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Blog do Desemprego Zero

“O pior está por vir”, diz Stiglitz

Postado em 6 dEurope/London março dEurope/London 2009

Blog do LMD Brasil

Mas ele vê luz no fim do túnel: “o momento de um novo Bretton Woods”

Coordenador de uma comissão formada pela Assembléia-Geral da ONU para debater alternativas para a crise, o economista Joseph Stiglitz apresentou terça-feira (24/2), ao grupo que dirige, um balanço ambivalente sobre os esforços adotados para superar as dificuldades atuais. Ele voltou suas críticas contra o apoio quase sem contrapartidas oferecido pelos Estados ao sistema financeiro, e contra a postura pouco solidária dos países mais ricos. Afirmou que a falta de ações coordenadas internacionalmente poderá ampliar as desigualdades no planeta e preservar estilos de vida e consumo destrutivos. Nações que estão no topo da hierarquia financeira, lembrou, têm meios para reagir; outras [veja acima o caso da Letônia], sucumbirão.

Stiglitz, porém, considera que surgiram, do ponto de vista político, razões para otimismo. Ele crê que a crise abre a oportunidade de corrigir as injustiças e desequilíbrios que se acumularam nos últimos trinta anos. “Para os economistas, é o momento mais estimulante”, disse: “podemos realizar o que as instituições criadas há 60 anos não alcançaram (…) Estamos esperando a oportunidade de propor um novo Bretton Woods e evitar que crises como esta voltem a ocorrer”.

Quase não noticiada pela mídia, a comissão da ONU foi formada em outubro do ano passado, por iniciativa do presidente da Assembléia-Geral, Miguel D’Escoto. É também chamada de G192, pelos que desejam frisar seu caráter mais amplo que o do G8 e G20. É um grupo heterogêneo. Constituído principalmente por ex-ministros da Economia e ex-presidentes de Bancos Centrais (do Brasil, participa Rubens Ricupero), inclui também personalidades como François Houtart, peça-chave da Teologia da Libertação e participante ativo nos Fóruns Sociais Mundiais.

Os trabalhos da Comissão pode ser seguidos em página especial (em inglês  ou espanhol), no site das Nações Unidas.

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Belluzzo defende a estatização do crédito

Postado em 23 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: Monitor Mercantil

PARA ECONOMISTA, USURA PODE LEVAR PAÍS À RECESSÃO – O ex-secretário de Política Econômica e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, defendeu a “temporária estatização da concessão de crédito” no país. Para ele, a decisão do governo de deixar disponível ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 100 bilhões, via Tesouro Nacional, para financiar investimentos de longo prazo é bastante correta e precisa ser amplificada.

“Os bancos no Brasil não estão realizando empréstimos às empresas e consumidores. Na crise, revela-se o caráter coletivista do sistema de crédito nacional”, comentou.

Para Belluzzo, o governo precisa adotar uma atitude mais positiva em relação ao crédito, ou seja, “emprestar diretamente às empresas”, pois as instituições financeiras comerciais ficaram conservadoras demais num período de retração econômica e o risco é levar o país à recessão.

Na sua avaliação, se os bancos não querem conceder financiamentos, o governo deveria fazê-lo diretamente às empresas com recursos do Tesouro Nacional. “Esse movimento está ocorrendo nos EUA e na Inglaterra, onde os respectivos governos estão injetando volumes expressivos de capitais para que o sistema financeiro e empresas voltem a trabalhar normalmente”, comentou.

“O Estado não pode deixar a economia parar se os bancos comerciais decidirem não conceder empréstimos”. Leia o resto do artigo »

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Corte de vagas em dezembro foi o dobro da média

Postado em 19 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: O Estado de S. Paulo

Por: Isabel Sobral

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, divulga hoje o pior resultado mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da era Lula. O cadastro, feito com base nas informações das empresas privadas sobre contratações e demissões pelas regras da CLT, deve mostrar perda de mais de 600 mil empregos em dezembro. Esse é o saldo entre as contratações e as demissões do mês. Também será conhecido o resultado do ano.

