Postado em 5 dEurope/London novembro dEurope/London 2009
Fonte: Valor
Por José Luís Fiori
Depois de uma década à esquerda, a América do Sul está entrando numa zona de forte turbulência. Neste final de 2009, o Uruguai pode eleger para presidente da República, um homem do povo e ex-guerrilheiro tupamaro; e o Chile talvez eleja um bilionário arrogante e de direita, que lembra muito o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi. No mesmo ano em que a Bolívia e o Equador reelegeram governos dispostos a mudar radicalmente a estrutura do estado e da propriedade dos seus países, com objetivos socialistas, mas sem ruptura revolucionária. Em 2010, haverá eleições na Colômbia e no Brasil; e, em 2011, no Peru e na Argentina.
Durante esta primeira década do século, as mudanças no continente foram apoiadas pela expansão econômica mundial, que também estimulou o projeto de integração da América do Sul. Mas a crise financeira de 2008 provocou uma desaceleração do crescimento e do próprio projeto de integração econômica. E o projeto de integração política foi atingido em cheio pelo novo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, que autoriza o uso do território colombiano por forças militares norte-americanas, de onde poderão controlar o espaço aéreo da Venezuela e de toda a América do Sul. Por isso, não é exagero dizer que o futuro da América do Sul, na primeira metade do século XXI, pode estar sendo decidido nestes próximos dois anos. E já é possível mapear as grandes disjuntivas e escolhas que estão no horizonte do continente sul-americano. Leia o resto do artigo »
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Postado em 19 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Gianni Carta (Londres)
Fonte: CartaCapital
No seu livro Piratas do Caribe: Eixo da Esperança, com lançamento previsto para fim de junho pela Editora Record, o anglo-paquistanês Tariq Ali, editor da New Left Review, teoriza que da América do Sul está emergindo ” uma alternativa social-democrata ao capitalismo neoliberal”. Os chamados piratas do continente, influenciados por Fidel Castro (e agora Raúl), são Hugo Chávez e Evo Morales, em Pirates of the Caribbean: Axis of Hope (Londres, Nova York: Verso, 2006). Na versão brasileira, Ali acrescenta o presidente do Equador, Rafael Correa, eleito em novembro de 2006.
Quem encara estes líderes sul-americanos como piratas é Tio Sam, porque “desafiam as certezas da nova ordem e desconsideram os sinais proibidos por Washington”, escreve na edição inglesa, na qual se baseia este texto, Tariq Ali, historiador e prolífico novelista educado em Oxford. Pior: os piratas propõem uma social-democracia “capaz de servir às necessidades dos pobres”, ou seja, da vasta maioria de suas populações.
Em conversa com CartaCapital, Ali, de 64 anos, sublinha não constarem do “Eixo do Bem” (para revidar o “Eixo do Mal” de Bush) outros líderes da América do Sul, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Tariq Ali, Lula está longe de ser uma aresta para a chamada globalização. “Eu costumo chamar o Lula de Tony Blair tropical”, diz Ali, na sua casa ao norte de Londres. Vasta cabeleira branca, bigodões da mesma cor, olhos fixos no interlocutor, Ali espera uma reação – e a obtém: risos, aos quais presta contribuição fragorosa. E emenda: “O diário O Globo estampou numa manchete minha frase comparando Lula a Blair, e, ironicamente, alguns assessores do Lula se mostraram, acredite, muito felizes com a comparação”. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), dez.2007.
Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (secretário-geral do MRE)
1. A América do Sul se encontra, necessária e inarredavelmente, no centro da política externa brasileira. Por sua vez, o núcleo da política brasileira na América do Sul está no Mercosul. E o cerne da política brasileira no Mercosul tem de ser, sem dúvida, a Argentina.
A integração entre o Brasil e a Argentina e seu papel decisivo na América do Sul deve ser o objetivo mais certo, mais constante, mais vigoroso das estratégias políticas e econômicas tanto do Brasil quanto da Argentina. Qualquer tentativa de estabelecer diferentes prioridades para a política externa brasileira, e mesmo a atenção insuficiente a esses fundamentos, certamente provocará graves conseqüências e correrá sério risco de fracasso. Leia o resto do artigo »
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Postado em 15 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Valor Econômico (14/12/2007)
José Luís Fiori
O diplomata norte-americano mais influente da segunda metade do século XX nasceu em Fürth, na Alemanha, em 1923. Mas imigrou para os Estados Unidos e se nacionalizou norte-americano em 1943, antes de doutorar-se na Universidade de Harvard, em 1954, onde foi professor e diretor do seu Centro de Estudos Internacionais, e do seu Programa de Estudos de Defesa, até 1971. Apesar disto, Heinz Alfred Kissinger não foi um acadêmico, foi, sobretudo, um consultor, funcionário e executivo da segurança nacional, e da política externa norte-americana. Desde 1953, no governo de Dwight Eisenhower, até o final da sua gestão como conselheiro de Segurança da Presidência e como secretário de Estado das administrações de Richard Nixon e Gerald Ford, entre 1968 e 1976. Neste último período, em particular, Henry Kissinger exerceu uma diplomacia pouco convencional e extremamente ágil, como formulador e operador direto de suas próprias decisões, cioso de suas idéias e do seu poder pessoal e institucional. Foi nesta época que ele tomou algumas decisões e liderou iniciativas do governo americano que deixaram marcas profundas na história da segunda metade do Século XX. Leia o resto do artigo »
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Postado em 10 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Le Monde Diplomatique Brasil, dez.2007.
