Dúvidas do Congresso
Postado em 5 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Quem acompanhou com algum cuidado a evolução da crise financeira que parecia restrita às hipotecas subprime, mas que acabou por se revelar uma pirâmide de papéis podres, enfrentou surpresas diárias. Por exemplo, em 23 de setembro, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, declarou candidamente, na Comissão de Bancos, Habitação e Problemas Urbanos do Senado, quando defendia o plano de salvamento proposto pelo Tesouro: “A falência do Lehman Brothers parecia administrável, mas a simultânea, inesperada e rápida deterioração da AIG na última semana provocou uma extraordinária turbulência nas condições do mercado financeiro global. Isso produziu uma queda espetacular das ações, um aumento do custo dos créditos de curto prazo ainda disponíveis e a escassez da liquidez dos mercados”.
Difícil de entender a “inesperada e rápida deterioração da AIG”. O próprio Bernanke dissera antes que, “no caso da AIG, o Fed, com o suporte do Tesouro (o Ministério da Fazenda), providenciara uma linha de crédito de emergência para facilitar a solução do problema”, o que sugere que o consideravam resolvido.
Bernanke é um acadêmico competente e respeitado e não caiu em contradição. Apenas revelou quão pouco o Fed e o Tesouro sabiam da gravidade da situação até uma ou duas semanas antes de terem deixado falir o Lehman. A alternativa a essa hipótese é ainda mais grave. Eles saberiam “de tudo” e agiam no “limite da sua irresponsabilidade” (como disse Paul Volcker), para sustentar a situação que a própria política monetária laxista do Fed, e sua indiferença à necessidade de regular a ação dos bancos de investimento, havia criado. A filosofia que presidiu esse comportamento assegurava que: 1. A regulação produz ineficiência. 2. A imaginação financeira, explorando todas as suas potencialidades, financiaria cada vez melhor e mais eficientemente a economia real. 3. O próprio mercado discriminaria os agentes de comportamento duvidoso. Em outras palavras, o próprio mercado garante sua moralidade. Como dizia o velho Karl, o problema da filosofia não é compreender o mundo, mas mudá-lo. E (Greenspan, Rubin, Paulson, Bernanke e tutti quanti) fizeram isso. Leia o resto do artigo »
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Jefferson Milton Marinho do