Samba do Crioulo Doido

Abaixo, umartigo sobre as alianças regionais do PSB com o PSDB, que se conjuga com o apoio ao PT no nível nacional. Primeiro, que moral terão os socialistas para acusar a aproximação PT-PMDB? Segundo, é preciso mais análise política, e menos destempero ocasional, para dispensar a Lula apenas um lugar na História. Ainda é o ator político mais importante que continuará a dar as cartas por um bom tempo. Por fim, que alternativa de esquerda possível se constrói abdicando de um projeto nacional claro, ainda mais ao lado de tucanos? Ou tudo não passa de jogo de cena para tentar dar fôlego aos governos estaduais em situação precária?

O artigo abaixo do Valor Econômico (03.02) é a mostra preocupante da falta de uma estratégia partidária. O samba do crioulo doido da política partidária.

PSB defende alianças regionais com PSDB e coalizão nacional com Dilma

Cristiano Romero e Raymundo Costa | De Brasília
03/02/2011

O PSB manterá suas alianças regionais com o PSDB em alguns Estados e municípios, mas não pretende fazer disso uma aliança prévia com os tucanos para a corrida presidencial de 2014. O plano dos integrantes do PSB é apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff, trabalhando antes para que seu governo dê certo.

Em troca, o PSB quer o apoio do governo federal para sanear as contas da Paraíba, Amapá e Piauí, Estados que receberam das administrações anteriores com grandes dificuldades financeiras. O partido também governa Pernambuco, Ceará e Espírito Santo, Estados mais bem resolvidos financeiramente, mas com projetos que dependem do apoio do governo federal para ser implementados, como é o caso da refinaria de Pernambuco.

A reeleição de Dilma é vista, pelo PSB, como o caminho natural para que, mais adiante, lideranças como Eduardo Campos, reeleito governador de Pernambuco em 2010 com a maior votação proporcional do país, tenham chances de chegar à Presidência da República. Na avaliação da legenda, se o governo Dilma não der certo, o PT pressionará o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a disputar a eleição de 2014, com amplas chances de vitória, uma vez que hoje ele é “um mito” e deixou a Presidência com mais de 80% de aprovação popular.

Na avaliação de integrantes do PSB, a volta de Lula não seria, no entanto, o ideal para o processo democrático, que exige renovação. Campos está com 45 anos (faz 46 em agosto) e o tucano Aécio Neves, hoje o principal nome da oposição, faz 51 anos em março. Os dois podem esperar. “Lula já entrou com distinção para a história. Seu lugar é lá”, diz um líder do PSB.

O momento político é de Dilma. Para os líderes do partido, a presidente começou bem o seu governo e está surpreendendo na maneira de fazer política. Embora o PSB tenha no governo um espaço menor do que acha que merecia ter, seus partidários estão satisfeitos com o desempenho inicial da presidente.

Mesmo sem experiência política, observam integrantes do partido, Dilma tem se mostrado paciente e cuidadosa nos embates com seus próprios aliados, que são muitos – a coalizão que a apoia congrega 11 partidos. Um exemplo do estilo Dilma é a nomeação dos cargos de segundo escalão.

A presidente está exigindo dos partidos aliados a indicação de quadros técnicos para preencher diretorias de estatais e comandar órgãos como as agências reguladoras. Há duas razões para essa postura.

A primeira é que, ao contrário de Lula, Dilma vê o governo com olhos de gestor. Ela se sente mais à vontade no dia a dia trabalhando com gerentes do que com políticos. A outra razão reflete um cálculo político: Dilma tem consciência de que não possui, no imaginário da população, a mesma força de Lula nem mesmo algo comparável à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Durante os governos desses dois antecessores, os escândalos de corrupção se sucederam sem que a imagem do presidente fosse abalada – uma única vez a popularidade de Lula baixou dos 40%, no episódio do mensalão, mas depois disso a curva apontou para cima até o fim do governo. Por essa razão, segundo se avalia no PSB, a tolerância com malfeitorias na gestão Dilma será muito menor, daí, a exigência de nomes técnicos para ocupar cargos-chave da administração. Nesse caso, se houver desvios, argumenta um integrante do PSB, ela não poderá ser acusada de ter feito nomeações políticas.

As principais lideranças do PSB veem o governo Dilma com esperança. Não há, na estratégia do partido, nenhum interesse numa aproximação com o PSDB do senador Aécio Neves (MG), que pretende desafiar a reeleição de Dilma. As alianças regionais com os tucanos têm explicações locais, como é usual na política brasileira, e não fazem parte de um plano nacional.

A grande novidade, comenta uma liderança socialista, é a participação do partido no governo do tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo. Eleito deputado pelo PSB de São Paulo, Márcio França foi nomeado por Alckmin secretário estadual de Turismo.

França tem ligação histórica com os tucanos. Em 1996, foi eleito prefeito de São Vicente (SP) e, nesse cargo, se aproximou do então governador Mário Covas, do PSDB.

Em Belo Horizonte, o tucano Aécio Neves se uniu ao PT do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para eleger o prefeito Márcio Lacerda, do PSB. A aliança rendeu frutos e, agora, o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), tenta atrair o apoio do partido de Lacerda. Para tanto, já conversou com o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.

Na Paraíba, o PSDB do ex-governador Cássio Cunha Lima ajudou Ricardo Coutinho a vencer a eleição para o governo do Estado. No Paraná, o PSB apoiou a eleição, no ano passado, do tucano Beto Richa para governador. Em Alagoas, o partido trabalhou pela reeleição de outro tucano – Teotonio Vilela Filho.

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