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Blog do Desemprego Zero

“O fim do laissez-faire” – Keynes

Postado em 31 dEurope/London maio dEurope/London 2008

John Maynard Keynes apresentou na década de 1920 uma instigante reflexão em “The end of laissez-faire”. A Grande Guerra (1914-18) provocara mudanças profundas e algumas pessoas sentiam que o mundo entraria em uma nova fase. Keynes foi um expoente de seu tempo e sua obra ainda instiga profundas reflexões.

THE END OF LAISSEZ-FAIRE (1926)

John Maynard Keynes

Note

This essay, which was published as a pamphlet by the Hogarth Press in July 1926, was based on the Sidney Ball Lecture given by Keynes at Oxford in November 1924 and a lecture given by him at the University of Berlin in June 1926.

 

I

The disposition towards public affairs, which we conveniently sum up as individualism and laissez-faire, drew its sustenance from many different rivulets of thought and springs of feeling. For more than a hundred years our philosophers ruled us because, by a miracle, they nearly all agreed or seem to agree on this one thing. We do not dance even yet to a new tune. But a change is in the air. We hear but indistinctly what were once the clearest and most distinguishable voices which have ever instructed political mankind. The orchestra of diverse instruments, the chorus of articulate sound, is receding at last into the distance. Leia o resto do artigo »

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A turma da bufunfa e o déficit externo

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Fonte: Folha de S. Paulo (29/05/2008) 

POSSO ME repetir um pouco, leitor? Não há quem consiga manter uma coluna semanal sem insistir obsessivamente em certos temas. Além disso, como dizia Nelson Rodrigues, tudo o que é dito uma vez, uma única e solitária vez, permanece rigorosamente inédito. 

Gostaria de fazer duas coisas hoje: desancar um pouco mais os bufunfeiros e reclamar do crescente desequilíbrio externo. Os dois temas se ligam de alguma maneira. Não é surpresa: como dizia Anaxágoras, um dos pré-socráticos, “tudo está em tudo”, tudo se relaciona, tudo se comunica. 

Por alguma razão, os bufunfeiros têm uma forte tendência a subestimar os riscos associados ao desequilíbrio externo. Há exceções, algumas notáveis, mas essa é a regra. O déficit público e a inflação são suas “bêtes noires”, mas o déficit do balanço de pagamentos costuma ser visto com certa tolerância. 

Toda vez que a economia acusa uma tendência ao desequilíbrio no balanço de pagamentos em conta corrente, logo aparecem numerosos economistas ligados à bufunfa com argumentos e teorias falsamente tranqüilizadoras. A mais “clássica”, muito usada na primeira fase do Plano Real, é a de que déficits em conta corrente são naturais para um país em desenvolvimento como o Brasil, pois são a contrapartida da “absorção de poupança externa”. 

Essa teoria teve certo apelo, mas está bastante desmoralizada pela aplicação abusiva. Tautologicamente, um déficit em conta corrente corresponde ao aporte de poupança externa. Daí não se infere, contudo, que o aumento do déficit em conta corrente necessariamente amplie a taxa de poupança total e eleve a taxa de investimento. O aumento da poupança externa pode ser acompanhado de diminuição da poupança interna. E poupança não cria investimento. O que prevalece, no curto e no médio prazos, é a relação de causalidade inversa do investimento para a poupança. 

O maior problema associado a déficits elevados em conta corrente é a vulnerabilidade externa. Esse foi o nosso grande pesadelo na década de 90 e no início da década atual. Ainda não recriamos o problema, mas talvez estejamos a caminho de fazê-lo. 

A cada mês que passa, os dados parecem vir piores. No acumulado do ano, a taxa de crescimento do valor das exportações de bens (20%) não chega nem à metade da taxa de crescimento das importações (49%). 

Como resultado, o superávit comercial sofreu um colapso. Outros componentes da conta corrente também registram deterioração acentuada. O déficit com serviços (transporte, viagens, seguros, entre outros) aumentou 47% em janeiro-abril contra o mesmo período do ano passado. O déficit com rendas cresceu 71% na mesma base de comparação, principalmente por causa do aumento explosivo das remessas de lucros e dividendos. 

Não há crise à vista. O déficit em conta corrente vem sendo financiado com grande folga por investimentos estrangeiros diretos. As nossas reservas internacionais nunca foram tão altas. 

Mas o resultado em conta corrente vem piorando com uma rapidez impressionante. Em 2006, tínhamos superávit de US$ 13,6 bilhões. Em 2007, o superávit caiu para US$ 1,5 bilhão. Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit alcançou US$ 14,7 bilhões. Portanto, uma virada de nada menos que US$ 16,2 bilhões em apenas quatro meses.

Não vamos nos deixar levar, de novo, pelo canto de sereia da turma da bufunfa!

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Um passo adiante

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

David Kupfer

Fonte: Valor Econômico (28/05/2008)

No último dia 12, o governo federal lançou uma nova política industrial, agora denominada Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Como é usual, o exame de propostas de política requer considerar duas dimensões distintas: a sua concepção, que pertence ao mundo abstrato dos conceitos, objetivos e estratégias; e a sua implementação, que está circunscrita à realidade dos instrumentos, iniciativas e atores encarregados da sua colocação em prática. Noves fora aqueles que não leram e mesmo assim não deixaram de opinar favorável ou contrariamente à proposta, a PDP não é exceção, de sorte que não é possível analisá-la sem percorrer, mesmo que rapidamente, essas duas dimensões. 

