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Blog do Desemprego Zero

Let’s Get Fiscal

Postado em 24 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

By PAUL KRUGMAN

NYT

The Dow is surging! No, it’s plunging! No, it’s surging! No, it’s …

Nevermind. While the manic-depressive stock market is dominating the headlines, the more important story is the grim news coming in about the real economy. It’s now clear that rescuing the banks is just the beginning: the nonfinancial economy is also in desperate need of help.

And to provide that help, we’re going to have to put some prejudices aside. It’s politically fashionable to rant against government spending and demand fiscal responsibility. But right now, increased government spending is just what the doctor ordered, and concerns about the budget deficit should be put on hold.

Before I get there, let’s talk about the economic situation.

Just this week, we learned that retail sales have fallen off a cliff, and so has industrial production. Unemployment claims are at steep-recession levels, and the Philadelphia Fed’s manufacturing index is falling at the fastest pace in almost 20 years. All signs point to an economic slump that will be nasty, brutish – and long.

How nasty? The unemployment rate is already above 6 percent (and broader measures of underemployment are in double digits). It’s now virtually certain that the unemployment rate will go above 7 percent, and quite possibly above 8 percent, making this the worst recession in a quarter-century.

And how long? It could be very long indeed.

Think about what happened in the last recession, which followed the bursting of the late-1990s technology bubble. On the surface, the policy response to that recession looks like a success story. Although there were widespread fears that the United States would experience a Japanese-style “lost decade,” that didn’t happen: the Federal Reserve was able to engineer a recovery from that recession by cutting interest rates.

But the truth is that we were looking Japanese for quite a while: the Fed had a hard time getting traction. Despite repeated interest rate cuts, which eventually brought the federal funds rate down to just 1 percent, the unemployment rate just kept on rising; it was more than two years before the job picture started to improve. And when a convincing recovery finally did come, it was only because Alan Greenspan had managed to replace the technology bubble with a housing bubble.

Now the housing bubble has burst in turn, leaving the financial landscape strewn with wreckage. Even if the ongoing efforts to rescue the banking system and unfreeze the credit markets work – and while it’s early days yet, the initial results have been disappointing – it’s hard to see housing making a comeback any time soon. And if there’s another bubble waiting to happen, it’s not obvious. So the Fed will find it even harder to get traction this time.

In other words, there’s not much Ben Bernanke can do for the economy. He can and should cut interest rates even more – but nobody expects this to do more than provide a slight economic boost.

On the other hand, there’s a lot the federal government can do for the economy. It can provide extended benefits to the unemployed, which will both help distressed families cope and put money in the hands of people likely to spend it. It can provide emergency aid to state and local governments, so that they aren’t forced into steep spending cuts that both degrade public services and destroy jobs. It can buy up mortgages (but not at face value, as John McCain has proposed) and restructure the terms to help families stay in their homes.

And this is also a good time to engage in some serious infrastructure spending, which the country badly needs in any case. The usual argument against public works as economic stimulus is that they take too long: by the time you get around to repairing that bridge and upgrading that rail line, the slump is over and the stimulus isn’t needed. Well, that argument has no force now, since the chances that this slump will be over anytime soon are virtually nil. So let’s get those projects rolling.

Will the next administration do what’s needed to deal with the economic slump? Not if Mr. McCain pulls off an upset. What we need right now is more government spending – but when Mr. McCain was asked in one of the debates how he would deal with the economic crisis, he answered: “Well, the first thing we have to do is get spending under control.”

If Barack Obama becomes president, he won’t have the same knee-jerk opposition to spending. But he will face a chorus of inside-the-Beltway types telling him that he has to be responsible, that the big deficits the government will run next year if it does the right thing are unacceptable.

He should ignore that chorus. The responsible thing, right now, is to give the economy the help it needs. Now is not the time to worry about the deficit.

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George Soros, o novo arauto da economia verde?

