Postado em 29 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
Por José Augusto Valente*
A chegada da Azul Linhas Aéreas ao mercado, prevista para janeiro de 2009, já está mobilizando os concorrentes.
Na semana passada, as aéreas TAM e Gol entraram junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) com pedidos de autorização de vôo (hotrans) para rotas de interesse da nova companhia de David Neeleman.
As duas líderes, que detêm mais de 90% do mercado doméstico, querem autorização para voar do centro do Rio de Janeiro (Santos Dumont), para Vitória, Brasília e Pampulha (centro de Belo Horizonte) e também de Pampulha para Congonhas.
O assunto ainda é a movimentação das empresas aéreas brasileiras por melhores posições no mercado, prenunciando o acirramento de uma competição que o senso comum entende como salutar, mas que na prestação de serviço público, quase sempre, é mais danoso do que benéfico. Pelo menos para quem é mais importante nisso tudo: o usuário.
Na minha opinião, as tarifas podem ser baixas em função de uma gestão “enxuta”, de máxima eficiência. Porém, tão ou mais importante do que isso é que as empresas precisam ter um grande número de passageiros transportados com custos menores, devido à economia de escala. Leia o resto do artigo »
Postado em 28 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
RIVE GAUCHE
Léo Nunes – Paris - A descoberta de abundantes reservas petrolíferas, da costa de Santa Catarina ao sul da Bahia, tem suscitado um grande debate acerca do modelo de regulação e extração da referida camada, o que pode impactar diretamente uma política de desenvolvimento.
O modelo norueguês parece ser o mais bem sucedido. Em primeiro lugar, ele é baseado na existência de uma empresa de capital misto responsável pela extração de petróleo. Em segundo lugar, há uma empresa estatal a quem é atribuída a gestão e regulação das reservas. Por fim, constituiu-se um fundo soberano com vistas a controlar uma possível apreciação da taxa de câmbio e garantir uma política de desenvolvimento para o país.
No caso brasileiro, parece razoável utilizar tal modelo dado que nossa taxa de câmbio já se encontra apreciada. Além disso, tal fundo poderia ser utilizado para investimentos em educação, tecnologia e infra-estrutura. A extração e exportação deste petróleo podem aumentar consideravelmente a margem de manobra da política fiscal brasileira, abrindo para o país uma oportunidade histórica de desenvolvimento.
Portanto, a camada pré-sal pode ser utilizada para fortalecer as indústrias petroquímica e naval, centrada na criação de setores de produção com alto valor agregado. Entretanto, tais possibilidades podem se concretizar somente se o governo adotar um modelo regulatório que favoreça a capacidade fiscal do Estado e a indústria nacional. Caso contrário, estaremos condenados ao retrocesso.
Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
Postado em 26 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
*Heldo Siqueira
O liberalismo, como concebido por alguns economistas, é representado pelo livre mercado, com mobilidade dos fatores de produção e eficiência na alocação de recursos. O cerne dessa argumentação reside na potência que a atuação individual, em sua natural busca pelo lucro, tem de lidar com a escassez. Do outro lado, o consumidor individual é o soberano que é o único ente que possui o direito natural de entender suas necessidades subjetivas utilizando seus recursos para satisfazê-las.
A questão complica-se se tentamos analisar esse ponto de vista em termos mais apurados. Afinal, se houver uma natureza imutável para cada ser humano, e ele responder da mesma forma sempre que lhe for dado o mesmo estímulo, o ser humano deixar de ter livre arbítrio. Se esse fosse o caso, seria tão inútil quanto desprezível fazer ciência, já que as decisões a serem tomadas corresponderiam à natureza humana, sem que o aprendizado pudesse modificá-la. Ou seja, para adotarmos o livre arbítrio como pressuposto (que é o caso dos liberais) é preciso que não haja natureza humana imutável (como uma mentalidade maximizadora utilitarista, por exemplo). Leia o resto do artigo »
Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
*Heldo Siqueira
Quando falamos em rigidez de preços, estamos falando em duas perspectivas diversas: 1) a rapidez com o qual o sistema de preços responde a choques de oferta ou demanda; e 2) o grau de distorção que o escalonamento de preços relativos permite como resposta a escassez relativa dos bens. Em um sistema econômico estacionário, não precisamos nos preocupar com distorções no escalonamento dos preços, afinal, os preços sempre tendem à sua escassez relativa. Assim, a questão é apenas descobrir a velocidade com a qual os preços tenderão aos “preços naturais”. Entretanto, em mercados não estacionários a rapidez dos ajustes pode amplificar a distorção dos preços relativos.
