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Blog do Desemprego Zero

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Copom Sombra

Postado em 13 dEurope/London março dEurope/London 2008

Por Rogério Lessa – 07/03/2008

Alencar BurtiPresidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB).

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter mais uma vez inalterada a taxa SELIC pode ser entendida como cautela em face das incertezas do cenário externo, tendo em vista que os últimos indicadores de inflação já mostram recuo dos preços. Não se pode ignorar, contudo, que a taxa de juros no Brasil continua extremamente elevada, sendo no momento a maior do mundo em termos reais, o que não parece se justificar, tendo em vista os fundamentos da economia brasileira. Com a redução das taxas de juros no exterior, aumentou o diferencial em favor do ingresso de capitais estrangeiros de curto prazo, o que pressiona a taxa cambial e afeta negativamente muitos setores. Esperamos que o Banco Central retome o mais rapidamente possível o processo de redução dos juros, para incentivar os investimentos e o crescimento. Leia o resto do artigo »

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A FARRA DA TAPEAÇÃO

Postado em 1 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008

Ao jornalista é exigida graduação em Comunicação Social, porém o cartel da mídia no Brasil parece não trabalhar para a sociedade, mas para o restrito grupo da Casa Grande. Num discretíssimo e minúsculo canto direito do roda-pé na capa de O Globo, lia-se ontem que o déficit nominal brasileiro atingiu o menor índice da história, fechando 2007 em 2,27% do PIB. Para 2008, a previsão é que caia para inacreditáveis (e desnecessários) 1,2%!

Porém, antes de se revoltar contra a má vontade d’O Globo, o leitor deve ponderar que os demais veículos fizeram pior: não deram destaque algum à notícia, que é de matar de inveja Alemanha, França, Estados Unidos e quase todos os países do mundo, emergentes ou não.

Outro fato que merecia destaque é a queda da relação dívida líquida total/PIB para 42,8%, percentual também reduzido se comparado ao resto do mundo. A prioridade, no entanto, continuou sendo o gasto corrente, que subiu (ligeiramente) acima do PIB (6,4%), mesmo tendo a arrecadação crescido duas vezes mais (13,78%).

O Globo pelo menos noticiou que o pregão eletrônico permitiu aos cofres públicos a economia de R$ 3,2 bilhões ano passado, notícia boa para eles, mas um valor evidentemente ridículo quando comparado aos R$ 159 bilhões (6,25% do PIB) torrados com juros no mesmo período.

Para a elite de nossos editores não bastou o Chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, admitir que “o crescimento ajudou a reduzir o déficit público”, determinando a produção de um superávit primário recorde, superior a R$ 100 bilhões, mesmo com a meta tendo sido rebaixada de 4,25% do PIB para 3,8%. A economia para pagar juros (3,98% do PIB) por sinal, já representa quase o dobro do déficit nominal!

Nenhum destaque também para o investimento público, ainda medíocre, mas 15,6% maior que em 2006.  Comentário algum sobre os vilões preferidos, benefícios previdenciários e folha de pagamento, cujas despesas subiram menos que o PIB, menos que a inflação e menos que a arrecadação: 2,3% e 0,8%, respectivamente.

Essa maneira de fazer “jornalismo” explica o bombardeio à nova diretoria do Ipea, cujo pecado é apenas mostrar que o rei rentista continua nu o ano inteiro, não apenas no carnaval.

Porém está cada vez mais difícil empurrar goela abaixo da Senzala a cantilena da gastança e dos marajás para impedir que qualquer governo governe. Restará, então, o culto ao medo da inflação como variável disponível para que os inimigos do Brasil e dos brasileiros continuem a defender o rentismo e a farra cambial. E não é uma ferramenta desprezível quando há itens, como os alimentos, cujos preços podem ser manipulados pelos oligopólios da distribuição.

Rogério Lessa Benemond: Jornalista do Monitor Mercantil, colaborador da revista Rumos do Desenvolvimento. Prêmio Corecon- RJ de jornalismo econômico 2006. Meus Artigos

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Reservas podem virar pó em pouco tempo

Postado em 23 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

Em 98, país perdeu US$ 36 bi em alguns dias; em 2008, R$ 3,3 bi saíram em 16 dias

O economista Reinaldo Gonçalves, professor de Economia Internacional da UFRJ, adverte que “a absurda liberalização financeira e cambial” deixa o Brasil exposto a perder suas reservas cambiais, duramente conquistadas, “em poucas semanas”. Gonçalves classifica de “bobagem” imaginar que acumular reservas equivalentes à dívida externa dê segurança à economia.