Por Elizabeth Carvalho
A Venezuela bolivariana vive um processo inédito de mobilização social. Foi isso que tornou inviáveis os aspectos ultra-centralizadores e retrógrados do projeto do presidente. Diálogo em Caracas com o sociólogo Edgardo Lander, um socialista comprometido com o futuro da democracia.
Do longo discurso de três horas, restou apenas uma frase. Os bons ouvintes, experientes e calejados, imediatamente identificaram ali a dúvida, o tênue sinal de fraqueza, a pequena brecha por onde escoava o mal-estar oculto nas próprias fileiras chavistas, com a reforma constitucional que o presidente Hugo Chávez acreditava ver aprovada no dia seguinte, por referendo popular. Diante da multidão que cobria de vermelho a imensa Avenida Bolívar, no comício de encerramento de sua campanha em Caracas, ele advertiu: “que fique bem claro: quem votar NÃO vota contra Chávez, vota por Bush”. Chávez sabia que ali mesmo, naquela massa compacta que constituía sua base de apoio, havia muita gente que desta vez não queria, nem iria, dizer SIM ao presidente – apesar da chantagem política implícita na frase.
O professor Edgardo Lander é bem mais que um bom ouvinte, experiente e calejado. Catedrático do Departamento de Sociologia da Universidade de Venezuela e professor do programa de pós-doutorado, dono de uma obra respeitada em todo o mundo, é um intelectual profundamente engajado no processo histórico de mudança que seu país vem experimentando nos últimos anos. Mas é também um crítico feroz da fracassada experiência socialista do século 20, que ele teme se repetir na Venezuela. Uma ordem autoritária, demolidora dos ideais democráticos, que incorporou as tendências mais negativas do modelo industrial-capitalista, com padrões de destruição ambiental ainda mais acelerados que os da sociedade que pretendia combater. Em suma, é um socialista venezuelano que votou NÃO. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
http://raulbaduel.blogspot.com/, 05/11/2007.
Raúl Baduel
GRAL. (R) do EXÉRCITO E EX-MINISTRO DE DEFESA DA VENEZUELA
Como bien ustedes recordaran, mi trayectoria pública ha estado siempre caracterizada por un profundo respeto y apego a las leyes y una defensa a ultranza de la Constitución. En los sucesos de abril de 2002 como militar activo al mando de tropas, me correspondió el privilegio de acompañar al pueblo de Maracay, al pueblo del Estado Aragua y al pueblo venezolano en la restitución del hilo constitucional, tras el tristemente recordado golpe de Estado del 11 de Abril. Por lo tanto, para nadie es un secreto que me identifico plenamente con el proyecto de país plasmado en la Constitución de 1.999, de contenido profundamente democrático que privilegia los principios de igualdad, solidaridad, participación y justicia para el pueblo venezolano, proyecto que fue el motivo de que el pueblo votara en las elecciones del 98 por un cambio a través de este modelo.
Es por estas razones que, luego de haberme tomado un tiempo para reflexionar y meditar sobre el rumbo que lleva nuestra patria y teniendo en cuenta que la nación está siendo conducida en los actuales momentos a un proceso de reforma constitucional, cuyas consecuencias hay que valorar, me siento en la obligación y el deber moral como ciudadano responsable, de establecer algunas consideraciones al respecto y alertar a todos los venezolanos ante este engaño cuyas consecuencias son inciertas. Leia o resto do artigo »
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Postado em 13 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Revista Época, Edição 492 – Out/07
Este é o duelo entre as duas esquerdas existentes na América Latina, diz o ex-guerrilheiro venezuelano.
É difícil tentar desqualificar a crítica de Teodoro Petkoff ao governo Hugo Chávez, na Venezuela, como se ela partisse de um direitista furibundo. Desde a juventude, Petkoff é um ativista da causa da esquerda latino-americana. Depois de romper nos anos 70 com o Partido Comunista, virou também um militante das causas democráticas. Em 2002, foi uma das primeiras vozes na Venezuela a denunciar o golpe que tentou derrubar Chávez. Na semana passada, antes de viajar para o Brasil, para participar em Caxambu, Minas Gerais, do congresso da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), Petkoff deu esta entrevista a ÉPOCA.
QUEM É: Teodoro Petkoff, economista e político venezuelano de 75 anos, filho de imigrantes búlgaros.
O QUE FEZ: Foi dirigente do Partido Comunista da Venezuela. Na década de 60, participou de movimentos guerrilheiros. Na de 90, foi ministro do governo Rafael Caldera.
O QUE FAZ: Um dos principais nomes da oposição a Chávez, dirige hoje o jornal Tal Cual, fundado por ele. Leia o resto do artigo »
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