VLT de Brasília

Depois de tantas suspeitas, o que era pra ser um dos principais projetos de mobilidade urbana da capital federal para a Copa do Mundo continua parado. A herança é maldita, sem sombra de dúvida. A questão é se a gestão atual está sendo eficiente?

Manter o projeto como está pode atender a poucos, mas importantes, interessados… Impacto para a população, ou para a cidade, é mais do que incerto. Como diz matéria do Valor, é um mistério…

Destino do projeto de Brasília ainda é um mistério

 

Por De Brasília

Em uma cidade desenhada para os automóveis e sem calçadas em algumas de suas avenidas, o único projeto de transporte coletivo em Brasília para a Copa do Mundo está rigorosamente parado, embora o primeiro contrato para a realização das obras tenha sido assinado há quase três anos.

A linha do veículo leve sobre trilhos (VLT), o bonde moderno, deveria ter 22,6 quilômetros e 25 estações, entre o aeroporto e o fim da Asa Norte, atravessando toda a extensão do Plano Piloto. O projeto foi dividido em três fases e apenas a primeira delas, com 6,5 quilômetros e quatro estações, talvez seja concluída até 2014. Sem decisão mesmo sobre essa fase, o governo local ainda avaliará, por volta de abril, se toca as obras ou engaveta temporariamente o projeto.

Além de despertar controvérsia por interferir no projeto urbano da cidade, o VLT de Brasília enfrenta questionamentos judiciais. Em dezembro, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal anulou o primeiro contrato para as obras, firmado em abril de 2009, com valor próximo de R$ 1,5 bilhão. “Não há dúvida de que o processo de licitação foi fraudado desde o início”, disseram os desembargadores, na sentença. Eles afirmam ter havido conluio entre duas empresas, que simularam concorrência, mas dividiram a elaboração dos projetos básico e executivo. A decisão culpa o ex-presidente do Metrô-DF, estatal responsável pela implantação do projeto, de participação “devidamente comprovada” no esquema de fraude.

Menos de 3% das obras avançaram antes da paralisação. Enquanto o esqueleto de um dos terminais do VLT começa a enferrujar, as autoridades de Brasília decidiram concentrar-se exclusivamente no primeiro trecho da linha. Ele liga o aeroporto ao fim da Asa Sul, o que é “totalmente inútil”, na avaliação de Artur Morais, especialista em políticas de transporte e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).

Pode soar pouco familiar para quem não conhece o mapa da capital, mas há uma explicação. No projeto original, o novo sistema de transporte percorreria toda a avenida W3, a mais movimentada de Brasília. Passaria pelas duas regiões de hotéis e perto do Estádio Nacional, que sediará seis jogos da Copa do Mundo. Só com o primeiro trecho em operação, nada disso pode ser feito e a avenida continuaria atendida por ônibus velhos e precários, sem renovação.

Até o atual presidente do Metrô-DF, David José de Matos, reconhece a perda de eficácia com o encolhimento do VLT. “Preferimos fazer assim para não correr o risco de chegar a 2014 com toda a W3 esburacada”, diz. Mas ele defende a continuidade do projeto como “pontapé inicial de um sistema de transporte integrado”, como “acesso a uma tecnologia nova”, e como “segunda alternativa de acesso ao aeroporto”.

O último balanço dos projetos de mobilidade urbana da Copa previa o início das obras do VLT em dezembro. A nova licitação, no entanto, ainda não foi concluída e o governo espera assinar o contrato até abril. Com isso, acredita que os trabalhos podem ser retomados em julho. “Dá para entregar até a Copa. As obras civis, em si, demoram cerca de 18 meses”, afirma Matos. A questão, segundo o executivo, é se surgirem questionamentos judiciais ou novos obstáculos que atrasem ainda mais o cronograma. Por isso, ele diz que uma reavaliação sobre a viabilidade da obra deverá ser feita em abril, antes da assinatura definitiva do contrato.

A nova licitação – que inclui os projetos de engenharia e as obras – está sendo feita pelo RDC, o regime diferenciado de contratações, recentemente sancionado pela presidente Dilma Rousseff. A Caixa Econômica Federal já deu aval a um financiamento de R$ 263 milhões, segundo informou Matos.

