Politicômetro
Postado em 23 dEurope/London julho dEurope/London 2008
*Por Paulo Metri
Tenho alguns comentários sobre o teste do “politicômetro” da revista Veja. Parece ser, à primeira vista, um teste ingênuo para, através da emissão da opinião do testando, “situá-lo no campo das liberdades individuais e da relação entre o estado e a economia”, segundo as palavras da revista.
Ela procura dar um respaldo técnico ao teste, ao dizer que “Com a ajuda do sociólogo Alberto Almeida, Veja preparou um questionário com vinte perguntas.” Assim, eu imagino que eles querem transmitir para os testandos que seria um teste isento e confiável.
A Veja continua, buscando atiçar a curiosidade do futuro testando ao dizer: “Assim que terminar de respondê-las, você saberá a sua posição política em um quadrante que tem como eixos os extremos esquerda-direita e liberal-antiliberal.” Quem não fica curioso em saber quais são as perguntas confeccionadas por um especialista e tão marcantes que permitem classificar as pessoas? Alem disso, as pessoas se perguntam como elas serão avaliadas. Notar que é natural ter estas reações.
Entretanto, minhas observações sobre este teste são as seguintes:
O conjunto de perguntas e a forma de apresentação das mesmas não compõem o conjunto mais adequado para a avaliação do posicionamento político das pessoas. Por exemplo, existe uma pergunta, que cita o MST, querendo avaliar se o testando dá valor ao direito de propriedade, sem lembrar sobre a função social que a propriedade deve representar. Por outro lado, não há uma pergunta que busque testar a aprovação do Bolsa Família, por estar proporcionando às pessoas comerem mais, ou seja, não se busca saber como o testando se posiciona com relação ao direito à vida.
O conjunto de perguntas serve também como propaganda dos temas que a revista quer que sejam debatidos e serve para enterrar temas que ela quer esconder do debate. Por exemplo, por que ela não fez uma pergunta sobre o fato de entes privados serem os grandes concessionários dos meios de comunicação de massa no Brasil, os quais não têm a isenção necessária para promoverem um verdadeiro debate público de idéias. Leia o resto do artigo »
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