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Blog do Desemprego Zero

Expectativas inflacionárias

Postado em 19 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

 

Antonio Delfim Netto

Valor Econômico – 19/08/2008

Depois de termos mencionado num artigo publicado neste mesmo espaço o discurso de Ben Bernanke, o atual chairman do Federal Reserve dos EUA (o famoso Fed), que abriu a 53ª Conferência Anual do Federal Reserve Bank of Boston, no dia 9 de junho último, recebemos pedidos de atentos leitores solicitando mais informações sobre ele. É o que fazemos agora, traduzindo (livremente) a parte pertinente às suas considerações sobre as expectativas inflacionárias. Depois de breve introdução, Bernanke afirma: “Concentrando-me nos principais tópicos do meu discurso, abordarei, brevemente, quatro problemas que interessam à formulação da política monetária: os preços das commodities e a inflação; o papel do custo do trabalho na precificação; as dificuldades de fazer política econômica em tempo real e os determinantes e efeitos das mudanças das expectativas inflacionárias”. Aqui só nos interessa a última questão: expectativas inflacionárias.

“Finalmente” – prossegue Bernanke após explorar os outros assuntos – “direi algumas palavras sobre as expectativas inflacionárias, que muitos economistas vêm como fundamental para a dinâmica da inflação. Há, entretanto, muito que não entendemos sobre elas, sua determinação e suas implicações. Vou dividir minha análise em três tópicos. 

Primeiro necessitamos entender melhor quais os fatores que determinam as expectativas inflacionárias da sociedade, tal como discuti com mais detalhes em uma conversa no National Bureau of Economic Research, transcorrida no último verão (10/07/2007). Ainda que existam muitas evidências que as expectativas têm se tornado mais bem ancoradas do que há algumas décadas, elas permanecem imperfeitamente ancoradas. Seria de bastante proveito para os próprios formuladores da política monetária que conhecessem mais acerca de como as expectativas inflacionárias são influenciadas por ela mesma, pela sua comunicação e por outros fatores econômicos, tais como os choques nos preços de petróleo. 

A crescente literatura sobre o aprendizado em modelos macroeconômicos parece ser um veículo útil para abordar muitos desses tópicos. No modelo tradicional, com expectativas racionais, estrutura econômica fixa e objetivos políticos estáveis, não há papel para aquele aprendizado por parte da sociedade. Nele existe normalmente uma única taxa de inflação de equilíbrio no longo prazo, que é perfeitamente antecipada: a sociedade não realiza inferências a partir das comunicações ou das ações dos banqueiros centrais. O fato, porém, é que a sociedade tem apenas informações incompletas tanto acerca da economia quanto dos objetivos dos formuladores da política, fatores que podem, aliás, mudar ao longo do tempo. Considerar a possibilidade de aprendizado por parte da sociedade é mais realista e, ademais, tende a gerar conclusões mais razoáveis a respeito de como as expectativas inflacionárias mudam e, em particular, de como elas podem ser influenciadas pela ação e pronunciamentos da política monetária. 

Humildade faz falta para o nosso Banco Central 

A segunda categoria de questões envolve os canais por meio dos quais as expectativas inflacionárias afetam a inflação presente. A via fundamental é a das expectativas para as negociações salariais, ou há outros mecanismos relevantes? Um achado algo perturbador sobre este problema foi revelado por uma pesquisa entre empresários acerca de decisões de como eles formam seus preços, conduzida por Blinder e outros (Asking about Prices, N.Y., 1998). Apenas uma pequena parcela dos entrevistados afirmou que a inflação agregada esperada afetava seus preços. Como podemos conciliar esse resultado com nosso forte pressuposto de que as expectativas são centrais para explicar a inflação? Talvez as expectativas afetem a inflação presente por meio de algum canal que seja relativamente indireto. A crescente literatura sobre fixação desagregada de preços talvez possa lançar alguma luz nessa questão. 

