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Blog do Desemprego Zero

Crise ataca país de forma inesperada: mas saída de capitais era previsível

Postado em 17 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Realmente drástica é a reversão no fluxo dos chamados investimentos em carteira, capital para especulação na bolsa de valores ou para aproveitamento dos juros mantidos excepcionalmente altos pelo Banco Central. Neste caso, saímos de um superávit US$ 41 bilhões, de janeiro a outubro de 2007, para um déficit de US$ 7,5 bilhões no mesmo período de 2008. A análise é de Fernando J. Cardim de Carvalho.

Fonte: Carta Maior

Em contraste com os países em que o setor bancário doméstico envolveu-se em algum grau com os ativos cujos mercados entraram em colapso, mais particularmente os títulos baseados em hipotecas subprime, a crise financeira internacional chegou ao Brasil por canais relativamente inesperados. O setor bancário brasileiro tem exposição praticamente nula àqueles papéis, até mesmo porque o Banco Central do Brasil, por anos a fio, lhes ofereceu altas taxas de juros sobre títulos da dívida pública, sem praticamente nenhum risco, e pagas numa moeda, o real, em constante valorização. Mas a dívida pública não foi o único presente dado aos bancos que aqui operam.

A possibilidade de expansão da oferta de crédito ao setor privado, depois de anos de intenso racionamento, também ofereceu aos bancos uma atraente oportunidade de cobrança de taxas de juros igualmente elevadas de firmas e consumidores. “Inovações”como o crédito consignado criaram ainda outras oportunidades de satisfação do apetite do setor bancário por ativos de alto rendimento e baixo ou nenhum risco. Apenas um lunático, nessas condições, procuraria alternativas como as hipotecas que agora desabam sobre os investidores americanos e europeus.

No entanto, a crise chegou, e passou pelo setor bancário, mas de modo relativamente surpreendente. A retração dos mercados financeiros internacionais reduziu linhas de crédito às exportações brasileiras e fechou alguns canais externos de captação de recursos financeiros por bancos brasileiros. Sem desprezar a relevância dessas fontes para algumas linhas de negócio, é preciso lembrar, porém, que as principais fontes de captação de recursos para o setor bancário brasileiro são domésticas. A retração observada na oferta de crédito pelos bancos aqui operando poderia ser justificável em relação ao crédito em dólares para exportadores, mas quando se trata do desaparecimento do crédito doméstico, só há duas razões possíveis, operando provavelmente em combinação.

Por um lado, há o fenômeno do pânico, o medo irracional do futuro que emerge em circunstâncias de incerteza mais intensa. A sucessão de notícias sobre falências de instituições financeiras americanas e européias, por exemplo, ainda que referentes a maior parte das vezes aos mesmos casos, ajuda a criar um clima em que se imagina uma seqüência interminável de bancarrotas. É uma espécie de “efeito CNN”, emissora que inaugurou o padrão de jornalismo televisivo onde o mesmo noticiário é repetido durante todo o dia de modo que a cada 30 minutos as mesmas tragédias são mostradas de novo e de novo.

A crise americana mostrou que os modelos estatísticos de administração de riscos que geraram empregos para a ultima geração de economistas e consultores de bancos, na verdade, nada diziam e desmoronavam rapidamente. Além disso, o aprofundamento das dificuldades da economia americana é sempre preocupante, dada a importância na economia mundial que aquele país mantém e, certamente, manterá por muito tempo. Quando a incerteza se intensifica, afirmou Keynes há mais de 70 anos atrás, sobre a preferência pela liquidez, isto é, a vontade de se livrar de tudo que é arriscado e guardar dinheiro mesmo. Afinal, empresas e bancos podem desaparecer, mas o governo não. Assim, como dar crédito a firmas que podem falir inesperadamente (e quem confiaria nos economistas de bancos nesta altura do campeonato?) ou a consumidores que podem não ter um emprego daqui a pouco? Leia o resto do artigo »

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Keynes e o fim do laissez-faire

Postado em 14 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por Luiz Gonzaga Belluzzo

Fonte: CartaCapital

John Mayard Keynes nasceu em 1883, o ano da morte de Karl Marx. Nesse momento a economia mundial vivia o tempo da Grande Depressão do século XIX e das profundas transformações da 2ª Revolução Industrial. Entre 1873 e 1896 o aço, a eletricidade, o motor à combustão interna, a química da soda e do cloro, alteraram radicalmente o panorama da indústria, até então marcado pelo carvão, pelo ferro e pela máquina a vapor. A aplicação simples da mecânica cedeu lugar à utilização e integração sistemática da ciência nos processos produtivos. Esta segunda revolução industrial veio acompanhada de um processo extraordinário de ampliação das escalas de produção.

