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Blog do Desemprego Zero

A crítica à reunião do G20

Postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Por Fernando Cardim de Carvalho

Fonte: Projeto BR

Meus temores maiores com relação à reunião são basicamente confirmados pelo comunicado que foi emitido ao seu final. Incomumente longo, os detalhes que contem não indicam o trabalho que pode ter envolvido, mas a tentativa de parecer ser um trabalho a mais profundo do que realmente é.

Primeiramente, há a questão da representação. É claro que o G20 é maior que o G8, mas a questão da participação em uma iniciativa desta natureza não passa pela fixação arbitrária de uma linha separando países que participam dos que não participam. Em Bretton Woods, todos os países aliados (lembremo-nos que a reunião se deu em 1944, ainda durante a guerra) participaram, inclusive a União Soviética, que depois se recusou a ratificar o acordo. Aqui, sempre nos queixamos da exclusão de países em desenvolvimento, mas estamos satisfeitos quando somos incluídos, mas cerca de 160 países (tomando o número de membros do FMI como uma avaliação de quantos países há por aí) ficam de fora.

Quanto ao documento mesmo, não acena com qualquer mudança substantiva ou percepção de que as tensões que se acumularam e explodiram na crise atual tenham se originado com a desregulação financeira iniciada nos anos 1970, que “privatizaram” a supervisão financeira, atingindo seu ápice em Basiléia II. O apelo a companhias de rating como instrumento de regulação é um equívoco em si, que não se resolve com um código de conduta para essas agências.

O apelo a modelos internos dos bancos para mensuração de risco e cálculo do capital regulatório também é um erro que se mostrou trágico nesta crise. Não há qualqeur indicação de mudança estratégica. O papel de instituições como o Comitê da Basiléia, onde o G10 dita regras para a regulação bancária em todo o mundo, inclusive aqui, não só não é questionado como, na verdade, é reforçado. Há um vago apelo para a ampliação do Forum de Estabilidade Financeira, mas continuam sendo mantidas as mesmas estruturas que levaram ao colapso atual.

Compare-se isto com a profundidade das reformas dos anos 1930, que garantiram mais de 50 anos de estabilidade financeira, até que, como é inevitável se tornassem obsoletas, e vê-se que o documento consiste principalmente em ar quente.

Por outro lado, o candidato Obama se referiu com frequencia à necessidade de reposicionamento estratégico na questão da regulação, o que seria muito mais importante, ainda que a possível indicação de Summers para o Tesouro preocupe, pois foi ele um dos impulsionadores da desregulação no governo Clinton.

Finalmente, quanto ao FMI, houve um diplomata na GloboNews que declarou, eufórico, que agora os desenvolvidos vão também ter de se submeter á sua disciplina. Isto é de uma tolice incomensurável. O FMI é melhor que o comitê da Basiléia em termos de representação, mas seu poder continua tão limitado quanto sempre foi.

Os países desenvolvidos não dão qualqeur satisfação ao Fundo desde que abandonaram as taxas fixas nos anos 60, e não dão qualquer indicação que mudarão sua atitude. Esperar que China, por exemplo, aja diferente é totalmente irrealista. Como observou um antigo importante funcionário do Fundo, Vito Tanzi, o Fundo não é reconhecido pela sua competência técnica, haja vista sua desastrosa atuação nos anos 90, mas pela capacidade de impor políticas a países passando por cataclismas em seus balanços de pagamentos. O Fundo não mudou suas posições. Ele não morreu, como alguns gostariam, mas seu poder efetivo, e sua eficácia técnica, continuam os mesmos.

