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Blog do Desemprego Zero

As razões da oposição ao Plano Paulson

Postado em 1 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Proposta do Secretário do Tesouro dos EUA, Hank Paulson, desperta forte reação na sociedade ao propor o resgate dos banqueiros ricos e não dos devedores pobres. Entre os que se opõem a proposta estão nomes como George Soros, Paul Krugman e Michael Moore. Segundo Moore, republicanos estão usando seus velhos truques de provocar medo e confusão “para continuar eles mesmos e o 1% da classe alta, obscenamente ricos”.

Por Oscar Ugarteche

Fonte: Carta Maior

A manhã do dia 29 de setembro de 2008 foi marcada pelo debate no Congresso dos Estados Unidos sobre a proposta elaborada pelo Secretário do Tesouro, Hank Paulson, para comprar ativos dos bancos de investimentos. Essa iniciativa, encontrou forte reação na sociedade que a recebeu como um resgate dos banqueiros ricos e não dos devedores pobres, e gerou também uma polêmica internacional. Diferentes vozes, como a do investidor George Soros, o professor Paul Krugman e o cineasta Michael Moore, entre outros, expressaram sua reprovação à idéia. Uma lista de professores norte-americanos assinou uma carta onde, em essência, criticam o conceito de resgate bancário, considerando-o como um subsídio aos investidores pago pelos contribuintes. Os investidores que assumiram os ricos também devem pagar as perdas, diz a carta.

Nem todas as quebras, acrescenta o documento, envolvem riscos sistêmicos. Assim, nem a missão da nova agência que seria criada com os 700 bilhões de dólares de ajuda, nem o seu âmbito estariam claros. Se os contribuintes devem ser obrigados a comprar ativos suspeitos e opacos de vendedores preocupados, as condições, ocasiões e métodos de tais comprar deveriam ser claros e as operações de compra submetidas a uma supervisão. Essas condições não faziam parte do plano. A carta dos acadêmicos termina dizendo que se o plano for aprovado tal como formulado, trará efeitos para uma geração de norte-americanos. “Com todos seus problemas recentes, os mercados de capital privado são dinâmicos e inovadores e trouxeram uma prosperidade ímpar aos EUA. Debilitar esses mercados com interrupções de curto prazo é uma prática desesperadamente míope”, critica.

Michael Moore, cineasta crítico dos republicanos, afirmou que não importam o que digam e quantas palavras atemorizantes pronunciem, estão utilizando seus velhos truques de provocar medo e confusão para continuar eles mesmos e o 1% da classe alta, obscenamente ricos. Lendo os primeiros quatro parágrafos do artigo principal da edição de 22 de setembro do New York Times, pode-se ver do que realmente se trata: “No exato momento em que os formuladores de políticas trabalhavam nos detalhes do plano de 700 bilhões de dólares para socorrer o setor financeiro, Wall Street começou a buscar formas de se aproveitar disso. As empresas financeiras estão trabalhando para que sejam cobertas todas as formas de investimento problemáticas, não somente aquelas relacionadas às hipotecas. Ao mesmo tempo, as empresas financeiras estão manobrando astutamente para vigiar todos os valores dos livros das instituições financeiras nas quais o Tesouro planeja intervir, o que poderia garantir-lhes milhões de dólares ao ano em honorários. Ninguém quer ficar de fora da proposta do Tesouro para adquirir valores das instituições financeiras”. Incrível. Wall Street e seus defensores criaram esse desastre e agora vão limpá-lo como delinqüentes. Até Rudy Giuliani está trabalhando para que sua empresa seja contratada (e paga) para realizar “consultorias” sobre o resgate financeiro, denuncia Moore. Leia o resto do artigo »

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Reflexões crepusculares

Postado em 28 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

RUBENS RICUPERO

Folha de S.Paulo (28/09/2008)

Para alguns, não há dúvida: este é o fim, ou o começo do fim do império americano; não tenho tanta certeza…

QUAL SERÁ o limite para que os custos de erros evitáveis do governo norte-americano provoquem processo irreversível de declínio dos Estados Unidos?

Três trilhões de dólares seriam o custo real da Guerra do Iraque, estima um livro de Joseph Stiglitz e Linda Birnes. O prejuízo ocasionado pela crise financeira pode chegar a mais de 30% do PIB (Produto Interno Bruto), entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões, segundo julgam certos analistas. Será possível que isso não passe de um piscar de olhos na alegre irresponsabilidade do país?