A dificuldade em tirar o projeto do papel repete a novela do metrô, que atravessou vários governos. O sistema teve sua construção iniciada em 1992, mas só começou a operar em 2001, em meio a atrasos e denúncias de irregularidades. Até hoje tem uma rede limitada, requer subsídios de mais de R$ 50 milhões para funcionar e não consegue andar com seus planos de expansão. No cenário otimista, prevê-se apenas mais uma estação até 2014.

O governo local encara a linha de VLT como um paradigma na tentativa de revitalização da avenida W3, espécie de bulevar comercial até os anos 80, que entrou em decadência com os shopping centers. Para o professor Frederico Flósculo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, isso não faz sentido se for mantida a circulação de carros e ônibus pela avenida. Flósculo, que coordenou a equipe vencedora de um concurso para projetos de recuperação urbana da W3, diz só ver sentido no projeto caso o VLT transite em uma via exclusiva de pedestres. (DR)

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Coelho Eleitoral

Nas corridas de longa distância, principalmente em maratonas, é conhecida a figura do Coelho. Trata-se de um atleta que pode ser contratado pela direção da prova ou por determinada equipe para puxar o ritmo da prova. Eventualmente, surpreendem e terminam a prova em boas posições, mas normalmente acabam ficando para trás do meio para o fim da corrida, dado o desgaste demasiado a que se submeteram na metade inicial.

As eleições, da mesma forma, podem ser vista como corridas de longa distância. E Brasília pode estar sendo vanguarda na criação de uma nova figura: o Coelho Eleitoral. Tudo por conta de que candidatos estão sendo beneficiados por colegas de coligação que não terminaram a prova, mas cuja performance afetou positivamente o seu desempenho. A grande diferença é que o fizeram de forma ilegal.

È sabido, legal e legítimo dentro do processo eleitoral hoje em voga no Brasil que um candidato de determinada coligação que alcance votação expressiva acaba carregando consigo outros candidatos com votação bem menor por conta do quociente eleitoral. Nas últimas eleições, o Deputado Federal Tiririca (PR-SP) foi o caso mais comentado, mas Enéas, quando se elegeu Deputado Federal também por São Paulo acabou trazendo para a Câmara Federal vários colegas do partido que se seguravam na sua votação. No DF, o desempenho de Reguffe nas urnas também garantiu a eleição de mais deputados da coligação que o seu partido, PDT, fazia parte.

Imaginemos, no entanto, que fosse comprovado que um desses “puxadores de voto” tivesse comprado votos e abusado do poder econômico e, por conta disso, tivesse seu mandato cassado. Seria justo que os demais candidatos se beneficiassem desse ato ilegal e mantivessem seus assentos no legislativo? Então, se um partido resolve adotar a tática de selecionar um “Coelho Eleitoral” que compre 150 mil votos e, com isso, eleja três deputados distritais, depois seja cassado, é justo que as vagas sejam mantidas para esse partido?

A resposta é: Não é justo, nem legal. Mas pode estar acontecendo em Brasília. Benício Tavares, deputado distrital eleito pelo PMDB – DF, foi cassado por ter comprado votos e abusado do poder econômico. No entanto, os votos que conquistou de maneira ilegal estão beneficiando seu parceiro de coligação, Robério Negreiros, a quem a Câmara Legislativa do Distrito Federal deu posse no início de 2012. Benício Tavares foi o Coelho da corrida eleitoral no distrito federal.

Caso os votos comprados pelo ex-deputado Benício Tavares sejam anulados, amparado no artigo 222 do Código Eleitoral, a coligação PSB-PcdoB teria direito a mais uma vaga na CLDF, assumindo, assim, o candidato Guarda Jânio (PSB), primeiro suplente da coligação. É isso que a população do Distrito Federal deve esperar ver na linha de chegada dessa corrida eleitoral de 2010, que ainda não terminou nos tribunais. Que seja extinta a figura do Coelho Eleitoral antes que se procrie e apareça em outras disputas.

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É a Soberania, FIFA!

Na mesma linha dos posts anteriores, para acompanhar o quanto os valores e ideias estruturantes do Plano Plurianual são válidas no dia-a-dia da política.