Enfim, esse é um processo que vai realmente durar muito ainda, otimisticamente. Este foi um falso início, aparentemente para contentar Bush, aplacar o hiperativismo de Sarkozy, etc. As ambições, vale notar, do comunicado são muito maiores que as de Bretton Woods, onde se tratava de criar um sistema monetário internacional em substituição ao padrão-ouro. Agora se discutem, ou mencionam-se, problemas de reforma estrutural do sistema financeiro. Seria difícil pensar em um fórum menos preparado e menos adequado a esse tipo de discussão e, a meu ver, ele não decepcionou a expectativa de seus críticos.

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EUA vão liderar pós-Kyoto, diz analista

Postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Fonte: Jornal da Ciência    

Daniel Esty, membro da equipe de transição de Obama na área de clima, afirma que negociação terá “recomeço” em 2009; Governo americano vai insistir para que o novo acordo inclua metas de redução de emissões para países em desenvolvimento. Artigo publicado originalmente na Folha de SP.

Não está claro quão difícil será para o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprir sua promessa de tornar o país o líder mundial no debate ambiental. Um sinal de vontade política, pelo menos, já foi emitido: os EUA estão de volta à mesa de discussões sobre a crise climática mundial.

Daniel Esty, membro da equipe de transição de Obama para energia e ambiente, afirmou que o grupo acompanhará a conferência do clima deste ano em Poznan, Polônia, que debate um novo acordo global para limitar a emissão dos gases do efeito estufa. Os EUA, diz, pressionarão para que países emergentes, como o Brasil, assumam metas obrigatórias de redução de emissões.

Esty é professor de Direito na Universidade Yale e criador de um índice que ordena países de acordo com suas políticas verdes. Ele falou à Folha de SP, logo antes de ser chamado para o grupo de transição de Obama. Leia a entrevista:

- Obama disse muitas vezes que o desafio energético dos EUA é como mandar o homem à Lua. E o sr. que o povo americano está pronto para mudar sua base energética.

Eu acho que o povo americano está pronto para a mudança para um futuro de energia limpa, por múltiplas razões. Há um aumento de preocupação sobre mudanças climáticas. Mais de 75% da população diz que a hora de agir chegou. Mas há mais do que isso. O público americano não tinha uma idéia clara do quadro das mudanças climáticas até recentemente. Era algo longe, talvez não tão urgente. Mas o furacão Katrina começou a dar um rosto ao problema da mudança climática e mostrou que não fazer nada não era boa opção. Na segurança, também, há uma grande frustração com a situação no Iraque e no Oriente Médio. E o público americano concluiu que uma economia de combustíveis fósseis significará mais do mesmo. E há um terceiro elemento nesta lógica: o povo americano anseia por uma nova economia, que vá criar novos empregos. Leia o resto do artigo »

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Estamos vivendo uma mudança de regime financeiro?

Postado em 18 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Os choques do ano passado – trinta anos depois da última grande mudança – e os acontecimentos deste ano deram suporte à conjectura de que estamos testemunhando um terceiro regime de mudança no sistema financeiro global, impulsionado por uma perda geral de confiança no modelo anglo-americano das transações orientadas do capitalismo e da economia neoliberal que o legitima. A análise é de Robert Wade.

Desde os anos 30 o mundo não-comunista experimentou duas mudanças substantivas o suficiente nas regras econômicas internacionais para serem chamadas de “mudanças de regime”. Elas foram separadas por mais ou menos um intervalo de trinta anos: o primeiro regime, caracterizado pelo Keynesianismo e governado pelos acordos internacionais de Bretton Woods, durou de 1945 a 1975; o segundo começou depois da queda do regime Bretton Woods, e durou até a Primeira Crise Mundial da dívida, de 2007 a 2008. Este último regime, que ficou mais conhecido por neoliberalismo, Consenso de Washington (1) ou consenso da globalização, centrado na noção de que todos os governos deveriam liberalizar, privatizar, desregular – prescrições que têm sido de tal forma dominantes no âmbito da economia global que constituem, nas palavras e Stuart Mill, “o sono profundo de uma opinião irreversível”.