Finalmente, um grande conjunto de questões gira em torno de como o banco central pode monitorar da melhor maneira possível as expectativas inflacionárias do público. Existem muitas medidas de inflação esperada, incluindo expectativas colhidas junto a pesquisas em domicílios, previsões de economistas profissionais e informação extraída de mercados de ativos indexados à inflação. Infelizmente, as informações sobre as expectativas dos próprios formadores de preço são muito limitadas, especialmente a dos empresários. Qual das expectativas desses agentes é a mais importante para a dinâmica inflacionária, e como os banqueiros centrais podem extrair melhor a informação relevante a partir das várias medidas disponíveis?” 

Que falta fez essa humildade esclarecida para moderar a precipitada política monetária “tempestiva” do nosso Banco Central, tão a gosto dos “cientistas” do sistema financeiro nacional. Estes, obviamente, supõem “saber” muito mais do que Bernanke sobre como se “controla” as expectativas inflacionárias… 

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

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Si busca crecimiento, gire a la izquierda

Postado em 17 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

by Joseph E. Stiglitz

Versão em inglês

Tanto la izquierda como la derecha dicen defender el crecimiento económico. ¿Esto quiere decir que los votantes que intentan decidirse entre ambas no tendrían más que pensar que se trata de algo así como elegir equipos de gestión alternativos?

¡Ojalá las cosas fueran tan fáciles! Parte del problema tiene que ver con el papel que juega la suerte. La economía de Estados Unidos estuvo bendecida en los años 1990 con precios bajos de la energía, un ritmo alto de innovación y la oferta cada vez mayor por parte de China de productos de alta calidad a precios cada vez más bajos. Todo esto se combinó para producir una inflación baja y un crecimiento rápido.

El presidente Clinton y el entonces presidente de la Reserva Federal de Estados Unidos, Alan Greenspan, merecen escaso crédito por todo esto -aunque, sin duda, la implementación de malas políticas podría haber complicado las cosas-. En cambio, los problemas a los que nos enfrentamos hoy -precios elevados de la energía y de los alimentos y un sistema financiero en crisis- fueron generados, en gran medida, por malas políticas.

Existen, por cierto, grandes diferencias en las estrategias de crecimiento, que tornan factibles diferentes resultados. La primera diferencia tiene que ver con cómo se concibe el crecimiento en sí. El crecimiento no es sólo cuestión de aumentar el PBI. Debe ser sostenible: un crecimiento basado en la degradación ambiental, una orgía de consumo financiado con endeudamiento o la explotación de recursos naturales escasos, sin reinvertir las ganancias, no es sostenible.

El crecimiento también debe ser inclusivo; al menos una mayoría de los ciudadanos deben resultar beneficiados. La economía por carácter transitivo no funciona: un aumento del PBI, en realidad, puede dejar a la mayoría de los ciudadanos peor parados. El reciente crecimiento de Estados Unidos no fue ni económicamente sustentable ni inclusivo. La mayoría de los norteamericanos hoy están peor que hace siete años.

Pero tiene que haber una ventaja relativa entre desigualdad y crecimiento. Los gobiernos pueden mejorar el crecimiento aumentando la inclusividad. El recurso más valioso de un país es su pueblo. De manera que es esencial asegurar que todos puedan vivir de la mejor manera posible, lo que requiere oportunidades de educación para todos.

Una economía moderna también requiere correr riesgos. Los individuos están más dispuestos a asumir riesgos si existe una buena red de contención. De lo contrario, los ciudadanos tal vez exijan protección de la competencia extranjera. La protección social es más eficiente que el proteccionismo.

El no promover la solidaridad social puede tener otros costos, entre los cuales no son menores los gastos sociales y privados necesarios para proteger la propiedad y encarcelar a los delincuentes. Se calcula que de aquí a unos años, Estados Unidos tendrá más gente trabajando en el negocio de la seguridad que en el sector de educación. Un año en la cárcel puede costar más que un año en Harvard. El costo que implica encarcelar a dos millones de norteamericanos -uno de los índices más altos en el mundo- debería considerarse como una deducción del PBI; sin embargo, se suma.