Soberania é o primeiro valor guia da ação do governo brasileiro.

Então, que se exerça agora nessa discussão com a FIFA. Por uma Lei Geral da Copa SOBERANA.

Abaixo,  a notícia do Valor de hoje.

Fifa quer pôr desastre natural na conta do Brasil

 

Daniela Martins | De Brasília

O secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, disse ontem que o Brasil deve se responsabilizar por prejuízos causados por eventuais desastres naturais durante a realização da Copa do Mundo de 2014. “Desastre natural, segurança do país, isso não pode ser responsabilidade da Fifa. Isso tem que ser responsabilidade do governo”, disse.

O projeto da Lei Geral da Copa enviado pelo Executivo ao Congresso no ano passado estabelece que o governo brasileiro deve arcar com os prejuízos “pelos danos que causar, por ação ou omissão, à Fifa, seus respectivos representantes legais, empregados ou consultores”. Além disso, a União, de acordo com o texto proposto pelo governo, deve ser responsabilizada em incidentes ou acidentes de segurança relacionados ao megaevento esportivo.

A proposta recebeu alterações do relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP), para responsabilizar a União “independentemente” de culpa. À época, o parlamentar afirmou que as mudanças atendiam aos interesses da Fifa. No entanto, houve resistência dos deputados da Comissão Especial que analisa o tema, que forçaram Cândido a alterar esse ponto do seu relatório, voltando ao texto original enviado pelo governo, e que culminou no adiamento da votação do projeto.

O secretário da Fifa cobrou pressa na aprovação do texto, que deve voltar a ser discutido a partir de fevereiro, com o fim do recesso parlamentar. “Está na hora de parir essa lei. O bebê tem que nascer”, afirmou. Valcke também apontou que o Brasil está com muitas demandas em comparação com outros países que foram sedes do mundial de futebol. “Só porque vocês ganharam cinco Copas do Mundo, vocês acham que podem pedir, pedir, pedir”, queixou-se.

Valcke, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o conselheiro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, o ex-jogador Ronaldo, anunciaram ontem a visita às cidades-sedes do mundial de futebol. O grupo partiu ontem de Brasília para Fortaleza. Depois de vistoriar as obras do estádio da capital cearense, os três seguem para Salvador (BA) para acompanhar a reconstrução do estádio Fonte Nova.

Na quinta-feira, a cúpula da Fifa se reúne com o ministro Aldo Rebelo e representantes do COL no Rio de Janeiro para discutir os preços dos ingressos na Copa de 2014 e um calendário de atividades para este ano.

 

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Extratos do PPA 2012-2015 II

Você sabe qual a visão de futuro que o Governo Dilma Roussef tem para o Brasil?

Sabemos que o papel aceita qualquer coisa, e essas visões de futuro são tão amplas amplas que servem apenas como mera indicações.

No entanto, penso que pode ser útil para confirmar prioridade e revelar contradições.

Na visão do Governo, o Brasil do futuro deverá ser reconhecido por:


  • Por seu modelo de desenvolvimento sustentável, bem distribuído regionalmente, que busca a igualdade social com educação de qualidade, produção de conhecimento, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental.
  • Por ser uma Nação democrática, soberana, que defende os direitos humanos e a liberdade, a paz e o desenvolvimento no mundo.

Para construir esse destino, a ação do governo seria guiada por alguns valores:

Soberania

Democracia

Justiça Social

Sustentabilidade

Diversidade Cultural e Identidade Nacional

Participação Social

Excelência na Gestão

 

Sem entrar em jogo de palavras sem sentido, é difícil entender “excelência na gestão” como um valor no mesmo nível dos demais. Parece que o Governo rendeu-se ao marketing que se criou em cima da discussão da eficiência pública e a imagem de gerentes da Presidenta e da Ministra do Planejamento.