Postado em 23 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Estadão

Em tempos de crise financeira global, até o megainvestidor e megaespeculador George Soros ficou verde. É o que mostra o vídeo acima, em inglês, de uma entrevista de Soros ao jornalista americano Bill Moyers.

O húngaro naturalizado americano Soros está promovendo seu mais recente livro “The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008 and What It Means”, que será lançado no Brasil nas próximas semanas. No livro, já defende “novos paradigmas” para a retomada da economia global. “Os negócios verdes podem ser o novo motor da economia mundial”, diz Soros, na entrevista.

Ao ser questionado sobre o que é preciso fazer para combater a atual crise financeira, Soros disse que, além de lidar com o rombo das hipotecas e recapitalizar os bancos, é preciso investir em soluções para o aquecimento global. Como reduzir o consumo, diminuir a dependência do petróleo e apostar em uma matriz energética mais limpa.

“Nos últimos 25 anos o motor da economia mundial tem sido o consumo dos americanos, que gastaram mais do que pouparam, certo? Só que esse motor mudou. Esse motor está sendo desligado. Acabou, não pode continuar mais. Precisamos de um novo motor. E temos um grande problema, o aquecimento global, que requer muito investimento. E este pode ser o motor da economia mundial nos próximos anos.”

Com uma fortuna estimada em US$ 8,5 bilhões, ninguém pode acusar Soros de não ouvir o chamado do dinheiro. Farejador de tendências, já faz alguns anos que ele vem investindo mais na ‘economia real’ do que na financeira. Inclusive com investimentos no etanol brasileiro.

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Subestimar a crise: a retórica brasileira

Postado em 22 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Carlos Lessa

Publicado no Valor Econômico, 22/10/2008

A globalização financeira construiu um gigantesco castelo de cartas com dimensão cósmica e uma multiplicação de andares. O PIB mundial, ou seja, a totalidade da atividade econômica, em um ano, de todos os países do mundo, soma, segundo o International Settlements, pouco mais de US$ 65 trilhões; os ativos financeiros (toda a dívida primária) estariam acima de US$ 130 trilhões; os derivativos e outras alquimias financeiras são estimados por aquele estabelecimento (ninguém tem certeza), com prudência, em mais de US$ 600 trilhões.

Sobre a base real, em duas décadas e meia, os bancos e os agentes do mercado de capitais montaram este “palácio de ficções” e “soldaram as cartas” com a cola da confiança recíproca. A atual crise dissolveu a cola e o encolhimento de confiança vem desmontando seções e andares do edifício financeiro. As cartas não se depositam apenas sobre o PIB, mas transmitem a enfermidade dos andares superiores para o piso da economia real. Auxílios de governo, desde o Proer americano até as estatizações parciais de bancos europeus, tentam restaurar a confiança, porém parecem, dialeticamente, tornar mais escassa a confiança recíproca.

Nos EUA, é cada vez mais freqüente o prognóstico de uma recessão em 2009. O governo espanhol já anunciou que entrará, necessariamente, numa recessão. A Islândia (que o discurso neoliberal exaltava como modelo de êxito) estatizou seu principal banco e anuncia um pacote de resgate de com o FMI. O bancos da OECD vacilam. Na conservadora Suíça, o UBS, seu maior banco, já falou de perdas de US$ 40 bilhões. As Bolsas de Valores e de Mercadorias vivem, aos solavancos, trajetórias inequivocamente descendentes. A China anuncia declínio de sua taxa de crescimento. A Argentina fala em estatizar a previdência privada complementar. Os preços das commodities desabam. Em todo o mundo interligado surgem problemas de crédito (menos na China, que participou da globalização mercantil mas jamais permitiu a articulação financeira interna com o castelo de cartas). Bancos quebram, ou desaparecem. Os governos improvisam “Proers”, reduzem juros e – suprema heresia em relação ao neoliberalismo – assumem participações acionárias, bloqueiam pagamentos de dividendos e reduzem os salários dos executivos dos bancos semi-estatizados.

