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Blog do Desemprego Zero

Para ganhadores do Nobel, o mercado livre nem sempre é justo

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Valor Econômico (25/08/08) 

A globalização e a tecnologia aumentaram as desigualdades econômicas no mundo, de acordo com quatro ganhadores do Prêmio Nobel de Economia. Para eles, os governos deveriam intervir para ajudar os mais pobres. 

Os Nobéis se reuniram em uma ilha de paisagens pictóricas no sul da Alemanha e no sábado se focaram na crescente disparidade entre ricos e pobres, que passou a ser uma questão importante em eleições ao redor do mundo, inclusive a que definirá a presidência dos Estados Unidos. A discussão se concentrou mais em temas abrangentes do que soluções detalhadas. Mas o principal propulsor era claro: o livre mercado não é sempre justo e economistas deveriam ajudar os governos a achar uma maneira de aliviar o problema. 

“Boa parte da economia trata da relativa eficiência da alocação de mercado”, disse Robert Solow, economista americano que ganhou o Prêmio Nobel em 1987 por separar os componentes de crescimento econômico em trabalho, capital e mudança tecnológica. No entanto, Solow disse que economistas também devem estudar como melhor redirecionar renda “dos que lucram com desenvolvimentos na economia para os que são prejudicados por eles”.  Leia o resto do artigo »

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Presságios do pré-sal

Postado em 21 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por David Kupfer

Fonte: Valor Econômico (20/08/08)

Provavelmente o principal elo econômico entre Brasil e Noruega por décadas, o bacalhau está sendo agora suplantado por uma outra mercadoria, que costuma ocorrer em águas muito mais profundas: o petróleo. Nesse caso, o interesse brasileiro está focalizado menos no produto em si e mais no modelo sui generis de organização da indústria norueguesa do petróleo, que é apoiado em um ente estatal gestor das reservas, uma empresa de economia mista líder na produção e um fundo soberano desenhado para assegurar a distribuição intertemporal da riqueza petrolífera. 

Desde que adotou como paradigma a produção offshore, a Petrobras seguiu com tremenda eficiência uma trajetória de capacitação em inovação e produção em águas cada vez mais profundas. O resultado do sucesso é facilmente visível em números. Apenas nos últimos 10 anos a produção de petróleo no Brasil mais que duplicou, passando de 900 mil para 1.900 mil barris/dia, enquanto a geração de royalties e participações especiais para o governo evoluiu de meros R$ 200 milhões para mais de R$ 15 bilhões. O esforço de investimento do setor petróleo esperado para esse ano deve passar a casa dos R$ 35 bilhões, seis vezes mais que o realizado em 97. Com tudo isso, o fato mais marcante – e de maiores implicações para a reflexão – é que a participação das atividades relacionadas ao setor petróleo passou de 2% para 10% do PIB do Brasil. 

Se essa trajetória de expansão, mesmo incremental, já foi capaz de fazer do petróleo um carro-chefe da economia brasileira, é fácil imaginar a ruptura que significa o anúncio das descobertas das grandes acumulações de petróleo na camada de pré-sal, que se estende pela plataforma continental de Santa Catarina até o Sul da Bahia, 6.500 metros abaixo do nível do mar e sob lâmina d´água de 2.500 metros de profundidade. Para se ter uma idéia da dimensão da descoberta, enquanto todo o petróleo já extraído no Brasil perfaz o montante de 11,5 bilhões de barris e o volume das reservas provadas hoje é de 12 bilhões de barris, as reservas prováveis do pré-sal poderão facilmente passar os 80 bilhões de barris.  Leia o resto do artigo »

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A lógica da Petrosal

Postado em 21 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Luís Nassif

Fonte: Projeto Brasil

Os recursos do pré-sal tem que ser claramente identificados e sua destinação discutida com todo o país. Se não for isso, entrará no orçamento público, será gasto sem nenhum planejamento, abrindo espaço apenas para o desperdício e o populismo.

Por isso, em princípio a criação da Petrosal é salutar, assim como a de um fundo soberano, para gerir os dólares obtidos com a venda de petróleo.

É evidente a importância de se analisar e fiscalizar o modelo de criação da Petrosal, visando impedir que se transforme em cabide de emprego ou atue sem transparência. Mas o espaço institucional a ser ocupado é importante.