Una segunda diferencia importante entre la izquierda y la derecha tiene que ver con el papel del estado a la hora de promover el desarrollo. La izquierda entiende que el rol del gobierno en cuanto a proporcionar infraestructura y educación, desarrollar tecnología y hasta actuar como emprendedor es vital. El gobierno sentó las bases de Internet y las revoluciones biotecnológicas modernas. En el siglo XIX, la investigación en las universidades respaldadas por el gobierno de Estados Unidos sirvió de base para la revolución agrícola. El gobierno luego acercó estos avances a millones de granjeros norteamericanos. Los préstamos a pequeñas empresas han sido medulares en la creación no sólo de nuevas empresas, sino de nuevas industrias en su totalidad.

La diferencia final puede parecer extraña: la izquierda ahora entiende los mercados y el papel que pueden y deberían desempeñar en la economía. La derecha, especialmente en Estados Unidos, no. La Nueva Derecha, estereotipada por la administración Bush-Cheney, es realmente corporativismo del viejo bajo un nuevo disfraz.

No son libertarios. Creen en un estado fuerte con poderes ejecutivos robustos, pero un estado utilizado en defensa de intereses establecidos, que le brinda escasa atención a los principios del mercado. La lista de ejemplos es larga, pero incluye subsidios a grandes granjas corporativas, aranceles para proteger a la industria del acero y, más recientemente, los mega-rescates de Bear Stearns, Fannie Mae y Freddie Mac. Pero la inconsistencia entre retórica y realidad es de larga data: el proteccionismo se expandió durante el gobierno de Reagan, incluso a través de la imposición de las llamadas restricciones voluntarias a las exportaciones de autos japoneses.

Por el contrario, la nueva izquierda intenta hacer que los  mercados funcionen. Los mercados sin trabas no funcionan bien por cuenta propia -una conclusión reforzada por la actual debacle financiera-. Los defensores de los mercados a veces admiten que fallan, incluso de manera desastrosa, pero sostienen que los mercados se “autocorrigen”. Durante la Gran Depresión, se escuchaban argumentos similares: el gobierno no necesitaba hacer nada, porque los mercados, a la larga , llevarían a la economía de nuevo al pleno empleo. Pero, como dijo John Maynard Keynes, a la larga todos estamos muertos.

Los mercados no se autocorrigen en un margen de tiempo relevante. Ningún gobierno puede mantenerse ocioso mientras un país cae en la recesión o la depresión, incluso cuando éstas estuvieran causadas por la ambición excesiva de los banqueros o el error por parte de los mercados de seguridad y las agencias de calificación a la hora de evaluar los riesgos. Pero si los gobiernos van a pagar las cuentas de hospital de la economía, deben actuar de manera tal que la hospitalización no resulte tan necesaria. El mantra de desregulación de la derecha era lisa y llanamente un error, y ahora estamos pagando el precio. Y el precio -en términos de pérdida de producción- será alto, superando quizá los 1,5 billones de dólares sólo en Estados Unidos.

La derecha suele rastrear su origen intelectual hasta Adam Smith, pero mientras que Smith reconocía el poder de los mercados, también reconocía sus límites. Incluso en su época, las empresas pensaban que podían incrementar más fácilmente las ganancias si conspiraban para que aumentaran los precios que si elaboraban productos innovadores de manera más eficiente. Hacen falta leyes antimonopólicas sólidas.

Es fácil ser el anfitrión de una fiesta. Por el momento, todos se sienten bien. Promover el crecimiento sostenible es mucho más difícil. Hoy, a diferencia de la derecha, la izquierda tiene una agenda coherente que no sólo ofrece mayor crecimiento, sino también justicia social. Para los votantes, la elección debería ser sencilla.

 

Joseph E. Stiglitz, profesor en la Universidad de Columbia, recibió el premio Nobel de Economía en 2001.