Enquanto isso, num país tropical “deitado eternamente em berço esplêndido”, se sucedem declarações como “a crise não atravessará o Atlântico”, para mais à frente afirmar que o Brasil “será atingido apenas por uma marolinha”. O mais alto dirigente do país recomendou que as pessoas mantenham o consumo e, pouco depois, em outro local, aconselhou a poupança; o presidente da Febraban declarou que não havia “problema de crédito no país”; o ministro do Planejamento afirmou que “meteria a faca” no gasto público. A projeção oficial afirma que o país crescerá, em 2009, 4%.

O presidente do Banco Central diz que o Brasil está “blindado contra a crise”. Adverte, contudo, que “mesmo um carro blindado pode tombar por um erro de direção”, insinuando que é motorista experiente em “dirigir carros blindados”. Leia o resto do artigo »

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Entendendo as notícias

Postado em 21 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

Fatos relevantes a serem acompanhados durante o dia:

1. A decisão de Ben Bernanke de começar a atuar sobre os mutuários inadimplentes. Deveria ter sido tomado desde o início da crise. Mas decidiu-se, inicialmente, privilegiar o setor financeiro. A perda de tempo vai custar caro mas, finalmente, entra-se no cerne da questão.

2. Os dados de desaquecimento mundial – China, Europa, montadoras reduzindo produção.

3. A decisão da China de criar uma espécei de subsídio para sua indústria textil. Se descambar para protecionismo, repetirá os EUA em 1929 e ampliará a crise global.

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Crise financeira global (três visões)

Postado em 13 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Folha de S. Paulo, 5.10.08

1. NOURIEL ROUBINI

A crise é fruto dos excessos do liberalismo e do laissez-faire destes últimos dez anos. Os reguladores acreditaram nas virtudes do livre mercado e da auto-regulamentação. O julgamento deles foi incorreto. A lição é clara: precisamos de uma regulamentação melhor. O paradoxo, hoje, é que, para resolver esses excessos, o Estado americano está se excedendo no sentido inverso. Ele injeta aqui US$ 200 bilhões para nacionalizar Freddie Mac e Fannie Mae, os dois gigantes do refinanciamento hipotecário, ali US$ 85 bilhões para recapitalizar a seguradora AIG. Os USA se tornam URSSA, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas da América. O governo age de maneira precipitada, tomando decisões que terão conseqüências profundas. Temos a sensação de estarmos numa república de bananas! Dessa maneira, passamos de um extremo ao outro. A via mais correta é a do meio, com uma regulamentação mais rígida que, entretanto, não crie obstáculos à inovação. Sem dúvida chegaremos a isso depois de algum tempo.

Será que o Velho Oeste selvagem (do sistema financeiro) faz parte do passado? É preciso ser prudente. Daqui a alguns anos é possível que tudo isso tenha sido esquecido.

Já passamos por muitas crises: a dos anos 1980, a recessão dos anos 1990, a implosão da bolha da internet em 2001. A cada vez, uma bolha se refaz com dinheiro fácil e reguladores que parecem estar dormindo. Vamos ver o que vai acontecer.

NOURIEL ROUBINI é professor de economia da Universidade de Nova York e presidente do Roubini Global Economics Monitor.

2. DANIEL COHEN

O mercado financeiro precisa ser inteiramente revisto. Desde a crise de 1929, a atenção voltou-se principalmente aos bancos comerciais. Tendo o pânico dos depositantes sido o principal vetor da crise dos anos 1930, a regulamentação foi concentrada sobre os bancos de depósitos. E isso funcionou razoavelmente bem. Não houve nenhuma crise de grandes proporções no sistema bancário dos EUA após a guerra.

