Postado em 16 dEurope/London julho dEurope/London 2009
Por Alcino Ferreira Camara Neto e Matias Vernengo
Acreditamos que a crise financeira, lastimavelmente, não servirá para que reavaliemos as políticas dos últimos 6 anos. A notícia de que, em função da queda da receita tributária, pretende-se cortar gastos e reduzir a política de contratação e recuperação salarial que vinha sendo anunciada reforça a tese de que não teremos uma transformação de política na direção e na magnitude que se necessita. Entre o medo de arriscar do governo e a invulnerável fortaleza das elites rentistas acasteladas no Comitê de Política Monetária (Copom), restam poucas esperanças.
É provável, portanto, que a opressão da conta de juro grande sobre a favela se mantenha, e que nosso déficit democrático continue favorecendo os privilegiados que votam no Copom, em lugar dos pobres coitados que o fazem em seus respectivos distritos eleitorais! Leia o artigo…
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Postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Matías Vernengo
O Fórum Econômico Mundial lançou há pouco seu relatório anual sobre competitividade. A mídia divulgou os resultados e ressaltou a queda do Brasil no ranking em comparação com o ano anterior (ver aqui ou aqui). O Brasil passou da 66a para 72a posição, sendo menos competitivo do que os outros BRICs (Rússia, Índia e China). O problema sugerido na maior parte das discussões seria que o Brasil não teria dinamismo econômico e, portanto, teria uma tendência a crescer mais lentamente. O relatório é em geral aceito sem maiores críticas pela mídia, a despeito do fato de que na América latina países como Panamá e El Salvador estariam na frente do Brasil. Isto deveria, pelo menos, levantar algumas suspeitas sobre a credibilidade dos resultados.
Um simples exercício é verificar se existe alguma correlação entre crescimento e o índice de competitividade compilado pelo Fórum Econômico Mundial. O gráfico abaixo mostra a correlação entre crescimento (estimado para 2007 pelo FMI) e o referido índice de competitividade (onde a linha vermelha representa a regressão). A correlação é negativa, o que sugere que uma queda da competitividade levaria a uma maior taxa de crescimento, com o que a mídia deveria ficar satisfeita com o fraco desempenho da competitividade do Brasil (o coeficiente é estatisticamente significativo, embora o poder explicativo da regressão seja baixo). E, de fato, o Brasil vai crescer mais este ano do que no ano passado a despeito da queda no índice de competitividade. (Para visualisar melhor o gráfico clique nele)

A regressão da figura acima não é a última palavra sobre a relação entre crescimento e competitividade obviamente. Alguém poderia apontar para o fato de que seria mais razoável fazer o mesmo com a media de vários anos, ou que deveríamos incluir outras variáveis omitidas neste exercício. Contudo, o objetivo do simples exercício econométrico é apontar as limitações dos índices de competitividade. O que a mídia deixou de discutir é o que de fato este índice mede. Leia o resto do artigo »
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Postado em 6 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Matías Vernengo
Arthur Okun, economista americano do MIT, falecido prematuramente em 1980, é lembrado pela lei que leva seu nome, que ele desenvolveu em 1962 quando era membro do Comitê de Conselheiros Econômicos do presidente Kennedy. A pergunta que Okun tentava responder era quanto deveria crescer a economia para que a taxa de desemprego caísse um ponto percentual. Sua análise sugeria que nos anos 60 a economia americana devia crescer 3% para reduzir em 1% a taxa de desemprego. Cálculos mais recentes (ver aqui) indicam que a relação hoje estaria mais próxima de 2%, como é comprovado pelo gráfico abaixo (cálculos do autor). Clique no gráfico para ver com detalhes.
O interessante sobre a Lei de Okun é que ela é incrivelmente robusta não somente em países desenvolvidos, mas aparentemente nos periféricos. A figura acima também mostra a relação de Okun para o Brasil entre 1985 e 2007. Os dados do mercado de trabalho brasileiro são menos confiáveis (a série é mais curta, e restrita aos principais centros metropolitanos), mas os resultados são essencialmente iguais. O que eles indicam é que o PIB deveria crescer aproximadamente 1,9% para poder reduzir em 1% a taxa de desemprego. Ou seja, para reduzir o desemprego para um patamar de 4 ou 5% a economia deveria crescer entre 7,6 e 9,5% a mais do que a taxa média dos últimos anos (pouco acima dos 2,5%). Portanto, taxas de crescimento chinesas (ou venezuelanas) seriam necessárias.
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Postado em 1 dEurope/London novembro dEurope/London 2007
Matías Vernengo
Por muito tempo, possivelmente devido à alta inflação, alguns conceitos da teoria macroeconômica tradicional eram considerados irrelevantes no Brasil. Por exemplo, nos anos 80 economistas da PUC do Rio mostraram que a curva de Phillips não tinha relevância nos trópicos. Um inesperado efeito negativo da estabilização é o crescente uso de conceitos da sabedoria convencional, que em geral, são perniciosos e dificultam a compreensão dos nossos problemas, em lugar de clarificar. Esse é o caso da redescoberta do Produto Interno Bruto (PIB) potencial.
O PIB potencial mede a capacidade máxima de crescimento da economia. Se a economia crescer além do PIB potencial pressões inflacionárias aparecerão imediatamente. Sérgio Werlang, em artigo recente no Valor Econômico, argumenta que, de acordo com uma pesquisa do Banco Itaú, a tendência de expansão do PIB passou de 1,9%, entre 1996 e 2002, para 3,9%, a partir do final de 2002. Na última Conjuntura Econômica dois cenários extremos são propostos para calcular o PIB potencial. No cenário otimista, o crescimento do PIB potencial seria de 4,6% em 2008 e chegaria a 5,4% em 2015. No cenário pessimista, a taxa de crescimento do PIB potencial se manteria em torno de 3,5%, de 2008 a 2015.
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