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Keynes e a conjuntura: breves comentários

Postado em 15 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros*

Há muitos anos atrás John Maynard Keynes escreveu: “Os dois principais defeitos da sociedade em que vivemos são sua incapacidade para proporcionar o pleno emprego e a sua arbitrária e desigual distribuição da riqueza e das rendas” (Teoria geral. Cap. 24, I). Keynes não atacou a inconseqüente degradação do meio ambiente causada pela fúria industrialista, pois isso alargaria o escopo de sua obra clássica. As prioridades de seu tempo eram outras.

Keynes revolucionou a ciência econômica então estabelecida ao descrever como um sistema econômico poderia operar abaixo do pleno emprego dos fatores de produção e quais as suas conseqüências sociopolíticas para os sistemas democráticos. Estado e mercado, assim como havia descrito Adam Smith, eram complementares no processo de desenvolvimento das nações. Keynes demonstrou também como a teoria neoclássica estabelecida nas crenças dos seus adeptos mais ortodoxos negava a possibilidade do desemprego involuntário. Oferta e demanda encontravam periodicamente os seus pontos de equilíbrio abaixo do pleno emprego do fator trabalho.

Onde estariam as causas desse fenômeno? Keynes detectou nas expectativas dos agentes econômicos elementos psicológicos capazes de influenciar o nível dos investimentos produtivos numa economia. Em situações de grandes incertezas quanto à demanda por bens e serviços, a preferência pela liquidez era exercida com freqüência. Recursos financeiros acabavam sendo drenados da economia real para as aplicações financeiras. Os investimentos produtivos, medidos pela formação bruta de capital fixo, eram travados e a ociosidade dos fatores de produção tornava-se uma realidade crônica. Leia o resto do artigo »

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Falta um pouco de humildade

Postado em 11 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Delfim Netto

Fonte: DCI

O Banco Central brasileiro é provavelmente o único dentre os bancos centrais do mundo que “sabe” como se formam as expectativas inflacionárias e como essas expectativas afetam a taxa de inflação.

Porque tem essa “sabedoria” que falta ao restante do universo, a nossa autoridade monetária está sugerindo que só um novo e dramático aumento na taxa de juro real (em seguida à absurda elevação de 0,75 da última sessão do Copom) será capaz de reconduzir “tempestivamente” as expectativas do mercado para 4,5%, o centro da meta inflacionária, já no início de 2009.

Seria interessante que, antes de insistir na overdose de juros que está impondo aos brasileiros, o Banco Central demonstrasse que sabe aferir o quanto as expectativas influenciam a formação dos preços no setor produtivo de bens. Um pouco de humildade não faria mal ao nosso pessoal, reconhecendo pelo menos que existem sérias dúvidas nesse processo, como recentemente confessou o presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke.

Discursando na abertura da 53ª Conferência Econômica Anual do Federal Reserve Bank of Boston, em 9 de junho último, ele disse que nem ele, nem o Fed, nem os demais bancos centrais sabem como se formam as tais “expectativas de inflação”.

A verdade é que estamos todos no meio de um nevoeiro, tentando entender uma inflação planetária que, não importa sua origem, se manifesta num aumento enorme dos preços da energia, dos alimentos, dos produtos minerais.

Bernanke concedeu humildemente que não sabe como conciliar a idéia dos aumentos com este negócio de “expectativas inflacionárias” e deixou no ar uma pergunta: “como a expectativa inflacionária pode afetar a taxa de inflação se grande maioria dos empresários afirma não levá-la em conta no processo de decisão sobre o preço de seu produto?”

Isso foi demonstrado empiricamente numa enorme pesquisa junto aos empresários norte-americanos para tentar entender até que ponto eles se deixavam influenciar pelas tais “expectativas inflacionárias” para a precificação de seus produtos. A esmagadora maioria respondeu que não levava isso em consideração na formação de seus preços e nem sabia bem o que significa.

Uma questão da maior importância, levantada pelo presidente do Fed na ocasião, é que seria muito útil saber como a formação das expectativas é influenciada pela comunicação da política monetária.