Um dos objetivos principais do mercado financeiro era sair do ambiente regulamentar imposto aos bancos. As regras clássicas obrigam os bancos a manterem US$ 1 de capital, mais ou menos, para cada US$ 12 de crédito. O mercado financeiro permitiu a seus atores darem US$ 32 de crédito para cada US$ 1 de capital! Os bancos de investimento, os fundos de hedge e as seguradoras se beneficiaram de brechas na regulamentação para multiplicar o montante de suas operações.

Os bancos comerciais, por sua vez, criaram “veículos” que não constam de seus balancetes, para poderem passar ao largo da regulamentação. O resultado é o que estamos vendo agora.

Todo o trabalho dos próximos anos vai consistir em traçar regras que vão recolocar a pasta dental do capitalismo financeiro dentro de seu tubo. Será preciso impor regras de prudência novas ao conjunto dos atores, regulamentar a titularização dos créditos, fiscalizar as agências de classificação, rever as normas contábeis.

DANIEL COHEN é professor da École Normale Supérieure, em Paris.

3. NICOLAS BAVEREZ

A expressão “capitalismo financeiro de tipo anglo-saxão” cria a impressão de que apenas EUA, Reino Unido e Irlanda estão em crise. Na realidade, o choque abalou o capitalismo globalizado, do qual o sistema financeiro é a ponta-de-lança. Os países que poupam e exportam, como China, Alemanha e Japão, são afetados. China, Rússia e Brasil correm para socorrer seus bancos.

Estamos assistindo a uma deflação pela dívida, como ocorreu em 1929: a explosão de uma bolha de crédito leva a uma contração violenta de patrimônios, receitas, atividade e emprego. Duas grandes lições podem ser tiradas dos anos 30: frear a cascata das quebras de bancos e privilegiar soluções cooperativas no plano internacional, para evitar a espiral de barreiras protecionistas e desvalorizações competitivas. O resgate dos bancos já iniciou, mas nacionalmente. A ajuda internacional é inexistente.

O capitalismo vai sair da crise profundamente transformado. A prioridade será dada à segurança em lugar do risco, com conseqüente redução do crescimento potencial; reequilíbrio entre Estado e mercado; nova valorização da indústria, em detrimento do setor financeiro; mudança do modelo econômico dos bancos, com uma concentração dos atores e novo foco sobre os bancos comerciais; declínio relativo dos países desenvolvidos -especialmente os EUA- e aceleração da passagem para um sistema econômico multipolar e heterogêneo.

NICOLAS BAVEREZ é economista-historiador.

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Refazendo uma análise do legado de Greenspan

Postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Peter S. Goodman

Estadão

O proeminente financista George Soros evita usar os contratos financeiros conhecidos como derivativos “porque não entendemos realmente como funcionam”. Felix G. Rohatyn, banqueiro de investimento que salvou Nova York de uma catástrofe financeira na década de 70, qualificou os derivativos de “bombas de hidrogênio” em potencial. E há cinco anos Warren E. Buffett, previdentemente, observou que os derivativos eram “armas financeiras de destruição em massa, contendo perigos que, embora hoje latentes, são potencialmente letais”.

Um importante personagem do mundo das finanças, contudo, por longo tempo entendeu o contrário. E suas opiniões tiveram enorme influência nos debates sobre a regulamentação e o uso dos derivativos – contratos exóticos que prometem proteger os investidores contra perdas, com isso estimulando práticas mais perigosas que levaram à crise financeira. Por mais de uma década, o ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano) Alan Greenspan se opôs a que os derivativos fossem objeto de vigilância no Congresso ou em Wall Street.

“O que concluímos com os anos no mercado é que os derivativos têm sido um veículo extraordinariamente útil para transferir o risco daqueles que não deveriam assumi-lo para aqueles que assim o desejam e são capazes de agir assim”, disse Greenspan ao Comitê de Bancos do Senado, em 2003. “Achamos que seria um erro” regulamentar de modo ainda mais forte esses contratos.

