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Blog do Desemprego Zero

A maldição do Banco Central

Postado em 19 dEurope/London abril dEurope/London 2009

Por Luís Nassif

Com a economia começando a se estabilizar, voltará a lógica absurda do Banco Central: acenar com inflação futura novamente, manter juros elevados, atrair capitais externos de novo, devido à queda acentuada dos juros internacionais e à perspectiva do duplo ganho no Brasil: com juros elevados e com apreciação cambial.

Voltará o mesmo jogo de sempre e provavelmente Lula nada fará para não prejudicar as eleições de 2010. É a maldição brasileira, que poderia ser rompida agora, com a ajuda da crise internacional, mas que voltará a se repetir.

E, repetindo-se, comprovará a máxima: partidos e governos não tem projeto de país, mas apenas projeto de poder.

Na Folha, Yoshiaki Nakano mostra o erro grosseiro do BC, gerando liquidez no overnight e no mercado aberto, e escassez de crédito para o setor produtivo.

A crise foi fruto exclusivo da escasse de crédito, lembra ele. “Não foi uma crise típica iniciada pela queda no consumo, aumento nos estoques e consequente ajuste da produção à demanda. As vendas do comércio sofreram ligeira queda no último trimestre do ano nos setores afetados pela contração no crédito, mas em fevereiro já superam o nível de setembro último em 1,5%. A queda nas vendas do comércio está circunscrita a setores dependentes de crédito. Enquanto isso, a produção industrial teve queda de 13,5% no mesmo período. Esses dados são fundamentais para avaliar a estratégia de enfrentamento da crise adotada pelo governo. Leia o resto do artigo »

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Green Shoots and Glimmers

Postado em 19 dEurope/London abril dEurope/London 2009

By PAUL KRUGMAN

NY Times

Ben Bernanke, the Federal Reserve chairman, sees “green shoots.” President Obama sees “glimmers of hope.” And the stock market has been on a tear.

So is it time to sound the all clear? Here are four reasons to be cautious about the economic outlook.

1. Things are still getting worse. Industrial production just hit a 10-year low. Housing starts remain incredibly weak. Foreclosures, which dipped as mortgage companies waited for details of the Obama administration’s housing plans, are surging again.

The most you can say is that there are scattered signs that things are getting worse more slowly – that the economy isn’t plunging quite as fast as it was. And I do mean scattered: the latest edition of the Beige Book, the Fed’s periodic survey of business conditions, reports that “five of the twelve Districts noted a moderation in the pace of decline.” Whoopee.

2. Some of the good news isn’t convincing. The biggest positive news in recent days has come from banks, which have been announcing surprisingly good earnings. But some of those earnings reports look a little … funny.

Wells Fargo, for example, announced its best quarterly earnings ever. But a bank’s reported earnings aren’t a hard number, like sales; for example, they depend a lot on the amount the bank sets aside to cover expected future losses on its loans. And some analysts expressed considerable doubt about Wells Fargo’s assumptions, as well as other accounting issues.

Meanwhile, Goldman Sachs announced a huge jump in profits from fourth-quarter 2008 to first-quarter 2009. But as analysts quickly noticed, Goldman changed its definition of “quarter” (in response to a change in its legal status), so that – I kid you not – the month of December, which happened to be a bad one for the bank, disappeared from this comparison.

I don’t want to go overboard here. Maybe the banks really have swung from deep losses to hefty profits in record time. But skepticism comes naturally in this age of Madoff. Leia o resto do artigo »

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Hobsbawm: estamos livres para voltar à economia mista, do trabalhismo.

Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2009

O Conversa Afiada reproduz artigo do historiador marxista Eric Hobsbawm, extraído da Carta Maior e do Guardian.

Socialismo fracassou, capitalismo quebrou: o que vem a seguir?

A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. A prioridade não é o aumento do lucro e do consumo, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Isso significa iniciativa pública não baseada na busca de lucro. Decisões públicas dirigidas a melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal. A análise é do historiador britânico Eric Hobsbawm.

Seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, o deslocamento do mercado livre para a ação pública deve ser maior do que os políticos imaginam. O século XX já ficou para trás, mas ainda não aprendemos a viver no século XXI, ou ao menos pensá-lo de um modo apropriado. Não deveria ser tão difícil como parece, dado que a idéia básica que dominou a economia e a política no século passado desapareceu, claramente, pelo sumidouro da história. O que tínhamos era um modo de pensar as modernas economias industriais – em realidade todas as economias -, em termos de dois opostos mutuamente excludentes: capitalismo ou socialismo. Leia o resto do artigo »

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Fênix: a moeda global

Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009

Por Eliana Cardoso

Fonte: Valor Econômico, 16/04/2009.

