Postado em 3 dEurope/London maio dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Em pouco mais de seis meses, o governo dos Estados Unidos se tornou sócio de duas empresas de hipoteca, a Fannie Mae e a Freddie Mac, uma seguradora, a AIG, vários bancos e em breve deve ter participação em duas montadoras, Chrysler e General Motors. O presidente Barack Obama afirma que o objetivo do maior país capitalista do mundo não é estatizar e administrar empresas privadas.
“Somos acionistas que querem sair. Não quero administrar montadoras ou bancos. Já tenho duas guerras para administrar. É o suficiente”, disse,durante entrevista na semana passada. “Assim que a situação se estabilizar e a economia estiver menos frágil, vamos sair e achar investidores privados.”
Mas economistas à esquerda e à direita acreditam que será bem complicado o governo se desembaraçar de suas participações acionárias. Segundo eles, o país deve manter seu título de “Estados Socialistas da América” por um bom tempo.
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Postado em 27 dEurope/London abril dEurope/London 2009
O DIRETOR-executivo de Brasil e mais oito países de América Latina e Caribe no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., afirma que os emergentes não podem “baixar a guarda” após os avanços que vêm obtendo no processo para aumentar sua participação em decisões globais. “Essas vitórias são parciais e ainda precárias, não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, mas em um momento seguinte podem querer restabelecer o passado”, diz.
Fonte: Luís Nassif (blog)
Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Paulo Nogueira Batista Jr. à Folha de SP:
FOLHA – A reunião do FMI deste ano trouxe vários retornos positivos em relação às aspirações dos países emergentes. Você diria que foi a crise que mudou o Fundo?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. – Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória. Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945). Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011. Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de “bonds” [títulos], seriam mecanismos temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas. Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes. Leia o resto do artigo »
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Postado em 27 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Os liberais nunca tiveram uma teoria original a respeito da América Latina, nem precisam dela. A repetição recorrente de algumas platitudes cosmopolitas foi mais do que suficiente para sustentar sua visão da economia mundial, e legitimar sua ação política e econômica idêntica em todos os países. Mas no caso dos intelectuais progressistas do continente, é uma má notícia saber que não existe mais uma teoria capaz de ler e interpretar a história do continente, e fundamentar uma estratégia coerente de construção do futuro. A análise é de José Luís Fiori.
Fonte: Carta Maior
No século XIX, o pensamento social europeu dedicou pouquíssima atenção ao continente americano. Mesmo os socialistas e marxistas que discutiram a “questão colonial”, no final do século, só estavam preocupados com a Ásia e a África. Nunca tiveram interesse teórico e político nos novos estados americanos, que alcançaram sua independência, mas se mantiveram sob a tutela diplomática e financeira da Grã Bretanha. Foi só no início do século XX, que a teoria marxista do imperialismo se dedicou ao estudo específico da internacionalização do capital e seu papel no desenvolvimento capitalista a escala global. Assim mesmo, seu objeto seguiu sendo a competição e a guerra entre os europeus e a maior parte dos autores marxistas ainda compartilhava a visão evolucionista de Marx, com relação ao futuro econômico dos países atrasados, seguros de que “os países mais desenvolvidos industrialmente mostram aos menos desenvolvidos, a imagem do que será o seu próprio futuro”.
Foi só depois da década de 20, que a III Internacional Comunista transformou o imperialismo num adversário estratégico e num obstáculo ao desenvolvimento das forças produtivas nos países “coloniais e semi-coloniais”. De qualquer forma, o objeto central de todas as análises e propostas revolucionárias foi sempre, a Índia, a China, o Egito e Indonésia, muito mais do que a América Latina. Na primeira metade do século XX, os Estados Unidos já haviam se transformado numa grande potência imperialista, e o resto da América Latina foi incluída pela III Internacional, depois de 1940, na mesma estratégia geral das “revoluções nacionais”, ou das “revolução democrático burguesa”, contra a aliança das forças imperialistas com as oligarquias agrárias feudais, e a favor da industrialização nacional dos países periféricos.
Um pouco mais à frente, na década de 1950, a tese da “revolução democrático-burguesa”, e sua defesa do desenvolvimento industrial, foi reforçada pela “economia política da CEPAL” (Comissão Econômica para a América Latina) que analisava a economia latino-americana no contexto de uma divisão internacional do trabalho entre países “centrais” e países “periféricos”. A CEPAL criticava a tese das “vantagens comparativas” da teoria do comercio internacional de David Ricardo, e considerava que as relações comerciais entre as duas “fatias” do sistema econômico mundial prejudicavam o desenvolvimento industrial dos países periféricos. Tratava-se de uma crítica econômica heterodoxa, de filiação keynesiama, mas do ponto de vista prático acabou convergindo com as propostas “nacional-esenvolvimentista”, que foram hegemônicas no continente, depois da II Guerra Mundial. Leia o resto do artigo »
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Postado em 22 dEurope/London abril dEurope/London 2009
by Paul Krugman
The New York Times
Published: April 19, 2009
What’s so bad about that? Well, the Irish government now predicts that this year G.D.P. will fall more than 10 percent from its peak, crossing the line that is sometimes used to distinguish between a recession and a depression.