Hoje, no Brasil, a alta interna dos preços depende dos preços externos, mais do que de qualquer outro fator, o que mostra o caráter ilusório da argumentação da autoridade monetária sobre a formação das expectativas inflacionárias.

Diante disso, é absolutamente insensata a insistência na política de elevação da taxa de juros para reverter as expectativas da inflação. Vai contribuir, isto sim, para desacelerar o crescimento e cortar empregos de brasileiros. Trata-se da repetição da política monetária oportunística que usa o câmbio para controlar a inflação. É preciso interromper tal processo, pois já pagamos muito caro por esse tipo de aventura.

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Por que no te callas, Meirelles?

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Elio Gaspari

Fonte: FSP (06/08/2008)

“O presidente do Banco Central só deveria falar ao Congresso ou durante as reuniões da diretoria da instituição”.

A PANCADA de 0,75% do Banco Central no aumento na taxa de juros ainda não esfriou e seu presidente, doutor Henrique Meirelles, já está no circuito insinuando uma nova punição para a economia nacional. Comprou seu forno de microondas? Sua mulher não precisa mais voltar para o fogão para servir a janta? Visigodo ignóbil, você está aquecendo o consumo. Conseguiu um trabalho com a queda da taxa de desemprego? Ostrogodo inconseqüente, você ofende a racionalidade econômica, abrindo o caminho para um surto inflacionário. Contra esses bárbaros só há um remédio, subir a taxa de juros brasileira que é, há tempos, a maior do mundo.

Quando o doutor Meirelles retoma o circuito da quiromancia financeira para dizer que a queda do IPCA não é bem uma queda do Índice de Preços aos Consumidor, não está praticando um exercício didático. Se há um aumento de casos de febre amarela, e o ministro José Gomes Temporão determina o aumento da produção de vacinas, a decisão é neutra. Quem quer vai ao posto de saúde. Quem não precisa não vai. Ninguém ganha dinheiro com isso. No caso dos juros, Meirelles ameaça com a propagação de uma epidemia que faz a felicidade da turma do papelório que se remunera com a expansão da moléstia.

Admita-se que a alta dos juros seja uma necessidade. Ainda assim, ela é uma decisão de Estado. Compete ao presidente da República, não a um funcionário demissível ad nutum. (Ele e todos os çábios do Copom.) Admita-se ainda que Nosso Guia, emparedado pelo terrorismo financeiro, tenha terceirizado essa atribuição. Ainda assim, o delegado do papelório não se pode investir no papel de ombudsman da administração pública, punindo a economia por conta de certezas e de dúvidas que são suas, mas que não são dos seus colegas de ministério.

O doutor Meirelles (como seus antecessores) investiu-se de um papel supraconstitucional, como se houvesse dois países, um governado pelos eleitos, outro sob regime de ocupação, disciplinado pelos sábios, com ele no papel de xamã. O presidente do Banco Central estimula essa bagunça saindo por aí a propagar platitudes. Por exemplo: “Achamos um pouco prematuro ainda fazer uma previsão da evolução dos preços das commodities nos próximos meses”. Segundo seu horóscopo (ele é de Libra), nesta semana deve evitar mortadela e guaraná.

Assim como se deve desejar que os ministros do Supremo Tribunal só falem durante as sessões da corte, coisa que está em desuso desde que surgiram os juristas-celebridade, seria melhor para todo mundo se o presidente do Banco Central só falasse ao Congresso ou durante as sessões do Copom.

Em abril passado, ao conferir a posição dos parafusos de sua cadeira, Meirelles viu que alguns deles estavam frouxos. Coisa da vida para quem ocupa um cargo da confiança do presidente da República. Sua postura recente é a de quem acredita ter pista própria, sem combinar com a federação de atletismo. Ou, talvez, a de quem quer aproveitar o fim da pista para sair do estádio debaixo dos aplausos da turma do cercadinho VIP. Nos dois casos, prejudica o bom andamento dos negócios do Estado.