A partir desses dados, o presidente Lula deve definir novas medidas para evitar deterioração maior do mercado de trabalho como reflexo da crise financeira internacional. Aliados do governo apontam que esse será o principal objetivo do governo, já que 2009 é considerado estratégico por ser véspera de ano de eleição. O temor da base aliada é que um número excessivo de dispensas prejudique a boa imagem de Lula com a população e se torne bandeira da oposição. Leia o resto do artigo »

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Éric Toussaint analisa a interligação das crises

Postado em 20 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Fonte: Agência Carta Maior

A explosão das crises alimentar, econômica e financeira em 2007-2008 mostra o quão interligadas estão as economias do planeta. É preciso arrancar o mal pela raiz. As soluções para que elas sejam favoráveis aos povos e à natureza devem ser internacionais e sistêmicas. A humanidade não poderá contentar-se com meias medidas. A análise é de Éric Toussaint.

Em 2007-2008, mais de metade da população viu as suas condições de vida degradarem-se gravemente, pois foi confrontada pelo forte aumento do preço dos alimentos. Esta situação originou protestos massivos em pelo menos quinze países na primeira metade de 2008. O número de pessoas afetadas pele fome agravou-se em várias dezenas de milhões, e centenas de milhões viram o acesso aos alimentos restringir-se (e, conseqüentemente, a outros bens e serviços vitais).

Tudo isto seguido das decisões tomadas por um punhado de empresas de setor “agrobusiness” (produtores de agro-combustíveis) e do sector financeiro (investidores institucionais que contribuem para a manipulação do processo de produção agrícola), que se beneficiaram do apoio de Washigton e da Comissão Europeia. No entanto, a parte das exportações na produção mundial de alimentos continua débil. Apenas uma pequena parte do arroz, do trigo ou do milho produzida mundialmente é exportada, a esmagadora maioria da produção é consumida internamente. Mas são os preços dos mercados de exportação que determinam os preços nos mercados locais. Ora, os preços de exportação são fixados nos EUA, designadamente, em três bolsas (Chicago, Minneapolis, Kansas City). Conseqüentemente, o preço do arroz, do trigo e do milho em Timbuctu, no México, em Nairobi, em Islamabad é diretamente influenciado pela evolução do curso desses grãos nos mercados bolsistas americanos.

Em 2008, perante a urgência, e sob pena de serem derrubadas pelos motins nos quatro cantos do planeta, as autoridades dos países em desenvolvimento tomaram medidas para garantir o acesso da população aos elementos básicos. Leia o resto do artigo »

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“A globalização financeira intensificou a instabilidade econômica”, afirma OIT…

Postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Nos anos 90, as crises do sistema bancário foram dez vezes mais frequentes que as do final dos turbulentos anos 70. O custo deste aumento de instabilidade, em geral, foi pago muito mais pelos grupos de baixa renda. (…) o regime fiscal é cada vez menos progressivo na grande maioria dos países e, portanto, menos capaz de redistribuir os benefícios do crescimento econômico”.

Leia mais em: OIT

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A crítica à reunião do G20

Postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Por Fernando Cardim de Carvalho

Fonte: Projeto BR

Meus temores maiores com relação à reunião são basicamente confirmados pelo comunicado que foi emitido ao seu final. Incomumente longo, os detalhes que contem não indicam o trabalho que pode ter envolvido, mas a tentativa de parecer ser um trabalho a mais profundo do que realmente é.

Primeiramente, há a questão da representação. É claro que o G20 é maior que o G8, mas a questão da participação em uma iniciativa desta natureza não passa pela fixação arbitrária de uma linha separando países que participam dos que não participam. Em Bretton Woods, todos os países aliados (lembremo-nos que a reunião se deu em 1944, ainda durante a guerra) participaram, inclusive a União Soviética, que depois se recusou a ratificar o acordo. Aqui, sempre nos queixamos da exclusão de países em desenvolvimento, mas estamos satisfeitos quando somos incluídos, mas cerca de 160 países (tomando o número de membros do FMI como uma avaliação de quantos países há por aí) ficam de fora.

Quanto ao documento mesmo, não acena com qualquer mudança substantiva ou percepção de que as tensões que se acumularam e explodiram na crise atual tenham se originado com a desregulação financeira iniciada nos anos 1970, que “privatizaram” a supervisão financeira, atingindo seu ápice em Basiléia II. O apelo a companhias de rating como instrumento de regulação é um equívoco em si, que não se resolve com um código de conduta para essas agências.