De toda a forma, pareceu-me coerente a Visão de Futuro com os Valores enunciados. Serão coerentes com os programas e iniciativas apresentados? Sigamos acompanhando…

PS: Aliás, descobri um blog do PPA do Estado do Piauí. Se concentrou em divulgar as plenárias para a construção do plano, mas pode ser uma boa ideia para divulgar a execução dos programas, a evolução das metas e ajudar no acompanhamento por parte da sociedade civil. Aí vai o link:

www.seplan.pi.gov.br/blog/index.php?pagina=6

 

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Extratos do PPA 2012-2015

Voltando ao Planejamento, minha circunstância cotidiana, em busca de recuperar o tempo em que fiquei afastado para o doutorado.

Começo a apresentar aqui alguns extratos do PPA, para início de uma reflexão que ainda não está amadurecida nem mesmo no governo. Vou me restringir, ao menos no início, à sua dimensão estratégia.

De partida, um extrato sobre inserção internacional:

“No campo internacional está em curso uma estratégia de inserção soberana do país como uma Nação democrática, ciente de sua importância como potência emergente, de seu papel de protagonista na economia da América Latina e de país que implementa um novo
paradigma de relacionamento com países menos desenvolvidos.”

Destaco o reconhecimento nacional oficial como potência emergente. Fugiu-se do termo potência regional? O Brasil está ampliando seu horizonte regional? Qual é o novo paradigma de relacionamento com países menos desenvolvidos?

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Embraer enfrenta nacionalismo americano

Notícia do Valor Econômico de 06.01.2012 revela explicitamente duas coisas: 1) o conceito de nação ainda guia forças ao redor do mundo; 2) Brasil está aprendendo a brincar, gastou mais em lobby que a concorrente americana. Está amadurecendo o processo de internacionalização da sua economia.

Embraer enfrenta nacionalismo americano

Por Alex Ribeiro | De Washington

A fabricante de aviões Hawker Beechcraft está apelando para a retórica nacionalista na tentativa de tomar da Embraer contrato de até US$ 1 bilhão para fornecer aeronaves para a Força Aérea americana. Mas sua estratégia está sendo diluída pelos interesses locais de diferentes regiões dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, a Força Aérea comunicou a suspensão temporária da encomenda de 20 aviões Super Tucano fabricados pela Embraer até que a Justiça americana julgue ação movida pela Hawker Beechcraft que questiona o processo de licitação.

Numa recente nota sobre o processo judicial, a Hawker Beechcraft usou argumentos protecionistas em seu favor. “O contrato, a caminho de beneficiar uma empresa não americana, é avaliado em US$ 1 bilhão em recursos dos contribuintes americanos”, afirma. O valor inicial do contrato é de US$ 355 milhões, mas pode subir a perto de US$ 1 bilhão ao longo do tempo.

A companhia mantém site em defesa do concorrente do Super Tucano, o avião AT6, afirmando que ele cria “empregos americanos”. Também estimula cidadãos a pressionarem parlamentares e a Força Aérea. Deputados do Estado do Kansas, onde a companhia está sediada, subiram no palanque em defesa da Hawker Beechcraft.

“É simplesmente errado o governo Obama contratar uma empresa brasileira para lidar com a segurança nacional quando temos uma companhia americana competente”, declarou o deputado Tim Huelskamp, na semana passada, quando a Força Aérea comunicou que a Embraer venceu a licitação. Ele recebeu US$ 5 mil em doações da Hawker Beechcraft para a sua campanha de reeleição em 2012, segundo dados da Open Secrets, uma entidade que monitora doações políticas.

“É pertubador que a Força Aérea dos Estados Unidos prefira ter essas aeronaves construídas em outro país, quando empregos são tão necessários em nossa casa”, declarou outro deputado, Mike Pompeo, que também recebeu US$ 5 mil para sua campanha.

O lobby do Kansas, porém, está sendo combatido por outro Estado com mais peso político dentro do Congresso, a Flórida. A Embraer pretende montar os Super Tucanos numa fábrica em Jacksonville, numa região com forte indústria aeroespacial no norte do Estado, utilizando alguns fornecedores locais. A estimativa é que vá criar 50 empregos.

“Esse é um importante negócio para a Flórida”, afirmou o governador Rick Scott ao saber que a Força Aérea americana concedeu o contrato para a Embraer. Na ocasião, o governador agradeceu os esforços em favor da empresa brasileira feitos por parlamentares do Estado.

