Marina tomou o rumo da direita.

Ainda assim, meu palpite é que essa chapa não vingará. Marina e Serra serão candidatos em chapas distintas em 2010. E Marina deverá apresentar-se neutra no segundo turno.

Ciro sai candidato? E com que vice, com qual coligação? Qual o projeto? Em que consegue se diferenciar da proposta do PT? Dizem que, nos bastidores, poderá contar com o apoio do Aécio.

Carlos Lessa, do PSB-RJ, já sinalizou apoio à Requião. Mas, como personalidade de vôo solo, não indica nada.

Mesmo com o provável cenário da eleição plebiscitária, muitas coisas estão indefinidas. Eu, de momento, já me defini. Posso ser classificado como eleitor indeciso, pelo menos até que as coisas fiquem mais claras.

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Começam os estaduais 2010

Depois de muitos ensaios, o primeiro post do blog acaba sendo sobre futebol mesmo, parte da circunstância que me envolve.

Os atuais clubes-empresas em que se transformaram nossos times os aproximaram da lógica de operação das igrejas neopentecostais. As estratégias do moderno marketing esportivo dos clubes trabalha a paixão do crente, do torcedor. O ato de torcer se converte no ato de consumir os produtos oficiais, os planos de associação, os passaportes para os jogos. O crente, movido por sua fé, contribui periodicamente com a igreja, compra os livros, cartilhas, cânticos e vídeos. Usam de um sentimento elevado para aumentar sua rede e aumentar o seu lucro.

Ao mesmo tempo em que os clubes foram lançados no mercado global por conta da divisão internacional do futebol cujo centro é o mercado europeu, ao qual se agregam agora os novos mercados asiático e árabe, os clubes foram cada vez mais se desterritorializando, se desconectando da comunidade ao seu redor que lhe dava suporte. Os clubes são agentes de um mercado global, movimentam-se por meios de empresários do futebol que se conectam a redes internacionais, e não mais o retrato do esforço da comunidade, para a qual você torcia como parte de torcer por si mesmo.

Assim aprendemos a torcer desde pequenos. Pelos nossos pais, amigos, vizinhos, quando os acompanhamos nos primeiros passeios esportivos. Ficava ansioso quando o meu pai ou meu irmão mais velho me convidavam para acompanhá-los em alguma pelada. A sua vitória era a minha vitória, a nossa vitória. Depois, essa relação se transfere para a escola. Torcemos pelo time da nossa turma, depois pelo time da escola nos eventos inter-escolares. E o mesmo sentimento temos em relação ao time da nossa cidade, que algumas vezes ainda são parte do clube que freqüentamos e somos sócios.

Quando alguém critica os campeonatos estaduais, logo essa relação que me vem a mente. E o que aconteceria com esses times que movimentam, ou movimentaram, as cidades pequenas, os torcedores que apoiavam não apenas o time, mas a sua cidade e queriam vê-la superar a cidade vizinha, sempre rival? Agora, essa relação não movimenta milhões, não gera o espetáculo televiso ao grande público. Mas está na base de todo o negócio que se transformou o futebol.

A evolução do futebol soube aproveitar essas ligações emotivas que temos com o ato de torcer, com a paixão que nos liga a uma instituição, e transformou isso num grande negócio. Você está ligado a um símbolo superior, que toma seu espaço quase naturalmente estimulado pela família ou amigos que crêem. Algumas vezes, toma o espaço da família, o tempo dos filhos, ou, mais forte ainda, se torna parte da família. É mais um filho que você tem que cuidar. Se não cuidar, pode perder, e a culpa será sua.

É por isso que futebol não dá espaço para a racionalidade. É um fundamentalismo aceito e estimulado, embora algumas vezes inclusive violento.

E é por isso que é tão difícil se desvincilhar dele. Que venham os estaduais. Que sejam bem-vindos os clubes do interior.

E dá-lhe Grêmio.

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