O apelo a modelos internos dos bancos para mensuração de risco e cálculo do capital regulatório também é um erro que se mostrou trágico nesta crise. Não há qualqeur indicação de mudança estratégica. O papel de instituições como o Comitê da Basiléia, onde o G10 dita regras para a regulação bancária em todo o mundo, inclusive aqui, não só não é questionado como, na verdade, é reforçado. Há um vago apelo para a ampliação do Forum de Estabilidade Financeira, mas continuam sendo mantidas as mesmas estruturas que levaram ao colapso atual.

Compare-se isto com a profundidade das reformas dos anos 1930, que garantiram mais de 50 anos de estabilidade financeira, até que, como é inevitável se tornassem obsoletas, e vê-se que o documento consiste principalmente em ar quente.

Por outro lado, o candidato Obama se referiu com frequencia à necessidade de reposicionamento estratégico na questão da regulação, o que seria muito mais importante, ainda que a possível indicação de Summers para o Tesouro preocupe, pois foi ele um dos impulsionadores da desregulação no governo Clinton.

Finalmente, quanto ao FMI, houve um diplomata na GloboNews que declarou, eufórico, que agora os desenvolvidos vão também ter de se submeter á sua disciplina. Isto é de uma tolice incomensurável. O FMI é melhor que o comitê da Basiléia em termos de representação, mas seu poder continua tão limitado quanto sempre foi.

Os países desenvolvidos não dão qualqeur satisfação ao Fundo desde que abandonaram as taxas fixas nos anos 60, e não dão qualquer indicação que mudarão sua atitude. Esperar que China, por exemplo, aja diferente é totalmente irrealista. Como observou um antigo importante funcionário do Fundo, Vito Tanzi, o Fundo não é reconhecido pela sua competência técnica, haja vista sua desastrosa atuação nos anos 90, mas pela capacidade de impor políticas a países passando por cataclismas em seus balanços de pagamentos. O Fundo não mudou suas posições. Ele não morreu, como alguns gostariam, mas seu poder efetivo, e sua eficácia técnica, continuam os mesmos.

Enfim, esse é um processo que vai realmente durar muito ainda, otimisticamente. Este foi um falso início, aparentemente para contentar Bush, aplacar o hiperativismo de Sarkozy, etc. As ambições, vale notar, do comunicado são muito maiores que as de Bretton Woods, onde se tratava de criar um sistema monetário internacional em substituição ao padrão-ouro. Agora se discutem, ou mencionam-se, problemas de reforma estrutural do sistema financeiro. Seria difícil pensar em um fórum menos preparado e menos adequado a esse tipo de discussão e, a meu ver, ele não decepcionou a expectativa de seus críticos.

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Os emergentes no jogo

Postado em 18 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Luís Nassif

A reunião do G20, ocorrida neste final de semana em Washington, entrará para a história. Pela primeira vez, os países emergentes entram no centro do jogo global, ante a constatação inevitável de que não se pode pensar em saidas para a crise em o seu concurso. Isto bastaria para convalidar sua importância.

Mesmo assim, é um início de processo onde se definem pontos conceituais básicos, para depois se pensar em discutir os aspectos operacionais.

Dentre esses pontos, podem ser salientados:

Regulação global

Definiram-se vários princípios prudenciais para a regulação do sistema financeiro, como normas de balanço, de capitalização dos bancos, dos mercados futuros. Mas não houve consenso para a criação de uma autoridade supranacional, com poderes para impor as normas sobre todos os países. A solução final pareceu a mais adequada. A ação entre países deve ser consensal e não impositiva.

Comércio aberto

Ponto relevante foi a determinação de que nenhum país adotará medidas protecionistas nos próximos meses; e a proposta de se tentar ressuscitar o Acordo de Doha até o final do ano. Doha dificilmente sairá. O agravamento da crise, em algumas circunstâncias, induz a um melhor entendimento. Em outras – como é o caso do comércio internacional- acirra as disputas.