Os dois regimes diferem no papel que atribuem ao estado, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. O regime Bretton Woods favoreceu o “liberalismo embutido”, como ficou depois sendo conhecido, que permitia o movimento de capitais em várias economias, mas o disciplinava no quadro de uma série de limites estabelecidos através de um processo político. O regime neoliberal que o sucedeu, particularmente associado a Reagan e a Thatcher, trouxe de volta as regras do laissez-faire abraçadas pelo liberalismo clássico e, desde esse paradigma, prescreveu um passo atrás na “intervenção” estatal e uma expansão do capital mercantil na vida econômica. Porém, deu mais ênfase que o liberalismo clássico à idéia de que a competição não é o estado “natural” dos negócios, e de que o mercado pode produzir resultados sub-otimizados onde quer que os produtores tenham o poder do monopólio (como observou Adam Smith, as “pessoas de uma mesma atividade de mercado raramente se juntam sem planejar uma conspiração contra o público”).

O neoliberalismo aceitou conceder a intervenção do estado não apenas para fornecer uma escala de bens públicos que não poderiam ser rentáveis no contexto da competitividade lucrativa (como o fez o liberalismo clássico), mas também, enquanto “neo”, para estruturar e reforçar as regras de competição, privilegiando interesses privados para dar conta desse objetivo. Seu principal parâmetro para julgar o sucesso dos negócios era o valor do acionista, e a sua noção fundamental de interesse econômico nacional era a eficiência enquanto determinada pela competição numa economia completamente aberta aos mercados mundiais; não deveria haver barreiras “artificiais” entre os preços de mercado nacionais e os mundiais, tais como impostos e subsídios às indústrias nacionais. É claro, no nível político, muitas modificações táticas e pragmáticas foram feitas para realizar esses princípios, susbsidiando corporações, canalizando mais saúde para os ricos e estabilizando a economia e a sociedade com políticas keynesianas sub-reptícias (2). Porém, no nível das normas, a diferença estava clara.

No campo da finança as prescrições neoliberais foram justificadas por “hipóteses de mercados eficientes”, que exigiam os preços de mercado contivessem todas as informações relevantes e que a transparência dos mercados fosse ininterrupta – tornando desequilíbrios contínuos, como bolhas, improváveis; e fazendo da ação política para interrompê-los desaconselhável, à medida que constituiria “repressão financeira”. Milton Friedman e a Escola de Chicago nomearam essa teoria; mas, como disse Paul Samuelson, “Chicago não é um lugar, mas um estado de espírito”, e ela começou a prevalecer nos ministérios das finanças, bancos centrais e nos departamentos de economia das universidades, em todo o mundo não-comunista.

Os choques do ano passado – trinta anos depois da última grande mudança – deram suporte à conjectura de que estamos testemunhando um terceiro regime de mudança, impulsionado por uma perda geral de confiança no modelo anglo-americano das transações orientadas do capitalismo e da economia neoliberal que o legitima (e pela perda da autoridade moral norte-americana, agora desvalorizada em boa parte do mundo). As respostas governamentais a essa crise sugerem fortemente que estamos entrando na segunda etapa do “duplo movimento” de Polanyi, o padrão recorrente no capitalismo por meio do qual (para tornar mais simples) um regime de mercados livres e de crescente transformação de mercadorias em commodities (commodification) gera tanta angústia e deslocamento que chega rapidamente a impor a regulação negociada de mercados e a reversão do regime de commodities (de-commodification) (portanto, “liberalismo embutido”) (3). O primeiro passo do atual duplo movimento foi o longo reinado do neoliberalismo e do seu consenso da globalização. O segundo ainda não tem nome, e talvez venha a se tornar um período marcado mais pela falta de acordo do que por qualquer consenso.