A lógica da exploração do pré-sal é a mesma de qualquer produto relevante e finito – como o caso do cobre, no Chile. O petróleo não irá durar para sempre. Por isso mesmo, parte do que render agora tem que ir para um fundo que aplique na construção do futuro. Essa tem sido a tônica de todos os fundos soberanos, seja do Chile ou dos Emirados Árabes. Dubai aplicou bem seus recursos e hoje pode viver sem os royalties do petróleo. Leia o resto do artigo »

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Expectativas inflacionárias

Postado em 19 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

 

Antonio Delfim Netto

Valor Econômico – 19/08/2008

Depois de termos mencionado num artigo publicado neste mesmo espaço o discurso de Ben Bernanke, o atual chairman do Federal Reserve dos EUA (o famoso Fed), que abriu a 53ª Conferência Anual do Federal Reserve Bank of Boston, no dia 9 de junho último, recebemos pedidos de atentos leitores solicitando mais informações sobre ele. É o que fazemos agora, traduzindo (livremente) a parte pertinente às suas considerações sobre as expectativas inflacionárias. Depois de breve introdução, Bernanke afirma: “Concentrando-me nos principais tópicos do meu discurso, abordarei, brevemente, quatro problemas que interessam à formulação da política monetária: os preços das commodities e a inflação; o papel do custo do trabalho na precificação; as dificuldades de fazer política econômica em tempo real e os determinantes e efeitos das mudanças das expectativas inflacionárias”. Aqui só nos interessa a última questão: expectativas inflacionárias.

“Finalmente” – prossegue Bernanke após explorar os outros assuntos – “direi algumas palavras sobre as expectativas inflacionárias, que muitos economistas vêm como fundamental para a dinâmica da inflação. Há, entretanto, muito que não entendemos sobre elas, sua determinação e suas implicações. Vou dividir minha análise em três tópicos. 

Primeiro necessitamos entender melhor quais os fatores que determinam as expectativas inflacionárias da sociedade, tal como discuti com mais detalhes em uma conversa no National Bureau of Economic Research, transcorrida no último verão (10/07/2007). Ainda que existam muitas evidências que as expectativas têm se tornado mais bem ancoradas do que há algumas décadas, elas permanecem imperfeitamente ancoradas. Seria de bastante proveito para os próprios formuladores da política monetária que conhecessem mais acerca de como as expectativas inflacionárias são influenciadas por ela mesma, pela sua comunicação e por outros fatores econômicos, tais como os choques nos preços de petróleo. 

A crescente literatura sobre o aprendizado em modelos macroeconômicos parece ser um veículo útil para abordar muitos desses tópicos. No modelo tradicional, com expectativas racionais, estrutura econômica fixa e objetivos políticos estáveis, não há papel para aquele aprendizado por parte da sociedade. Nele existe normalmente uma única taxa de inflação de equilíbrio no longo prazo, que é perfeitamente antecipada: a sociedade não realiza inferências a partir das comunicações ou das ações dos banqueiros centrais. O fato, porém, é que a sociedade tem apenas informações incompletas tanto acerca da economia quanto dos objetivos dos formuladores da política, fatores que podem, aliás, mudar ao longo do tempo. Considerar a possibilidade de aprendizado por parte da sociedade é mais realista e, ademais, tende a gerar conclusões mais razoáveis a respeito de como as expectativas inflacionárias mudam e, em particular, de como elas podem ser influenciadas pela ação e pronunciamentos da política monetária. 

Humildade faz falta para o nosso Banco Central 

A segunda categoria de questões envolve os canais por meio dos quais as expectativas inflacionárias afetam a inflação presente. A via fundamental é a das expectativas para as negociações salariais, ou há outros mecanismos relevantes? Um achado algo perturbador sobre este problema foi revelado por uma pesquisa entre empresários acerca de decisões de como eles formam seus preços, conduzida por Blinder e outros (Asking about Prices, N.Y., 1998). Apenas uma pequena parcela dos entrevistados afirmou que a inflação agregada esperada afetava seus preços. Como podemos conciliar esse resultado com nosso forte pressuposto de que as expectativas são centrais para explicar a inflação? Talvez as expectativas afetem a inflação presente por meio de algum canal que seja relativamente indireto. A crescente literatura sobre fixação desagregada de preços talvez possa lançar alguma luz nessa questão. 