A Embraer, cuja sede nos Estados Unidos fica na cidade de Forte Lauderdale, ao norte de Miami, tem cultivado boas relações com autoridades governamentais da Flórida. Com incentivos fiscais, a empresa inaugurou, no ano passado, uma fábrica de jatos executivos em Melbourne. Executivos da Embraer acompanharam uma delegação comercial ao Brasil liderada pelo governador Scott em fins de 2011.

A Embraer também tem investido em lobby em Washington. A empresa mantém um escritório com vista para a Casa Branca e, em 2011, gastou em US$ 480 mil em lobby, segundo a Open Secrets. O lobby é uma atividade legal, regulamentada e disseminada nos Estados Unidos. A Hawker Beechcraft gastou US$ 210 mil.

A Força Aérea comunicou, na quarta-feira, ao Tribunal de Ações Federais dos Estados Unidos que irá suspender a contratação da Embraer, que atua por meio de sua associada americana, a Sierra Nevada Corporation, até o julgamento final. A Força Aérea pede que o processo seja acelerado. A Hawker Beechcraft obteve segredo de justiça na maior parte do processo para proteger informações comerciais.

Em novembro, a Força Aérea comunicou à companhia americana a sua desclassificação porque “múltiplas deficiências e fragilidades significativas encontradas na proposta da Hawker Beechcraft a tornaram inaceitável tecnicamente e criam riscos inaceitáveis para as missões”. A Força Aérea pretende usar os Super Tucanos em patrulhas no Afeganistão.

A Hawker Beechcraft tentou apresentar um recurso contra a decisão, mas a Força Aérea o rejeitou alegando que o prazo havia vencido. A empresa americana então entrou com uma reclamação num órgão que supervisiona o governo, o GAO, que deu razão para a Força Aérea.

O Valor encaminhou questões escritas para a Hawker Beechcraft, mas não havia recebido resposta até o fechamento desta edição. A Sierra Nevada divulgou nota afirmando “permanecer confiante de que o assunto será resolvido rapidamente”.

No Brasil, a Embraer informou estar tranquila quanto ao desfecho do processo. “Essa reação da concorrente já era esperada”, informou a fabricante brasileira.

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Livro ameaça reabrir CPI inconclusa

Do Jornal Valor econômico, 02.01.2012

Por Cristine Prestes | De São Paulo

Não há, na história da República, um escândalo financeiro tão longevo e de tantas ramificações quando o caso Banestado. Alvo de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional em 2003 e de uma força-tarefa formada por 40 procuradores, delegados, agentes e peritos do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, a descoberta de um esquema ilegal de uso das contas CC5 – criadas pelo Banco Central para permitir transferências legais para o exterior – no banco do Estado do Paraná foi a precursora de uma série de outras investigações – muitas delas ainda em curso nos gabinetes de procuradores, delegados e juízes.

Um pedido de CPI protocolado junto à mesa diretora da Câmara dos Deputados levantou as expectativas de que uma parte do caso Banestado, até agora mantida em segredo nos arquivos do Congresso, volte à tona. O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) conseguiu em dezembro 206 assinaturas para pedir a abertura de uma nova CPI, desta vez para investigar as privatizações promovidas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP).

Ao receber o pedido de abertura da CPI, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), não foi conclusivo sobre as perspectivas de sua instalação.

O pedido foi motivado pelas revelações do livro “A Privataria Tucana”, lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Nele, o autor regressa à época das privatizações e relata os passos – e a movimentação das contas bancárias – de personagens importantes do contexto político e econômico nacional, muitos deles ligados ao ex-governador José Serra (PSDB-SP).

Apesar de muitos governistas terem assinado o pedido de CPI, ainda não se conhece o interesse do governo e do PT na instalação efetiva desta investigação. O desinteresse de ambos na abertura de uma investigação poderia ser explicado pela informação que consta da página 75 do livro: “Os arquivos ocultavam informações capazes de constranger tanto o governo Lula quanto o de FHC”.

A devassa no Banestado partiu de uma denúncia feita contra um dos gerentes do banco, que havia enviado dinheiro ao exterior ilegalmente por meio das CC5 e, em depoimento, relatou o esquema montado na instituição. De uma forma inédita na história do país, foram abertas duas frentes de investigação.