Durante pelo menos uma semana, o sr. Zhou, presidente do BC chinês, disputou com Ben Bernanke, presidente do Fed, a atenção dos economistas. O banqueiro causou frisson ao sugerir que o mundo usasse os SDR (Direitos Especiais de Saque do FMI) como moeda de reserva no lugar do dólar. Parêntese: SDR é uma unidade de conta (com base numa cesta de dólares, euros, yens e libras britânicas) que representa o direito de um país adquirir moeda de outro. Corresponde à fração ínfima das reservas globais em dólares.

E então? Imagine que fosse possível contornar os problemas de como passar do dólar à moeda global e os SDR se transformassem em moeda corrente. Você iria às compras com Direitos Especiais de Saque? Não é aí que reside o problema, você me dirá. Para contornar o nome difícil, podemos rebatizar os SDR.

O novo nome poderia ser Fênix, como o do pássaro da mitologia grega, que Voltaire transformou em protagonista de novela com “talhe de águia, mas olhos tão suaves e ternos quanto os da águia são altivos e ameaçadores”. Assim, só quem não tivesse Fênix se amarraria a uma águia de cabeça branca, símbolo nacional dos EUA com suas verdinhas.

O perigo é que o nome do pássaro – que quando morre entra em autocombustão e renasce das próprias cinzas – faz lembrar as inúmeras ocasiões em que uma desvalorização do dólar trouxe à baila a sugestão de sua substituição por outra moeda. Apenas, entretanto, para vê-lo despontar outra vez forte e fagueiro. Leia o resto do artigo »

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Obama quer legislação sobre clima este ano

Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009

Fonte: Jornal da Ciência    

Presidente dos EUA estaria disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir

O presidente dos EUA, Barack Obama, espera que uma legislação sobre mudanças climáticas fique pronta ainda este ano. Segundo a presidente do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, Nancy Sutley, Obama está disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir.

Pelo projeto apresentado no mês passado por dois congressistas do Partido Democrata, Edward Markey e Henry Waxman, os EUA teriam de reduzir em 20% até 2020 as emissões de gases associados ao aquecimento global. Usinas de energia e indústrias que emitissem menos CO2 que o estipulado poderiam comercializar seus créditos de carbono.

A Casa Branca “ainda avalia” o projeto e espera que outras propostas sejam apresentadas nos próximos meses, disse Sutley. “O presidente pediu que um projeto de lei seja enviado a ele ainda este ano”, acrescentou.

Sutley afirmou que o governo está aberto a negociações sobre as permissões que serão concedidas às empresas para emitirem CO2 e quanto dessas autorizações elas poderão comercializar. “Eu acho que essa ainda é uma área para discussão.”

O sistema de crédito de carbono nos EUA deve entrar em vigor em 2012, mas a assessora do presidente disse que ainda é cedo para dizer quando o modelo americano poderá ser integrado ao modelo já em funcionamento da União Europeia. Autoridades europeias acreditam que a criação de um sistema americano daria um novo impulso ao mercado internacional de créditos de carbono.

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O poder financeiro

Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009

Por Martin Wolf

Fonte: Valor Econômico, 15/04/2009.

Os EUA estão presos entre o medo das elites ante a possibilidade de falências e o repúdio popular aos resgates

Os Estados Unidos são a Rússia? A pergunta parece provocativa, se não ultrajante. O autor da pergunta, no entanto, é Simon Johnson, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Sloan School of Management, no Massachusetts Institute of Technology. Em artigo na edição de maio do “Atlantic Monthly”, o professor Johnson compara o controle da “oligarquia financeira” sobre as políticas dos EUA com o das elites empresariais em países emergentes. Tais comparações fazem sentido? A resposta é “sim”, mas apenas até certo ponto.

“Em sua profundidade e subitaneidade”, argumenta o professor Johnson, “a crise econômica e financeira dos EUA é surpreendentemente rememorativa de momentos que vimos recentemente nos mercados emergentes”. A similaridade é evidente: grandes influxos de capital estrangeiro; crescimento tórrido do crédito; alavancagem excessiva; bolhas nos preços dos ativos, particularmente nas propriedades; e, por fim, a catástrofe financeira e desabamento do preço dos ativos.

“Mas”, acrescenta o professor Johnson, “há uma similaridade mais profunda e perturbadora: os interesses da elite empresarial – financistas, no caso dos EUA – desempenharam papel central na criação da crise, até o colapso inevitável”. Além disso, “a grande riqueza que o setor financeiro criou e concentrou deu aos banqueiros enorme peso político”.

