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Blog do Desemprego Zero

“Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose” (Maria da Conceição Tavares).

Postado em 9 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a crise. “As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso”, adverte. Para ela, o Brasil tem algumas vantagens importantes para enfrentar a crise, entre elas a existência de três fortes bancos estatais e pelo menos três grandes empresas públicas de peso, salvas do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior. Isso dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado.

Carta Maior

Decana dos economistas brasileiros, uma espécie de banco de reflexão de última instância ao qual se socorrem economistas quando o horizonte do mercado exibe mais interrogações que cifrões, a professora Maria da Conceição Tavares, 78 anos, quase não dormiu na noite de terça para quarta-feira. E voltou a fumar, muito, o que não deveria, por orientação médica. Motivo: os abalos seguidos nos alicerces do sistema capitalista norte-americano e seus efeitos sísmicos no mundo, inclusive no Brasil.

Conhecida pela rara capacidade de equilibrar razão e paixão – não necessariamente nessa ordem – , costuradas em frases contundentes e metáforas esmagadoras sobre os desafios da economia e do desenvolvimento, Conceição falou à Carta Maior sobre a crise em curso no sistema capitalista. A voz rouca e o cansaço de uma noite insone não impedirem que reafirmasse a reputação construída a partir de uma lucidez corajosa, que mesmo os adversários respeitam – e temem.

A seguir trechos de sua conversa com a Carta Maior:

“A questão central é que o crédito está congelado: entupiu o sistema circulatório do capitalismo. Sem crédito uma economia capitalista não funciona. Agora é torcer para que o entupimento não se transforme em trombose”.

“O Martin Wolf foi lento (NR: editor do Financial Times, conhecido pelas convicções neoliberais que, em artigo transcrito hoje pelos jornais brasileiros, pede um resgate estatal urgente, e amplo, do sistema bancário). Assim como ele, as autoridades norte-americanas também foram lentas. Demasiado lentas. Vão dizer que não sabiam o tamanho do estrago? Ignoravam a gravidade da bolha especulativa feita de hipotecas podres e derivativos, cuja soma vai além de US$ 6 trilhões, sem falar do resto? Como não sabiam? Eles são gente de Wall Street. São escolhidos entre os “piranhões” do mercado. Não podem dizer que não sabiam. O problema não é esse. O problema é que eles acreditam no mercado. Essa é a tragédia. Esperaram até o limite da irresponsabilidade para intervir. Aí perderam o controle e estão diante do pânico: ninguém empresta a ninguém, entupiu o sistema circulatório do capitalismo”. Leia o resto do artigo »

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O Rubicão de Lula

Postado em 9 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

Não fora poucas as vezes que alertei aqui que o câmbio seria a desgraça do governo Lula, como foi no de FHC.

Lembro-me dois anos atrás, na reunião de fechamento do ano do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), Lula se dirigindo aos grandes empresários presentes e ironizando. Dizia que eles reclamavam dos lucros dos bancos, mas as empresas do setor industrial tinham tido lucros até maiores. Não havia mais porque reclamar.

Parte dos lucros decorria do início do ciclo de alta das commodities. Mas parte relevante de operações artificiais, bancadas pelo Tesouro a um custo altíssimo. Só no ano passado o Banco Central transferiu mais de US$ 10 bilhões às grandes empresas através dessa imoralidade chamada “swap reverso”.

E parte devido a uma explosão mundial da liquidez, que permitia o crescimento exponencial do crédito e os IPOs no mercado.

Criou-se um mundo do faz-de-conta, em que o contribuinte pagava a conta de várias maneiras. O modelo exigia juros altos, para derrubar o câmbio. Pagava-se uma conta aí, na forma de cortes em gastos essenciais para bancar os juros. Depois, no câmbio apreciado, permitindo a invasão chinesa e tirando empregos. Criou-se um período de falsa bonança com a oferta global de crédito, que ajudou a driblar a crise – mas a conta veio agora. Finalmente no custo direto do tal “swap reverso”.

Na outra ponta, uma mídia com críticas preconceituosas, macartistas contra o governo, mas deixando passar em branco o grande erro que era cometido na política monetária, dando espaço a economistas incapazes de enxergar uma linha além da planilha que trouxeram pronta de seus cursos de graduação. Leia o resto do artigo »

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O subprime brasileiro

Postado em 8 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

As peças se encaixaram finalmente.

