Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Mal-amadas
Thomaz Wood Jr.
Fonte: CartaCapital
A empresa multinacional é uma invenção do século XX, que entrou firme e forte no século XXI. Derrubado o muro e abatidos outros ícones, as múltis avançaram céleres sobre velhos e novos cenários. Sua capacidade de adaptação é notável e a influência na economia, na sociedade e na cultura continua em alta. Apetite para crescer e disponibilidade de capital seguem alimentando fusões e aquisições. Nada no horizonte revela sinais de fraqueza ou de declínio.
Naturalmente, tanto alcance e poder não escapam das consciências mais críticas. O documentário A Corporação, dirigido por Jennifer Abbott e Mark Achbar, lançado em 2003, é um bom exemplo: seu olhar crítico fê-lo transformar-se em peça didática de cursos de Administração de Empresas. O filme descreve, em tom irônico e didático, a gênese e a evolução da grande empresa. O argumento central é que o mau comportamento corporativo – o descaso com o meio ambiente, a exploração de mão-de-obra barata em países pobres, a manipulação do consumidor e práticas ilegais de negócios – não se deve apenas a executivos destrambelhados ou algumas “maçãs podres”. Os desvios, sugerem os autores, vêm de uma personalidade doentia. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Fonte: Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (ANAPAR)
Doze fundos de pensão aportaram recursos em fundos de investimentos e participações acionárias em empresas de telefonia e infra-estrutura, em sociedade com o Banco Opportunity, controlado por Daniel Dantas. Apesar de ter investido grande parte do capital, os fundos de pensão foram alijados pelo Opportunity das decisões e do controle destas empresas, o que lhes tem causado graves prejuízos ao longo do tempo.
Os fundos de pensão têm obtido vitórias judiciais sucessivas na Justiça brasileira e em denúncias apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários, com base no descumprimento do dever fiduciário e em prejuízos impostos a cotistas e acionistas por parte dos controladores do Opportunity. O banco e seus prepostos vêm sendo afastados do controle e administração de fundos de investimento e empresas-veículo que controlam a Brasil Telecom, Amazônia Celular, Telemig Celular, Metrô do Rio de Janeiro e Santos Brasil. Os fundos de pensão e o fundo CVC Brazil, acionistas majoritários, nomeiam novos administradores para as empresas.
Aos poucos vão se comprovando os descalabros praticados pelo Opportunity e seus prepostos. Mostram-se evidentes os prejuízos causados a centenas de milhares de trabalhadores cuja aposentadoria, para a qual contribuíram durante toda uma vida de trabalho, depende dos investimentos dos fundos de pensão.
A ANAPAR oferece à opinião pública este Memorial que elucida a atuação do senhor Daniel Dantas. Tudo foi elaborado a partir de informações publicadas nos veículos de imprensa e de processos públicos, que podem ser acessados por qualquer cidadão brasileiro.
Os participantes da PREVI, PETROS, FUNCEF, CENTRUS, ELETROCEEE. CELOS, FORLUZ, FACHESF, VALIA, TELOS, FUNDAÇÃO COPEL, SISTEL e FUNDAÇÃO 14 querem ver apuradas as denúncias e ressarcidos eventuais prejuízos.
Leiam mais em: anapar
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Postado em 1 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Gustavo Antônio Galvão dos Santos * e Rodrigo L. Medeiros **
José Murilo de Carvalho descreve em um belo livro, ‘A formação das almas: o imagiário da república no Brasil’ (Companhia das Letras, 1990), ser uma tarefa complexa a substituição de um regime. Entre as suas diversas e preciosas observações sobre a formação republicana brasileira, merece destaque a seguinte: “O instrumento clássico de legitimação de regimes políticos no mundo moderno é, naturalmente, a ideologia, a justificação racional da organização do poder” (p.9).
Desde 1873, havia em São Paulo o partido republicano mais organizado do país. A respectiva província encontrava-se asfixiada politicamente pela centralização monárquica e experimentava um surto de expansão cafeeira. Para os grandes proprietários que compunham o Partido Republicano Paulista (PRP), uma república ideal deveria basear-se no federalismo norte-americano. A esses era conveniente uma constituição individualista do pacto social, pois a mesma evitaria a ampliação da participação popular. Não se pode olvidar que a postura liberal do PRP baseava-se no darwinismo social, inspirado em Spencer, a grande influência do principal teórico paulista da República, Alberto Sales. No Brasil, o liberalismo adquiria progressivamente um caráter de acomodação e naturalização das desigualdades.
