O fantasma das rebeliões
Postado em 19 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
O impacto da nova crise econômica mundial será prolongado e deverá atingir principalmente as “zonas de fratura”, onde se concentra a pressão geopolítica da disputa entre as grandes potências do planeta.
Fonte: Valor Econômico, 5/11/2008.
Não existe uma teoria da revolução, existem várias. Mas quase todas reconhecem a existência de um denominador comum, na experiência revolucionária dos séculos XIX e XX: as revoltas acontecem – quase sempre – em sociedades fraturadas, com estados enfraquecidos pelas guerras e por grandes crises econômicas, e situados em “zonas de fratura”, onde se concentra a pressão geopolítica da disputa entre as grandes potências. É nestes territórios, que costumam nascer e multiplicar-se as rebeliões mais importantes e resistentes, que são sempre violentas, mas não têm homogeneidade ideológica e não produzem grandes mudanças estruturais imediatas, como costuma acontecer no caso das revoluções sociais e políticas bem sucedidas.
Pois bem, se esta tese for correta, não é difícil de prever o novo mapa mundial das rebeliões, deste início do século XXI. Basta seguir os passos da competição geopolítica e econômica das grandes potências, depois do fim da Guerra Fria, e localizar os seus pontos de maior pressão competitiva, onde estas potências exercem de forma mais direta sua capacidade de dividir e mobilizar as forças locais, umas contra as outras, dentro dos estados situados nestes “tabuleiros geopolíticos” mais disputados. Alguns destes pontos são mais visíveis, e de explosiviadade imediata, outros, são menos visíveis, e de combustão mais lenta.
Tudo começa em 1991, com a desintegração da União Soviética e a entrada das forças OTAN ou dos EUA, na Europa Central, nos Bálcãs, no Cáucaso e na Ásia Central, onde se situa, neste momento, a região mundial de maior complexidade geopolítica, envolvendo os territórios do Afeganistão, Paquistão, Norte da Índia, Cashemira e Tibet. Não há nenhuma grande potência que não esteja envolvida em alguma destas áreas, e nas disputas em última instancia, pelo controle desta extensa região, utilizando ou incentivando grupos e organizações locais, de todo tipo, numa sucessão de revoltas, rebeliões, atentados terroristas e guerras civis que não têm como parar, a menos de um acordo multilateral improvável, ou de uma retirada de todas as grandes potências envolvidas, o que é rigorosamente impossível, do ponto de vista da lógica do sistema e dos interesses e posições que já foram ocupadas pelos participantes deste neste novo “grande jogo”. Leia o resto do artigo »
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