Dias atrás relatei aqui – com exclusividade – as operações de opções de dólar com CDI, oferecidas por muitos bancos a empresas brasileiras. Segundo informações que colhi no mercado, as empresas haviam incorrido em duas opções de venda de dólar: a R$ 1,80 e a R$ 2,00.

Significava que, enquanto o dólar ficasse abaixo desse valor, elas ganhariam diariamente a diferença. Acima, teriam que pagar.

Quando o dólar passou os R$ 1,80 e encostou nos R$ 2,00, estimava-se uma perda de R$ 25 bilhões para os vendidos; quando passou de R$ 2,00, as estimativas de perda passaram para R$ 35 bilhões.

Hoje, o “Valor” adianta mais detalhes da operação (clique aqui). E, juntando as peças, explica a razão do governo ter editado a Medida Provisória conferindo plenos poderes ao Banco Central.

1. A operação se chama “target forward”. Nela, a empresa aposta duas vezes na valorização do real.

2. No primeiro passo, ela vende o dólar para o banco através de um instrumento chamado de “forward”, o correspondente ao “non-deliverable forward” no exterior. É o que chamamos de venda a termo. Na operação, a empresa se compromete a entregar o dólar em um dia qualquer do futuro, por uma cotação pré-fixada. O jornal montou um exemplo de uma empresa que vendeu US$ 10 milhões ao banco no dia 10 de julho para entrega em 30 de agosto a R$ 1,6040.

3. Para as empresas conservadoras, não há risco. Na outra ponta ela tem dólares a receber de uma exportação efetuada. Se o dólar explodir, ela perde na venda a termo mas ganha as exportações, ficando empatada. É o hedge clássico. Suponha que o dólar vá para R$ 1,70. A empresa recebe R$ 1,70 x US$ 10 milhões por seu contrato de exportação e paga a mesma quantia ao banco.

4. As operações da Sadia e Aracruz continham um componente adicional. Vende uma segunda vez os dólares ao banco através de uma opção de compra. Através dela, o banco paga um valor à empresa para ter o direito de comprar o dólar no futuro pela cotação pré-estabelecida.

5. No exemplo do Valor, o banco passava a ter o direito de comprar US$ 10 milhões a R$ 1,73 no dia 30 de agosto de 2008. Se, nesse dia, o dólar estivesse valendo menos, o banco não exerceria o direito de compra. Perde o que pagou à empresa e a operação se encerra. A opção “virá pó”, no jargão do mercado.

6. Mas se o dólar batesse em R$ 2,00, a empresa teria que adquirir por esse valor no mercado, para entregar ao banco por R$ 1,73. Sua perda seria de 13,5% ou R$ 2,7 milhões. A empresa perde entregando os dólares a termo por esse valor e perde comprando dólares no mercado para pagar as opções.

O Valor conseguiu levantar algumas das propostas dos bancos às empresas, que batem com aquela divulgada aqui dias atrás.

Além das exportadoras, possivelmente empresas médicas, bancos e construtoras entraram nesse jogo. Leia o resto do artigo »

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Economia e firulas

Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

A crise é importante, entre outras coisas, para desvendar a análise seletiva de economistas de mercado.

Por exemplo, no começo do ano já havia sinais nítidos de que a grande crise global se aproximava e que o aumento do déficit em transações correntes era uma ameaça, por dos efeitos previsíveis da crise: queda de preços das commodities e dificuldade de financiamento do déficit.

Uma das vozes que se ergueu contra esse diagnóstico foi a de Affonso Celso Pastores, em artigo de 24 de março passado, no Valor (co-autoria com Maria Cristina Pinotti).

A crise internacional estava vindo a galope, com duas conseqüências óbvias: redução nos preços das principais commodities (com aumento correspondente no déficit em transações correntes) e perspectiva óbvia de aumento da noção de risco de crédito reduzindo os investimentos para o país. Era tema diário aqui no Blog

A análise de Pastore, no entanto, lembrava as discussões dos velhos sábios de Bizâncio:

1. Lembrava que o padrão histórico brasileiro foi de superávit na balança comercial e déficit nas transações correntes. Em vez de utilizar essa informação como alerta – já que esse padrão resultou em inúmeras crises cambiais – utilizava como inevitabilidade do modelo brasileiro.