Em termos da concepção, a PDP é bastante ousada pois almeja atacar simultaneamente três eixos de promoção e sustentação do desenvolvimento econômico, obviamente interconectados, mas nem por isso de entrosamento trivial. Um primeiro eixo é dado pelo fomento ao investimento, essencialmente uma ação sobre a oferta. Inclui-se aí a meta de expandir o investimento fixo dos atuais 17,6% do PIB para 21% do PIB em 2010, o que significa uma taxa de crescimento médio anual de 11,3%. Um segundo eixo é dado pela dinamização do mercado, englobando ações mais focadas na demanda. É nesse contexto, mais amplo do que simplesmente o da geração de saldos comerciais, que devem ser encaixadas as metas de ampliação da participação do Brasil na corrente de comércio mundial dos atuais 1,18% para 1,25%, e de aumento em 10% do número de pequenas e médias empresas exportadoras. Um terceiro eixo é dado pela tecnologia, que se relaciona tanto à oferta quanto à demanda e, por isso mesmo, é a chave para o sucesso da PDP. A meta de expansão do gasto em P&D das empresas de 0,5% para 0,65% do PIB de hoje até 2010 é evidência sugestiva da ênfase conferida ao esforço de inovação na nova política. 

A Política de Desenvolvimento Produtivo não supera os problemas de gestão e coordenação intra-setor público, e entre esse e o privado. 

Para fazer girar simultaneamente os seus três eixos centrais, a PDP propõe uma estratégia abrangente e multifacetada, apoiada em três programas de ação distintos. Estão aí incluídas políticas horizontais para lidar com as externalidades que possam beneficiar o conjunto do tecido produtivo e programas especiais voltados para temas como a questão regional (intra-nacional e internacional), as pequenas e médias empresas, as exportações, etc. Cabe destacar, porém, o terceiro grupo de iniciativas, denominadas políticas estruturantes, criadas com base em cinco diferentes objetivos – liderança mundial; conquista de mercados externos; focalização em áreas estratégicas, geralmente associadas à alta tecnologia; diferenciação de produtos em nichos de mercado; e ampliação do acesso da população brasileira a bens e serviços de consumo – cada qual definido em função de uma visão global da dinâmica industrial brasileira, das diferentes oportunidades e ameaças enfrentadas pelos diferentes setores da indústria e da capacidade de resposta das empresas. É essa formulação estratégica, e a pertinência do diagnóstico subjacente ao seu desenho, o principal ponto positivo da PDP.  Leia o resto do artigo »

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Quem confia na sabedoria convencional?

Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Causa certo espanto o silêncio que a coletânea de artigos de John Kenneth Galbraith (1908-2006) provoca. Sob o título ‘Galbraith essencial’ (Futura, 2007), o livro reúne os principais textos do grande economista radicado nos EUA.

Galbraith foi um contestador do senso comum e cunhou expressões famosas como “poder compensatório” e “sabedoria convencional”. Foi antes de tudo um inovador da escola institucionalista e apoiou-se academicamente em intelectuais do porte de Thorstein Bunde Veblen e John Maynard Keynes.

No que diz respeito ao momento brasileiro, suas observações sobre a sabedoria convencional merecem atenção. Segundo Galbraith, a sabedoria convencional apóia-se nas idéias aceitáveis para buscar estabilidade. Sua articulação é prerrogativa de pessoas que buscam influenciar processos. Leia o resto do artigo »

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A economia política

Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Delfim Netto

Fonte: CartaCapital

A maior demonstração de que a economia não é uma ciência é que ela é (e provavelmente continuará) dividida em escolas (neoclássicos, keynesianos, marxistas e institucionalistas, entre outros). Ainda que uma delas seja hoje dominante na academia (outras já foram no passado), suas conclusões não têm a capacidade de converter as outras – pela lógica apoiada na pesquisa empírica – e levá-las a acreditar em afirmações apodícticas do tipo: se modificarmos a variável A em x% hoje, a variável B modificar-se-á em y% dentro de tanto tempo. A única verdade que todas as escolas aceitam (algumas com grande dificuldade) são as identidades da Contabilidade Nacional, isto é, aquilo que a economia importou da técnica de registro inventada por Luca Pacioli no século XV.

Mas então o que é a economia? Ã? um conhecimento que deve ajudar na criação de mecanismos eficientes de cooperação entre os homens, para atender eficientemente às suas necessidades materiais. Ela procura descobrir normas e comportamentos de cooperação social (e, logo, moral) que tornam possível o processo civilizatório. Ela não precisa se limitar ao que “é”. Pode invadir sem remorso o terreno do que “deve ser”: Ela não é, como disse Keynes, a civilização, mas a possibilidade dela. Leia o resto do artigo »

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Governo FHC e Lula: História se repetindo como farsa, por JOSÉ LUÍS FIORI – Há dez anos atrás

Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008

As crises tornam-se cíclicas e, na sociedade, a vigência de duas verdades marca a distância entre os de cima e os de baixo.

