Investidores ou vigaristas?
Postado em 24 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
A fraude envolvendo o investidor norte-americano Bernard Madoff mostra que as grandes finanças da nossa época não são senão uma grande burla, um jogo de cassino em que todos fazem artimanhas entre si e que, em si mesmas, se baseiam num mero embuste. A análise é do economista espanhol Juan Torres Lopez.
O último escândalo financeiro envolveu o investidor norte-americano Bernard L. Madoff, um dos mais admirados gestores de fundos e investimentos financeiros, para não dizer o mais. Centenas de multimilionários e de bancos investiam nos seus fundos, dedicados principalmente a mobilizar os chamados hedge funds (valores muito arriscados e precisamente por isso muito rentáveis). Entre eles, e em grandes quantidades, o Banco Santander.
Nos últimos anos, Madoff proporcionou ganhos multimilionários em forma de taxas de juro muito elevadas, mas soube-se agora que o fazia tendo por base a criação de uma “pirâmide” das que geralmente se crê que só enganam os tontos e poucos mais. Com o dinheiro dos novos investidores, pagava os lucros aos anteriores e agora tudo foi descoberto.
Nada melhor do que esta experiência (que não vai ser a última, pois há muitas mais entidades que realizaram este tipo de atividade, de forma mais ou menos sibilina) para mostrar que as grandes finanças da nossa época não são senão uma grande burla, um jogo de cassino em que todos fazem artimanhas entre si e que, em si mesmas, se baseiam num mero embuste. Consistem em movimentar virtualmente os fundos para cobrir umas operações com outras e gerar lucros de forma puramente contabilística, sem que pelo meio haja alguma atividade produtiva que gere valor real.
E nessas operações, não estão envolvidos apenas os corruptos da especulação, os multimilionários fastidiosos e dedicados apenas a ganhar dinheiro. Não. Os que investem nesses fundos, os que dedicam os recursos a essas finanças vazias e intrinsecamente fraudulentas são os grandes bancos, as grandes companhias multinacionais, os fundos de investimento… ou seja, os chamados investidores “institucionais”, que em vez de gerarem recursos para a actividade produtiva, para os empresários e para os consumidores, dedicam-nos a realizar apostas de cassino a favor deles mesmos ou dos seus clientes mais privilegiados. Leia o resto do artigo »
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