2. Atribuía o déficit nas transações correntes ao fato de se ter a absorção (consumo das famílias + consumo do governo + investimentos) maior do que o produto, ou ainda, que os investimentos superaram as poupanças domésticas (pública e privada). “E por que as poupanças no Brasil são baixas? Uma das razões é a política fiscal”. (…) .

3. Minimizava o papel do câmbio no aparecimento dos déficits nas transações correntes. “A variável relevante para determinar o comportamento das contas correntes é o câmbio real, que é um preço relativo – entre os bens internacionais e domésticos -, e não o câmbio nominal, que é volátil e se comporta como um preço de um ativo”. Uma afirmação verdadeira e absolutamente inútil, já que é o câmbio nominal quem determina o preço de todas as transações econômicas do país. Seria útil se Pastore admitisse que, por ser volátil, o câmbio nominal deveria ser melhor controlado pelo Banco Central. Mas ele se limita a essa conclusão acaciana para eliminar o câmbio nominal do seu modelo.

4. Para reforçar o não controle sobre o câmbio nominal, ele dizia que o câmbio estava sendo apreciado devido ao aquecimento da demanda, não ao diferencial de juros atraindo capital especulativo. Sendo assim, obviamente não havia razões para se reduzir os juros e o ingresso de capital especulativo. Nem se pergunte porque o câmbio foi para R$ 2,00 com o fluxo de dólar pronto praticamente estável. Ou nem tente indagar toda e engenharia financeira montada pelo mercado para compensar a apreciação irresponsável do câmbio – e que explodiu agora nos casos Sadia e Aracruz. Para Pastore, como essas operações não estavam na planilha da Cristina, não existiam. Leia o resto do artigo »

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“Investimentos rentáveis atrairão capital”

Postado em 5 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Para presidente do BNDES, com queda dos juros nos países ricos, capital buscará alternativas rentáveis no Brasil.

Folha de S.Paulo (05/10/08)

Luciano Coutinho diz que fontes de capital no mundo ainda são abundantes apesar da secura atual na concessão de crédito.

Encarregado pelo presidente Lula de manter o ritmo de investimentos no país em tempos de secura no crédito externo, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, diz que o banco de fomento pode precisar de R$ 40 bilhões adicionais em 2009 para atender aos pedidos extras de empresas brasileiras diante do bloqueio nas fontes de financiamentos por causa da crise financeira global. Segundo ele, o BNDES já tem garantidos R$ 70 bilhões. Com os recursos extras, teria até R$ 110 bilhões disponíveis em 2009. Para este ano, o banco prevê desembolsos de até R$ 90 bilhões. Coutinho espera captar os recursos de organismos multilaterais e do Tesouro. O aporte seria um “colchão” a ser usado caso o mercado não se recupere rapidamente. “Obviamente espero que não seja necessário tudo isso, seria um colchão, e também parte disso pode ficar para 2010″, disse Coutinho em entrevista à Folha, na qual afirmou estar “rezando” para que os bancos voltem a abrir linhas de crédito e que o BNDES avança no setor por uma questão conjuntural. “Não há um desejo de aumentar o tamanho do BNDES.” Interlocutor freqüente de Lula em assuntos econômicos, Coutinho não acredita que o dólar se sustente no atual patamar e diz que o cenário agora é “diametralmente oposto” ao do início do ano, que levou o Banco Central a elevar os juros. “As preocupações com a inflação devem ser relativizadas nesses momentos [de esfriamento da economia global]“, afirmou, acrescentando que esse cenário deve ser “levado em conta” por todos, inclusive pelo BC. O presidente do BNDES rebate as críticas de que o governo estaria pisando no acelerador num momento em que deveria ser mais prudente. “Ninguém está pensando em pisar no acelerador”, diz, mas também “não é porque o mundo pisou no freio que temos de fazê-lo também.” Ele defende crescimento com “sensatez e prudência”, que mantenha a liderança dos investimentos e modere a expansão do consumo e dos gastos do governo. Disse ainda que o Brasil é um dos melhores países para investir neste momento de crise nas economias centrais e que fundos soberanos asiáticos já estão visitando o país em busca de oportunidades. A seguir, trechos da entrevista concedida na sexta no escritório do banco de fomento no Itaim, na zona sul de São Paulo.

