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Blog do Desemprego Zero

Tentando entender a ONDA VERDE que provocou o segundo turno

Postado em 5 dEurope/London outubro dEurope/London 2010

Houve onda verde, sim. E a onda verde, que pegou de surpresa a todos os institutos de pesquisa, é que está levando a eleição presidencial para o segundo turno.
Dito isso, é preciso tentar entender o que alimentou essa onda verde.
Sinceramente, não acredito que isso se deva apenas à sórdida campanha movida por religiosos católicos e evangélicos contra a candidata governista.
Isso jamais renderia a Marina Silva mais de 18 milhões de votos!
Por dados anedóticos, colhidos aqui e ali, é possível notar que Marina respondeu a uma aspiração dos jovens, que se mostraram fartos com a polarização PT/PSDB.
Se assim for, a proposta do presidente Lula de promover a campanha em seus termos, ou seja, num confronto bipolar, fracassou nas urnas neste domingo.
Os eleitores de Marina querem saber mais. Querem mais que as produções de alta qualidade do marqueteiro João Santana.
Quem é leitor do blog sabe que já tratei mais de uma vez da falta de politização da campanha no primeiro turno.
Foi uma opção do PT, que parecia acreditar que bastava propagandear os feitos econômicos do governo — o que foi feito com competência na campanha televisiva — para garantir a vitória em primeiro turno.
Marina Silva se projetou, em minha modesta opinião, justamente nesse buraco negro da falta de politização.
Outra observação necessária: um presidente com 80% de aprovação nas pesquisas conseguiu transferir pouco mais da metade disso para a sua candidata.
Reflexo, em minha opinião, da falta de politização que acompanhou a ascensão social de milhões de brasileiros para a classe média. Vários comentaristas já trataram disso. Seria o “fator Berlusconi”. Ou seja, uma ascensão social que promove um eleitorado conservador, cuja lealdade não reflete compromisso político com um projeto e muito suscetível às questões morais — o boato de que o vice de Dilma é satanista, por exemplo. O “melhorismo”  de Lula, na definição de Plínio de Arruda Sampaio, se assenta sobre bases mais frágeis do que se imaginava?
O segundo turno, em minha opinião, é resultado de um conjunto de fatores.
Sem qualquer sombra de dúvida, a mídia desempenhou um papel relevante, disparando balas de prata que reduziram sensivelmente a vantagem da candidata petista nas últimas semanas de campanha.
Acima de tudo, a mídia cumpriu a tarefa a que se propôs, de desviar o foco da eleição das questões econômicas para os escândalos.
Serra não recolheu os escombros, que cairam no colo de Marina Silva.
Acima de tudo, no entanto, é preciso colocar todos os pingos nos is dos erros na campanha da candidata governista:
1. Como todos sabíamos antecipadamente do papel que a mídia iria desempenhar em 2010, ninguém detectou o potencial explosivo dos negócios em torno de Erenice Guerra?
2. Por que a campanha de Dilma Rousseff não se antecipou aos boatos de forma didática, como Barack Obama fez nos Estados Unidos, criando um site específico para combatê-los?
3. Por que a campanha de Dilma não rebateu as promessas de José Serra e não politizou a campanha?
De qualquer forma, a votação expressiva de Marina Silva indica uma mudança significativa no quadro político brasileiro e, portanto, nos próximos 30 dias de campanha.
Acredito que a campanha de José Serra vai dar alguns passos em busca do centro político, representado agora pela “terceira via” de Marina. Ficará muito mais difícil, nestas circunstâncias, fazer agora a polarização politizada que o PT poderia ter feito durante a campanha do primeiro turno.

Por Luiz Carlos Azenha

http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/tentando-entender-a-onda-verde-que-provocou-o-segundo-turno.html

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Obama não é Lula…

Postado em 27 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Paulo Henrique AmorimPH Amorim

Saiu no Financial Times sobre o discurso de Obama, o “Estado da União”, no Congresso, cujo tema foi “a América vai sair dessa ainda mais forte!”:

“O discurso foi mais reaganesco do que uma simples manifestação de otimismo. Reagan mudou o paradigma da política americana ao dizer acabou a era do Estado grande”.