Finalmente, um grande conjunto de questões gira em torno de como o banco central pode monitorar da melhor maneira possível as expectativas inflacionárias do público. Existem muitas medidas de inflação esperada, incluindo expectativas colhidas junto a pesquisas em domicílios, previsões de economistas profissionais e informação extraída de mercados de ativos indexados à inflação. Infelizmente, as informações sobre as expectativas dos próprios formadores de preço são muito limitadas, especialmente a dos empresários. Qual das expectativas desses agentes é a mais importante para a dinâmica inflacionária, e como os banqueiros centrais podem extrair melhor a informação relevante a partir das várias medidas disponíveis?” 

Que falta fez essa humildade esclarecida para moderar a precipitada política monetária “tempestiva” do nosso Banco Central, tão a gosto dos “cientistas” do sistema financeiro nacional. Estes, obviamente, supõem “saber” muito mais do que Bernanke sobre como se “controla” as expectativas inflacionárias… 

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO DESENVOLVIMENTO E AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS

Postado em 17 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por João Sicsú

Resumo: Este artigo busca apresentar as bases de uma estratégia de desenvolvimento para o Brasil. Para tanto, parte de algumas premissas básicas. A primeira é a de que não haverá desenvolvimento sem mobilização social. A segunda é que o desenvolvimento é fruto do planejamento, no qual o Estado tem papel fundamental. Ademais, uma estratégia de desenvolvimento deve conter pelo menos três partes: a descrição do Brasil que queremos, a definição de uma política macroeconômica para atingi-lo, e um conjunto de políticas públicas para realizar objetivos sociais abrangentes. Por fim, o texto destaca algumas intervenções macroeconômicas necessárias para atingir os objetivos propostos: política monetária de juros baixos, política cambial de taxas competitivas e política fiscal de tipo keynesiana.

Leia na íntegra.

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Si busca crecimiento, gire a la izquierda

Postado em 17 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

by Joseph E. Stiglitz

Versão em inglês

Tanto la izquierda como la derecha dicen defender el crecimiento económico. ¿Esto quiere decir que los votantes que intentan decidirse entre ambas no tendrían más que pensar que se trata de algo así como elegir equipos de gestión alternativos?

¡Ojalá las cosas fueran tan fáciles! Parte del problema tiene que ver con el papel que juega la suerte. La economía de Estados Unidos estuvo bendecida en los años 1990 con precios bajos de la energía, un ritmo alto de innovación y la oferta cada vez mayor por parte de China de productos de alta calidad a precios cada vez más bajos. Todo esto se combinó para producir una inflación baja y un crecimiento rápido.

El presidente Clinton y el entonces presidente de la Reserva Federal de Estados Unidos, Alan Greenspan, merecen escaso crédito por todo esto -aunque, sin duda, la implementación de malas políticas podría haber complicado las cosas-. En cambio, los problemas a los que nos enfrentamos hoy -precios elevados de la energía y de los alimentos y un sistema financiero en crisis- fueron generados, en gran medida, por malas políticas.

Existen, por cierto, grandes diferencias en las estrategias de crecimiento, que tornan factibles diferentes resultados. La primera diferencia tiene que ver con cómo se concibe el crecimiento en sí. El crecimiento no es sólo cuestión de aumentar el PBI. Debe ser sostenible: un crecimiento basado en la degradación ambiental, una orgía de consumo financiado con endeudamiento o la explotación de recursos naturales escasos, sin reinvertir las ganancias, no es sostenible.

El crecimiento también debe ser inclusivo; al menos una mayoría de los ciudadanos deben resultar beneficiados. La economía por carácter transitivo no funciona: un aumento del PBI, en realidad, puede dejar a la mayoría de los ciudadanos peor parados. El reciente crecimiento de Estados Unidos no fue ni económicamente sustentable ni inclusivo. La mayoría de los norteamericanos hoy están peor que hace siete años.

Pero tiene que haber una ventaja relativa entre desigualdad y crecimiento. Los gobiernos pueden mejorar el crecimiento aumentando la inclusividad. El recurso más valioso de un país es su pueblo. De manera que es esencial asegurar que todos puedan vivir de la mejor manera posible, lo que requiere oportunidades de educación para todos.

Una economía moderna también requiere correr riesgos. Los individuos están más dispuestos a asumir riesgos si existe una buena red de contención. De lo contrario, los ciudadanos tal vez exijan protección de la competencia extranjera. La protección social es más eficiente que el proteccionismo.