Pode-se discutir se essas são as cifras verdadeiras ou se parte do que se vai gastar para salvar o sistema financeiro não será recuperado. De qualquer forma, os números serão gigantescos e não representam mais do que uma pálida indicação das perdas humanas e morais: vidas sacrificadas, seres mutilados, esperanças desenganadas.

Para alguns, não há dúvida: este é o fim ou, ao menos, o começo do fim do império americano. Não tenho tanta certeza, pois vivi de perto episódio anterior, por alguns aspectos até mais grave do que o atual. Cheguei a Washington como conselheiro da Embaixada do Brasil em 1974, quando o processo de Watergate se encaminhava para seu inexorável desfecho. Em manhã de garoa cinzenta e triste, assisti ao discurso de renúncia de Nixon e confesso que me deixei tocar pela solene gravidade do momento.

Acompanhei pela TV as cenas dramáticas dos helicópteros partindo do terraço da Embaixada dos Estados Unidos, cachos humanos pendurados das rodas, enquanto as tropas do Vietcongue entravam em Saigon. A humilhação, a impotência, a frustração dos americanos eram patéticas: para que tinha servido o sacrifício de 55 mil de seus soldados e de 2 milhões de vietnamitas? Nem faltava o ingrediente econômico sob a forma dos choques do petróleo, a explosão de preços, as filas intermináveis nos postos de gasolina, a inflação, o abandono abrupto do sistema monetário do lastro ouro.

Comentei com meu chefe, o sempre pranteado embaixador Araujo Castro, que tudo aquilo me parecia um estrago irreparável no prestígio e no poderio dos Estados Unidos, a começar pela Ásia, onde tanto se temia o “efeito dominó” que se seguiria à derrota. “Engano seu”, disse-me o embaixador, “não se passará muito tempo antes que o Vietnã implore aos americanos a oportunidade de comerciar com eles.” Foi o que se deu. Os vietnamitas, que se converteram no mais recente e agressivo dos tigres asiáticos, assinaram com Washington um acordo duríssimo, no qual aceitaram tudo e algo mais, inclusive cláusulas ambientais e trabalhistas.

Explicou-me então sua teoria do “overdraft” ou “saque a descoberto”. “Como os indivíduos, os países têm limites diferentes para o que podem sacar a descoberto no banco da história. Para o Brasil, a margem em que pode errar sem conseqüências irreversíveis é estreita. O limite dos Estados Unidos é incomensurável.” Conto a conversa porque a imagem do “overdraft” se adapta às mil maravilhas a um colapso financeiro em que todo o mundo sacou o que não tinha. Daquela vez, deu certo: a crise levou ao poder Reagan, e todos conhecem o resto da história da recuperação do moral e do poder dos Estados Unidos. E agora, até quando os chineses, na euforia da Olimpíada, do saldo comercial e de sua estação espacial, deixarão que os americanos continuem a sacar das reservas deles para viver muito além dos próprios meios?

 

RUBENS RICUPERO, 71, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco).

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Anatomía de una crisis

Postado em 28 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

by Barry Eichengreen

Texto em inglês

Salir de la debacle financiera en la que estamos inmersos actualmente requiere entender cómo caímos en ella en primer lugar. La causa fundamental, según personas como John McCain, fue la codicia y la corrupción en Wall Street. Aunque no soy nadie para negar la existencia de este tipo de motivos básicos, insistiría en que la crisis tiene sus raíces en decisiones políticas clave que se remontan a décadas atrás.

En Estados Unidos, hubo dos decisiones clave. La primera, en los años 1970, desreguló las comisiones que se les pagaban a los agentes de bolsa. La segunda, en los años 1990, eliminó las restricciones de la Ley Glass-Steagall a la combinación de banca comercial y banca de inversión. En los días de las comisiones fijas, los bancos de inversión podían llevar una vida confortable registrando operaciones de bolsa. La desregulación trajo aparejados competencia y menores márgenes. La eliminación de Glass-Steagall entonces les permitió a los bancos comerciales involucrarse en los otros cotos tradicionales de los bancos de inversión.

En respuesta, los bancos de inversión se lanzaron a nuevos negocios como la creación y distribución de complejos instrumentos derivados. Pidieron dinero prestado y lo pusieron a trabajar para sustentar su rentabilidad. Esto dio lugar a las primeras causas de la crisis: el modelo de creación y distribución de securitización y el uso extensivo del apalancamiento.