O que a Nova República teria a ver com isso? Tratar-se-ia do passado que se repete como tragédia e farsa? Luis Nassif, por exemplo, disse o que muitos cientistas políticos estão demorando para perceber: o presidencialismo brasileiro torna os governos reféns da “governabilidade” e que a realidade está esfacelando tudo o que se imagina ser partido político no Brasil. Leiam aqui
Onde então estariam efetivamente os partidos de base popular e das demais classes sociais? A professora Maria da Conceição Tavares, por sua vez, disse que eles não existem nas Américas. De fato, Conceição Tavares tem alguma razão, pois os partidos de classe no Brasil não resistem à realidade nacional. Em São Paulo, por exemplo, essa concepção pôde fazer um pouco mais de sentido, dado que na grande ABC havia um grande operariado. Leia o resto do artigo »
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Postado em 29 dEurope/London abril dEurope/London 2008
No Brasil, o neoliberalismo é um fenômeno principalmente ideológico, sem base na realidade social, esta ainda fortemente dependente de ações do Estado. É uma ideologia artificial, importada, descolada do processo sociológico. Como toda ideologia, funciona como instrumento de manipulação e de dominação.
José Carlos de Assis*
Fonte: Correio da Cidadania, 13 de Dezembro de 2007.
Creio ter sido um dos primeiros economistas políticos brasileiros a se dar conta, ainda nos anos 1980, de que o neoliberalismo não era um fenômeno puramente ideológico, mas o produto de uma realidade sociológica profunda que se exprimiu em maiorias eleitorais efetivas, sobretudo européias. É o que explica o deslizamento para a ala neoliberal mesmo de partidos tradicionalmente de esquerda, como trabalhistas ingleses (Terceira Via), socialistas franceses e social-democratas alemães.
Acredito que quem originalmente levantou a cortina sobre esse processo de fundo foi William Greider, em seu monumental The secrets of the temple, sobre a história do Banco Central estadunidense. Ele “sacou” que a maioria eleitoral que apoiou Reagan em 1979 era formada em grande parte de classes médias afluentes, indignadas com a perda de renda financeira oriunda da combinação entre inflação alta e juros baixos, prevalecente ao longo dos anos 1970, sobretudo depois da débâcle do sistema de Bretton Woods. Leia o resto do artigo »
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Postado em 29 dEurope/London abril dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*
Na sua edição de 30 de abril de 2008, páginas amarelas, a revista Veja entrevista Edmund Phelps, Nobel de Economia 2006. Phelps fala sobre a recessão nos EUA e faz alguns comentários sobre a América Latina e o Brasil.
Na entrevista, a Veja puxa o assunto do “pleno emprego”, sinal de que a gradual oscilação do pêndulo político-ideológico preocupa os conservadores no Brasil. A visita a este blog de anônimos, que se escondem covardemente atrás de pseudônimos, não deve ser encarada como mera coincidência do tempo presente.
Analisando a crise nos EUA, Phelps é enfático: “Seria útil se os Estados Unidos colocassem em prática a regulamentação que já existe. Minha impressão é que o Federal Reserve [o banco central norte-americano] não foi tão crítico quanto deveria ter sido em relação às práticas de empréstimo no mercado” (p.15). Como discordar do doutor Phelps nesse ponto? Leia o resto do artigo »
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Postado em 28 dEurope/London abril dEurope/London 2008


Rodrigo Loureiro Medeiros** & Gustavo Santos *
Todas as sociedades vivem embates internos parecidos com os descritos por José Ingenieros em ‘O homem medíocre’, cuja primeira edição data de 1913 [i]. Ingenieros analisa como duas forças se chocam nas sociedades e definem os rumos da sua evolução. Idealismo e mediocridade são essas forças.