Novo FMI

Apesar de não endossar a idéia de uma agência internacional de regulação, o encontro reforçou o papel do FMI, como a grande agência a atuar na busca do equilíbrio entre os países. A decisão é importante, assim como a intenção manifesta pelo Japão de alocar mais US$ 100 bilhões no Fundo. Há a percepção clara de que a terceira onda da crise será a queda de economias nacionais. Assim, houve uma preparação para quando o tsunami chegar.

As críticas

Alguns economistas respeitáveis manifestaram ceticismo em relação à reunião. Primeiro, pelo fato dos Estados Unidos estarem representados por um presidente impopular em final de mandato. Depois, pelo fato de não ser uma reunião de trabalho e sim de presidentes.

Há uma angústia justificada por resultados que leva a uma incompreensão sobre a dinâmica desses processos.

Existem diversos grupos de trabalho atuando para definir propostas e detalhá-las operacionalmente. A própria reunião prévia, em São Paulo, visou esses estudos.

Da reunião do G20 saiu uma equipe de três países – entre os quais o Brasil – incumbida de detalhar as propostas para a próxima reunião.

Em artigo para a Carta Maior, o respeitado economista Fernando Cardim levanta esses aspectos e lembra que Bretton Woods consumiu três anos de estudos e trabalhos.

Justamente pela complexidade do desafio, não se pode esperar resultados imediatos, mas a construção de um processo político. Nesse sentido, a reunião do G20 poderá ser histórica se consolidar o grupo como o grande centro de discussões das saídas globais para a crise.

Se o movimento será bem sucedido ou não, são outros quinhentos. Mas o tiro de partida foi bem sucedido.

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Salvar os bancos ou o meio ambiente?

Postado em 17 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

“O Brasil poderia também se beneficiar dos esforços globais de redução das emissões, pois há ações a serem realizadas aqui, no país, que são mais baratas que ações realizadas no Japão ou na Europa”.

José Goldemberg foi secretário de Meio Ambiente da Presidência da República. Artigo publicado no “Estado de SP”.

Fonte: Jornal da Ciência

A crise que assola a economia mundial, com sinais claros de recessão, pode pôr em risco as medidas necessárias para reduzir a emissão dos gases que estão provocando o aquecimento da Terra e as mudanças de clima resultantes?

À primeira vista a resposta é sim, uma vez que a crise vai reduzir a atividade econômica e provocar desemprego, que são problemas que exigem ações imediatas. A rápida reação dos governos dos EUA, da Inglaterra e outros, “salvando” o sistema bancário, vai nessa direção e reduzirá recursos disponíveis para enfrentar problemas ambientais, cujas conseqüências só se vão fazer sentir a longo prazo, como o aquecimento global.

Além disso, a recessão, reduzindo a atividade econômica, reduzirá também a emissão de gases de efeito estufa, como ocorreu com os ex-integrantes da União Soviética, diminuindo a urgência que se deve dedicar a estes problemas.

A queda dos preços do petróleo pode também tornar investimentos em energias alternativas menos atraentes. O uso dessas formas de energia é um dos caminhos utilizados até agora para reduzir as emissões.

Por outro lado, a crise financeira abre novas oportunidades, como expressou em artigo recente o economista inglês Nicholas Stern, que assessora o governo britânico em questões referentes às mudanças de clima. A crise, ao provocar uma redução do consumo, postergará o problema, mas não o resolverá. Isso já ocorreu em 1973, com o primeiro choque do petróleo, que adiou a adoção de medidas sérias contra o aquecimento global. Passados alguns anos o problema voltou a preocupar a todos.

O argumento de Stern é o de que é investido, por ano, cerca de US$ 1 trilhão na área de energia – com crise ou sem crise – e, portanto, o que se deve fazer é redirecionar esse investimento para atividades que permitam racionalizar o uso de eletricidade e outras forma de energia, e lançar os fundamentos de uma economia que – passada a crise – emitirá pouco carbono.

O aumento de eficiência energética tem grande espaço para crescer nos países industrializados e energias renováveis – entre as quais os biocombustíveis – têm grandes oportunidades nos países em desenvolvimento. Em outras palavras, não podemos daqui para a frente repetir a trajetória seguida no século 20 – altamente dependente de combustíveis fósseis -, mas “saltar na frente”, adotando novas estratégias. Leia o resto do artigo »

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