FOLHA – Como essa crise vai, de fato, afetar o Brasil?

LUCIANO COUTINHO – O Brasil tem condições excepcionais de atravessar essa crise com efeitos muito moderados sobre o crescimento da sua economia. Nossos fundamentos macroeconômicos são firmes, temos um mercado doméstico com potencial de crescimento, um sistema bancário extremamente saudável, capitalizado, que pode expandir o crédito. Existe ainda uma avenida para a expansão do crédito no Brasil, que tem sido feita com velocidade, sem deterioração de qualidade, considerando que a relação crédito/PIB no Brasil ainda é baixa. Além disso, o país tem uma fronteira de investimentos em infra-estrutura de alto retorno e baixo risco inegáveis, haja vista que, nesta semana [passada], na crise, foram realizados com sucesso leilões de energia. Leia o resto do artigo »

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O Brasil e o pós-crise

Postado em 25 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Luís Nassif

A grande incógnita que se tem, a partir da dimensão da crise internacional, é sobre o que acontecerá com a economia brasileira daqui para frente.

No ano passado lancei o livro “Os Cabeças de Planilha”, mostrando a impressionante semelhança entre o primeiro ciclo de financeirização da economia mundial – que começa nas três últimas décadas do século 19 e vai até a Primeira Guerra, ganhando uma sobrevida até 1929 – e o momento atual. E arriscava a avançar nos desdobramentos da crise de 29 no Brasil, projetando-o para o momento atual.

No século 19, o sistema financeiro internacional se articulou, passou a criar novos instrumentos financeiros, em função das novas revoluções tecnológicas (financiadas através do mercado de capitais) e do mercado de dívidas dos países emergentes (não havia essa designação na época). No final do século 20, repete-se o mesmo processo.

Esse modelo de captação de recursos junta capital legal, dinheiro do crime, dinheiro de corrupção político, tudo devidamente “lavado” – no século passado em Londres; agora, nos paraísos fiscais.

Para ser bem sucedido, havia a necessidade do enfraquecimento dos estados nacionais, da subordinação da sua política aos interesses dos capitais, liberdade de fluxo, controle dos sistemas de regulação dos serviços públicos – no século 19, através das concessões; no final do século 20, das privatizações.

No campo cambial, a falta de controles provocava ondas sucessivas de valorizações e desvalorizações da moeda impedindo a consolidação de um parque manufatureiro robusto.

Esse modelo se esgota por si. O excesso de liquidez provoca diversas bolhas especulativas, há um descolamento dos ativos financeiros em relação aos ativos reais, até que o modelo se torna completamente disfuncional. No século passado, resultou no crack de 29; nos tempos atuais, na grande noite de 15 de setembro. Leia o resto do artigo »

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O efeito Mendes

Postado em 17 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Wálter Fanganiello Maierovitch

Fonte: CartaCapital  

É incrível. Não mais são discutidos os graves crimes atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas. Questões outras, agitadas até por parlamentares beneficiados com doações de campanha feitas por Dantas, diretamente ou por interpostas pessoas, formam uma nuvem de fumaça para evitar que os crimes e os criminosos sejam revelados, conhecidos da população.

A ética foi para o vinagre. Sem dúvida, trata-se do efeito Mendes, pós-liminares em habeas-corpus, tentativa de instaurar procedimento disciplinar contra o juiz (foi abortada em face de uma grandiosa manifestação de apoio feita por magistrados e procuradores em São Paulo), irreverência contra a presidência da República, equiparação do trabalho dos juízes de varas especializadas a ilicitudes de paramilitares de favelas cariocas, etc.

Em face do mau exemplo, virou vale-tudo.

Até na Comissão de Prerrogativas da OAB a ética foi para o vinagre. Em procedimento interno, o relator, ilustre professor e reconhecido jurista, surpreendeu. Isto ao não se declarar impedido de atuar, pois relatava caso de colega, para o qual advoga.

Por outro lado, apesar de já existir processo criminal em curso, procura-se destruir, não as provas, mas imagens. Ou seja, o delegado que presidiu o inquérito e os sujeitos processuais, mais especificamente o representante do ministério Público e o juiz do feito.

