Por Katia Alves
O governo argentino deu início a um ajuste fiscal para compensar a perda de arrecadação e fazer frente ao pagamento dos juros da dívida. Os ajustes anunciados até agora não convenceram o mercado financeiro, que desde o início de agosto vem fugindo dos títulos da dívida argentina, jogando para baixo as cotações.
As duas maiores agências internacionais de risco de crédito, Moody´s e Standard and Poor´s, ameaçaram revisar para baixo a nota da Argentina.
E veja também entrevista com o principal articulador da oposição dentro do Partido Justicialista o ex-presidente Eduardo Duhalde (2001-2002). Por meio de seu Movimento Produtivo Argentino (MPA), organização que ele criou para “formar lideranças” (ao menos segundo os estatutos), Duhalde vem reunindo todos os peronistas dissidentes do que se convencionou chamar “kirchnerismo”. Como parte de suas articulações, o ex-presidente tem visitado o Brasil com alguma freqüência e tido audiências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem se diz admirador.
Por Janes Rocha
Publicado originalmente no Valor
Após a derrota no Congresso, em julho, da tentativa de aprovação de um aumento dos tributos sobre a exportação de grãos, o governo argentino deu início a um ajuste fiscal para compensar a perda de arrecadação e fazer frente ao pagamento dos juros da dívida. O bilionário esquema de subsídios que sustenta a política econômica argentina há seis anos, que começou a ser desarmado em janeiro com um reajuste nas tarifas de transportes públicos, terá uma redução estimada em US$ 100 milhões com um reajuste de energia elétrica entre 10% e 30%, anunciado há dez dias. Ambos, transportes e energia, estavam com preços congelados desde 2003.
Também estão sendo cortados repasses às províncias e novos aumentos de tarifas estão para ser anunciados. Para este ano, os compromissos com a dívida no valor de US$ 8 bilhões estão equacionados. Mas há grande incerteza sobre como a Argentina vai arrumar os US$ 16 bilhões que vencem em 2009.
Os ajustes anunciados até agora não convenceram o mercado financeiro, que desde o início de agosto vem fugindo dos títulos da dívida argentina, jogando para baixo as cotações. Há uma cobrança cada vez maior sobre o governo, não só do mercado, mas de quase todos os economistas e analistas independentes e também da oposição, por conta da falta de uma política de controle da inflação e da suspensão das negociações para o pagamento da dívida com o Clube de Paris.
Na semana passada, as duas maiores agências internacionais de risco de crédito, Moody´s e Standard and Poor´s, ameaçaram revisar para baixo a nota da Argentina. Com isso, as cotações dos títulos da dívida externa mais negociados, o Discount em pesos e o Boden 12 (vencimento em 2012), desabaram.
O título Discount caiu 3,7% na sexta-feira e o Boden 12 caiu 2,07%. No ano, o Discount acumula baixa de 17% e o Boden 12, de 16,8% . Os papéis da dívida argentina já vinham caindo fortemente há vários dias, desde que o Ministério da Economia do país confirmou a venda de títulos Boden 15 (vencimento em 2015) para a Venezuela, no valor de US$ 1 bilhão. Leia o resto do artigo »