Em artigo do Valor, Marco Aurélio Garcia confirma a América do Sul como eixo prioritário da política externa brasileira no Governo Dilma.
A primeira visita da presidenta será à Argentina.
Segundo Garcia, “Nossa integração com a Argentina não garante a união da América do Sul, mas sem ela não há a união”.
As relações com a Argentina, e mesmo o próprio Mercosul, não se justificam apenas por si mesmos. São parte de um objetivo maior, de integração sul-americana, de construção de um espaço próprio de projeção internacional, de formação de um pólo específico na geopolítica mundial.
Os próximos quatro anos serão um teste de força para a consolidação da Unasul. Em fevereiro, já se terá a III reunião de Cúpula América do Sul – Países Árabes. Escrevi certa vez que, antes de se integrar à América do Sul, o desafio do Brasil era integrar a América do Sul. Essa formação é que está em jogo.
Abaixo, a reportagem de Sergio Leo no Valor.
Na primeira viagem, Dilma visita a Argentina
Sergio Leo | De Brasília
07/01/2011
A primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff, dia 31 de janeiro ou 1º de fevereiro, à Argentina, terá a missão de “marcar o eixo prioritário da política externa”, disse o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. “Nossa integração com a Argentina não garante a união da América do Sul, mas sem ela não há a união”, comentou Garcia. Ele previu que as viagens de Dilma à China e aos Estados Unidos, entre março e abril, terão forte componente econômico e comercial.
“Precisamos melhorar nosso comércio com os EUA, que, durante muito tempo, foi superavitário e agora está deficitário”, disse Garcia, adiantando que a presidente quer tratar de “elementos protecionistas” na política comercial americana, como a recém-renovada barreira ao etanol brasileiro. O governo busca, ainda, uma agenda positiva com os Estados Unidos, provavelmente reativando os acordos de cooperação na área de energia, assinados durante o governo George Bush, pela própria Dilma, quando ocupava o ministério de Minas e Energia, disse o assessor.
“Esses temas (de cooperação em energia) caíram um pouco em esquecimento lá; mas o presidente Barack Obama é muito ligado nas questões energéticas”, acrescentou.
Na China, Dilma pretende fazer uma visita de Estado, aproveitando a reunião do grupo Bric (Brasil, Índia, Rússia e China), agora acrescido da África do Sul. “Com a China a relação é diferente”, disse Garcia. O país, além de principal parceiro comercial do Brasil, ganhou importância política, numa região, a Ásia, em que o Brasil já tem parceiros de peso, como Japão, Indonésia e Índia, que pretende valorizar, segundo o principal conselheiro de Dilma em política externa. A presidente quer levar uma grande missão de empresários e tentará negociar com os chineses formas de aumentar a parcela de produtos industrializados nas exportações hoje enviadas àquele país, informou.
Ao contrário do que se especulava, Dilma manterá, como o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, uma intensa agenda internacional, segundo a programação confirmada ontem por Garcia. Após visitar Uruguai e Paraguai (e discutir, nesse último, os projetos para o Mercosul), a presidente aproveitará a reunião da América do Sul e Países Árabes, em fevereiro, no Peru, para reunir-se com os presidentes da Colômbia, Juan Manoel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, e discutir com eles as viagens que fará a ambos os países.
A presidente já decidiu também ir, neste ano, ao Chile, à Bulgária e à Ucrânia, informou Garcia.
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