O crescimento do volume de capital requerido pelos novos investimentos impôs novas formas de organização à empresa capitalista. A sociedade por ações tornou-se a forma predominante de estruturação da propriedade. Os bancos, que concentravam suas operações do financiamento do giro dos negócios, passaram a avançar recursos para novos empreendimentos (crédito de capital), e a promover a fusão entre as empresas já existentes. Pouco a pouco todos os setores industriais foram dominados por grandes empresas, sob o comando de gigantescas corporações financeiras. O movimento de concentração do capital produtivo e de centralização do comando capitalista tornou obsoleta a figura do empresário frugal que confundia o destino da empresa com sua própria biografia. O magnata da finança é, agora, o herói e o vilão do mundo que nasce.

Estas violentas transformações sacudiram a Inglaterra e a Alemanha, os Estados Unidos e o Japão. A Inglaterra, pioneira da indústria, foi incapaz de deter o avanço dos demais e de preservar sua supremacia econômica. Os Estados Unidos e a Alemanha ingressaram no cenário. Fizeram valer a superioridade de suas respectivas estruturas capitalistas, especialmente a agilidade de seus bancos e a presença ativa de seus respectivos Estados nacionais. A emergência de novas potências inaugurou um período de grande rivalidade internacional. A disputa pela preeminência econômica intensificou a penetração de capitais nas áreas provedoras de matérias primas e alimentos, alterando a configuração da chamada periferia do mundo capitalista.

O padrão ouro foi a organização monetária do apogeu da Ordem Liberal Burguesa. Isto quer dizer que ele se apresentava como a forma “adequada” de coordenação do arranjo internacional que supunha a coexistência de forças contraditórias: 1) a hegemonia financeira inglesa, exercida através de seus bancos de depósitos e de sua moeda; 2) a exacerbação da concorrência entre a Inglaterra e as “novas” economias industriais dos trusts e da grande corporação, nascidos na Europa e nos Estados Unidos, 3) a exclusão das massas trabalhadoras do processo político (inexistência do sufrágio universal) e 4) a constituição de uma periferia “funcional”, fonte produtora de alimentos, matérias primas e, sobretudo, fronteira de expansão dos sistemas de crédito dos países centrais.

No seu célebre artigo O Fim do Laissez-Faire, John Maynard Keynes cuidou de refletir sobre as transformações que deixaram para trás os mitos do capitalismo liberal. Não por acaso, ironizou a idéia de que a busca do interesse privado levaria necessariamente ao bem estar coletivo. “Não é uma dedução correta dos princípios da teoria econômica afirmar que o egoísmo esclarecido leva sempre ao interesse público. Nem é verdade que o auto-interesse é, em geral, esclarecido.”

Conservador, Keynes professava a convicção de que a sociedade e o indivíduo são produtos da tradição e da história. Cultivava os valores de uma moral comunitária. Tinha horror ao utilitarismo e à hipocrisia da Era Vitoriana. Isso não quer dizer que recusasse o programa da modernidade, empenhado no avanço das liberdades e da autonomia do indivíduo. Não acreditava, porém, que esta promessa pudesse ser cumprida numa sociedade individualista em que os possuidores de riqueza orientam obsessivamente o seu comportamento para as vantagens do ganho monetário. Leia o resto do artigo »

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“Lula tem trunfos para negociar um acordo com o mercado: menos juros, mais crescimento”, afirma José Carlos de Souza Braga

Postado em 8 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

“Ou o governo mexe no Banco Central e derruba fortemente as taxas de juros ou o antídoto não funciona e seguimos para baixo”, diz, em entrevista à Carta Maior, o economista José Carlos de Souza Braga, professor da Unicamp. Para ele, o argumento conservador em defesa dos juros é “terrorismo puro e simples”.