Hoje, mesmo com o mundo apanhado por uma tempestade econômica que Greenspan descreveu recentemente como “o tipo de crise financeira devastadora que ocorre apenas uma vez num século”, sua fé nos derivativos continua inabalável.

O problema não é que os contratos falharam, diz ele. Mais exatamente, as pessoas que os utilizaram é que ficaram gananciosas. Uma falta de integridade engendrou a crise, disse Greenspan num discurso proferido há uma semana na Universidade Georgetown, sugerindo que aqueles que negociaram com derivativos não eram tão confiáveis como “o farmacêutico que avia a receita encomendada pelo nosso médico”.

Mas outros têm opinião totalmente diferente de como os mercados globais se livram da crise e do papel que Greenspan teve na criação desse tumulto.

“Claramente, os derivativos são a peça central da crise e Greenspan foi o principal proponente da desregulamentação desses derivativos”, disse Frank Partnoy, professor de direito na Universidade de San Diego e especialista no campo da regulamentação financeira.

O mercado de derivativos hoje é de US$ 531 trilhões, comparado com seu valor em 2002, de US$ 106 trilhões. Com a finalidade, teórica, de limitar o risco e proteger de problemas financeiros, esses contratos, pelo contrário, atiçaram a incerteza e, de fato, propagaram o risco em meio à dúvida sobre como as empresas os avaliam. Para muitos economistas, se Greenspan tivesse agido de modo diferente como presidente do Fed, de 1987 a 2006, a atual crise poderia ter sido evitada ou contida. Leia o resto do artigo »

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Quem acredita no poder da magia das finanças?

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros

“O episódio eufórico é protegido e sustentado pela vontade dos envolvidos, a fim de justificar as circunstâncias que os tornam ricos. E é igualmente protegido pela vontade de ignorar, exorcizar ou condenar aqueles que exprimem dúvidas” – John Kenneth Galbraith (1908-2006).

Há alguns anos trás, John Kenneth Galbraith escreveu: “Em Wall Street, como em toda parte, há uma fé profunda no poder da magia. A magia preventiva requeria que um importante número de pessoas repetisse com o máximo de firmeza que isso [a queda do mercado] não aconteceria”. O livro ‘1929: o colapso da bolsa’, originalmente publicado em 1955, se tornaria um clássico.

Não há dúvidas quanto ao fato do momento presente ser outro. No entanto, a clássica descrição de Galbraith merece ser revisitada. O “apoio organizado”, por exemplo, captura o quadro da recente concertação em torno da redução das taxas básicas de juros realizada por vinte bancos centrais. Segundo Galbraith, “apoio organizado significava que os homens poderosos se organizariam para manter os preços dos valores em níveis razoáveis”. Irving Fisher, professor e especulador, declarou na época que a queda do mercado traduzia apenas a eliminação dos irracionais. Mesmo assim, o pânico não cederia.

Uma onda de fusões ocorreu na década de 1920. Cada nova fusão demandou, invariavelmente, algum novo capital e novas emissões de títulos. Tratou-se também de uma época de consolidação. Entre as motivações, destaca-se a eliminação ou regularização da concorrência. Thorstein Bunde Veblen (1857-1929) havia identificado tal tendência quando analisou a sabotagem que os capitães de indústrias e finanças operavam para manter os lucros estavelmente elevados pela via da regulação do output para impedir que a oferta ultrapassasse gradualmente a demanda.

À análise crítica de Galbraith não escapou o fato de que se há alguma diferença entre o oráculo caldeu e um economista moderno ela se deve ao “detalhe” de que as previsões de chuva ou seca do caldeu não influíam no clima. Os rumos da economia dependem, cada vez mais, das previsões dos tomadores de decisão. Conforme alertou a UNCTAD, em seu TDR 2008, as estratégias dos bancos comerciais e das outras instituições financeiras influenciam a concessão do crédito e a alocação de recursos na economia. A crítica de Galbraith encontra-se em consonância com os movimentos atuais da Casa Branca, incluindo o Federal Reserve System, e os bancos centrais do Primeiro Mundo. Quanto ao fim da magia, Galbraith afirmou: “o milagre da alavancagem permitia realizar essa operação relativamente sem custos ao homem situado no final de toda a cadeia de grupos”. O socorro de instituições financeiras integra esse imbróglio sociológico. O “incesto fiscal” no âmbito das grandes corporações mostrou-se um instrumento de estímulo da alavancagem.