But there’s more to it than that: to satisfy nervous lenders, Ireland is being forced to raise taxes and slash government spending in the face of an economic slump – policies that will further deepen the slump.
And it’s that closing off of policy options that I’m afraid might happen to the rest of us. The slogan “Erin go bragh,” usually translated as “Ireland forever,” is traditionally used as a declaration of Irish identity. But it could also, I fear, be read as a prediction for the world economy.
How did Ireland get into its current bind? By being just like us, only more so. Like its near-namesake Iceland, Ireland jumped with both feet into the brave new world of unsupervised global markets. Last year the Heritage Foundation declared Ireland the third freest economy in the world, behind only Hong Kong and Singapore. Leia o resto do artigo »
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Postado em 22 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Cinco dias antes do início da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, o historiador da New York University, Greg Grandin, um dos maiores especialistas norte-americanos em história latino-americana escreveu sobre as possibilidades, limites e o contexto do encontro de Barack Obama com a região. “Pela primeira vez em muitas décadas, um presidente dos Estados Unidos pode dar-se conta de que os dias em que os EUA podiam usar a América Latina como um espaço para o ensaio do imperialismo estão chegando ao fim”, diz Grandin em artigo publicado em The Nation.
Leia mais em Carta Maior
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Postado em 20 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: PH Amorim
Depois da cúpula das Américas, fica claro:
A América Latina vai para onde o Brasil e os Estados Unidos se inclinarem.
E isso aconteceu depois que Fernando Henrique Cardoso há sete anos não governa mais o Brasil.
E tão cedo os tucanos de São Paulo (*) não vão governar.
FHC vai cortar os pulsos.
(*) Segundo Mauricio Dias, da Carta Capital, José Serra quer mesmo é ser o “interventor de São Paulo no Brasil”.
Leia mais: Diplomacia de Lula desmoraliza FHC.
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Postado em 19 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Com a economia começando a se estabilizar, voltará a lógica absurda do Banco Central: acenar com inflação futura novamente, manter juros elevados, atrair capitais externos de novo, devido à queda acentuada dos juros internacionais e à perspectiva do duplo ganho no Brasil: com juros elevados e com apreciação cambial.
Voltará o mesmo jogo de sempre e provavelmente Lula nada fará para não prejudicar as eleições de 2010. É a maldição brasileira, que poderia ser rompida agora, com a ajuda da crise internacional, mas que voltará a se repetir.
E, repetindo-se, comprovará a máxima: partidos e governos não tem projeto de país, mas apenas projeto de poder.
Na Folha, Yoshiaki Nakano mostra o erro grosseiro do BC, gerando liquidez no overnight e no mercado aberto, e escassez de crédito para o setor produtivo.
A crise foi fruto exclusivo da escasse de crédito, lembra ele. “Não foi uma crise típica iniciada pela queda no consumo, aumento nos estoques e consequente ajuste da produção à demanda. As vendas do comércio sofreram ligeira queda no último trimestre do ano nos setores afetados pela contração no crédito, mas em fevereiro já superam o nível de setembro último em 1,5%. A queda nas vendas do comércio está circunscrita a setores dependentes de crédito. Enquanto isso, a produção industrial teve queda de 13,5% no mesmo período. Esses dados são fundamentais para avaliar a estratégia de enfrentamento da crise adotada pelo governo. Leia o resto do artigo »
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Postado em 19 dEurope/London abril dEurope/London 2009
By PAUL KRUGMAN
NY Times
Ben Bernanke, the Federal Reserve chairman, sees “green shoots.” President Obama sees “glimmers of hope.” And the stock market has been on a tear.
So is it time to sound the all clear? Here are four reasons to be cautious about the economic outlook.
1. Things are still getting worse. Industrial production just hit a 10-year low. Housing starts remain incredibly weak. Foreclosures, which dipped as mortgage companies waited for details of the Obama administration’s housing plans, are surging again.
The most you can say is that there are scattered signs that things are getting worse more slowly – that the economy isn’t plunging quite as fast as it was. And I do mean scattered: the latest edition of the Beige Book, the Fed’s periodic survey of business conditions, reports that “five of the twelve Districts noted a moderation in the pace of decline.” Whoopee.
2. Some of the good news isn’t convincing. The biggest positive news in recent days has come from banks, which have been announcing surprisingly good earnings. But some of those earnings reports look a little … funny.
Wells Fargo, for example, announced its best quarterly earnings ever. But a bank’s reported earnings aren’t a hard number, like sales; for example, they depend a lot on the amount the bank sets aside to cover expected future losses on its loans. And some analysts expressed considerable doubt about Wells Fargo’s assumptions, as well as other accounting issues.
Meanwhile, Goldman Sachs announced a huge jump in profits from fourth-quarter 2008 to first-quarter 2009. But as analysts quickly noticed, Goldman changed its definition of “quarter” (in response to a change in its legal status), so that – I kid you not – the month of December, which happened to be a bad one for the bank, disappeared from this comparison.
I don’t want to go overboard here. Maybe the banks really have swung from deep losses to hefty profits in record time. But skepticism comes naturally in this age of Madoff. Leia o resto do artigo »
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