Obama também pretende mudar o paradigma, quando diz “chegou o dia do acerto de contas”, e “está na hora de assumir o controle do futuro”.

Acabou a era do neoliberalismo. Se Pinochet (o dos “Chicago Boys”), Thatcher, Reagan e Fernando Henrique – nessa ordem cronológica e de relevância histórica – merecem ser enterrados no mesmo buraco em que afundou o Muro de Berlim – a imagem é de Arianna Huffington -  chegou a vez de o Estado intervir para tirar a economia da crise.

Acabou a Era do Estado Pequeno, diria Reagan.

Ou, como diria um reaganesco: precisamos tornar o Estado tão pequeno que seja possível afogá-lo numa banheira …

Obama não saiu do trilho desde que chegou.

O que ele faz está lá, na campanha.

Ele não lançou nenhuma “Carta aos Brasileiros”, para poder ser engolido pelos neoliberais.

Pesquisa do New York Times e da CBS mostra que a popularidade de Obama está em 77%.

A pesquisa do Washington Post e da ABC mostra que a popularidade do Obama está em 68% (maior do que a Reagan, neste momento do mandato).

Mas, isso, caro amigo navegante, é porque os americanos não leem o PiG (*).

Porque o PiG (*) e seus colonistas (**)  adotaram duas atitudes em relação ao Governo Obama: 1) não levam Obama a sério, como a Miriam Leitão, que acha que ele está mais para bloco sujo do que para escola de samba; ou 2) pintam a crise americana com um alarme e um desespero que não se encontra na imprensa americana.

Na tentativa desesperada de derrubar o presidente Lula, o PiG tentou fazer com que o camarote do Presidente Lula na Sapucaí caísse sob o peso da queda das ações do Citibank.

Em tempo: quem foi ovacionado no Sambódromo de São Paulo foram Zé Pedágio e Gilberto Taxab. Como diz o Conversa Afiada: é mais fácil o Vesgo do Pânico ser Presidente da República do que o Zé Pedágio. E se continuar assim, ele não se re-elege governador de São Paulo. Vai ser o editorialista (de todos os assuntos) da Folha (***)

Em tempo 2: Obama mandou rever todos os contratos de empreiteiros americanos no Iraque. É como se o Zé Pedágio – se fosse o que o PiG diz que ele é – revisse o contrato dos empreiteiros que a abriram a cratera do metrô. Leia o resto do artigo »

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Robinson, Chávez e Lula

Postado em 24 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Por Mino Carta

Fonte: CartaCapital

Ocorre-me Robinson Crusoe, o herói de Daniel Defoe. Que se deu com ele quando, finalmente retirado da ilhota no meio do oceano, voltou para casa? O escritor baseava-se em uma história verdadeira, de um marinheiro de sobrenome Selkirk que vivera a mesma aventura. Não sei que aconteceu quando do retorno.

Brasil e Venezuela são mares de desigualdade e Lula e Chávez são Robinsons resgatados pelo povo em lugar de um barco de Sua Majestade. Robinson/ Selkirk, ouso imaginar, logo no regresso frequentou alguns lupanares e entornou copos e copos de rum. A olhos aristocráticos, caiu na gandaia, mesmo para aqueles senhores que não deixavam por menos.

E Lula e Chávez? Exageraram? Exorbitaram? Este, na visão da elite venezuelana, certamente. Aquele, esforçou-se para aparar arestas e agradar aos senhores, sem resultados notáveis, de inúmeros pontos de vista. Neste nosso país de democracia oligárquica, como diz Fábio Konder Comparato, o ódio de classe é sentimento insopitável.

Robinson/Chávez espraiou-se de um lado. Com o apoio popular, vai lançar ao mar uma ditadura de fato. Cuidado com os ditadores, mesmo que simpatizemos com eles, porque, de alguma forma, atormentam o império americano. Muitos, de resto, ascenderam ao poder em meio à euforia das massas.