Está em curso uma certa precaução. Há um recorrente ciclo de debates diante da explosão da crise financeira, com um excesso inicial de propostas radicais que dão lugar a uma confusão crescente, seguida pela retomada da normalidade dos negócios. Há dez anos, as crises do sudeste asiático, da Rússia e do Brasil, em 1997-98 contaminaram o Alto Comando da finança mundial com pânico, e foram seguidas por uma vigorosa discussão em torno de uma “nova arquitetura financeira internacional”. Mas, uma vez que se tornou claro que o coração do Atlântico não seria afetado, a conversa radical rapidamente retrocedeu. O resultado foi o deslizamento de um novo ou revigorado corpo internacional público e privado compromissado com a formulação de padrões de boa prática na governança corporativa, supervisão bancária, contabilidade financeira, disseminação de dados e coisas do gênero (4). Esses esforços desviaram a atenção da questão da re-regulação, e o setor financeiro no Ocidente tornou-se capaz de assegurar que as iniciativas governamentais não incluiriam novos constrangimentos, como limites sobre alavancamento e sobre novos produtos financeiros. Não houve mudanças de normas no que concerne ao desejo de uma finança claramente regulada.

Tremores Sistêmicos

Quando o Bank of International Settlements (BIS) (5) disse, no seu relatório anual em junho de 2007, que “anos de política monetária desregulada inflaram uma gigantesca bolha global de crédito, deixando-nos vulneráveis a outra depressão nos moldes dos anos 30″, sua análise foi amplamente ignorada pelas empresas e pelos reguladores, não obstante a reputação de cautela do bis. Até o mês de maio deste ano alguns comentaristas ainda estavam argumentando que a crise era uma mancha, análoga a uma distensão muscular num atleta campeão que poderia ser curada com algum descanso e fisioterapia – como oposto a um ataque cardíaco num fumante de 60 cigarros por dia cuja cura requereria cirurgia e grandes mudanças no estilo de vida.

Um operador de títulos descreveu essa situação como “o equivalente financeiro do Reino do Terror durante a Revolução Francesa”.

Os eventos de setembro de 2008, contudo, tornaram difícil evitar a conclusão de que entramos numa nova fase. As condições do mercado financeiro na maioria dos países da OECD (6) afundaram ao mais baixo nível desde a quebra dos bancos de 1932, cujo fator individual mais poderoso foi a retração econômica de 1929 e a quebra do mercado de ações que se tornou a Grande Depressão. (Entre 1929 e 1933, algo como 11mil bancos nacionais e estaduais faliram nos EUA). Um operador de títulos descreveu essa situação como “o equivalente financeiro do Reino do Terror durante a Revolução Francesa” (7). Nessas circunstâncias, a hipótese dos mercados eficientes e as prescrições dela derivadas têm sido completamente desacreditadas.

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Assimetrias internacionais

Postado em 18 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

 

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Substituição de tecnologias energéticas antiquadas ajudaria na criação de empregos, artigo de Al Gore

Postado em 17 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Fonte: Jornal da Ciência   

“Eis as boas notícias: os ousados passos necessários para resolver a crise climática são os mesmos que precisam ser tomados para resolver a crise econômica e a crise de segurança energética”.

Al Gore foi vice-presidente dos EUA durante a administração de Bill Clinton, entre 1993 e 2001, e foi candidato à presidência daquele país em 2000. É autor do documentário “Uma verdade inconveniente” e dos livros “Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano” (Augustus, 1993) e “Uma verdade inconveniente” (Manole, 2006). Artigo originalmente publicado no “The New York Times”:

A inspiradora e transformadora escolha feita pelo povo americano ao eleger Barack Obama como nosso 44º presidente estabelece os fundamentos para outra escolha decisiva que ele – e nós – teremos de fazer em janeiro para dar início a um resgate da civilização humana, em caráter emergencial, da iminente e cada vez maior ameaça representada pela mudança climática.

A eletrizante redenção da revolucionária declaração feita pelos EUA afirmando que todos os seres humanos nascem iguais prepara o palco para a renovação da liderança americana num mundo que precisa desesperadamente proteger seu dote primário: a integridade e as condições de vida do planeta.

