A política externa nas eleições

Tenho refletido nos últimos dias sobre a importância da pauta da política externa nas eleições presidenciais. É tradição nas relações internacionais a afirmação de que política externa não dá voto? Isso não estaria mudando?

Tenho impressão que sim, e estou desenvolvendo um pequeno artigo sobre isso. Logo, será publicado.

Por ora, refiro-me à visita do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ao Brasil, logo a sua primeira viagem oficial. Em primeiro lugar, uma sinalização do reconhecimento da importância do Brasil para o arranjo regional. Ao afirmar que as FARC não são mais prioridade na agenda colombiana, que estaria preocupada com questões econômicas, ressaltou que está inteiramente satisfeito com a postura brasileira nessa área. Uma intromissão nos assuntos políticos domésticos, afinal, tirou a razão do discurso inflamado de Índio da Costa e José Serra.

Mas o mais importante ressaltar são essas razões econômicas que trouxeram Santos ao Brasil. Veio em busca de tecnologia para produzir etanol na colômbia. Como tenho dito, a diplomacia do etanol é um grande trunfo da PEB nos últimos anos. Além disso, busca parceria da Embraer para a construção de cargueiro militar.

Sim, esse movimento de aproximação da América do Sul, e institucionalização do diálogo regional com a Unasul, traz ganhos para o Brasil. Não é filantropia ou benevolência. É política externa, estúpido! Com linguagens apropriadas, o povo e as elites ficam sabendo disso, enquanto setores conservadores tentam minimizá-la.

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