Lula/Robinson navegou na rota oposta, embora conte com aprovação popular bem mais consistente do que a do colega venezuelano. Não se esperem dele atentados à democracia. Favores, porém, à oligarquia.

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“O neoliberalismo está morto nos EUA” – Michael Hardt.

Postado em 29 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Michael Hardt é cauteloso com seus pensamentos e palavras. Usa pausas a seu favor para evitar falsos julgamentos. Filósofo político reconhecido em diferentes círculos, professor de Literatura pela Universidade de Duke (EUA) e autor, junto com o filósofo italiano Antonio Negri, de Império e Multidão – Guerra e democracia na era do império (ed. Record), participou no Rio de Janeiro, entre 15 e 17 de dezembro, do Fórum Livre de Direito Autoral – O Domínio do Comum, realizado pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Ministério da Cultura (MinC) e a Rede Universidade Nômade. Dos convidados mais ilustres do evento – sua apresentação sobre as relações entre o conceito de revolução e propriedade gerou comentários durante os três dias de debates -, vê com claridade o fim do unilateralismo e do neoliberalismo nos Estados Unidos. São afirmacões fortes, seguidas dos devidos motivos. Também celebra o fim dos anos Bush, e as novas oportunidades com a chegada de Barack Obama à Casa Branca. Sua maior vitória, diz Hardt, será estabelecer um modelo de governo semelhante ao dos líderes de esquerda da América Latina, capazes, segundo o filósofo, de abrir espaços para os movimentos sociais.

Fonte: CartaCapital

CartaCapital: Como definiria a vitória de Obama?

Michael Hardt: Ela representa muitas coisas, mas uma muito importante é a poderosa mudança simbólica nos Estados Unidos. De certa forma, é o mesmo de quando Lula foi eleito pela primeira vez: há um sentimento, uma identificação, por parte da população com o ‘alguém como eu’ [vitorioso nas eleições]. Para outra porção ainda maior da população norte-americana, e por causa da raça de Obama e de sua cor de pele, a vitória nas eleições opera como uma renovação da crença das pessoas no país. Para essa porção de norte-americanos, e depois de 20 ou 30 anos de incapacidade de se sentir orgulhosos de seu país, a vitória revive a sensação de que eles pertencem a uma grande nação. Além disso, o fato de um homem negro ocupar a Casa Branca é uma sinalização de que o país não é confiável apenas em questões de guerras, armas ou outros temas relacionados.

CC: O que dizer da prática?

MH: Ainda é impossível prever o quanto dessa mudança simbólica se revertirá em transformações práticas das estruturas de racismo do país. Alguns gostariam de dizer que não há mais racismo, uma vez que um homem negro ocupará a Casa Branca. Obviamente, não é verdade. A questão é que tipo de transformações e movimentos sociais serão possíveis com a presidência de Obama, tanto pelas suas ações quanto por essa mudança simbólica. A eleição de Obama resulta dos movimentos negros e de direitos civis de 40 anos atrás. Sem eles, a vitória não seria possível. É uma realização que abre uma nova luta social, e por isso é um momento decisivo na história do país.

CC: No Brasil, muitos consideraram – e ainda consideram – a vitória de Lula como uma revolução política e social para o país. O que diria de Obama?

MH: Definitivamente, não se trata de uma revolução. Obama terá muita dificuldade em mudar o que seja. Ele tem duas guerras e uma crise financeira. Apesar de suas intenções, e as de ordem política não estão claras para mim, Obama não possui um discurso específico sobre diferentes temas. Não sabemos exatamente o que fará uma vez ocupe a presidência. O mais prometedor serão os movimentos sociais que se tornarão possíveis com a vitória nas eleições. Muitas pessoas envolvidas em diferentes mobilizações sociais, como a globalização e o racismo, se mobilizaram em torno da eleição de Obama. A dúvida é o que elas farão a partir de agora. Voltarão para casas ou iniciarão uma cooperação? Leia o resto do artigo »

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Grandes expectativas: o que é possível esperar de Obama?

