Postado em 16 dEurope/London dezembro dEurope/London 2007
Roberto d’Araujo
Que eu saiba, no Brasil, Santo Antônio tem fama de ser casamenteiro. Também é muitas vezes invocado para achar objetos perdidos. Mas, o caso da usina de Santo Antônio no rio Madeira provocou um espanto tão grande que dá para pensar que o santo agora é também o milagreiro dos leilões.
O leilão foi vencido pelo Consórcio Madeira Energia: Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura Ltda. (17,6%); Construtora Norberto Odebrecht S.A. (1%); Andrade Gutierrez Participações S/A. (12,4%); Cemig Geração e Transmissão S/A (10%); Furnas Centrais Elétricas S/A (39%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP – formado pelos bancos Banif e Santander) (20%). Em pouco menos de 10 minutos o consórcio arrematou o direito de explorar o potencial oferecendo uma tarifa de R$ 78,87 /MWh. Seria uma surpresa, dado os preços dos últimos leilões de novas hidroelétricas que giraram no entorno de R$ 120/MWh?
Infelizmente, não há milagres na energia elétrica brasileira. Para tentar compreender as condições totalmente terrenas e humanas do caso, venho lembrar algumas questões que, dada a complexidade do atual sistema, são pouco conhecidas da grande maioria da sociedade brasileira. Leia o resto do artigo »
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Postado em 22 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Roberto Pereira d’ Araújo* 22/11/07
Desculpem os leitores, mas, mais uma vez, volto a conceitos básicos sobre o setor elétrico brasileiro. Espero mostrar que todo o complicado modelo mercantil definido a partir das reformas da década de 90, constantemente reformado, mas sempre mantido, tem suas “fundações” erigidas sobre “areia movediça”. Toda vez que fui obrigado a explicar o sistema brasileiro para estrangeiros, vi muitos cenhos franzidos. Dentre os setores elétricos mundiais, somos um espécime esquisito.
Para explicar a confusão, é melhor partir do zero. Suponha o Brasil iniciando a construção do seu setor elétrico e imagine que existisse um “laissez-faire” total que permitisse agentes individuais privados construir suas usinas como quisessem. Um puro mercado, tão ao gosto desta seita. Descrevo abaixo uma historinha bem simplificada, mas com grande aderência ao caso brasileiro.
Para começar a história, um cidadão, Leia o resto do artigo »
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Postado em 7 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Roberto Pereira d’Araujo *4/11/07
Todo supermercado tem alguém que cuida do estoque. Responsável por uma reserva de produtos na prateleira, tem obrigatoriamente que olhar para o futuro, pois precisa de uma estimativa das vendas esperadas para encomendar os produtos com antecedência. Apesar de vantagem financeira, não pode arriscar a ter um estoque muito baixo, pois poderia deixar de vender. Também não pode manter um estoque alto, pois, além de empatar dinheiro em mercadorias que podem custar a ser vendidas, seu armazém tem limitações de espaço.
Para entender o burburinho sobre o gás, é preciso primeiro entender o drama do estoquista. Mas, não o do estoquista do gás, mas sim o da água armazenada nos imensos reservatórios das usinas elétricas. Esse gerente de estoque, o Operador Nacional do Sistema, lida com uma variável aleatória na saída, o consumo de energia e outra variável aleatória na entrada, as afluências dos rios. Seu “armazém” é o maior entre os sistemas similares no mundo. Os reservatórios brasileiros, quando cheios, são capazes de guardar mais ou menos a metade de todos os kWhs que são consumidos em um ano em todo o sistema interligado. A grosso modo, se os rios secassem, e fossemos irresponsáveis, ainda poderíamos ter luz por seis meses. É uma imensa vantagem brasileira.
Apesar de vir de graça, Leia o resto do artigo »
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