JOSÉ LUÍS FIORI

Fonte: CartaCapital, n.81, set/1998.

“O que se vê forma mais aguda é a maneira pela qual essa forma de gestão da moeda induz a um ajustamento à globalização que só pode ser feito com alto custo social, baixo crescimento e diminuição da margem de manobra dos governos.”

UM ANO DEPOIS, O QUE FOI QUE MUDOU e o que se pode prever para eventual segundo mandato do presidente Cardoso? A direção econômica é essencialmente a mesma e as tendências de médio prazo de aumento do desequilíbrio externo, do déficit e das dividas, assim como do declínio do crescimento e do aumento do desemprego, se mantiveram ou foram apenas aceleradas pela “crise asiática”. Mas algumas decisões tomadas, neste último ano, aprofundaram ainda mais a submissão do governo e da sociedade à gestão da sua moeda, cada vez mais fictícia. Primeiro, foi a “crise mexicana”, depois a asiática, logo a “crise russa” e assim sucessivamente, mas este governo se mantém inabalável, aplicando doses cada vez mais fortes da mesma terapia e caminhando em direção à “morte anunciada”. Porque essas crises não são fatos excepcionais ou isolados, ao contrário do que nossas autoridades insistem em fazer crer. Elas vieram para ficar e se repetirão, de forma cada vez mais extensa, porque são um componente essencial e cíclico da dinâmica da globalização financeira.

Os países, como o Brasil, dependentes de capitais externos abundantes e baratos para equilibrar suas contas externas e sustentar sua estabilização monetária, enquanto não mudarem sua estratégia e política econômica, deverão repetir, periodicamente, novos ajustamentos cambiais e fiscais de natureza recessiva. Portanto, nada de novo por ai, nem no horizonte previsível. Leia o resto do artigo »

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EDMUND PHELPS, NOBEL DE ECONOMIA 2006, É ENTREVISTADO NA VEJA

Postado em 29 dEurope/London abril dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Na sua edição de 30 de abril de 2008, páginas amarelas, a revista Veja entrevista Edmund Phelps, Nobel de Economia 2006. Phelps fala sobre a recessão nos EUA e faz alguns comentários sobre a América Latina e o Brasil.

Na entrevista, a Veja puxa o assunto do “pleno emprego”, sinal de que a gradual oscilação do pêndulo político-ideológico preocupa os conservadores no Brasil. A visita a este blog de anônimos, que se escondem covardemente atrás de pseudônimos, não deve ser encarada como mera coincidência do tempo presente.

Analisando a crise nos EUA, Phelps é enfático: “Seria útil se os Estados Unidos colocassem em prática a regulamentação que já existe. Minha impressão é que o Federal Reserve [o banco central norte-americano] não foi tão crítico quanto deveria ter sido em relação às práticas de empréstimo no mercado” (p.15). Como discordar do doutor Phelps nesse ponto? Leia o resto do artigo »

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Chegou o tempo dos idealistas

Postado em 28 dEurope/London abril dEurope/London 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros** & Gustavo Santos *

Todas as sociedades vivem embates internos parecidos com os descritos por José Ingenieros em ‘O homem medíocre’, cuja primeira edição data de 1913 [i]. Ingenieros analisa como duas forças se chocam nas sociedades e definem os rumos da sua evolução. Idealismo e mediocridade são essas forças.

Os idealistas podem ser divididos em dois grupos: românticos (paixão) e estóicos (virtude). A maturidade e o acúmulo de experiências são caminhos que levam os românticos ao estágio dos estóicos. Medíocres são pessoas sem ideais. Possuem idéias que se baseiam no senso comum; são pragmáticas, intransigentes e rejeitam o bom senso.

José Ingenieros argumenta ao longo do seu clássico ser a mediocracia perigosa para as sociedades, pois ela trava os respectivos progressos sociocultural, institucional, econômico e tecnológico. Uma das faces do projeto mediocrático no Brasil é a seguinte: “O custo da mão-de-obra é caro neste país e, por isso, não se tem competitividade global”.

Não é preciso muito esforço para se demonstrar que os custos do fator trabalho nos EUA, no Japão e na União Européia, por exemplo, são mais elevados do que os praticados no Brasil [ii]. A questão górdia do processo evolucionário das organizações está na busca pelo desenvolvimento de sistemas produtivos mais eficientes (grau de utilização dos fatores de produção) e eficazes (alcance dos objetivos a partir da utilização dos fatores de produção). Dificilmente o Brasil se viabilizará como nação a partir do padrão asiático. O enorme giro da mão-de-obra nas empresas traduz a opção tardia pela internalização do fordismo no Brasil. De 1980 a 2005, houve perdas de 20% do poder aquisitivo dos trabalhadores, ao passo que a produtividade permaneceu estagnada [iii]. Como se pode esperar debater seriamente competitividade sistêmica, produtividade e inovação no século XXI a partir da perspectiva mediocrática? Leia o resto do artigo »

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