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Blog do Desemprego Zero

A esquerda e a crise

Postado em 7 dEurope/London junho dEurope/London 2009

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

A esquerda não se beneficia da crise porque, quando esteve no poder, fez muitas concessões ao neoliberalismo.

Meu diagnóstico é o de que a esquerda não está se beneficiando da crise porque nos momentos em que esteve no poder nestes últimos 30 anos ela fez tantas concessões ao fundamentalismo de mercado neoliberal que, afinal, sua política muitas vezes se aproximava daquelas propostas pela direita. No plano social, isso não aconteceu porque os partidos de esquerda se mantiveram fiéis à ideia de que cabe ao Estado aumentar a despesa social em educação, cuidados de saúde, previdência e assistência social e, dessa forma, diminuir a desigualdade. Enquanto o neoliberalismo defendia um individualismo competitivo extremo baseado em princípios meritocráticos, a centro-esquerda rejeitava o pressuposto do caráter inerentemente egoísta do ser humano e, a partir do pressuposto alternativo de que o comportamento humano é fruto de uma dialética entre dois instintos fundamentais -o da sobrevivência e o da convivência-, afirmava a possibilidade e a necessidade da solidariedade ou das virtudes cívicas e defendia um papel ativo para o Estado na redução das desigualdades. Essa foi sua força.

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A política está funcionando

Postado em 3 dEurope/London junho dEurope/London 2009

“Uma recessão profunda comprova que existe um enorme aumento na poupança excedente desejada com pleno emprego, como argumenta o professor Krugman. No momento, portanto, os déficits fiscais não estão dificultando as emissões do setor privado. Pelo contrário, estão facilitando as emissões, apoiando a demanda, que sustenta os postos de trabalho e os lucros. O que teria acontecido se os governos tivessem decidido reduzir despesas e elevar impostos? Pode-se discordar de quanto de afrouxamento fiscal deliberado foi necessário. Mas um dos motivos mais importantes que explicam porque esta não é a Grande Depressão é que aprendemos uma lição então, e no Japão na década de 1990: não apertem a política fiscal cedo demais. Além disso, economias historicamente bem administradas certamente são capazes de aguentar níveis mais altos de endividamento público muito confortavelmente” – Martin Wolf, ‘A política está funcionando’, Valor Econômico (03/06/09).

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O destino da General Motors

Postado em 2 dEurope/London junho dEurope/London 2009

Por Luís Nassif

Com a concordata requerida, a General Motors não desaparecerá. O modelo de concordata americano, assemelha-se no nosso recém-criado recuperação judicial – inspirado no Capítulo 11 da legislação americana sobre falências e concordatas.

Primeiro, a empresa declara sua incapacidade de quitar suas dívidas. Comprova comparando seu faturamento com seu passivo.  Depois, tem 60 dias para apresentar um plano de negociação das dívidas.

No caso da GM, será impossível equacionar a dívida sem redução do total devido e sem aporte de capital novo. É aí que entra o governo norte-americano.Para poder ajudar a companhia, o governo de Barack Obama exigiu um plano que mostrasse sua viabilidade. A GM não conseguiu se acertar com os credores e trabalhadores. Entrou, então, com o pedido de proteção judicial – para evitar a liquidação, caso em que seria fechada e seus bens leiloados para atender aos credores.

Agora, a administração federal colocará cerca de US$ 50 bilhões na companhia – US$ 20 bilhões dos quais já liberado. Ficará com 60% do capital. O governo do Canadá entrará com US$ 95 bilhões e ficará com mais 12,5%. O sindicato UAW com 17,5%. Leia o resto do artigo »

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A crise econômica mundial e a primavera dos zumbis

Postado em 1 dEurope/London junho dEurope/London 2009

A despeito de alguns brotos primaveris exagerados e celebrados com um insensato otimismo digno do maior respeito, deveríamos nos preparar para outro inverno sombrio na economia global. Chegou a hora do plano B para reestruturar a banca. E de outra dose de remédios keynesianos. Pode ser que o fundo do poço esteja próximo e talvez seja alcançado no fim do ano. Mas isso não significa que a economia global se encontre em condições de se recuperar de maneira robusta no curto prazo. A análise é de Joseph Stiglitz.

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Exuberância irracional

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2009

“Ainda teremos muitas notícias ruins”, prevê Robert Shiller, um dos mais influentes economistas americanos, ao debitar ao racionalismo simplificador e irrealista da teoria econômica a eclosão mal percebida da crise e as dificuldades hoje encontradas para sua superação.

Fonte: Valor Econômico, 29/05/2009.

