Escola e cultura – um patrimônio do DF para o Brasil

Participei, junto com um grupo da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo,  da pré-conferência de cultura do DF pra discutir memória e patrimônio, e fui eleito um dos delegados para a plenária final. Grata surpresa foi saber, ao final, que os delegados eleitos nessas conferências também serão delegados do orçamento participativo do DF, embora ainda desconheça como será realizado esse processo.

Nossa principal proposta era com relação à regulamentação da lei do patrimônio imaterial, já existente no DF, de autoria da Deputada Distrital, atual Secretária de Desenvolvimento Social, ex-vice-governadora do DF, Arlete Sampaio que havia sido questionada judicialmente, mas após decisão do TJDFT, está, novamente, em vigor.

A Vivendo e Aprendendo reinvidica o seu reconhecimento como patrimônio imaterial. Mais do que isso, penso que a associação, por sua forma de gestão coletiva, pelo modo que entende a construção pedagógica e o papel que concede à criança nesse processo, já exerce um destacável papel cultural na comunidade, que ainda pode ser aprofundado.

Essa questão deve ser considerada no mais alto grau de atenção nas políticas públicas educaionais e culturais: O papel da escola na cultura. Por que não ter como meta algo que incentive a construção de escolas como pontos de cultura, não como ações eventuais, mas a partir de um entendimento mais amplo dessa relação escola e cultura?

Conversamos sobre isso nessa semana, em almoço com o secretário-adjunto de cultura no DF, e ontem o caderno de final de semana do Valor trouxe uma reportagem sobre uma pesquisa realizada na UERJ sobre mobilidade social no Brasil que reforça essa tese.

A pesquisa “compara a ocupação profissional dos filhos com a dos pais e observa fatores principais para explicar a desigualdade de oportunidades: a relação entre a origem (medida pela ocupação do pai) e o destino (medido pela ocupação do filho) e o nível de escolaridade nas duas gerações. Na comparação entre o que foi herdado e o que foi adquirido a conclusão é que, embora a educação seja muito importante, outros itens mantêm um peso relativo grande: a escolaridade da mãe, o número de irmãos e o capital cultural, conjunto de bens intangíveis e não mensuráveis em renda. Em todos os países, família e escola são os dois lugares de transmissão de capital cultural. No Brasil, a família tem desempenhado papel mais importante do que a escola, reduzindo o poder da escolarização na ascensão social.

Dois outros capitais – o social e o econômico – também exercem influência no destino profissional. Entram em jogo fatores como patrimônio e redes de relação. “Um pequeno patrimônio já faz grande diferença. Uma família que viva numa casa própria, mesmo que modesta, tem melhores condições de passar por uma situação de desemprego do chefe do que uma família que pague aluguel”, afirma. No quesito capital social, a rede de relações sociais é o que gera oportunidades de ingresso e crescimento no mercado de trabalho. “O peso da rede de relações na ascensão social faz que o Estado brasileiro seja muito cobiçado como empregador”, reconhece o sociólogo. Processos de seleção via concursos públicos funcionam como mecanismos de ascensão social para aqueles que não dispõem de redes de relações.”

É isso. Penso que a escola precisa ser um importante formador desse capital cultural, não apenas para os alunos, mas para a comunidade que lhe cerca. E um espaço de incentivo a criação das redes sociais reais que amplificam o poder desse capital.

E a experiência da Vivendo é sim um Patrimônio de Brasília a ser replicado pelo DF e pelo Brasil.



This entry was posted in Cultura. Bookmark the permalink.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>