De um lado, a CPI do Banestado foi instalada em 2003 para apurar a evasão de divisas por meio do banco estatal. De outro, uma força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal foi montada no Paraná no mesmo ano para abrir inquéritos e investigar os clientes do banco que haviam incorrido no crime.

A força-tarefa resultou em inúmeras operações da PF para investigar o uso do câmbio ilegal no Brasil e acabou varrendo diversos doleiros do mercado. Resultam dela as mais importantes operações da PF já realizadas – como Farol da Colina, Suíça, Kaspar I e II e Satiagraha. O conjunto de ações integradas entre a PF e a MP foi encerrado em setembro de 2007 após ter denunciado 684 pessoas, obtido 97 condenações, investigado mais de 1.170 contas bancárias no exterior e bloqueado R$ 380 milhões no Brasil e R$ 34,7 milhões fora do país. Após seu término, os inquéritos ainda em andamento foram remetidos para procuradores em diversos Estados e geraram novas investigações.

A CPI do Banestado foi encerrada em 27 de dezembro de 2004 sem a aprovação de seu relatório final. Na época, os partidos fizeram um acordo para encerrar as investigações, após a comissão ter recebido dos Estados Unidos um lote de documentos sobre a movimentação de brasileiros em contas bancárias abertas no MTB Bank, outro escritório de lavagem de dinheiro americano. Segundo Ribeiro Júnior, a revelação dos dados do MTB foi determinante para que fosse desencadeada a “operação abafa” na CPI.

O livro, no entanto, não se dedica às razões por que o PT resolveu colaborar para sepultar a CPI. Seu foco é na tese de que a era das privatizações – inaugurada durante o governo Collor e ampliada e intensificada no governo FHC – patrocinou a venda de estatais brasileiras a “preço de banana” e enriqueceu políticos e empresários por meio de um esquema de pagamento de propinas. Segundo o autor, a venda de empresas como Vale, CSN, Light, Embraer e Usiminas, entre outras, foi antecedida por demissões, aumento de tarifas, investimentos e absorção das dívidas das companhias pelo Estado e concluída por meio do uso de moedas podres e intensa participação do BNDES no financiamento aos consórcios que as adquiriram.

Entre a primeira e a segunda etapas, Ribeiro Júnior tenta provar que houve um esquema de corrupção por meio do qual os tucanos montavam os consórcios vencedores dos leilões em troca de propina – no que chama de “propinização”, ao invés de privatização.

O principal argumento que sustenta a tese do autor foi mantido em sigilo pelo Congresso desde 2003, quando foi instalada a CPI do Banestado. Segundo Amaury Ribeiro Júnior, a caixa de número 6 que abriga o material levantado pela CPI contém um documento, reproduzido no livro à página 137, que demonstra que o ex-tesoureiro de campanha de Fernando Henrique Cardoso (em 1994 e 1998) e de José Serra (em 1990 e 1994), Ricardo Sérgio de Oliveira, recebeu somas consideráveis nas contas bancárias de empresas das quais é sócio.

Após a eleição de Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio, indicado por Serra, assumiu a área internacional do Banco do Brasil, posto por meio do qual teria articulado a participação dos fundos de pensão – como Previ e Petros – nas privatizações.

Além de Ricardo Sérgio, o documento, reproduzido por Ribeiro Júnior no livro, também cita Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de primeiro grau de Serra. Preciado teria movimentado dinheiro por meio do Beacon Hill, escritório de lavagem de dinheiro que foi o principal receptor dos valores enviados ilegalmente para fora do país pelas contas CC5 do Banestado. O autor, no entanto, não consegue provar que o dinheiro que circulou nas contas dessas pessoas tem origem nas privatizações e tampouco que Serra teria se beneficiado desses valores. Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa de José Serra não se manifestou. O ex-governador de São Paulo classificou o livro como “lixo”. A reportagem não encontrou Ricardo Sérgio em seu escritório. A assessoria do PSDB informou que o departamento jurídico do partido prepara uma ação judicial contra o livro.