Es importante observar que estas fueron consecuencias no buscadas de decisiones políticas esencialmente sensatas. En igualdad de condiciones, la desregulación les permitió a los pequeños inversores comercializar acciones de manera más económica, lo que los volvió más ricos. Pero otras cosas no eran iguales. En particular, el hecho de que los bancos de inversión, que fueron lanzados a actividades más riesgosas por estos cambios de políticas, estuvieran completamente fuera de la red regulatoria fue una receta para el desastre.

De la misma manera, eliminar la Ley Glass-Steagall fue esencialmente sensato. Los conglomerados les permiten a las instituciones financieras diversificar sus negocios, y la asociación con bancos comerciales les permite a los bancos de inversión financiar sus operaciones utilizando depósitos relativamente estables en lugar de mercados de dinero volubles. Este modelo ha demostrado su viabilidad en Europa durante siglos y sus ventajas son evidentes en Estados Unidos, incluso ahora con la compra de Merrill Lynch por parte de Bank of America. Leia o resto do artigo »

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Não se pode dar cheque em branco a Paulson

Postado em 25 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

GEORGE SOROS

Folha de S. Paulo (25/09/2008)

O pacote de resgate de US$ 700 bilhões proposto por Hank Paulson está enfrentando dificuldades no Congresso. E com razão: ele é ineficaz. O Congresso estaria abdicando de sua responsabilidade caso desse um cheque em branco ao secretário do Tesouro. O projeto de lei encaminhado ao Legislativo continha até mesmo cláusulas que isentariam as decisões do secretário de revisão por qualquer tribunal ou agência administrativa o que representaria a realização final do sonho do governo Bush quanto a um Executivo unitário. O histórico de Paulson não inspira a confiança necessária para que lhe sejam concedidos plenos poderes sobre US$ 700 bilhões. Suas ações da semana passada causaram a crise que torna necessário o resgate.

Na segunda-feira ele permitiu a quebra do Lehman Brothers e se recusou a fornecer verbas governamentais para salvar a AIG. Na terça, se viu forçado a reverter sua posição e a oferecer à seguradora um empréstimo de US$ 85 bilhões, com condições punitivas. O colapso do Lehman Brothers perturbou o mercado de commercial papers. Um grande fundo do mercado monetário viu sua carteira cair abaixo do valor nominal dos papéis, e os bancos de investimento que dependiam do mercado de commercial papers enfrentaram dificuldades para financiar suas operações. Por volta da quinta-feira, uma corrida aos fundos do mercado monetário estava em pleno curso, e nunca chegamos tão perto de um colapso completo do sistema, desde os anos 30. Paulson reverteu sua posição uma vez mais e propôs um resgate sistêmico. Paulson já havia recebido um cheque em branco do Congresso no passado. Isso aconteceu no caso da Fannie Mae e da Freddie Mac.

A solução que ele desenvolveu colocou o mercado da habitação na pior situação possível: os administradores das empresas sabiam que, se o cheque fosse preenchido, perderiam seus empregos, de modo que se reposicionaram e tornaram as hipotecas ainda mais dispendiosas e menos acessíveis. Dentro de poucas semanas, o mercado forçou Paulson a agir e ele teve de tomar o controle das duas instituições. A proposta de Paulson para adquirir títulos problemáticos lastreados por hipotecas apresenta um problema clássico de assimetria de informação. É difícil avaliar os papéis, mas os vendedores sabem mais sobre eles do que os compradores; em qualquer processo de leilão, o Tesouro ficaria com o lixo. A proposta também está repleta de potenciais conflitos de interesse.

A menos que o Tesouro pague mais pelos títulos do que eles valem, o esquema não aliviaria os problemas. Mas caso o esquema seja utilizado para resgatar bancos insolventes, o que os contribuintes receberão em retorno? Barack Obama delineou quatro condições que deveriam ser impostas: que os contribuintes tenham algo a ganhar, além de algo a perder; que um conselho bipartidário fiscalize o processo; que os proprietários de imóveis também recebam ajuda, e não só os detentores de hipotecas; e alguns limites para a remuneração daqueles que se beneficiem do dinheiro dos contribuintes. Os princípios são corretos.

Poderiam ser aplicados mais efetivamente por meio da capitalização direta das instituições que detém títulos problemáticos, em lugar de medidas de alívio dirigidas aos títulos problemáticos. Leia o resto do artigo »

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¿Quedó en el pasado el crecimiento impulsado por las exportaciones?