“Em 1997, Gustavo Franco (então presidente do Banco Central) disse isso e no ano seguinte perdemos US$ 36 bilhões em poucos dias”, lembrou. Segundo a Bovespa, em apenas 16 dias, R$ 3,36 bilhões já saíram da bolsa”, lembra.

De janeiro a setembro de 2007, estrangeiros lucraram US$ 151,29 bilhões com aplicações em ativos financeiros aqui e compra de American Depositary Receipts (ADRs), recibos pelos quais as empresas do país são negociadas nos EUA. O lucro acumulado em nove meses pelos estrangeiros superou as exportações do país, no mesmo período, de US$ 116,6 bilhões. E equivale às reservas no ano – pouco mais de US$ 160 bilhões.

Gonçalves frisa que esses investimentos deixarão o país um dia, acrescidos dos ganhos: “O governo deveria impedir que o aplicador saísse de um fundo de títulos públicos para comprar dólar e remeter para fora.” Para o economista, que defende o controle de capitais, a abertura indiscriminada da economia obrigou o governo a adotar políticas que deixaram o Estado brasileiro incapaz até de tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que completou um ano terça-feira:

“O governo Lula mantém superávits fiscais absurdos e ainda assim o PAC está emperrado. O programa é apenas uma lista de obras que agora já inclui aumento de salário para a PM e até obra no morro do Pavãozinho, quando deveria recuperar a infra-estrutura”, avalia.

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AINDA VULNERÁVEIS

Postado em 18 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

A crise imobiliário-financeira que afeta a economia dos Estados Unidos desde o ano passado terá repercussões no Brasil. A advertência foi feita, em entrevista à Agência Brasil, pelo economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Para ele, existe consenso de que a crise norte-americana afeta o Brasil e o mundo todo: “Só que afeta o Brasil mais do que o conjunto da economia mundial frente às vulnerabilidades do Brasil, que são muito grandes”, salientou. Gonçalves afirmou que o Brasil é um país vulnerável, porque não construiu, ao longo do tempo, os elementos necessários para protegê-lo de fatores desestabilizadores externos. Além disso, o país, nesse passado recente, em vez de melhorar suas condições internas, fragilizou-se em áreas importantes, ficando em pior situação relativa do que o restante do mundo.

Segundo o economista, o risco de o Brasil ser afetado pela crise dos EUA existe, apesar do crescimento do crédito registrado ano passado. Ele explicou que, como o crescimento brasileiro é impulsionado por crédito, essa expansão tem “fôlego curto”, especialmente quando o país não tem condições de manter um crescimento sustentável.

Gonçalves avaliou que o grande problema da crise do mercado imobiliário norte-americano é que o crédito se expandiu de forma muito rápida, entre 2003/2004, com juros elevados, e isso não se sustentou por muito tempo.

“E começou a dar problemas na área financeira. No caso do Brasil, o problema financeiro ainda não está aparecendo de forma tão séria, embora já surjam problemas sociais de gente que se endividou – pensionistas, aposentados, trabalhadores, que estão com a corda no pescoço. O problema é que as condições de oferta não acompanharam. Daí a pressão inflacionária que a gente está tendo, que tem a ver com essa expansão de demanda sem a correspondente expansão da oferta”, explicou.

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HÁ QUEM DIGA A VERDADE

Postado em 15 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

Luis Nassif, jornalista de verdade, chama a atenção hoje em seu blog (clique aqui) para as mudanças (para melhor) ocorridas no IPEA (Instituto de Pesquisas Econômico Aplicadas)Até o ano passado, a ala carioca do IPEA  parecia a sucursal de alguma instituição financeira. Prestava-se a trabalhos de análise de conjuntura, redundantes e fora de sua vocação de pensar o longo prazo. Nas análises, uma insistência mórbida em atacar qualquer forma de benefício social, e se calar vergonhosamente ao tratar da questão do impacto dos juros sobre as despesas correntes”.

O jornalista exalta o último trabalho de Ronaldo Coutinho Garcia, “Despesas Correntes da União: Visões, Omissões e Opções”. O estudo (Texto para Discussão nº 1319) está à disposição da sociedade no site do IPEA (clique aqui), mas Nassif destaca alguns números que não constumam ser noticiados por causa da blindagem ideológica hoje vigente nos meios de comunicação:

De 2000 a 2005, o “custo da máquina” foi reduzido em 6,8% como proporção do PIB. Os gastos correntes que chegam até o contribuinte passaram de 9,26% para 10,48% do PIB. A participação desses recursos nas rendas dos 50% mais pobres saltou de 12,4% em 2000 para 15,1% em 2006.