Postado em 21 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

O significado histórico da eleição de Obama não deve ser subestimado. Basta lembrar que ocorreu em um país onde a Ku-Klux-Klan chegou a ter milhões de membros capazes de executar uma campanha de terror e morte contra cidadãos negros com o apoio de um sistema jurídico discriminatório. É um momento horroroso para ser eleito presidente, mas também é um desafio. Que tipo de mudanças podemos esperar com Obama que assume um país em processo de desindustrialização e fortemente dependente das finanças globais? Segue a anáise de Tariq Ali publicada na Carta Maior.

A vitória de Barack Obama supõe uma mudança geracional e sociológica decisiva na política dos Estados Unidos. É difícil, nestes momentos, predizer seu impacto, mas as expectativas suscitadas entre a gente jovem que impulsionou Obama seguem sendo grandes. Talvez não tenha sido uma vitória arrasadora, mas foi suficientemente ampla para permitir que os democratas ficassem com mais de 50% do eleitorado (62,4 milhões de votantes) e colocassem uma família negra na Casa Branca.

O significado histórico deste fato não deveria ser subestimado. Basta lembrar o que ocorreu no país em que a Ku-Klux-Klan chegou a ter milhões de membros capazes de executar uma campanha de terror e morte contra cidadãos negros com o apoio de um sistema jurídico discriminatório. Como esquecer aquelas fotos de afroamericanos linchados diante do olhar complacente de famílias brancas que desfrutavam seus piqueniques enquanto contemplavam – para dizê-lo na voz memorável de Billie Holliday – “corpos negros balançando-se com a brisa do sul, um fruto estanho pendurado nos álamos”?

Mais tarde, as lutas dos anos 60 pelos direitos civis forçaram a reversão da segregação e impulsionaram as campanhas a favor do voto negro, mas também conduziram ao assassinato de Martin Luther King e de Malcom X ( justo quando este começava a insistir na unidade dos brancos e negros contra um sistema que oprimia a ambos). Tornou-se um lugar comum assinalar que Obama não faz parte desta lista. Não é assim, contudo, como mostram os 96% de afroamericanos que saíram de casa para votar nele. Pode ser que se desiludam, mas por enquanto celebram a vitória e ninguém pode culpá-los por isso.

Há apenas duas décadas, Bill Clinton advertia seu rival, o progressista governador de Nova York, Mario Cuomo, que os Estados Unidos não estavam preparados para eleger a um presidente cujo nome acabasse em “o” ou em “i”. Há apenas alguns meses, os Clinton cediam abertamente ao racismo insistindo que os votantes da classe trabalhadora rechaçariam a Obama, lembrando aos democratas que Jesse Jackson também tinha ido bem nas primárias. Uma nova geração de eleitores demonstrou que eles estavam equivocados: cerca de 66% dos que tinham entre 18 e 29 anos, ou seja, 18% do eleitorado, votou por Obama; 52% dos que tinham entre 30 e 44 – uns 37% do eleitorado – fez o mesmo. Leia o resto do artigo »

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Salvar os bancos ou o meio ambiente?

Postado em 17 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

“O Brasil poderia também se beneficiar dos esforços globais de redução das emissões, pois há ações a serem realizadas aqui, no país, que são mais baratas que ações realizadas no Japão ou na Europa”.

José Goldemberg foi secretário de Meio Ambiente da Presidência da República. Artigo publicado no “Estado de SP”.

Fonte: Jornal da Ciência

A crise que assola a economia mundial, com sinais claros de recessão, pode pôr em risco as medidas necessárias para reduzir a emissão dos gases que estão provocando o aquecimento da Terra e as mudanças de clima resultantes?