“Não há justificativa técnica para manter os juros em 13,75% como insiste o BC. A inflação está baixa e há deflação no mundo. O diferencial entre os nossos juros e os do resto do planeta, que estão caindo, é cada vez mais favorável a uma redução substantiva. Ainda assim permaneceria um bônus ao investidor local. Portanto, a resposta que precisa ser articulada é uma resposta política. É uma escolha do governo e da sociedade”.

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Copom é o prêmio da guerra cambial

Postado em 8 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por Luiz Sérgio Guimarães

Fonte: Valor Econômico, 08/12/08.

O principal acontecimento econômico desta semana não está desvinculado da queda-de-braço travada pelo Banco Central e os especuladores no mercado de câmbio. A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta quarta-feira, pode ser até o alvo central das escaramuças em torno da taxa de câmbio. A cotação do dólar está servindo de munição destinada a convencer o BC de que não será prudente começar a baixar a Selic tão cedo. O território a ser conquistado pelas instituições não são os lucros gerados aos detentores de swaps cambiais por dólar acima de R$ 2,60, mas a manutenção da Selic em 13,75% por pelo menos mais seis meses. Com isso, os especuladores ganham nas duas pontas, tanto com o juro alto quanto com o dólar caro. E a economia como um todo perde pelos dois lados: o primeiro comprime ainda mais a atividade já ferida pela crise externa e o segundo injeta combustível às expectativas de inflação. 

O tiroteio cambial foi devastador na sexta-feira. De manhã, tendo como pretexto a extinção recorde de empregos nos EUA, o movimento comprador empurrou o dólar para até R$ 2,6210. A variação do dólar compõe a base da remuneração dos swaps cambiais emitidos no início da crise e que começam a vencer. A finalidade da esticada era chamar o BC para a briga. E ele foi, duplamente. Primeiro, sob a forma de intervenções. Fez cinco leilões, três de venda direta de dólar no mercado à vista e dois de venda de contratos de swaps cambiais. No total, abasteceu o mercado com US$ 2,3 bilhões. Em segundo lugar por meio de declarações oficiais insinuando a intenção do BC de não reduzir a taxa Selic. Este segundo fator pode ter sido até mais decisivo para a queda verificada no dólar no período da tarde. Foi depois dele que a moeda derreteu 4,42%, batendo na mínima de R$ 2,4240. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 2,4790, em baixa de 2,24%. Vitória do BC? Na semana, acumulou valorização de 7%.

O economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do IEDI, diz que a especulação cambial tem como objetivo primordial evitar que o BC diminua a taxa de juros básica. Essa é a meta mais valiosa. Depois vem o alvo secundário, que consiste na valorização dos swaps cambiais. No seu entender, o BC não pode ser operacionalmente autônomo unicamente em relação às ingerências de natureza política do governo. Sua independência deve ser mais abrangente. Ele deve desvincular-se sobretudo dos interesses do mercado. Atualmente, a política monetária é prisioneira desses interesses. Tanto é que não se pode confundir medidas de estímulo à ampliação da liquidez do sistema bancário com uma política de expansão do crédito. De acordo com Gomes de Almeida, nenhum centavo dos R$ 94 bilhões liberados do compulsório bancário chegou ao crédito. Esses recursos apenas aumentaram o empoçamento. “Se o BC não baixar logo o juro e o governo não fizer uma política fiscal mais ativa, o que atualmente mostra-se como uma desaceleração econômica pode se transformar em uma recessão”.

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O impacto mais profundo da crise

Postado em 4 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Fonte: IEDI

Ao contrário do que muitos imaginavam, o impacto da crise internacional sobre a indústria não foi localizado em alguns setores, que sabidamente sofreriam de qualquer forma os efeitos muito adversos da crise, especialmente em função da redução do crédito. Realmente, a produção de automóveis e motocicletas, segmentos amplamente dependentes do boom de crédito que vivia o Brasil, despencou. O IBGE chama atenção para a concessão de férias coletivas e a paralisação de produção nesses segmentos, medidas tomadas em face ao súbito aumento de estoques. Mas a queda não atingiu somente o setor de bens duráveis. A crise chegou também ao segmento de bens semiduráveis e não-duráveis, assim como aos de bens intermediários e, em menor escala, ao de bens de capital. Neste último caso, dois fatores concorreram para um desempenho “menos ruim” daquele observado nos demais segmentos: primeiro, a elevadíssima produção de aviões, a qual é classificada nesse setor; segundo, embora as decisões de investir já estejam caindo, isso leva um certo tempo para se refletir em redução de produção de bens de capital.

