Kassab, PSB e os rumos de certa esquerda incerta

Do ponto de vista do quadro partidário brasileiro, a se confirmar esse movimento do Kassab, o PSB claramente se posiciona à direita do PT no espectro partidário do país.

Aliás, curioso  que as opções levantadas por Kassab seriam justamente o PMDB ou o PSB. Nessa linha, o PSB passa a, cada vez mais, se parecer com o PMDB, um partido de lideranças regionais fortes, sem uma identidade política clara. Do ponto de vista do prefeito paulistano, aliado de primeira hora de José Serra, parece ser justamente esse o atrativo dessas agremiações.

Do ponto de vista partidário, o PSB, com esse movimento, poderia se consolidar como um dos poucos partidos médios que sobreviveriam a uma eventual reforma política que acabasse com as coligações nas eleições proporcionais. E parece ser por esse lado pragmático que Eduardo Campos vem se posicionando. Importante notar, também, a aparente lacuna democrática interna ao partido socialista. Em entrevista à CBN, a deputada Luiza Erundina, que compõe a executiva nacional do partido, denuncia que tomou conhecimento da aproximação do Kassab com o PSB por meio da imprensa, e que essa questão ainda não foi discutida pela excutiva do partido, apesar de, aparentemente, estar já adiantada.

Da perspectiva dessas lideranças do PSB mais identificadas com um programa de esquerda, estes já começam a se manifestar contrariamente a esse movimento. Penso que enquanto esse movimento não se confirmar, e essas lideranças continuarem militando no partido, tentarão tensionar à esquerda. Seria interessante, nessa perspectiva, uma tentativa de aproximação com o PDT e outros partidos médios-pequenos de esquerda não radical. Apenas assim poderiam se converter e se firmar como uma alternativa eleitoralmente viável posicionada à esquerda do PT, que vem rumando ao centro, no espectro partidário nacional.

Entendo que esse movimento é crucial para os rumos da esquerda no país. No mínimo, poderia ser uma força que tensionasse a grande coalizão formada pelo Governo Dilma em direção à esquerda. E, como aliados de primeira hora da coalização vitoriosa lideradas pelo PT, teriam todo o direito de fazê-lo.

Abaixo, segue link para a entrevista com a Erundina na CBN. Não deixem de ouvir.

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2011/03/04/ERUNDINA-AMEACA-DEIXAR-PARTIDO-SE-PSB-ACOLHER-KASSAB-E-AFIF-DOMINGOS.htm

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4 Responses to Kassab, PSB e os rumos de certa esquerda incerta

  1. O PDT, mais especificamente o Paulinho, tem ensaiado um racha, assim com o PCdoB, onde o Rebelo (não o canalha ruralista, mas o irmão) anunciou que tem intenção de se afastar do PT para crescer….

    Dilma não é Lula. Ela não só não tme a habilidade política dele como também tem feito um péssimo governo nestes primeiros meses, alienando a base.

    • freitascouto says:

      Pois é, Raphael. Dados esses movimentos, percebe-se que essa crise é real, e poderia, ou deveria, do meu ponto de vista, ser aproveitada para se tensionar por uma aproximação identitária/programática… O que é, de fato, muito difícil. O momento é crucial para essa esquerda.

  2. O problema dessa aproximação é q a centro-equerda carece de programa e identidade, mesmo o PT. O Partido, ao se ligar carnalmente com o PMDB passou apenas a tentar manter o assistencialismo e empacou, não conseguiu formular alternativas, isto, aliás, está expresso no aumento ridículo do mínimo e sob falsas verdades (inflação quando se paga bilhões de dívidas e se joga dinheiro pra especuladores).

    Falta programa e identidade, PSB e PDT estão se tornando partidos de caciques regionais, o PCdoBconvive com Netinhos, Aldo Rebelos e até o Kassab se chegando, então fica complicado falar em identidade.

    A esquerda enfrenta uma crise terrível, está no poder, mas não age como esquerda por lá.

  3. Romulo Neves says:

    O problema de dar continuidade a esse debate é o de legitimar essa eventual aproximação. Não tem nada certo e o que devemos fazer como militates, é, como falou, de tensionar à esquerda.

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