Os idealistas podem ser divididos em dois grupos: românticos (paixão) e estóicos (virtude). A maturidade e o acúmulo de experiências são caminhos que levam os românticos ao estágio dos estóicos. Medíocres são pessoas sem ideais. Possuem idéias que se baseiam no senso comum; são pragmáticas, intransigentes e rejeitam o bom senso.
José Ingenieros argumenta ao longo do seu clássico ser a mediocracia perigosa para as sociedades, pois ela trava os respectivos progressos sociocultural, institucional, econômico e tecnológico. Uma das faces do projeto mediocrático no Brasil é a seguinte: “O custo da mão-de-obra é caro neste país e, por isso, não se tem competitividade global”.
Não é preciso muito esforço para se demonstrar que os custos do fator trabalho nos EUA, no Japão e na União Européia, por exemplo, são mais elevados do que os praticados no Brasil [ii]. A questão górdia do processo evolucionário das organizações está na busca pelo desenvolvimento de sistemas produtivos mais eficientes (grau de utilização dos fatores de produção) e eficazes (alcance dos objetivos a partir da utilização dos fatores de produção). Dificilmente o Brasil se viabilizará como nação a partir do padrão asiático. O enorme giro da mão-de-obra nas empresas traduz a opção tardia pela internalização do fordismo no Brasil. De 1980 a 2005, houve perdas de 20% do poder aquisitivo dos trabalhadores, ao passo que a produtividade permaneceu estagnada [iii]. Como se pode esperar debater seriamente competitividade sistêmica, produtividade e inovação no século XXI a partir da perspectiva mediocrática? Leia o resto do artigo »
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Postado em 10 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Jefferson Milton Marinho do Blog do Jefferson
Uma matéria da jornalista Patrícia Campos, do Estado de São Paulo, sobre abusos na utilização dos cartões corporativos no governo americano. Enquanto aqui no Brasil os desvios foram pontuais, pois não foram identificados desvios sistemáticos, nos EUA a incidência de desvios parece ser bem maior. Mas a grande diferença mesmo é que lá a mídia não transforma um problema de gestão e de transparência pública numa batalha partidária pequena, uma tentativa incessante de fabricar crises virtuais.
Investigação aponta ainda despesas com iPods, lingerie, namoro on line e jantar no valor de US$ 13 mil
Patricia Campos Mello, do Estado de São Paulo
A farra dos cartões corporativos também atinge o governo dos Estados Unidos. Enquanto no Brasil os cartões foram usados para compra de tapioca e produtos em free shop, nos Estados Unidos os funcionários do governo usaram os cartões para comprar iPods e lingerie e para pagar por serviços amorosos online, manicures e um jantar de US$ 13 mil.
Uma investigação do Escritório de Responsabilidade do Governo dos EUA, divulgada ontem, revela que 41% das transações efetuadas com cartões corporativos do governo são irregulares. Segundo o relatório do escritório, a incidência de irregularidades com os cartões é “muito alta, inaceitável”. Leia o resto do artigo »
Postado em ELEIÇÕES, projetos e estratégias: 2008 e 2010, Jefferson Milton Marinho, Política Brasileira | 5 Comentários »
Postado em 13 dEurope/London março dEurope/London 2008
Fonte: Agência Estado (13/03/2008).
O crescimento médio da economia brasileira nos últimos cinco anos do governo Lula, de 3,8%, coloca o Brasil em 35º lugar em um ranking com 39 países emergentes que tiveram o desempenho de sua economia medido. O ranking foi elaborado pela Austin Rating.
Nos últimos cinco anos, o crescimento médio do conjunto de países avaliados foi de 5,6% ao ano. No resultado final, foi constatado que o País supera apenas Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período, porém, supera o crescimento médio verificado nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, de 2,3%.
“A gente tem de considerar que o histórico brasileiro ainda é de baixo nível de investimento e elevada taxa de juros”, afirma o economista-chefe da Austin, Alex Agostini. No topo da lista, aparecem a China (crescimento médio de 10,6%), Argentina (8,6%), Índia (8,5%), Venezuela (7,8%) e Ucrânia (7,6%). Enquanto a taxa de investimentos do Brasil em 2007 foi de 17,6% do Produto Interno Bruto (PIB), a chinesa tem estado perto dos 40% nos últimos anos.
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