De fato, conforme mostram os dados do IBGE, todas as categorias de uso da indústria registraram decréscimo da produção em outubro. Na comparação com setembro, na série dessazonalizada, a queda mais acentuada ocorreu na categoria de bens de consumo duráveis, cuja produção registrou variação negativa de 4,7%. Em relação a outubro de 2007, o nível de atividade fabril dessa categoria decresceu 1,5%, menor taxa desde fevereiro de 2007 (-2,6%). A produção de bens intermediários recuou 3,0% na passagem setembro/outubro, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com outubro de 2007, tal categoria registrou queda de 2,4%, a menor taxa desde março de 2002 (-2,5%). O setor de bens de capital também teve desempenho negativo, porém em menor escala, ao apontar decréscimo de 0,5% em outubro com relação a setembro na série livre de efeitos sazonais. Por sua vez, a produção de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis caiu 2,2% em outubro, na série dessazonalizada, e, na comparação com mesmo mês do ano anterior, cresceu apenas 0,6%.

Esses dados refletem, em suma, o grande e em parte surpreendente efeito da crise externa sobre a economia brasileira. Refletem também o atraso de medidas que o Brasil poderia ter adotado tão logo ficou evidente o aprofundamento da crise em 15 de setembro. As medidas tomadas pelo governo foram todas pertinentes, exceto no que diz respeito à política monetária, que deveria ter reduzido a taxa de juros da economia. Mas, as ações tomadas vieram com retardo e, em alguns casos, tiveram alcance apenas parcial, como nas áreas do câmbio, que não evitaram a fortíssima desvalorização da moeda, e na área do crédito, setor em que houve forte retração das atividades acompanhada de grande elevação de custo e redução de prazos. Os resultados da indústria podem estar refletindo também certo componente de excesso de cautela por parte de consumidores e empresários, os quais aguardam uma definição mais clara do quadro econômico e, nesse meio tempo, restringem seus gastos e investimentos. Esse é um sinal de que se o governo adotar medidas mais eficazes nas áreas fiscal, monetária e creditícia, a economia e a indústria poderão registrar desempenhos melhores do que o observado em outubro.

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La ausente crisis del euro

Postado em 4 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

by Barry Eichengreen

Texto em inglês

La crisis financiera global ha dado nuevos bríos a los argumentos alarmistas acerca de la inminente caída del euro. En ellos a menudo se invoca a Milton Friedman, que advirtió en 1998 que el compromiso de Europa con el euro se vería a prueba en la primera recesión seria. Ese momento ya está llegando, pero los resultados han sido precisamente lo opuesto a la predicción de Friedman.

El desempleo está en aumento y, con él, el populismo. En países como Italia, que ya sufren con la competencia china, y España, donde ha reventado una enorme burbuja inmobiliaria, las dificultades serán casi insoportables. Sin embargo, ninguno de estos países muestra inclinación alguna por abandonar el euro.

Comprenden que incluso susurrar esa posibilidad generaría pánico entre los inversionistas. Ven cómo países como Dinamarca, que mantuvieron sus propias monedas, se han visto obligadas a elevar las tasas de interés para defender sus tipos de cambio en momentos que la Reserva federal de Estados Unidos y el Banco Central Europeo las reducen. Ven cómo, si existiera aún la peseta o la lira, serían presa fácil de la fuga de capitales. Comprenden que tendrían que protegerse de una crisis monetaria a la vieja usanza en el peor momento posible. Valoran el que haya estabilidad y seguridad en sus cifras.

De manera similar, el escenario del colapso del euro, en el que estos países tienen éxito en presionar al BCE para ser más permisivo con la inflación, dando motivos a que Alemania abandone el euro, no ha ocurrido tampoco. El BCE, protegido por la independencia que le garantizan sus estatutos y por el mandato de estabilidad de los precios, no ha mostrado inclinaciones a ceder a las presiones del Presidente francés Nicolas Sarkozy ni de otros actores. Leia o resto do artigo »

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Saída de capitais do país é a maior desde 1999

Postado em 4 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Fonte: Folha de S. Paulo, 04/12/08.