À primeira vista a resposta é sim, uma vez que a crise vai reduzir a atividade econômica e provocar desemprego, que são problemas que exigem ações imediatas. A rápida reação dos governos dos EUA, da Inglaterra e outros, “salvando” o sistema bancário, vai nessa direção e reduzirá recursos disponíveis para enfrentar problemas ambientais, cujas conseqüências só se vão fazer sentir a longo prazo, como o aquecimento global.

Além disso, a recessão, reduzindo a atividade econômica, reduzirá também a emissão de gases de efeito estufa, como ocorreu com os ex-integrantes da União Soviética, diminuindo a urgência que se deve dedicar a estes problemas.

A queda dos preços do petróleo pode também tornar investimentos em energias alternativas menos atraentes. O uso dessas formas de energia é um dos caminhos utilizados até agora para reduzir as emissões.

Por outro lado, a crise financeira abre novas oportunidades, como expressou em artigo recente o economista inglês Nicholas Stern, que assessora o governo britânico em questões referentes às mudanças de clima. A crise, ao provocar uma redução do consumo, postergará o problema, mas não o resolverá. Isso já ocorreu em 1973, com o primeiro choque do petróleo, que adiou a adoção de medidas sérias contra o aquecimento global. Passados alguns anos o problema voltou a preocupar a todos.

O argumento de Stern é o de que é investido, por ano, cerca de US$ 1 trilhão na área de energia – com crise ou sem crise – e, portanto, o que se deve fazer é redirecionar esse investimento para atividades que permitam racionalizar o uso de eletricidade e outras forma de energia, e lançar os fundamentos de uma economia que – passada a crise – emitirá pouco carbono.

O aumento de eficiência energética tem grande espaço para crescer nos países industrializados e energias renováveis – entre as quais os biocombustíveis – têm grandes oportunidades nos países em desenvolvimento. Em outras palavras, não podemos daqui para a frente repetir a trajetória seguida no século 20 – altamente dependente de combustíveis fósseis -, mas “saltar na frente”, adotando novas estratégias. Leia o resto do artigo »

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Os antecedentes da tormenta

Postado em 7 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Ao examinarmos todo o período do pós-guerra, este por certo é o momento de maior fragilidade na administração da economia capitalista. Está claro que os efeitos deste novo capítulo da crise, deflagrado pelo estouro da bolha imobiliária, não desacelera apenas a economia norte-americana. O lubrificante da desregulação parece ter esgotado a capacidade de azeitar a engrenagem do sistema. A análise é de Luiz Gonzaga Belluzzo.

Carta Maior

O crescimento da última década foi celebrado como a expressão de um triunfo inexcedível da experiência capitalista dos Estados Unidos sobre o resto do mundo. Avaliações peremptórias não hesitaram em apontá-la como superior não só à experiência socialista, como também a de outros tipos de capitalismo, como o japonês e os modelos europeus de sociedade e de economia. (1)

O crescimento desse período teve início na segunda metade de 92, foi lento até mais ou menos 1995/1996 e, paradoxalmente, começou a se acelerar após as crises mexicana, asiática e brasileira. Em boa medida a economia norte-americana se nutriu das crises na periferia do sistema para ganhar nervos e musculatura. O período que vai do final dos anos 70 até esse salto, marca uma lenta recuperação do poderio econômico, militar e financeiro dos Estados Unidos. Ele se fez não só com a derrota política e econômica da URSS, mas também com a imposição do padrão capitalista norte-americano e, sobretudo, do capital financeiro do país às demais nações.

Desde os anos 70, os Estados Unidos já vinham abandonando certas referências que marcaram seu crescimento no pós-guerra, bem como desmontando regras prudenciais de gestão financeira adotadas a partir dos anos 30 e consolidadas durante o esforço bélico. Tais características haviam contribuído significativamente para a recuperação da Europa no pós-guerra, além de abrirem espaços para a industrialização de países do Terceiro Mundo. A existência de um bloco socialista competindo com o capitalismo foi igualmente decisiva na ampliação das oportunidades de desenvolvimento no planeta.

