Coelho Eleitoral

Nas corridas de longa distância, principalmente em maratonas, é conhecida a figura do Coelho. Trata-se de um atleta que pode ser contratado pela direção da prova ou por determinada equipe para puxar o ritmo da prova. Eventualmente, surpreendem e terminam a prova em boas posições, mas normalmente acabam ficando para trás do meio para o fim da corrida, dado o desgaste demasiado a que se submeteram na metade inicial.

As eleições, da mesma forma, podem ser vista como corridas de longa distância. E Brasília pode estar sendo vanguarda na criação de uma nova figura: o Coelho Eleitoral. Tudo por conta de que candidatos estão sendo beneficiados por colegas de coligação que não terminaram a prova, mas cuja performance afetou positivamente o seu desempenho. A grande diferença é que o fizeram de forma ilegal.

È sabido, legal e legítimo dentro do processo eleitoral hoje em voga no Brasil que um candidato de determinada coligação que alcance votação expressiva acaba carregando consigo outros candidatos com votação bem menor por conta do quociente eleitoral. Nas últimas eleições, o Deputado Federal Tiririca (PR-SP) foi o caso mais comentado, mas Enéas, quando se elegeu Deputado Federal também por São Paulo acabou trazendo para a Câmara Federal vários colegas do partido que se seguravam na sua votação. No DF, o desempenho de Reguffe nas urnas também garantiu a eleição de mais deputados da coligação que o seu partido, PDT, fazia parte.

Imaginemos, no entanto, que fosse comprovado que um desses “puxadores de voto” tivesse comprado votos e abusado do poder econômico e, por conta disso, tivesse seu mandato cassado. Seria justo que os demais candidatos se beneficiassem desse ato ilegal e mantivessem seus assentos no legislativo? Então, se um partido resolve adotar a tática de selecionar um “Coelho Eleitoral” que compre 150 mil votos e, com isso, eleja três deputados distritais, depois seja cassado, é justo que as vagas sejam mantidas para esse partido?

A resposta é: Não é justo, nem legal. Mas pode estar acontecendo em Brasília. Benício Tavares, deputado distrital eleito pelo PMDB – DF, foi cassado por ter comprado votos e abusado do poder econômico. No entanto, os votos que conquistou de maneira ilegal estão beneficiando seu parceiro de coligação, Robério Negreiros, a quem a Câmara Legislativa do Distrito Federal deu posse no início de 2012. Benício Tavares foi o Coelho da corrida eleitoral no distrito federal.

Caso os votos comprados pelo ex-deputado Benício Tavares sejam anulados, amparado no artigo 222 do Código Eleitoral, a coligação PSB-PcdoB teria direito a mais uma vaga na CLDF, assumindo, assim, o candidato Guarda Jânio (PSB), primeiro suplente da coligação. É isso que a população do Distrito Federal deve esperar ver na linha de chegada dessa corrida eleitoral de 2010, que ainda não terminou nos tribunais. Que seja extinta a figura do Coelho Eleitoral antes que se procrie e apareça em outras disputas.

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