O fluxo de capital externo para o Brasil voltou a bater recorde de baixa, segundo dados do Banco Central. No mês passado, as remessas de recursos para o exterior superaram os ingressos em US$ 7,159 bilhões -alta de 54% em relação ao saldo negativo de outubro.

Pelo segundo mês seguido, a saída de divisas ocorrida em novembro foi a mais alta registrada pelo BC desde janeiro de 1999. Naquela época, pressionado por uma grande desconfiança dos investidores na economia brasileira, o governo abandonou seu regime de câmbio controlado, e o real sofreu uma maxidesvalorização.

Com esses últimos resultados, o saldo positivo acumulado no ano está cada vez menor. Até novembro, a entrada líquida de dólares foi de US$ 5,4 bilhões, menos de 10% dos US$ 82,1 bilhões que ingressaram no país no mesmo período de 2007.

A diferença entre os números observados entre outubro e novembro está na origem das maiores saídas de divisas. Dois meses atrás, era grande a influência das operações de comércio exterior. Com o agravamento da crise, a oferta de linhas de crédito para exportação sofreram forte queda, afetando a capacidade da balança comercial em trazer dólares para o Brasil.

Nas últimas semanas, a quantidade de financiamentos disponíveis para exportadores não conseguiu voltar aos patamares observados antes da crise, mas se recuperaram em relação a outubro. Com isso, a quantidade de capital externo trazido ao país pelo comércio exterior subiu de US$ 1,610 bilhões para US$ 3,139 bilhões entre um mês e outro.

As chamadas operações financeiras, por sua vez, apresentaram resultados ainda piores no mês passado. O segmento, que inclui empréstimos e investimentos estrangeiros, entre outros itens, foi responsável pela saída de US$ 10,298 bilhões do país em novembro, 65% a mais do que em outubro.

Neste ano, a saída de dólares do país por meio do segmento financeiro somou US$ 42,6 bilhões, um número que contrasta com o saldo positivo de US$ 8,6 bilhões apurado no mesmo período do ano passado. Boa parte desse dinheiro foi retirada do país por investidores estrangeiros.

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Cadê a blindagem que estava aqui?

Postado em 4 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por Clóvis Rossi

Fonte: Folha de S.Paulo, 04/12/08.

Era uma vez um tempo em que o Brasil estava blindado contra a crise externa. No máximo, haveria por aqui uma “marolinha”, lembra-se? Agora, já são duas as consultorias (Morgan Stanley, norte-americana, e LCA, brasileira) falando não mais em desaceleração, mas em recessão -os tais dois trimestres consecutivos de retração da economia.

Não sei se vem “marolinha” ou recessão por aí. Mas sei que foram pouquíssimos os economistas/consultorias que não falaram em blindagem. Ou pelas formidáveis reservas, ou pelo formidável mercado interno, ou porque os emergentes salvariam o mundo, ou por qualquer outra tese que, agora, se desmancha no ar cada vez que sai um novo dado da vida real.

O que acho, honestamente, é que a Folha, para não dizer todo o jornalismo brasileiro, deveria adotar como regras pétreas de seu “Manual da Redação” os seguintes elementos: 1 – Todo economista/consultoria que errar por mais de 5% suas previsões sobre PIB, câmbio, juros etc.

fica definitivamente riscado da agenda de fontes. Nunca mais será ouvido.

Vinicius Torres Freire, esse excelente colunista, me diz que, se aplicada, a regra nos deixaria com zero fontes. Ótimo. Cometeríamos nossos próprios erros em vez de sermos cúmplices de erros alheios.

2 – Toda vez que se publicar palpite de economista/consultoria, seria obrigatório mencionar quais interesses estão em jogo, se ele tem ou recomenda aplicações no dólar ou contra o dólar, nos juros altos ou baixos, e assim por diante.

O leitor teria pelo menos um elemento para julgar se o palpite vem do cérebro do consultado ou do bolso. 3 – No fim de cada ano ou trimestre, seria publicada a lista completa de palpites dessa turma toda, ao lado dos dados da realidade, para que o leitor possa saber quem chuta bem e quem chuta mal.

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