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La vulnerabilidad moral de los mercados

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Robert Skidelsky

by Robert Skidelsky

Fonte: Project Syndicate

Hoy parece no existir ninguna alternativa coherente para el capitalismo. Sin embargo, los sentimientos anti-mercado están bien en forma, lo cual queda de manifiesto, por ejemplo, en la reacción moralista contra la globalización. Como ningún sistema social puede sobrevivir mucho tiempo sin un sustento moral, las cuestiones planteadas por los defensores de la antiglobalización son urgentes -mucho más en medio de la actual crisis económica.

Es difícil negar cierto valor moral del mercado. Después de todo, le adjudicamos valor moral a los procesos así como a los resultados, como en la frase “el fin no justifica los medios”. Es mejor, desde un punto de vista moral, que nuestros productos sean suministrados por mano de obra libre que por esclavos y que podamos elegir nuestros productos en lugar de que el Estado los elija por nosotros. El hecho de que el sistema de mercado sea más eficiente a la hora de crear riqueza y satisfacer las necesidades que cualquier otro sistema es un beneficio adicional.

Las críticas morales del mercado se centran en su tendencia a favorecer un tipo de personalidad moralmente deficiente, privilegiar motivos desagradables y promover resultados indeseables. Al capitalismo también se le adjudica la falta de un principio de justicia.

Consideremos la personalidad. Muchas veces se dijo que el capitalismo retribuye la cualidad de autocontrol, trabajo arduo, inventiva, austeridad y prudencia. Por otra parte, deja afuera todas las virtudes que no tienen ninguna utilidad económica, como el heroísmo, el honor, la generosidad y la piedad. (El heroísmo sobrevive, en parte, en la idea romántica del “empresario heroico”).

El problema no es sólo la insuficiencia moral de las virtudes económicas, sino su desaparición. El trabajo arduo y la inventiva siguen siendo retribuidas, pero el autocontrol, la austeridad y la prudencia seguramente empezaron a desvanecerse con la primera tarjeta de crédito. En el Occidente opulento, todos piden dinero prestado para consumir tanto como sea posible. Estados Unidos y Gran Bretaña están ahogándose en deuda. Leia o resto do artigo »

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A história não acabou

Postado em 6 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Edward Amadeo

Fonte: Valor Econômico (06/08/2008)

Em 1896, o autor inglês E. E. Williams intitulou um ensaio “Made in Germany” porque quando começou a escrevê-lo notou que, para seu horror, o lápis que usava tinha sido produzido na Alemanha. Em 1885, o ministro prussiano Robert von Puttkamer ordenou a expulsão dos trabalhadores imigrantes poloneses. Os países toleram mal as ameaças da globalização – seja na forma de investimentos estrangeiros, da competição de importados, da imigração de trabalhadores. 

O capitalismo passa por sua segunda onda de liberalismo e globalização. A primeira foi no século XIX, quando os fluxos de capital, produtos e migrantes, devidamente normalizados pelo “tamanho” da economia e da população, atingiram patamares iguais ou maiores que nos anos recentes. Mas nem a visão liberal, nem a globalização, duraram muito. A crise das primeiras décadas do Século XX foi o pano de fundo para uma forte reação aos dois movimentos. A resposta veio na forma de proteção do mercado nacional, restrição ao fluxo de capitais e fechamento das fronteiras aos imigrantes, além da introdução de uma série de políticas de proteção social. 

A competição gera insegurança e instabilidade. A regulação dos mercados (de capitais, de bens e serviços e de trabalho) produz segurança e estabilidade. O mundo do pós 1ª Guerra tornou-se pós-liberal.  Leia o resto do artigo »

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Foco na OMC resulta de pressões do agronegócio e de imposições eleitorais

Postado em 5 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Reinaldo Gonçalves

Fonte: CORREIO DA CIDADANIA – 04-Ago-2008

Resoluções tiradas de Doha podem ter sido consideradas um fracasso para o governo brasileiro, mas foram uma vitória para o povo do nosso país.