“A pesquisa em economia segue o modelo consagrado pelas ciências exatas e acreditamos que isso limita nossa capacidade de compreender o mundo. Os economistas precisam ser mais humildes. Deveríamos reconhecer nossos limites e prestar mais atenção no que outras ciências sociais fazem, incorporando métodos de pesquisa que são muito utilizados por sociólogos e psicólogos, mas são desprezados pela maioria dos economistas”.

“Se o governo não estabelecer as regras do jogo, os bancos e as empresas farão isso. Foi essencialmente o que eles fizeram nos últimos anos. Não é que o governo precisa proteger as pessoas contra sua própria natureza. Somos nós que decidimos que queremos um jogo com regras claras e um juiz para arbitrar conflitos, porque é do nosso interesse. (…) Defendemos a ideia de que os bancos centrais precisam ter como meta manter a oferta de crédito em condições que garantam pleno emprego e estabilidade econômica. A preocupação com a inflação não pode ser o único objetivo”. Leia o resto do artigo »

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A era do modelo hegemônico de capitalismo pertence ao passado

Postado em 27 dEurope/London maio dEurope/London 2009

Por Martin Wolf

Será a crise atual um divisor de águas, com a globalização liderada pelo mercado, o capitalismo financeiro e o predomínio ocidental de um lado e o protecionismo, regulamentação e predomínio asiático do outro? Ou será que os historiadores preferirão julgá-lo como um evento causado por tolos, significando pouco? Meu palpite pessoal é que ele ficará no meio termo. Nem é a Grande Depressão, uma vez que a resposta política tem sido tão determinada, nem é o capitalismo de 1989.

Examinemos o que sabemos e o que não sabemos a respeito do seu impacto sobre a economia, finanças, capitalismo, Estado, globalização e geopolítica.

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”Não estou preocupado com o déficit ou a dívida pública”, diz James K. Galbraith

Postado em 27 dEurope/London maio dEurope/London 2009

Para o economista, que é filho de John Kenneth Galbraith, sem gastos do governo, a economia dos EUA se desintegraria.

“As agências de rating, que falharam de modo escandaloso ao tentar entender o mercado de hipotecas subprime, não devem ser levadas a sério agora, no que se refere a entender como a dívida publica dos EUA funciona. Não há absolutamente razão, não há como os Estados Unidos, que nunca tiveram default em 50 anos, terem agora default da dívida em dólares. Enquanto houver eletricidade fazendo os computadores no Departamento do Tesouro funcionar, isso não vai acontecer. É realmente um tipo de exercício tolo de economia convencional, as agencias de rating falarem sobre rebaixamento do rating soberano dos Estados Unidos”.

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Rumo a Bretton Woods 3?

Postado em 22 dEurope/London maio dEurope/London 2009

Por Nouriel Roubini

Fonte: CartaCapital

Há alguns anos, antes da eclosão da crise, vários economistas preocupavam-se com a sustentabilidade dos grandes desequilíbrios globais, alimentados pelo chamado Sistema Bretton Woods 2. Esses analistas atribuíam as raízes de tais instabilidades à tendência de os países emergentes controlarem as taxas de câmbio e provocarem fortes superávits comerciais e em conta corrente, por meio da acumulação polpuda de reservas internacionais.

Apesar de ainda não testemunharmos uma crise do dólar americano, o Sistema Bretton Woods 2 está no centro dos debates sobre as origens da crise atual. Compreender a sua natureza é fundamental, para avaliarmos as reformas necessárias para que as turbulências não se repitam. Os desequilíbrios mundiais parecem não ter entrado na agenda de longo prazo dos formuladores de políticas econômicas.

O déficit em conta corrente dos Estados Unidos recuou de 6,6% no fim de 2005 para 3,7% em dezembro de 2008. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que caia para 2,08% neste ano. Muitas das economias emergentes, que financiaram com facilidade os enormes déficits, agora são obrigadas a consumir menos, dadas a escassez de crédito e, em muitos casos, a desvalorização das suas moedas, o que impulsiona os custos das importações. Além disso, a queda nas cotações do petróleo e de outras commodities está gerando déficits nos tradicionais exportadores.

É a morte de Bretton Woods 2? Os países cujo crescimento depende das exportações aumentarão o consumo? Ou assistiremos ao retorno dos graves desequilíbrios na economia global quando a atividade se recuperar plenamente? Superávits fiscais e em conta corrente e aumento das reservas internacionais podem ser usados para elevar os gastos governamentais em infraestrutura e serviços públicos, incentivando o consumo e o investimento. Isso amenizaria os desequilíbrios mundiais. Leia o resto do artigo »

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