Na verdade, os movimentos repentinos nos preços provocam uma mobilização acentuada de recursos. Dessa forma, é impossível prever, com base nas informações anteriores a um choque, a perfeita alocação dos recursos. Mais que isso, o choque, dependendo de quanto mobiliza recursos, modifica o ponto de equilíbrio de longo prazo. Esse é o conceito de “path dependence” segundo o qual, o ponto de equilíbrio do sistema depende do caminho que foi trilhado.
Esse parece ser o caso do mercado de dólares. Vários dos novos países industrializados utilizam a política monetária para manter suas moedas desvalorizadas. Assim, tornam suas exportações mais competitivas e, dessa forma, sustentam seu desenvolvimento. Chegamos a um momento no mercado internacional, dada a crise dos sub-prime, no qual a manutenção do endividamento das famílias americanas era insustentável. Houve, então, um movimento de desvalorização do dólar que tornou a dívida americana relativamente menor. Ou seja, os americanos ficaram relativamente mais pobres, mas menos endividados, podendo-se endividar novamente. Como contrapartida, provocou esse movimento provocou o aumento da maior parte dos preços das “commoditties” cotados no mercado internacional. Dessa forma, a maioria dos países passou a importar inflação dos americanos, sem que nada pudessem fazer para deter esse movimento.
Por outro lado, há nesse momento, uma nova tendência para a valorização do dólar e, conseqüentemente, para deflação nos preços cotados no mercado internacional. Ou seja, o movimento que aumentou os índices de inflação das principais economias do mundo deve regredir e devemos ter o dólar voltando à estabilidade. Por essa perspectiva, a diminuição nos principais índices mensais de inflação – e principalmente os IGP´s, que são mais sensíveis ao câmbio – está completamente descolada da política de juros do Banco Central.
Na verdade, é provável que o aperto monetário tenha sido maior que o necessário e tenhamos que pagar a conta em menos postos de trabalho criados. Tudo por precipitação dos nossos gestores de política monetária.
* Heldo Siqueira: gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo). Meus Artigos
Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
Por Rodrigo L. Medeiros*
Há cinqüenta anos atrás, John Kenneth Galbraith publicou um clássico livro sobre as transformações que se passavam no capitalismo. A sociedade afluente foi traduzido para diversos idiomas e instigou reflexões sobre os rumos das sociedades industriais. Em um dos capítulos do respectivo clássico, Galbraith questiona até que ponto a soberania do consumidor se sustenta como um fato.
Em síntese: “À medida que uma sociedade se torna mais afluente, as necessidades são cada vez mais criadas pelo processo por meio do qual são satisfeitas” (Galbraith essencial. Futura, 2007. p.47). Uma pessoa com fome não precisa ser informada sobre a sua necessidade de alimento. Ela simplesmente sente uma necessidade. Para as necessidades de segunda classe, isto é, aquelas resultantes do esforço de manter-se adiante ou acima do seu próximo, quanto maior o seu nível, mais altas elas serão. Elas são praticamente insaciáveis, afirmou John M. Keynes.
Como economista institucionalista de corte liberal-democrata, Galbraith afirma que não se deve simplesmente defender qualquer forma de produção para satisfazer as necessidades individuais das pessoas. Em sociedades brutalmente desiguais em termos de distribuição de renda, o quadro analisado por Galbraith torna-se ainda mais dramático. Até que ponto a modernidade associada aos padrões de consumo propagados pelos grandes interesses pecuniários estabelecidos estão em consonância com as reais necessidades das sociedades retardatárias e, em que medida, ela se associa a uma estratégia de desenvolvimento sustentado para essas respectivas sociedades? Leia o resto do artigo »
Postado em 24 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
Por José Augusto valente*
O número de acidentes de trânsito atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi menor em 17 capitais e no Distrito Federal, no primeiro mês de vigência da Lei Seca, em relação aos 30 dias anteriores .
