A culpa não é da Marina

Momentos depois da confirmação de que as eleições presidenciais seriam decididas no segundo turno, ao contrário do que as últimas pesquisas indicavam e que a esquerda lulista acomodadamente esperava, já borbulhava na rede várias análises sobre quais teriam sido os fatores preponderantes para que Dilma não liquidasse a fatura no dia 03 de outubro.

A soma das hipóteses levantadas apresenta um quadro que oferece um quadro consistente. O caso Erenice, a questão religiosa e a polêmica acusação de que Dilma seria a favor do aborto, nível de abstenção em localidades fortemente governistas,  ou, talvez a justificativa mais charmosa e tentadora de todas, Marina Silva.

Da minha experiência nessas eleições, não se pode imputar a culpa pelo segundo turno à Marina Silva. Até porque ela era a candidata menos qualificada, com propostas menos claras e menos consistentes, além de apoios frágeis. Aliás, se tem alguma coisa de bom nesse segundo turno, foi justamente a derrota da candidata com projeto mais inconsistente.*

A culpa pela realização do segundo turno é da esquerda. Cheia de pudores, não vestiu a camisa, não ergueu as bandeiras, não defendeu o projeto. Comportou-se tal moça virgem tomando banho frio, envergonhada. Acomodou-se à sombra de Lula.

Vários amigos que conheço que votariam na Dilma não foram votar, afinal, não era necessário. Outra amiga esquerdista inconteste, ao me ver com camiseta da Dilma, ainda afirmou: Eu voto na Dilma, mas vestir camiseta é demais. Outros tantos apenas se acomodaram ou por pensar que o páreo tava ganho ou por não querer revelar-se num momento em que a mídia queria fazer parecer feio votar num governo que tem apenas 4% de reprovação!!!

Pois bem, vem o segundo turno. Acreditem, não será fácil. Vários eleitores da Marina migram para o Serra. A mídia tem mais um mês para criar ou requentar factoides. Ainda creio muito na vitória da Dilma, mas tenho certeza de que não será folgada. O que vai definir isso é a força da voz, dos textos, análises e manifestos, da militância nas ruas da esquerda progressista que acredita em um projeto, acima dos indivíduos. É necessário identificar bem o candidato de oposição, que certamente tentará vender ainda mais um discurso próximo ao do governo, mas que não cola na sua imagem. As terceirizações, o desmantelamento do Estado, o descaso com o planejamento, com as universidades públicas, com as escolas técnicas, devem ser lembrados e destacados.

Em alto e bom som. Ao vivo e em cores. Nas ruas e na rede.

Mantido o projeto, tratemos de aperfeiçoa-lo.

Todos temos um lado. É necessário coragem para adotá-lo e professá-lo.

Esse blog apoia Dilma Presidente.

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3 Responses to A culpa não é da Marina

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  2. Góes says:

    Leandro, não foi dos seus textos mais felizes.

    A análise é rasa e parece ignorar os fatos. Marina era a única candidata que tinha um projeto definido e exposto em seu sítio oficial. Serra e Dilma nunca tornaram públicos. Dilma dava tão pouca importância a isso que assinou e registrou dois projetos no TSE.

    Dilma não tem projeto. Ao contrário, insiste em falar do passado. O maior erro de Dilma e dos petistas foi insistir no debate plebiscitário em favor do lulismo ou contra o lulismo. O povo reagiu a essa inércia e sabe querer cada vez mais.

    As pessoas perceberam que os avanços do Brasil vêm de seus indivíduos – do esforço de seu povo – e não de seu governo. O melhor governo é aquele que menos atrapalha o progresso de sua população.

    Como bem disse Marina, o mundo não é cor-de-rosa para as pessoas acreditarem que a divisão administrativa de nove campi avançados de universidades federais em NOVAS universidades federais, sem qualquer construção adicional, implique em várias novas universidades de fato, como o marketing herdeiro de Duda Mendonça quer fazer acreditar.

    E, agora, nem mesmo se pode confiar nesses institutos de pesquisa falhos (e governistas, como é o caso do Vox Populli) que não conseguem fazer previsões. Por que, portanto, eu acreditaria nessa aprovação maciça do Governo? As urnas decretaram que a aprovação com o Partido dos Trabalhadores, de fato, é menor que 50% – e isso é incontestável.

    A culpa não é da Marina, não é da mídia, não é externa. Não adianta criar um bode espiatório tão caro ao discurso esquerdista. Não foi o Império ou a “direita” – algo, que, frise-se inexiste no Brasil – que deu um golpe contra o lulismo.

    Foi o povo, foi a democracia. É preciso ter muita humildade e serenidade, fazendo um mea culpa, para admitir-lo. Nega-lo, ao contrário, é expressar um espírito autoritário que só confirmaria o que alguns críticos argumentam…

  3. Elaine says:

    Como bem nos lembrou um amigo em um post recente em seu blog (Caia Na Real), quando um colunista ou um blogueiro professa sua preferência por determinado candidato em um texto a contribuição dele para o debate eleitoral não é exatamente no campo da transparência… Contribuição maior seria dada ao se apresentar os diferentes posicionamentos dos candidatos (ou a falta deles, como parece ser o caso destas eleições) a um determinado cargo eletivo em determinado assunto. Afinal de contas, se de ante mão o eleitor tem o seu voto definido – independetemente das propostas ou da qualidade das propostas que apresente seu candidato – , então para quê o debate entre os candidatos antes da realização do pleito?

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