A autoridade mundial sobre a crise climática, o Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), depois de 20 anos de estudos detalhados e da publicação de quatro relatórios unânimes, diz agora que as provas são “inequívocas”. Para aqueles que ainda se sentem tentados a ignorar os alarmes cada vez mais urgentes emitidos pelos cientistas de todo o mundo, a fechar os olhos para o derretimento da calota de gelo sobre o pólo norte e para todas as outras advertências apocalípticas feitas pelo próprio planeta, e para aqueles que dão mostras de tédio à menor menção desta ameaça existencial ao futuro da espécie humana, por favor, acordem. Nossos filhos e netos precisam que vocês nos dêem ouvidos e reconheçam a verdadeira natureza da nossa situação, antes que seja tarde demais.

Eis as boas notícias: os ousados passos necessários para resolver a crise climática são os mesmos que precisam ser tomados para resolver a crise econômica e a crise de segurança energética.

Os economistas de todas as orientações – incluindo Martin Feldstein e Lawrence Summers – concordam que investimentos rápidos e de grande valor numa iniciativa de infra-estrutura capaz de criar muitos empregos são a melhor maneira de reanimar nossa economia de maneira ágil e sustentável. Muitos também concordam que nossa economia enfrentará dificuldades se continuarmos a gastar centenas de bilhões de dólares todos os anos com petróleo importado. Além disso, especialistas em segurança nacional de ambos os partidos concordam que enfrentaremos uma perigosa vulnerabilidade estratégica caso o mundo perca subitamente o acesso ao petróleo do Oriente Médio.

Conforme disse Abraham Lincoln no momento mais sombrio pelo qual a América já passou, “a ocasião nos apresenta uma montanha de dificuldades, e precisamos corresponder à ocasião. Por ser novo o nosso problema, nós também precisamos inovar nas nossas idéias, e agir de maneira inovadora”. No nosso caso atual, pensar de maneira inovadora exige rejeitar uma definição superada e fatalmente equivocada do problema que enfrentamos. Leia o resto do artigo »

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Salvar os bancos ou o meio ambiente?

Postado em 17 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

“O Brasil poderia também se beneficiar dos esforços globais de redução das emissões, pois há ações a serem realizadas aqui, no país, que são mais baratas que ações realizadas no Japão ou na Europa”.

José Goldemberg foi secretário de Meio Ambiente da Presidência da República. Artigo publicado no “Estado de SP”.

Fonte: Jornal da Ciência

A crise que assola a economia mundial, com sinais claros de recessão, pode pôr em risco as medidas necessárias para reduzir a emissão dos gases que estão provocando o aquecimento da Terra e as mudanças de clima resultantes?

À primeira vista a resposta é sim, uma vez que a crise vai reduzir a atividade econômica e provocar desemprego, que são problemas que exigem ações imediatas. A rápida reação dos governos dos EUA, da Inglaterra e outros, “salvando” o sistema bancário, vai nessa direção e reduzirá recursos disponíveis para enfrentar problemas ambientais, cujas conseqüências só se vão fazer sentir a longo prazo, como o aquecimento global.

Além disso, a recessão, reduzindo a atividade econômica, reduzirá também a emissão de gases de efeito estufa, como ocorreu com os ex-integrantes da União Soviética, diminuindo a urgência que se deve dedicar a estes problemas.

A queda dos preços do petróleo pode também tornar investimentos em energias alternativas menos atraentes. O uso dessas formas de energia é um dos caminhos utilizados até agora para reduzir as emissões.

Por outro lado, a crise financeira abre novas oportunidades, como expressou em artigo recente o economista inglês Nicholas Stern, que assessora o governo britânico em questões referentes às mudanças de clima. A crise, ao provocar uma redução do consumo, postergará o problema, mas não o resolverá. Isso já ocorreu em 1973, com o primeiro choque do petróleo, que adiou a adoção de medidas sérias contra o aquecimento global. Passados alguns anos o problema voltou a preocupar a todos.