A Comissão Parlamentar de Inquérito, que mudou o foco inicial da razão da sua constituição, ultrapassou todos os limites do razoável e a representação formulada pelo deputado Raúl Jungmann (PPS-PE) para a instauração de procedimento disciplinar contra o juiz da 6ª.Vara Federal, Fausto de Sactis, mostra o seu total desconhecimento sobre a competência constitucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em outras palavras, o CNJ não tem competência para examinar matéria jurisdicional, ou melhor, se um juiz acerta ou erra em decisões. Nos estados democráticos, o inconformismo quanto a uma decisão manifesta-se por recurso previsto na legislação processual, que é federal.

Mais, a deliberação da chamada CPI do grampo ao enviar interpelação ao juiz da 6ª.Vara, onde tramita o processo criminal contra Daniel Dantas, é tão absurda quanto seria a notificação do magistrado para saber dos vínculos do deputado Jungmann com o pessoal de Dantas, ainda que ele tenha recebido, como é público e notório, doação de campanha.

Pano Rápido, a nota de repúdio, apresentada pela Associação dos Juízes Federais ( AJUFE), que segue abaixo, dá a exata dimensão de como os sinais estão invertidos e da força da chamada Criminalidade dos Potentes. Confira a nota abaixo: Leia o resto do artigo »

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O tsunami financeiro

Postado em 16 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Fonte: Projeto Brasil

Enquanto o mundo caía, economistas reuniam-se no no 5o Fórum de Economia da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, para discutir a economia brasileira.

Nas apresentações, uma certeza e uma dúvida. A certeza é que se trata da maior crise financeira em um século. A dúvida é sobre a intensidade com que o país será afetado por ela.

Vamos entender um pouco a gênese da crise, para analisar, depois, os desdobramentos no Brasil. Desde os anos 60, as políticas econômicas sempre tiveram preocupação com o nível de liquidez da economia – isto é, de dinheiro em circulação.

Com o avanço da Internet e de novas formas de transação financeira, os conceitos convencionais tornaram-se obsoletos. Surgiu, então, uma nova maneira de tentar articular políticas monetárias: o chamado regime de metas inflacionárias.

Em vez de tentar entender as causas das crises, o sistema propunha atuar diretamente sobre os efeitos. Se a inflação (ou as expectativas de inflação) subia, havia um aumento de juros trazendo a inflação para baixo. Se a inflação não era ameaça, reduziam-se os juros.

Com esse modelo, as políticas monetárias tornaram-se frouxas. Especialmente depois que a China inundou o mundo com produtos de baixo custo, exercendo um efeito deflacionário sobre os preços.

Foi essa situação cômoda que levou o presidente do FED, Alan Greenspan, a reduzir substancialmente os juros e a descuidar da liquidez da economia. Como resultado, havia um excesso de dinheiro em circulação sendo carreado para os chamados ativos reais. Esses recursos iam de mercado em mercado, provocando bolhas especulativas.

É nesse contexto que um dos ativos demandados passaram a ser as economias dos emergentes.

Esse período de lambança desarmou os órgãos reguladores. Sempre que a situação permite ganhos financeiros para muitos, há uma tendência a afrouxar os controles e a considerar normais situações de claro descontrole, como a oferta absurda de crédito dos últimos anos.

Bancos, empresas, tomavam dinheiro emprestado, adquiriam ativos. Depois, com a valorização dos ativos tomavam mais dinheiro emprestado, em um círculo louco – semelhante ao que marcou a crise da economia japonesa.

Agora, o jogo acabou. Houve a primeira etapa da crise, que foi a quebradeira do subprime. Os fundos hedge passaram a especular com commodities. Agora houve a queda nas cotações, com novos desdobramentos.

As conseqüências dramáticas desse 15 de setembro são as seguintes:

1. Um trancamento do crédito mundial, uma brutal enxugamento da liquidez.

2. O risco de queima de ativos por bancos em dificuldades, ampliando a deflação mundial, com efeitos sobre a economia real dos Estados Unidos, União Européia, Inglaterra.

3. No caso do Brasil, uma enorme dificuldade futura em financiar os déficits em transações correntes. O que obrigará o governo, em breve, a trabalhar intensamente para manter o real desvalorizado e reduzir a vulnerabilidade externa.

4. Necessidade de fortalecer o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para compensar o trancamento do crédito e do próprio mercado de capitais com a crise.

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