El no promover la solidaridad social puede tener otros costos, entre los cuales no son menores los gastos sociales y privados necesarios para proteger la propiedad y encarcelar a los delincuentes. Se calcula que de aquí a unos años, Estados Unidos tendrá más gente trabajando en el negocio de la seguridad que en el sector de educación. Un año en la cárcel puede costar más que un año en Harvard. El costo que implica encarcelar a dos millones de norteamericanos -uno de los índices más altos en el mundo- debería considerarse como una deducción del PBI; sin embargo, se suma.

Una segunda diferencia importante entre la izquierda y la derecha tiene que ver con el papel del estado a la hora de promover el desarrollo. La izquierda entiende que el rol del gobierno en cuanto a proporcionar infraestructura y educación, desarrollar tecnología y hasta actuar como emprendedor es vital. El gobierno sentó las bases de Internet y las revoluciones biotecnológicas modernas. En el siglo XIX, la investigación en las universidades respaldadas por el gobierno de Estados Unidos sirvió de base para la revolución agrícola. El gobierno luego acercó estos avances a millones de granjeros norteamericanos. Los préstamos a pequeñas empresas han sido medulares en la creación no sólo de nuevas empresas, sino de nuevas industrias en su totalidad.

La diferencia final puede parecer extraña: la izquierda ahora entiende los mercados y el papel que pueden y deberían desempeñar en la economía. La derecha, especialmente en Estados Unidos, no. La Nueva Derecha, estereotipada por la administración Bush-Cheney, es realmente corporativismo del viejo bajo un nuevo disfraz.

No son libertarios. Creen en un estado fuerte con poderes ejecutivos robustos, pero un estado utilizado en defensa de intereses establecidos, que le brinda escasa atención a los principios del mercado. La lista de ejemplos es larga, pero incluye subsidios a grandes granjas corporativas, aranceles para proteger a la industria del acero y, más recientemente, los mega-rescates de Bear Stearns, Fannie Mae y Freddie Mac. Pero la inconsistencia entre retórica y realidad es de larga data: el proteccionismo se expandió durante el gobierno de Reagan, incluso a través de la imposición de las llamadas restricciones voluntarias a las exportaciones de autos japoneses.

Por el contrario, la nueva izquierda intenta hacer que los  mercados funcionen. Los mercados sin trabas no funcionan bien por cuenta propia -una conclusión reforzada por la actual debacle financiera-. Los defensores de los mercados a veces admiten que fallan, incluso de manera desastrosa, pero sostienen que los mercados se “autocorrigen”. Durante la Gran Depresión, se escuchaban argumentos similares: el gobierno no necesitaba hacer nada, porque los mercados, a la larga , llevarían a la economía de nuevo al pleno empleo. Pero, como dijo John Maynard Keynes, a la larga todos estamos muertos.

Los mercados no se autocorrigen en un margen de tiempo relevante. Ningún gobierno puede mantenerse ocioso mientras un país cae en la recesión o la depresión, incluso cuando éstas estuvieran causadas por la ambición excesiva de los banqueros o el error por parte de los mercados de seguridad y las agencias de calificación a la hora de evaluar los riesgos. Pero si los gobiernos van a pagar las cuentas de hospital de la economía, deben actuar de manera tal que la hospitalización no resulte tan necesaria. El mantra de desregulación de la derecha era lisa y llanamente un error, y ahora estamos pagando el precio. Y el precio -en términos de pérdida de producción- será alto, superando quizá los 1,5 billones de dólares sólo en Estados Unidos.

La derecha suele rastrear su origen intelectual hasta Adam Smith, pero mientras que Smith reconocía el poder de los mercados, también reconocía sus límites. Incluso en su época, las empresas pensaban que podían incrementar más fácilmente las ganancias si conspiraban para que aumentaran los precios que si elaboraban productos innovadores de manera más eficiente. Hacen falta leyes antimonopólicas sólidas.

Es fácil ser el anfitrión de una fiesta. Por el momento, todos se sienten bien. Promover el crecimiento sostenible es mucho más difícil. Hoy, a diferencia de la derecha, la izquierda tiene una agenda coherente que no sólo ofrece mayor crecimiento, sino también justicia social. Para los votantes, la elección debería ser sencilla.

 

Joseph E. Stiglitz, profesor en la Universidad de Columbia, recibió el premio Nobel de Economía en 2001.