O argumento de Stern é o de que é investido, por ano, cerca de US$ 1 trilhão na área de energia – com crise ou sem crise – e, portanto, o que se deve fazer é redirecionar esse investimento para atividades que permitam racionalizar o uso de eletricidade e outras forma de energia, e lançar os fundamentos de uma economia que – passada a crise – emitirá pouco carbono.

O aumento de eficiência energética tem grande espaço para crescer nos países industrializados e energias renováveis – entre as quais os biocombustíveis – têm grandes oportunidades nos países em desenvolvimento. Em outras palavras, não podemos daqui para a frente repetir a trajetória seguida no século 20 – altamente dependente de combustíveis fósseis -, mas “saltar na frente”, adotando novas estratégias. Leia o resto do artigo »

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El próximo Bretton Woods

Postado em 14 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

by Joseph E. Stiglitz

Texto em inglês

El mundo está cayendo en una gran desaceleración que probablemente sea la peor en un cuarto de siglo y tal vez desde la Gran Depresión. Esta crisis estuvo “hecha en Estados Unidos” en varios sentidos.

Ese país exportó sus hipotecas tóxicas a todo el mundo bajo la forma de valores respaldados por activos. Los Estados Unidos exportaron su filosofía de desreglamentación de libre mercado cuyo alto sacerdote, Alan Greenspan, ahora admite que fue un error. Los Estados Unidos exportaron su cultura de irresponsabilidad corporativa – opciones de compra de acciones no transparentes, que fomentan la mala contabilidad que ha desempeñado un papel en esta debacle, como lo hizo en los escándalos de Enron y Worldcom de hace unos años. Y, por último, los Estados Unidos han exportado su deterioro económico.

La administración Bush por fin se decidió a hacer lo que todos los economistas le insistieron que hiciera: poner más capital en los bancos. Pero como siempre, el problema está en los detalles, y el Secretario del Tesoro de los Estados Unidos, Henry Paulson, puede haber logrado trastornar incluso esta buena idea; parece haber descubierto la manera de recapitalizar a los bancos de forma que el resultado no sea la reanudación del crédito, lo cual no presagia nada bueno para la economía. Leia o resto do artigo »

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A batalha das expectativas

Postado em 14 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Luís Nassif

Afinal, a economia brasileira entrará em pane, crescerá pouco ou continuará mantendo um bom desempenho no próximo ano? A resposta dependerá da maneira como os agentes econômicos – empresários e consumidores – agirem.

Se o consumidor achar que a crise será inevitável, que seu emprego poderá estar ameaçado, tratará de consumir menos, haverá queda de vendas, redução da produção e desemprego – dependendo da intensidade da “dieta” do consumidor.

O mesmo acontece com os empresários. Não há elementos, hoje em dia, para saber como será a economia em 2009. Mas se o empresário se assustar com as notícias do momento, não tiver confiança na recuperação da economia, tratará de suspender investimentos, reduzir gastos, reduzir pessoal. E seu estado de ânimo definirá o resultado do jogo.

Esse movimento desmente a história da economia como uma ciência exata. O mega-investidor George Soros descreveu bem esse movimento. De um lado, se tem a realidade, a tentativa de analisar a economia sem torcida. É um processo incompleto e muito difícil. Poderia, agora, apresentar dez razões para apostar que o país crescerá no ano que vem; e dez razões para apostar na recessão. É quase impossível se ter uma avaliação clara, especialmente em momentos de terremoto, como os atuais. De outro lado se tem o que Soros chama de visão manipulativa dos fatos. Digamos que o investidor quer que os preços caiam. Ele irá selecionar os fatos que favoreçam a sua aposta. Leia o resto do artigo »

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