Postado em 22 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

by Dani Rodrik

Texto em inglês

Durante cinco décadas, los países en desarrollo que han podido formar industrias exportadoras competitivas se han visto recompensados con asombrosas tasas de crecimiento: Taiwán y Corea del Sur en los años sesenta; los países del sureste asiático como Malasia, Tailandia y Singapur en los años setenta; China en los años ochenta y, en última instancia, India en los años noventa.

En todos estos casos,  y en algunos otros, -otra vez, principalmente en Asia-, las reformas internas seguramente habrían producido crecimiento independientemente del comercio internacional. Sin embargo, es difícil que ese crecimiento hubiera sido igual de elevado -de un histórico 10% per capita al año o más- sin una economía global capaz de absorber las exportaciones de estos países.

Muchos países están tratando de imitar este modelo de crecimiento, pero rara vez han tenido éxito porque no existen las condiciones internas previas. Si entramos a los mercados mundiales sin contar con políticas dinámicas que aseguren la competitividad de algunas industrias modernas de manufacturas o de servicios, probablemente seguiremos siendo exportadores empobrecidos de recursos naturales y productos de uso intensivo de mano de obra como las prendas de vestir.

Sin embargo, los países en desarrollo compiten para establecer zonas de exportación y subsidiar operaciones de montaje para las compañías multinacionales. La lección es clara: el crecimiento generado por las exportaciones es el camino a seguir.

Pero, ¿cuánto durará? Si bien es riesgoso tratar de hacer pronósticos económicos, hay señales que indican que estamos en la cúspide de una transición hacia un nuevo régimen en el que las reglas del juego no serán ni de lejos tan favorables para las estrategias centradas en la exportación.

La desaceleración de las economías avanzadas es la amenaza más inmediata. Tanto Europa como los Estados Unidos están entrando en una recesión, y crece el temor de que el colapso financiero resultante de la debacle de las hipotecas de alto riesgo no se ha resuelto. Todo esto sucede en un momento en que las presiones inflacionarias entorpecen los remedios monetarios y fiscales de costumbre. El Banco Central Europeo, muy enfocado en la estabilidad de los precios, ha estado aumentando las tasas de interés y puede ser que la Reserva Federal de los Estados Unidos pronto haga lo mismo. Así pues, las economías desarrolladas sufrirán durante un tiempo, lo que tendrá implicaciones evidentes para la demanda de exportaciones procedentes de los mercados emergentes.

Encima de todo, es casi seguro que estalle el problema de los desequilibrios globales de cuenta corriente. Los mercados emergentes y los países en desarrollo tuvieron en 2007 un superávit de 631 mil millones de dólares, dividido casi en partes iguales entre los países asiáticos y los Estados exportadores de petróleo. Esto representa el 4.2% del PIB conjunto de esos países. Los Estados Unidos por sí solos tuvieron un déficit en cuenta corriente de 739 mil millones de dólares (el 5.3% de su PIB). En este patrón de balanzas de cuenta corriente, ni los factores económicos ni los políticos son sostenibles, especialmente en un ambiente de recesión. Leia o resto do artigo »

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Le Monde Diplomatique Brasil: A dinâmica da grande queda

Postado em 22 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

A dinâmica da grande queda

O declínio da capacidade produtiva dos EUA, em contradição com o aumento impressionante do consumo e do crédito, está na origem da crise. Mas ela foi ampliada pela recusa das autoridades a rever dois dogmas do neoliberalismo: o “livre” comércio e a “livre” circulação de capitais.

Por Gérard Duménil e Dominique Lévy

Chama a atenção o caráter adocicado da nota publicada no último dia 14 de junho, ao término da reunião dos ministros da economia do G8: “A inovação financeira tem contribuído consideravelmente para o crescimento e para o desenvolvimento mundiais; mas, diante dos riscos à estabilidade financeira, é imperativo o aumento da transparência e da consciência dos riscos”. As palavras-chave são: “desenvolvimento” e “inovação financeira”, de um lado; e “transparência”, de outro. Outros termos estão ausentes, como “regulamentação”, por exemplo. E não se faz menção aos fatores subjacentes à crise: os desequilíbrios crescentes da economia norte-americana.