Agora, argumenta o professor Johnson, o peso do setor financeiro está evitando a resolução da crise. Os bancos “não querem admitir a extensão total de suas perdas, porque isso provavelmente os exporia como insolventes [...] Este comportamento é corrosivo: bancos doentes ou não emprestam (para acumular dinheiro e reforçar as reservas), ou fazem apostas desesperadas em créditos e investimentos de alto risco que podem trazer grandes recompensas, mas provavelmente não compensam no fim das contas. Seja qual for o caso, a economia sofre ainda mais e, enquanto sofre, os próprios ativos dos bancos continuam a deteriorar-se – criando um ciclo altamente destrutivo”. Leia o resto do artigo »

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Chomsky: “Nacionalizações são um passo para a democratização”

Postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2009

Não é preciso usar a palavra “nacionalização” se ela incomoda as pessoas, mas alguma forma que permitisse que investigadores independentes, investigadores do governo tivessem acesso aos livros e descobrissem o que eles estão fazendo, quem deve o quê a quem, que é a base de qualquer forma de mudança. Não há uma lei da natureza que diga que as empresas têm apenas de se dedicar a dar lucro aos seus acionistas. Nem sequer está na lei. Na sua maioria são decisões de tribunais e decisões de gestão e por aí adiante. É perfeitamente concebível que as empresas, se existem, sejam responsáveis diante dos acionistas, da comunidade, dos seus trabalhadores.  No essencial, o sistema funciona assim: o público paga os custos e assume os riscos, e os lucros são privatizados. 

O governo poderia ter comprado a AIG ou o Citigroup por muito menos do que está gastando agora. Numa sociedade democrática, o governo deveria seguir os interesses do povo, e haver um compromisso público direto no que estas instituições devem fazer e como elas devem distribuir o seu dinheiro, em que termos, etc. Podiam ser democraticamente geridas pelos seus trabalhadores, pela comunidade. 

Mas a nacionalização é só um passo em direção à democratização. A questão é quem as gere, quem toma as decisões, quem as controla. Agora, nas instituições nacionalizadas, as decisões ainda são tomadas de cima para baixo, mas não tem de ser assim. Não há uma lei da natureza que diga que não podem ser administradas democraticamente. 

A mania de desregulação dos últimos 30 anos, baseada em conceitos religiosos realmente fundamentalistas sobre a eficiência dos mercados em grande parte desapareceu, e muito rapidamente. Veja por exemplo Lawrence Summers, que é hoje praticamente o principal conselheiro econômico de Obama, conseguiu reconstruir o sistema regulatório que ele destruiu há poucos anos. Ele foi um dos principais a impedir o Congresso a regulamentar os derivados e outros instrumentos exóticos, sob a influência destas idéias sobre eficiência dos mercados e escolha racional, etc. Essas idéias estão agora muito abaladas, e parte do aparelho regulatório vai ser reconstruído. Mas a história disto é muito clara e fácil de entender: os sistemas de regulação tendem a ser tomados pelas empresas que deveriam regulamentar. Foi o que aconteceu com as ferrovias e outros casos. E é natural. Elas têm o poder, poder concentrado, capital concentrado, influência política enorme – de certa forma regem o governo. Acaba que eles assumem o controle do aparelho regulatório no seu próprio interesse.

Leia mais em Carta Maior…

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The Quiet Coup

Postado em 13 dEurope/London abril dEurope/London 2009

by Simon Johnson

The crash has laid bare many unpleasant truths about the United States. One of the most alarming, says a former chief economist of the International Monetary Fund, is that the finance industry has effectively captured our government-a state of affairs that more

typically describes emerging markets, and is at the center of many emerging-market crises. If the IMF’s staff could speak freely about the U.S., it would tell us what it tells all countries in this situation: recovery will fail unless we break the financial oligarchy that is blocking essential reform. And if we are to prevent a true depression, we’re running out of time.

(…) the biggest obstacle to recovery, is almost invariably the politics of countries in crisis. Emerging-market governments and their private-sector allies commonly form a tightknit-and, most of the time, genteel-oligarchy, running the country rather like a profitseeking company in which they are the controlling shareholders. In a primitive political system, power is transmitted through violence, or the threat of violence: military coups, private militias, and so on. In a less primitive system more typical of emerging markets, power is transmitted via money: bribes, kickbacks, and offshore bank accounts. Although lobbying and campaign contributions certainly play major roles in the American political system, old-fashioned corruption-envelopes stuffed with $100 bills-is probably a sideshow today, Jack Abramoff notwithstanding.

Instead, the American financial industry gained political power by amassing a kind of cultural capital-a belief system. Once, perhaps, what was good for General Motors was good for the country. Over the past decade, the attitude took hold that what was good for Wall Street was good for the country.

Leia o artigo…

Simon Johnson, a professor at MIT’s Sloan School of Management, was the chief economist at the International Monetary Fund during 2007 and 2008. He blogs about the financial crisis at baselinescenario.com, along with James Kwak, who also contributed to this essay.

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