A lei entrou em vigor no dia 20 de junho. Consideradas as 26 capitais pesquisadas, no total, houve uma redução de 14,86%, em relação ao período anterior (de 21 de maio a 19 de junho), segundo dados divulgados hoje (20) pelo Ministério da Saúde. O número de ocorrências caiu de 11.918 para 10.146.
A redução foi de mais de 20% em seis cidades: Manaus (67,87%), Belém (56,10%), São Luiz (28,57%), Campo Grande (24,58%), Salvador (22,78%) e Macapá (22,62%). Leia o resto do artigo »
Postado em 22 dEurope/London agosto dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris
Brasil
O presidente Lula voltou a afirmar que vai fazer seu sucessor em 2010. Nos bastidores, Lula trabalha pelo nome da ministra Dilma Rouseff (Casa Civil). Entretanto, Marta Suplicy e o ministro Tarso Genro (Justiça) correm por fora pela nomeação. O sucesso da empreitada do presidente dependerá da sua capacidade de transferência de votos.
Economia
Depois dos resultados negativos divulgados pelos países da zona do euro, é a vez da Inglaterra mostrar que sua economia também não vai bem. O crescimento do PIB foi nulo no segundo trimestre do ano. Este é mais um sinal de alerta para o fato de que os ventos da economia mundial estão mudando de lado.
Internacional
Um acidente com um avião da SpainAir deixou 153 mortos no aeroporto de Barajas, na Espanha. Segundo o diário espanhol El País, horas antes do acidente funcionários da companhia preparavam uma greve contra a demissão maciça de funcionários. A empresa enfrenta graves problemas financeiros.
Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras. Meus Artigos
O Blog do Bruno, outro blogueiro que apóia a candidata Jô Moraes (PC do B) em Belo Horizonte, publicou uma matéria sobre a disputa eleitoral naquela cidade. De forma bem direta, a matéria mostra como o PT, com sua bancada na Câmara dos Deputados, proporciona horário eleitoral para aparição de um adversário político, o governado mineiro Aécio Neves (PSDB). Se alguém ainda tinha dúvidas de que Aécio é oposição ao governo Lula, agora acabou a dúvida. Basta ver suas críticas às ações do governo federal, acusando-o de gastar mal os recursos públicos. De fato, o governador mineiro e seu partido, o PSDB, sentem-se incomodados com um pecado para os padrões tucanos: o gasto com os pobres. Por esse motivo, os tucanos em nota à imprensa deixam escapar a revolta com a possibilidade do governo utilizar os recursos extras do pré-sal para a melhorar a vida dos brasileiros. Mas essa é outra discussão.
Começou ontem na TV o horário eleitoral gratuito dos candidatos a Prefeito. Em Belo Horizonte, o tempo destinado ao candidato indicado pelo Governador Aécio Neves foi de pouco mais de onze minutos. Já a candidata Jô Moraes, que lidera as pesquisas de opinião pública, teve pouco mais de um minuto de espaço para se apresentar ao eleitor e expor suas propostas.
E por que o tempo do candidato do Governador Aécio Neves foi tão extenso? A resposta é simples: o critério de divisão do tempo entre os candidatos leva em conta o número de deputados federais que tem cada coligação. O PT, como é sabido, tem uma grande bancada na Câmara dos Deputados em Brasília (tanto é que fez o Presidente da Câmara) e está na coligação que apoia o candidato indicado pelo Governador Aécio Neves, juntamente com vários outros partidos.
Como já era esperado, o Governador Aécio Neves apareceu e ocupou parte mais do que significativa no programa eleitoral de seu candidato, embora o PSDB “formalmente” não componha a coligação PSB-PT.
Assim, graças ao grande tamanho da bancada do PT na Câmara dos Deputados em Brasília, o Governador Aécio Neves, do PSDB, teve bastante tempo no programa eleitoral gratuito. Leia o resto do artigo »