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Keynes e a conjuntura: breves comentários

Postado em 15 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros*

Há muitos anos atrás John Maynard Keynes escreveu: “Os dois principais defeitos da sociedade em que vivemos são sua incapacidade para proporcionar o pleno emprego e a sua arbitrária e desigual distribuição da riqueza e das rendas” (Teoria geral. Cap. 24, I). Keynes não atacou a inconseqüente degradação do meio ambiente causada pela fúria industrialista, pois isso alargaria o escopo de sua obra clássica. As prioridades de seu tempo eram outras.

Keynes revolucionou a ciência econômica então estabelecida ao descrever como um sistema econômico poderia operar abaixo do pleno emprego dos fatores de produção e quais as suas conseqüências sociopolíticas para os sistemas democráticos. Estado e mercado, assim como havia descrito Adam Smith, eram complementares no processo de desenvolvimento das nações. Keynes demonstrou também como a teoria neoclássica estabelecida nas crenças dos seus adeptos mais ortodoxos negava a possibilidade do desemprego involuntário. Oferta e demanda encontravam periodicamente os seus pontos de equilíbrio abaixo do pleno emprego do fator trabalho.

Onde estariam as causas desse fenômeno? Keynes detectou nas expectativas dos agentes econômicos elementos psicológicos capazes de influenciar o nível dos investimentos produtivos numa economia. Em situações de grandes incertezas quanto à demanda por bens e serviços, a preferência pela liquidez era exercida com freqüência. Recursos financeiros acabavam sendo drenados da economia real para as aplicações financeiras. Os investimentos produtivos, medidos pela formação bruta de capital fixo, eram travados e a ociosidade dos fatores de produção tornava-se uma realidade crônica. Leia o resto do artigo »

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Falta um pouco de humildade

Postado em 11 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Delfim Netto

Fonte: DCI

O Banco Central brasileiro é provavelmente o único dentre os bancos centrais do mundo que “sabe” como se formam as expectativas inflacionárias e como essas expectativas afetam a taxa de inflação.

Porque tem essa “sabedoria” que falta ao restante do universo, a nossa autoridade monetária está sugerindo que só um novo e dramático aumento na taxa de juro real (em seguida à absurda elevação de 0,75 da última sessão do Copom) será capaz de reconduzir “tempestivamente” as expectativas do mercado para 4,5%, o centro da meta inflacionária, já no início de 2009.

Seria interessante que, antes de insistir na overdose de juros que está impondo aos brasileiros, o Banco Central demonstrasse que sabe aferir o quanto as expectativas influenciam a formação dos preços no setor produtivo de bens. Um pouco de humildade não faria mal ao nosso pessoal, reconhecendo pelo menos que existem sérias dúvidas nesse processo, como recentemente confessou o presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke.

Discursando na abertura da 53ª Conferência Econômica Anual do Federal Reserve Bank of Boston, em 9 de junho último, ele disse que nem ele, nem o Fed, nem os demais bancos centrais sabem como se formam as tais “expectativas de inflação”.

A verdade é que estamos todos no meio de um nevoeiro, tentando entender uma inflação planetária que, não importa sua origem, se manifesta num aumento enorme dos preços da energia, dos alimentos, dos produtos minerais.

Bernanke concedeu humildemente que não sabe como conciliar a idéia dos aumentos com este negócio de “expectativas inflacionárias” e deixou no ar uma pergunta: “como a expectativa inflacionária pode afetar a taxa de inflação se grande maioria dos empresários afirma não levá-la em conta no processo de decisão sobre o preço de seu produto?”

Isso foi demonstrado empiricamente numa enorme pesquisa junto aos empresários norte-americanos para tentar entender até que ponto eles se deixavam influenciar pelas tais “expectativas inflacionárias” para a precificação de seus produtos. A esmagadora maioria respondeu que não levava isso em consideração na formação de seus preços e nem sabia bem o que significa.

Uma questão da maior importância, levantada pelo presidente do Fed na ocasião, é que seria muito útil saber como a formação das expectativas é influenciada pela comunicação da política monetária.

Hoje, no Brasil, a alta interna dos preços depende dos preços externos, mais do que de qualquer outro fator, o que mostra o caráter ilusório da argumentação da autoridade monetária sobre a formação das expectativas inflacionárias.

Diante disso, é absolutamente insensata a insistência na política de elevação da taxa de juros para reverter as expectativas da inflação. Vai contribuir, isto sim, para desacelerar o crescimento e cortar empregos de brasileiros. Trata-se da repetição da política monetária oportunística que usa o câmbio para controlar a inflação. É preciso interromper tal processo, pois já pagamos muito caro por esse tipo de aventura.

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