O modelo pós-II Guerra

É importante lembrar que a direção política do capitalismo estadunidense nesse período era bem mais heterogênea do que a atual. Havia, por exemplo, dentro do governo Roosevelt, uma fração muito importante do Partido Democrata que preconizava um futuro salvaguardado pela aliança entre os Estados Unidos e a União Soviética. O inimigo verdadeiro, desse ponto de vista, seria o velho imperialismo europeu, o que explica, em parte, as dificuldades do representante inglês em Bretton Woods, John Mayanard Keynes, para viabilizar suas propostas de reforma do sistema monetário internacional.

Ao contrário do que ocorreu no final da I Guerra Mundial, porém, e que levou à crise do capitalismo desregulado de então, cujo ápice foi a Depressão de 29 e dos anos 30 – em 1944 os EUA tomaram a decisão política de não repetir os erros do passado. O Plano Marshall e o impulso dado à reconstrução européia para a unificação econômica, foram decisivos para as economias alemã e a francesa se rearticularem. Da mesma forma, o financiamento norte-americano foi o divisor que permitiu a reconstrução econômica japonesa. Leia o resto do artigo »

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A liberdade numa sociedade complexa: revisitando Karl Polanyi

Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros

“O futuro de alguns países já pode ser o presente em outros, enquanto alguns ainda podem incorporar o passado dos demais. Mas o resultado é comum a todos eles: o sistema de mercado não será mais auto-regulável, mesmo em princípio, uma vez que ele não incluirá o trabalho, a terra e o dinheiro” (Karl Polanyi).

Pertence ao último capítulo do clássico livro A grande transformação (Campus, 2000), de Karl Polanyi, o título desta reflexão. Publicado em 1944, o respectivo livro tornou-se um clássico do pensamento econômico do Século XX. Sua tese central baseia-se na insustentabilidade sócio-ambiental do princípio do mercado auto-regulável.

Conforme afirma Polanyi, “uma tal instituição não poderia existir em qualquer tempo sem aniquilar a substância humana e natural da sociedade; ela teria destruído fisicamente o homem e transformado seu ambiente num deserto” (p.18) . Nesse sentido, “inevitavelmente, a sociedade teria que tomar medidas para se proteger” (idem). Como resultado da busca por proteção, a própria auto-regulação do mercado seria prejudicada.

A aparente contradição descrita por Polanyi traduz um dilema enfrentado pelos fundamentalistas de direita e esquerda, ortodoxos nas suas respectivas formas de pensamento. Estariam as sociedades efetivamente reféns de escolhas políticas extremas no campo da organização econômica?

Polanyi argumenta que “a verdadeira crítica à sociedade de mercado não é pelo fato de ela se basear na economia – num certo sentido, toda e qualquer sociedade tem que se basear nela – mas que sua economia se baseava no auto-interesse” (p.289). Reconhecer que houve a imposição do sistema de mercado, em muitos casos de forma violenta, por finalidades não-econômicas não exige grande esforço intelectual. Basta pensar no colonialismo praticado por diversas potências do passado. Dificilmente se pode considerar que as práticas colonialistas terminaram com o mercantilismo e com o advento dos pensadores liberais. O uso impiedoso da força contra os mais fracos, incluindo a sofisticação do poder condicionado no campo intelectual, e a corrupção desenfreada nos escalões administrativos ilustraram histórias de imposição de mecanismos de mercado.

Os diversos sistemas sociopolíticos sentiriam o peso da Revolução Industrial e da haute finance. Seria muito difícil não ser enredado nesse sistema em expansão. Dificilmente se pode afirmar tranqüilamente que havia pacifistas entre os membros dessa emergente classe de capitães de indústria e finanças. Muitos haviam feito fortunas financiando guerras e lucrando com a “paz dos vencedores”. Segundo Polanyi, “o objetivo da haute finance era o lucro; para atingi-lo era necessário um bom relacionamento com os governos, cujo objetivo era o poder e a conquista” (p.26). Empréstimos e suas renovações se articulavam com o crédito e este, por sua vez, dependia do bom comportamento. Leia o resto do artigo »

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