No cerne dos mecanismos que culminaram na crise atual, encontra-se, além da ausência de regulamentação dos processos financeiros, algo que se pode denominar de “a trajetória neoliberal” da economia dos Estados Unidos, um itinerário iniciado nos primeiros anos da década de 1980, após três décadas de keynesianismo. Cinco grandes tendências estavam presentes. Em primeiro lugar, a redução do investimento produtivo. Com isto, nos referimos ao crescimento de todos os elementos “físicos” necessários à produção: edifícios, máquinas etc. Esse recuo veio acompanhado de uma fortíssima expansão relativa do consumo. Jamais se observou algo parecido no passado. A super-expansão do consumo esteve na origem do aumento do déficit do comércio exterior. Enfim, ecoando tais tendências, é preciso mencionar o duplo aumento da dívida interna (essencialmente a das famílias e a das finanças) e do financiamento da dívida externa pelo resto do mundo [1].

Uma trajetória bem estranha, impulsionada pelo consumo em detrimento do investimento produtivo, e alimentando-se das importações – demanda sustentada graças ao crédito concedido pelas instituições financeiras norte-americanas, cientes de que nada seria possível sem o financiamento pelo resto do mundo. Isso deveria causar inquietação, mas, ao contrário, a propaganda neoliberal tratou de divulgar a imagem lisonjeira de os Estados Unidos serem a “locomotiva” do crescimento mundial.

O aumento dos desequilíbrios e a crise financeira nasceram nos próprios Estados Unidos, e não seriam possíveis sem o domínio exercido por esse país sobre o resto do mundo. Mas o neoliberalismo também tem uma parcela de responsabilidade, pois os lucros das empresas, dos quais uma grande parte era anteriormente retida para investimento, foram transferidos aos credores, na forma de juros, e aos acionistas, na forma de dividendos. Logo, as empresas passaram a reservar cada vez menos para investir. Além disso, as fronteiras comerciais se escancararam – principalmente para os países da periferia, nos quais o custo de mão-de-obra era baixo (China, México, Vietnã etc.). Uma fração crescente da demanda dirigiu-se para as importações, a tal ponto que, nos Estados Unidos, se pode falar em “desterritorialização” da produção.

A produção diminuiu, e os EUA passaram a depender cada vez mais da generosidade dos estrangeiros. Estranha combinação entre enriquecimento de uma minoria, aumento do consumo dos mais favorecidos e o agravamento dos desequilíbrios da economia nacional. Leia o resto do artigo »

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“Ninguém sabe de onde virá a próxima crise”, afirma Jagdish Bhagwati

Postado em 22 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Para Jagdish Bhagwati, ações anticrise devem considerar efeitos negativos

Folha de S.Paulo (22/09/2008)

Para o professor de economia da Universidade de Columbia (EUA) Jagdish Bhagwati, ninguém pode prever de onde virá a próxima crise. Ele ressalta, porém, que as medidas geralmente usadas para enfrentar as turbulências, tanto no caso atual como nas crises anteriores, costumam ser tomadas sem “estudo” e “reflexão” sobre suas conseqüências. Segundo ele, em “nenhum dos casos se conseguiu administrar o lado negativo [dessas ações].” Bhagwati diz que a inovação na política financeira não deve ultrapassar o “entendimento dos possíveis “downsides’”. Leia a seguir trechos da entrevista concedida à Folha.

FOLHA – Qual é a sua opinião sobre a crise vivida nos Estados Unidos?

JAGDISH BHAGWATI – A crise é realmente grande porque leva ao pânico uma imensa parcela de pessoas que possuem qualquer tipo de aplicação nos bancos ou em fundos, ou aquelas que pagam hipotecas de suas casas, o que inclui uma parcela significativa da população dos Estados Unidos. Leva também ao pânico os bancos, tanto comerciais quanto de investimentos, que correm o risco de falir. Meu contador, um homem esperto, me disse que eu deveria retirar meu dinheiro dos fundos e abrir diversas contas, cada uma com depósitos de US$ 100 [o limite de valor coberto pelo Seguro de Deposito Federal]. Independente da pessoa com quem você conversar, o sentimento generalizado é de que a crise atual lembra a grande crise de 1929. Entretanto, não há paralelo real. A situação atual é complexa, mas está sendo contida. No inicio, a crise de 1929 resultou em terríveis conseqüências, em desemprego maciço e depressão econômica. Até o momento, as demissões têm acontecido apenas nos bancos. A taxa de desemprego não foi afetada de maneira significativa. Segundo, a situação de 1929 testemunhou uma politica monetária restritiva o que acentuou a depressão. Terceiro, as políticas comerciais enlouqueceram em 1930 com a instituição da tarifa “Smoot-Hawley” [que elevou as tarifas sobre produtos importados] por parte dos Estados Unidos, o que provocou retaliações de outros países. Quarto, os responsáveis pela elaboração das politicas econômicas, liderados pelo presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, e o Secretario do Tesouro, Henry Paulson, são totalmente pragmáticos e determinados a fazer o que for necessário para encerrar a crise imediatamente.

