O processo de aprofundamento da integração regional não é homogêneo. Conta com elementos de tensão, como demonstrei no post de ontem, em que Peru e Bolívia se postavam preocupados com a postura do governo Chileno. Agora, depois de uma ação conjunta entre a inteligência colombiana e as forças militares venezuelanas, o governo de Hugo Chávez prendeu um guerrilheiro das FARC. Agora, a Colômbia espera os trâmites burocráticos na Venezuela para que o guerrilheiro seja extraditado. Um recado de desconfiança controlada, mas explícita.
De outra parte, avançaram as negociações entre Equador e Bolívia para um acordo comercial, e o Vice-Chanceler uruguaio caracterizou as relações com a argentina como “excepcionalmente positivas” depois do encontro entre Cristina Kirchner e José Mujica, que aconteceu ontem. Por fim, foram desembolsados US$ 30milhões, do FOCEM, para a construção da linha de transmissão que vai levar energia de Itaipu à região de Assunção.
O processo de integração regional é de longa maturação. Seu aprofundamento, e a construção de parcerias estratégicas na região, não será livre de tensões. Resta saber se a América do Sul tem maturidade e instrumentos institucionais suficientes para lidar com as desavenças sem prejudicar o processo de longo prazo.
Abaixo, a notícia do El Universal, da Venezuela, e os links para outras notícias relacionadas.
Colombia espera que Venezuela entregue a rebelde de las FARC
03/08/2011
El ministro de Defensa colombiano, Rodrigo Rivera, pidió a Venezuela “agotar los protocolos internos” para hacer efectiva la entrega de Julián Cornado alias Guillermo Torres.
Santos se encontraba en México cuando se produjo la situación (AP)
Bogotá.- Colombia espera que Venezuela agote los “protocolos internos” y proceda a entregarle al presunto guerrillero de las FARC “Julián Conrado”, alias de Guillermo Enrique Torres, dijo en Bogotá el ministro de Defensa, Rodrigo Rivera.
“Estamos esperando que allí se agoten los protocolos internos, los trámites internos, para que nos sea entregado este terrorista de las FARC”, expresó Rivera, quien indicó que Torres fue detenido en Venezuela mediante una tarea conjunta.
El jefe rebelde, también conocido como “el cantante de las FARC”, por su afición a la música, fue arrestado el pasado 31 de mayo en el estado Barinas, mediante una orden gestionada por Colombia a través de la Organización Internacional de Policía Criminal (Interpol).
Rivera dijo en declaraciones a la prensa que Torres “fue capturado en territorio venezolano, por parte de las autoridades venezolanas, como fruto de la cooperación en materia de inteligencia con Colombia”.
“Estuvimos trabajando conjuntamente en esa materia, logramos su identificación y su ubicación, y las autoridades venezolanas, en un caso más que demuestra esta cooperación y cómo ha cambiado positivamente esta relación, lo capturaron allí”, subrayó Rivera.
El titular colombiano de Defensa habló de la expectación en Bogotá frente a Torres horas después de que el ministro venezolano de Relaciones Exteriores, Nicolás Maduro, dijera que Caracas evalúa el estado de salud del detenido para decidir sobre su entrega a Colombia, destacó Efe.
Maduro declaró a la televisión estatal que se ha recibido información, por parte de “familiares y otras personas”, de que Torres “tiene una situación delicada de salud”.
ABC Color: Paraguai
Compra de energía de Paraguay no es prioritaria, dice vicecanciller uruguayo
Focem desembolso US$ 30 millones
El Deber: bolívia
Bolivia y Ecuador analizan negociaciones comerciales
Só o fato de haver uma operação conjunta, Leandro, já é um sinal da aproximação que tem ocorrido desde a posse de Juan Manuel Santos. De qualquer forma, como você já sugeriu, desavenças são parte do processo. É comum encontrar nas análises sobre a integração, seja da América do Sul ou de outras regiões do mundo, uma confusão entre as desavenças circunstanciais e a convergência de fundo em torno do processo. As primeiras não determinam a segunda, que, inclusive, pode contribuir para limitar e contornar as desavenças.
Concordo, João. Tem que lembrar que a UNASUL foi um importante espaço para que se colocassem Venezuela e Colômbia na mesma mesa para tratar de questões de defesa. é um grande legado institucional da política externa de Lula, no meu ver. O processo de construção da América do Sul é longo. Maior aproximação não significa eliminação de todo o tipo de tensionamento. Abs