A derrota da estratégia do Itamaraty nas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) significa vitória para países que têm estratégias mais abrangentes e inteligentes. O fracasso do governo Lula também implica vitória para o Brasil.  

Poucos dias antes do fracasso da reunião da OMC, o ministro das Relações Exteriores do Brasil acusou os representantes dos países desenvolvidos de algo que tem sido prática recorrente do governo Lula em geral e do Itamaraty em particular: uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade. Esta frase expressa a essência da política exterior do governo Lula. Muitos ainda acreditam que esta política defende os interesses nacionais. Mentira pura. Tomemos o caso das negociações internacionais de bens no âmbito da OMC.  

O principal foco da estratégia brasileira era a eliminação dos subsídios concedidos nos países desenvolvidos para a produção local de alimentos. Não resta dúvida que, caso isto ocorresse, as grandes empresas do agronegócio no Brasil aumentariam suas exportações e, portanto, os lucros destas empresas seriam ainda mais elevados. Entretanto, há outros fatos que implicam sérias perdas para o país.  

A eliminação dos subsídios agrícolas causará aumento dos preços internacionais e, portanto, maior pressão inflacionária em escala global. Este fenômeno é grave no atual contexto de inflação crescente que resulta da elevação dos preços do petróleo e dos alimentos. A inflação internacional repercute no Brasil visto que os produtores brasileiros de commodities também elevam seus preços no mercado doméstico. Portanto, o trabalhador brasileiro perde, via maior inflação, com a eliminação dos subsídios agrícolas nos Estados Unidos e na Europa. E, ademais, como corretamente temem os governos de outros países, a elevação dos preços internacionais de alimentos aumentará a fome e a miséria no mundo. Não é por outra razão que muitos países em desenvolvimento não apóiam a posição brasileira.  

A eliminação dos subsídios terá como contrapartida a redução das tarifas dos produtos industriais. Portanto, a competição será maior e cairão os preços dos manufaturados. Por um lado, os consumidores brasileiros se beneficiarão; por outro, haverá redução de renda e emprego na indústria doméstica. A perda de competitividade e produção na indústria brasileira tende a ser generalizada. Assim, os preços de exportação dos produtos agrícolas aumentam, porém os preços de exportação dos produtos industriais brasileiros caem ainda mais. O resultado líquido é a perda de renda real para o país via termos de troca.  

Estudos mostram que as negociações na OMC geram ganhos modestos. No caso do Brasil, o ganho líquido seria muito pequeno: entre US$ 251 milhões e US$ 1,1 bilhão. Para quem acha que isto é muito dinheiro vale lembrar que o maior banco privado brasileiro teve lucro líquido de US$ 4,7 bilhões em 2007. No caso brasileiro os ganhos estariam concentrados na grande propriedade agrícola. Trabalhadores, de modo geral, teriam perda de renda. O capital produtivo na indústria também perderia renda. Para ilustrar, considerando as negociações no setor agrícola, estima-se que haveria aumento de 13,3% do lucro do agronegócio e redução de 0,20% do salário da mão-de-obra qualificada.  

Sob pressão do agronegócio e tendo em vista o financiamento das campanhas eleitorais, o governo Lula tem como foco das negociações na OMC a eliminação dos subsídios agrícolas. Cabe lembrar que o setor primário-exportador aumentou sua contribuição para o financiamento da campanha eleitoral de Lula de 2,9% em 2002 para 10,4% em 2006. Não há dúvida que o foco estreito da política exterior é bom para o agronegócio e para o governo Lula, mas é mentira que seja boa para o Brasil. Ainda bem que Lula foi derrotado em Genebra. Cabe agradecer à China, Índia e Argentina e outros países que não foram capturados por grupos de interesses retrógrados, que têm políticas exteriores conseqüentes e estão em plenas trajetórias de desenvolvimento.

Reinaldo Gonçalves é professor titular de Economia Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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