As prioridades
Postado em 2 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
Fonte: Valor Econômico, 02/12/2008.
O Brasil está vivendo um momento de grande importância. Depois da estagnação de quase uma geração (o PIB per capita cresceu apenas 0,4% ao ano entre 1987-2003), de um plano extraordinariamente bem-sucedido de estabilização (a taxa média de inflação caiu de 1.082,0% ao ano entre 1987-1991 para 5,5% entre 2004-08) e de termos recebido um bônus (a expansão mundial), que nos libertou do constrangimento externo (temos US$ 200 bilhões de reserva e a relação dívida externa/exportação, que era de 3,2 em 2002 é hoje de 0,2), recuperamos o “espírito do crescimento”. No período 2004-08, o PIB per capita cresceu à taxa de 3,5% ao ano, quase a mesma do período áureo de nossa expansão (1950-1986).
A situação é melhor do que no passado, porque os dois problemas que sempre abortaram o crescimento do Brasil, a escassez de energia e/ou o financiamento dos déficits em conta corrente, têm uma boa perspectiva de superação: o bônus que recebemos da natureza com a descoberta do petróleo no pré-sal. É verdade que existem muitos problemas a serem enfrentados por um Estado-indutor inteligente e com uma disposição amigável com relação a um setor privado diligente e competitivo. Acelerar o crescimento econômico, melhorar a igualdade de oportunidades e proteger nossos recursos naturais não é, certamente, um problema trivial. Mas não é menos verdade que estamos diante de uma oportunidade única de resolve-lo sem o risco de interrupção que nos perseguiu no passado.
Somos parte do mundo e nos beneficiamos do seu crescimento. O mundo mudou e temos de pagar a nossa cota na recessão que agora se abate sobre ele. Vivemos as conseqüências de políticas formuladas por bancos centrais laxistas, que surfaram irresponsavelmente a fugaz popularidade da excessiva desregulação do sistema financeiro promovida em nome da “eficiência”. A desaparição da confiança, o agente catalítico invisível que faz funcionar os mercados, decretou a morte súbita do crédito, que vai lentamente assassinando o setor real da economia do qual depende a vida dos cidadãos.
Felizmente também aqui nossa situação é peculiar: nosso sistema financeiro é hígido, bem controlado e muito pouco alavancado. Não há, portanto, razões objetivas para decretar a morte do crédito interno. Como deveria ser evidente, qualquer sistema bancário (instituições “grandes” ou “pequenas”) é, por construção, extremamente sensível e vulnerável às expectativas de mudanças da pressão e da temperatura que ele mesmo, por seu comportamento, determina. Se, por acreditar que a crise atingirá a qualidade dos seus empréstimos ao setor real, ele cortar o crédito, fará o milagre de realizar a sua crença. No final estará se suicidando. Nosso sistema bancário não tem ainda problema de solvência. No máximo tem problemas pontuais de liquidez, que não podem e não devem ser resolvidos cortando preventivamente o crédito do setor real. Leia o resto do artigo »
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