FOLHA – O que podemos aprender com a crise atual para ajudar na prevenção de crises futuras?

BHAGWATI – Ninguém sabe de onde virá a próxima crise. Nos últimos tempos, tivemos quatro grandes turbulências: a chamada “segunda-feira negra”, em outubro de 1997, quando os mercados despencaram e todos acharam que o próprio capitalismo tinha desmoronado junto. Mas não foi daquela vez. Depois veio a crise do fundo LTCM [Long Term Capital Management], hedge fund que super alavancou seus investimentos e gerou um grande temor de que a crise atingisse todo o sistema, por conta do altíssimo envolvimento de bancos e fundos de pensão. Tivemos também a crise do leste asiático, que começou em julho de 1997 e durou ate 1998. Finalmente chegamos à crise atual. Qual e o tema recorrente? Em cada situação, nos entregamos sem pensar à euforia que surge com cada inovação da política financeira. Em resumo, em quase todos os casos, o problema foi que novos instrumentos e politicas financeiras foram implementados sem suficiente estudo e reflexão sobre seus efeitos e conseqüências. Em nenhum dos casos, se conseguiu administrar o lado negativo. O que eu considero ser a maior lição disso tudo é que a inovação não ultrapasse o entendimento dos possíveis “downsides”.

FOLHA – As medidas atuais são adequadas para resolver a crise?

BHAGWATI – Acho que Bernanke e Paulson estão agindo corretamente. Intervieram com firmeza, tomando todas as medidas possíveis. Se eu fosse um cartunista, desenharia uma charge colocando a crise do subprime como o bebê de Rosemary, dentro de uma banheira. Bernanke e Paulson, estariam ao lado da banheira segurando mangueiras com os dizeres: política monetária, política fiscal, nacionalização de Freddie Mac and Fanny Mae, e por último, RTC. Evidentemente, Bernanke e Paulson tem uma tarefa gigantesca e ninguém sabe a real dimensão da crise, nem agora nem depois que as medidas adotadas começarem a surtir efeito, revertendo a falta de confiança que abala seriamente o sistema.

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O sistema financeiro paralelo se desfaz

Postado em 22 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

NOURIEL ROUBINI

Folha de S.Paulo (22/09/2008)

A semana que passou determinou o fim do sistema bancário paralelo criado nos últimos 20 anos. Por causa de uma regulação maior dos bancos, a maior parte da intermediação financeira nas últimas duas décadas cresceu dentro de um sistema paralelo cujos membros são corretoras-operadores do mercado, “hedge funds”, grupos de “private equity” (fundos privados de participação em empresas), títulos complexos e obscuros, fundos mútuos e empresas de créditos hipotecários não-bancárias.

A maioria dos integrantes desse sistema faz operações de crédito de curto prazo, é muito mais alavancada que os bancos e investe em instrumentos financeiros de pouca liquidez.

Como os bancos, carregam o risco de sofrerem uma corrida contra suas obrigações. Mas, ao contrário dos bancos, protegidos desse risco por seguros e apoio emergencial de bancos centrais, a maioria dos integrantes do sistema paralelo não tinha acesso a essas proteções.

Uma corrida geral a esses bancos paralelos começou quando a desalavancagem pós-estouro da bolha dos ativos gerou incertezas sobre quais instituições estavam solventes. O primeiro estágio foi o colapso de todo o sistema de SIVs (fundos de instrumentos financeiros complexos e obscuros), quando os investidores perceberam a sua toxicidade.

O próximo passo foi a corrida aos grandes corretores-operadores do mercado americano: primeiro o Bear Stearns perdeu sua liquidez em dias. O Federal Reserve (BC dos EUA) então estendeu seu apoio como fonte de crédito emergencial para corretores-operadores sistemicamente importantes. Mas mesmo isso não impediu uma corrida aos outros corretores-operadores dada a preocupação com a solvência: foi a vez de o Lehman Brothers quebrar. O Merrill Lynch enfrentaria o mesmo destino se não tivesse sido vendido. A pressão se deslocou para o Morgan Stanley e o Goldman Sachs.

O terceiro estágio foi o colapso de outras instituições alavancadas sem liquidez e provavelmente insolventes graças à sua irresponsável concessão de crédito: Fannie Mae e Freddie Mac, AIG e mais de 300 instituições de crédito hipotecário. Leia o resto do artigo »

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