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“De todos os mistérios da Bolsa de Valores nenhum é tão impenetrável quanto a razão de sempre haver um comprador para cada vendedor. Ninguém sabia, mas nunca é demais ressaltar, que para a eficácia da magia o conhecimento não é nem necessário nem presumido. Um banqueiro não precisa ser popular; de fato, um bom banqueiro em uma sociedade capitalista coerente deve, provavelmente, ser objeto da reprovação geral. As pessoas não desejam confiar seu dinheiro a um cidadão complacente, mas a um misantropo que pode dizer não. Entretanto, um banqueiro não deve parecer fútil, ineficaz ou vagamente tolo” – J. K. Galbraith.

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Não se pode dizer que a disciplina de mercado mostrou-se capaz de monitorar os abusos do sistema. Onde estariam as virtudes da auto-regulação do mercado no momento em que elas são mais necessárias? Pois bem, essa ainda é uma questão atual. A crise de 1929 testemunhou uma queda do prestígio dos banqueiros. Longe de ajudar a estabilizar o mercado, o pool de banqueiros de então estava buscando se livrar do papelório. Leia o resto do artigo »

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Crise financeira nos EUA (para entender as notícias)

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

1. Não dê muita atenção a entrevistas com economistas. Quem tem informações a dar são os operadores, os tesoureiros, os financistas especialistas em sistema financeiro. No tiroteio atual, modelos macro-econômicos não servem para nada.

2. Dentre os economistas, dê atenção aos que têm pensamento sistêmico e conhecimento histórico. Vale muito mais a visão de conjunto de Delfim Netto, Nakano. Quando ler um economista falando sobre inflação e Selic (Schwartsman) ou contas públicas (Velloso), pode passar batido: é falta do que falar, porque é falta de entender.

3. Conforme alertei no último post sobre “como entender”, o ponto central era a capitalização (isto é, a nacionalização) do sistema bancário mundial (particularmente EUA e Europa). Essa discussão já está vencida. Você precisa prestar atenção, agora, ao noticiário sobre o tamanho do rombo comparado com a capacidade dos Tesouros nacionais. Se o rombo for muito maior, a saída será emissão desenfreada e inflação mundial.

4. No caso brasileiro, o ponto imediato a ser analisado é a conversa que o BC terá com bancos e empresas que entraram na aventura do swap reverso. Se Henrique Meirelles fosse minimamente pró-ativo e responsável, em vez de ir aos EUA receber prêmios inexpressivos, estaria em reunião direta com esses atores, buscando saídas para o impasse. Na próxima semana, se não houver essa concatenação promovida pelo Banco Central, vão pipocar ações judiciais de empresas não querendo pagar e bancos sem recursos. E mais pólvora no noticiário.

5. Fique atento também aos leilões de dólares por parte do BC. Se começar a gastar as reservas por aí, trate você também de comprar dólares, porque o piloto sumiu.

6. Nos próximos dias, caso o BC não atue rapidamente, o travamento da liquidez começará a afetar as empresas da economia real. Haverá uma sucessão de notícias ruins. O papel do BC será o de garantir linhas de financiamento do comércio exterior e prover crédito direto para as empresas. Se se limitar a soltar o compulsório, não vai destravar o crédito. Dinheiro que cair no caixa do banco, o banco não passará para frente. Possivelmente, cairá lentamente a ficha das autoridades monetárias, que logo à frente acionarão os bancos públicos para prover essa liquidez. Leia o resto do artigo »

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