“Não é um livro, é um documento”, resumiu o deputado Protógenes Queiroz durante um debate sobre “A Privataria Tucana” promovido pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, realizado no Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A afirmação decorre do fato de o autor se dedicar a esmiuçar o modus operandi da lavagem de dinheiro a partir dos mais ruidosos escândalos brasileiros dos últimos tempos, como o desvio de verbas da construção do novo fórum trabalhista de São Paulo pelo juiz Nicolau dos Santos Neto; a Máfia dos Fiscais do Rio de Janeiro; o desvio de verbas do INSS promovido pela servidora Jorgina de Freitas, entre outros casos.

Em todos eles, as investigações culminaram em uma sequência de operações que incluiu o desvio de recursos públicos, seguido da evasão de divisas por meio de doleiros, da circulação do dinheiro em contas de bancos americanos e da abertura de offshores em paraísos fiscais. Sem a identificação dos seus beneficiários finais, protegidos pelo sigilo oferecido nesses países, as offshores promoviam investimentos no Brasil, reinserindo o dinheiro lavado na economia. (Colaborou Cristiane Agostine)

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Primeiro de maio em Cuba

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Jaqueline Roriz: De quem é a culpa?

A decisão da Câmara dos Deputados de ontem, quando 265 deputados votaram contra a cassação da Deputada Jaqueline Roriz, foi revoltante. Todos sabiam que aprovar o relatório que pedia a cassação da deputada não seria fácil, pois eram necessários 257 votos para confirmar o impedimento de Jaqueline Roriz. Ainda assim, eu acreditava que os votos pela cassação seriam superiores aos votos contrários ao relator, mesmo que em número insuficiente para confirmar a queda de Roriz. Dos 451 deputados que votaram, apenas 166 foram a favor da cassação, e outras 20 abstenções.

 

Tão logo terminada a votação, começaram a circular nas redes sociais insinuações sobre os culpados pelo resultado. Provocações de militantes de esquerda acusavam o governo e a base aliada, enquanto outros pró-governo denunciavam as relações entre a Famiglia Roriz e o ex-candidato tucano José Serra ou mesmo com o ex-presidente sociólogo. Ainda, sobraram aqueles que referendaram visões deterministas de que a corrupção é endêmica no nosso país, que político é tudo igual, que o Brasil não tem jeito, ou outros tantos que colocavam a conta nas costas do povo, seja pela sua passividade – inclusive, indicavam que parte dos manifestantes pró-cassação presentes no congresso nacional eram pagos pelo suplente da Deputada – seja por ter escolhido mal seus representantes.

 

Considero que a dinâmica política é mais complexa que a cansativa perspectiva da rivalidade entre PSDB e PT, ou entre os paladinos da ética, seja da oposição de direita ou de esquerda, e os impuros vendidos que participam do governo em busca de vantagens pessoais. De outro lado, não estou entre os que consideram a bandeira da ética suficiente para atestar a orientação ou qualidade política. A conduta ética é estritamente necessária e deve ser inegociável em qualquer função pública, sem dúvida, mas não é suficiente.

 

Assim, o que aconteceu no congresso de ontem não pode ser computado na conta do governo, da oposição, do PSDB, DEM, PTB ou qualquer outra agremiação específica. Seria limitar a análise, perdendo a chance de tirar uma lição positiva do fato extremamente negativo.

 

O que, de fato, poderia ter significado que o resultado da votação fosse diferente? Uma atuação mais forte do governo? Orientação mais clara de qualquer partido? Mobilização maior do povo? Sempre é mais fácil culpar a passividade do coletivo… Todavia, a resposta me parece clara: a única coisa que poderia ter tornado o resultado diferente é o sistema de votação. O que salvou Jaqueline Roriz foi o voto secreto!

 

Foi o sistema de votação que permitiu o descolamento entre representantes e representados. Esse é mais um dos ingredientes inadequados da nossa receita de democracia. Precisaria ser revisto em todas as casas legislativas de todo o Brasil. Se devemos escolher alguém para nos representar, como podemos exercer esse controle e avaliar a eficácia de nosso voto se não pudermos avaliar a postura do nosso representante? Só com a reavaliação do voto secreto! Por que não encampamos essa luta antes que um novo processo de cassação tome lugar e use do mesmo expediente para acobertar a vergonha dos mal-intencionados?

 

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