As escolhas de Agnelo

Brasília está novamente apreensiva. As denúncias dos últimos dias envolvendo pessoas do alto escalão do GDF nos esquemas de Carlinhos Cachoeira atingiram o Governador, que gastou tempo e energia tendo que dar explicações à imprensa e à população. Parece que não convenceu muito, e já se pode ver e ouvir o Fora Agnelo nas ruas e nas redes sociais. Militantes já prometem ingressar com pedido de impeachment do Governador no início da semana.

De fato concreto, o DF tem à frente do Buriti um governo medíocre. Não vai mal em todas as áreas, mas também não se destaca em nenhuma. Ainda que se escore na recorrente desculpa da “herança maldita”, será preciso trabalhar muito para reverter a avaliação ruim que a população faz do Governo. E no meio de tantas denúncias, fica mais difícil fazê-lo, mesmo contando com o apoio do Governo Federal que fez desembarcar gente graúda em altos postos do Buriti para dar ritmo à gestão atropelando a política. Não funciona!

Aliás, é bom lembrar: esse Governo não é só Agnelo. É um conjunto de forças que se somaram para formar uma ampla aliança que propunha um novo caminho. Acabou misturando alhos e bugalhos, e não tem ido a lugar algum.

O ponto é que tem que se separar o joio do trigo. Certamente, há mesmo petistas que se arrependem de terem acolhido Agnelo e o lançado candidato a Governador. Há pessoas idôneas tentando desempenhar um bom trabalho, honrosos fiadores da esquerda do DF ao lado de colegas com larga ficha corrida na política brasiliense ao lado de Roriz, Arruda e Companhia Ilimitada. Isso dá espaço para que haja brigas e boicotes internos no GDF, sem falar no eco que ganham denúncias, ainda que falaciosas, feitas por grupos de criminosos – João Dias, Carlinhos Cachoeira – que têm seus interesses contrariados.

Mas escolhas de Agnelo  foram de reservar assentos bem acomodados para essa gente, enquanto tantos outros se viram do jeito que podem no governo. O Governador parece estar pressionado pelo peso das sucessivas denúncias que não consegue escolher as marcas do seu governo e reequilibrar o jogo de forças. Devia se lembrar o quão importante foi a ligação de Lula com os movimentos sociais para que o PT conseguisse segurar a crise do mensalão e as ameaças de impeachment. Essa era a única saída para esse governo, e penso que o espaço para ação já passou do limite. Foram as escolhas de Agnelo que impediram esses acertos.

Vejamos: Como está a relação do GDF com os movimentos sociais? Como está sendo a relação com os servidores e os sucessivos movimentos grevistas? Como está a relação do Agnelo com outros políticos da esquerda, de dentro e, principalmente, de fora do PT? Eles ainda estarão dispostos a encarar o risco de serem fiadores de Agnelo?

Cristovam Buarque também dá sinais que não . Toninho do PSOL, que teve quase 20% dos votos em 2010, já sinaliza a possibilidade de construir uma alternativa de esquerda com outros partidos em 2014. O PSB, do Senador Rodrigo Rollemberg, parece prestes a deixar o barco em que só remava mas não definia a direção. No DF, me parece cada vez mais que esse é o caminho, para salvar a esquerda antes que afunda toda junto com esse governo e faça emergir mortos-vivos do Cerrado, Arruda, Rosso, Roriz ou qualquer coisa que o valha.

Até lá, não se pode abandonar a cidade às intrigas da mídia e aos jogos de interesses da máfia. Que a população se mobilize, como promete fazer. Que haja discussão, que se construa um projeto para Brasília que consiga aliar ética, competência e justiça social.

Mas cuidado! Se correr, o bicheiro pega. Se ficar, o bicheiro come.

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