Entre 1995 e 2006 as despesas correntes caíram de 86,10% para 79.04% do orçamento. A redução de “pessoal e encargos sociais” foi a mais expressiva: de 24,53% para 13,42%.

Porém… os juros e encargos da dívida saltaram de 10,86% para 18,94%. Nas despesas de capital, a amortização da dívida pública saltou de 5,8% para 15,16% do PIB em 2006.

Benefícios previdenciários (alvos da fúria do cartel dos meios de comunicação) ficaram praticamente estacionados – de 21,09% para 20,27% do PIB.

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País investe apenas 17% do PIB desde 94.

Postado em 14 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

Monitor Mercantil -RJ – 14/01/2008

por Rogério Lessa

Artigo em .pdf clique aqui para ler >>

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O GATILHO DO CARTEL

Postado em 9 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

Sobre a repercussão da entrevista de José Dirceu à Revista Piauí, mais importante que opinar a respeito do ex-ministro da Casa Civil é observar o que disse o experiente jornalista Alberto Dines em seu Observatório da Imprensa: “Quando se lê uma matéria como a da revista Piauí sobre José Dirceu percebe-se claramente a distância que separa nossa grande imprensa do bom jornalismo.”

No Plano Cruzado, tínhamos o “gatilho salarial”, que era acionado para recompor as perdas dos trabalhadores sempre que a inflação chegasse a um determinado patamar. Hoje, confirmando a opinião de Dines, temos no cartel da “grande imprensa” um gatilho ideológico que no final do ano passado foi disparado sobre a nova diretoria do Ipea, que se posiciona contra os incríveis privilégios da Neocasagrande (rentistas) no Brasil.

Ainda que em menor proporção, o mesmo mecanismo foi usado contra Paulo Nogueira Batista, nosso representante no FMI que ousa exigir para o Brasil um espaço naquele organismo multilateral correspondente ao peso de nossa economia.

Os colunistas devotos do Consenso de Washington foram à histeria quando o presidente Lula mostrou (antes tarde do que nunca) ter descoberto o óbvio: “se não gastar, não governo”.

Quando o governo decide taxar um pouco mais os bancos, campeões mundiais de lucratividade, e ameaça reduzir timidamente a meta cruel para o superávit primário, nossos formadores de opinião alertam para o risco de que isso possa comprometer o crescimento da economia (sic) ou atrasar o grau de investimento. Mas nada dizem com relação à interrupção da trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic).

Talvez o mais importante no momento seja mostrar à sociedade a quem interessa manter o país parado e o governo imobilizado: aos nossos “concorrentes” no exterior, à neocasagrande e a boa parte do setor produtivo, que tem no rentismo uma reserva automática de mercado.

Rogério Lessa Benemond: Jornalista do Monitor Mercantil, colaborador da revista Rumos do Desenvolvimento. Prêmio Corecon- RJ de jornalismo econômico 2006. Meus Artigos

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BANCO CENTRAL BAIXA O ASTRAL DA INDÚSTRIA

Postado em 9 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008

Preocupado com a deterioração das “Expectativas para o futuro”no Índice de Confiança do Empresário Industrial, da Fundação Getúlio Vargas (Icei/FGV), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) avalia que os empresários podem estar com medo de que, devido a supostas pressões inflacionárias ou ao cenário externo, a política monetária esteja sendo reorientada. E que o Banco Central (BC) venha a elevar a taxa básica de juros (Selic) para frear a demanda interna, “o que constitui um fator de desestímulo ao investimento”, sublinha o Iedi, argumentando que, “excluído o item alimentos, o aumento médio de preços é de (apenas) 2,16% até novembro de 2007?.

Para o economista Adhemar Mineiro, ex-presidente da Associação de Economistas da América Latina e Caribe (Aealc), no momento em que o governo ameaça cortar R$ 20 bilhões do Orçamento, “o pior dos mundos seria o BC frear o crescimento e subir o gasto com juros a pretexto de conter a inflação, pois a situação fiscal vai piorar e aí vão dizer que precisa aumentar ainda mais a Selic para evitar fuga de capitais”.

Jardel Leal, do Dieese, considera haver um componente político que pode garantir a sustentabilidade do crescimento e do emprego. “Não é mais possível voltar a crescer com a crueldade da exclusão e da concentração, que sempre foi a marca do desenvolvimento no Brasil. Se é que podemos chamar isso de desenvolvimento”.-

Rogério Lessa Benemond: Jornalista do Monitor Mercantil, colaborador da revista Rumos do Desenvolvimento. Prêmio Corecon- RJ de jornalismo econômico 2006. Meus Artigos

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