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Blog do Desemprego Zero

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Novo Desenvolvimentismo: Nordeste e Brasil na eletrônica de montagem

Postado em 12 dEurope/London maio dEurope/London 2009

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Desenvolvimento e industrialização do Nordeste pela eletroeletrônica

Postado em 10 dEurope/London maio dEurope/London 2009

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Quem acredita no poder da magia das finanças?

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros

“O episódio eufórico é protegido e sustentado pela vontade dos envolvidos, a fim de justificar as circunstâncias que os tornam ricos. E é igualmente protegido pela vontade de ignorar, exorcizar ou condenar aqueles que exprimem dúvidas” – John Kenneth Galbraith (1908-2006).

Há alguns anos trás, John Kenneth Galbraith escreveu: “Em Wall Street, como em toda parte, há uma fé profunda no poder da magia. A magia preventiva requeria que um importante número de pessoas repetisse com o máximo de firmeza que isso [a queda do mercado] não aconteceria”. O livro ‘1929: o colapso da bolsa’, originalmente publicado em 1955, se tornaria um clássico.

Não há dúvidas quanto ao fato do momento presente ser outro. No entanto, a clássica descrição de Galbraith merece ser revisitada. O “apoio organizado”, por exemplo, captura o quadro da recente concertação em torno da redução das taxas básicas de juros realizada por vinte bancos centrais. Segundo Galbraith, “apoio organizado significava que os homens poderosos se organizariam para manter os preços dos valores em níveis razoáveis”. Irving Fisher, professor e especulador, declarou na época que a queda do mercado traduzia apenas a eliminação dos irracionais. Mesmo assim, o pânico não cederia.

Uma onda de fusões ocorreu na década de 1920. Cada nova fusão demandou, invariavelmente, algum novo capital e novas emissões de títulos. Tratou-se também de uma época de consolidação. Entre as motivações, destaca-se a eliminação ou regularização da concorrência. Thorstein Bunde Veblen (1857-1929) havia identificado tal tendência quando analisou a sabotagem que os capitães de indústrias e finanças operavam para manter os lucros estavelmente elevados pela via da regulação do output para impedir que a oferta ultrapassasse gradualmente a demanda.

À análise crítica de Galbraith não escapou o fato de que se há alguma diferença entre o oráculo caldeu e um economista moderno ela se deve ao “detalhe” de que as previsões de chuva ou seca do caldeu não influíam no clima. Os rumos da economia dependem, cada vez mais, das previsões dos tomadores de decisão. Conforme alertou a UNCTAD, em seu TDR 2008, as estratégias dos bancos comerciais e das outras instituições financeiras influenciam a concessão do crédito e a alocação de recursos na economia. A crítica de Galbraith encontra-se em consonância com os movimentos atuais da Casa Branca, incluindo o Federal Reserve System, e os bancos centrais do Primeiro Mundo. Quanto ao fim da magia, Galbraith afirmou: “o milagre da alavancagem permitia realizar essa operação relativamente sem custos ao homem situado no final de toda a cadeia de grupos”. O socorro de instituições financeiras integra esse imbróglio sociológico. O “incesto fiscal” no âmbito das grandes corporações mostrou-se um instrumento de estímulo da alavancagem.

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“De todos os mistérios da Bolsa de Valores nenhum é tão impenetrável quanto a razão de sempre haver um comprador para cada vendedor. Ninguém sabia, mas nunca é demais ressaltar, que para a eficácia da magia o conhecimento não é nem necessário nem presumido. Um banqueiro não precisa ser popular; de fato, um bom banqueiro em uma sociedade capitalista coerente deve, provavelmente, ser objeto da reprovação geral. As pessoas não desejam confiar seu dinheiro a um cidadão complacente, mas a um misantropo que pode dizer não. Entretanto, um banqueiro não deve parecer fútil, ineficaz ou vagamente tolo” – J. K. Galbraith.

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Não se pode dizer que a disciplina de mercado mostrou-se capaz de monitorar os abusos do sistema. Onde estariam as virtudes da auto-regulação do mercado no momento em que elas são mais necessárias? Pois bem, essa ainda é uma questão atual. A crise de 1929 testemunhou uma queda do prestígio dos banqueiros. Longe de ajudar a estabilizar o mercado, o pool de banqueiros de então estava buscando se livrar do papelório. Leia o resto do artigo »

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A liberdade numa sociedade complexa: revisitando Karl Polanyi

Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros

“O futuro de alguns países já pode ser o presente em outros, enquanto alguns ainda podem incorporar o passado dos demais. Mas o resultado é comum a todos eles: o sistema de mercado não será mais auto-regulável, mesmo em princípio, uma vez que ele não incluirá o trabalho, a terra e o dinheiro” (Karl Polanyi).

Pertence ao último capítulo do clássico livro A grande transformação (Campus, 2000), de Karl Polanyi, o título desta reflexão. Publicado em 1944, o respectivo livro tornou-se um clássico do pensamento econômico do Século XX. Sua tese central baseia-se na insustentabilidade sócio-ambiental do princípio do mercado auto-regulável.

Conforme afirma Polanyi, “uma tal instituição não poderia existir em qualquer tempo sem aniquilar a substância humana e natural da sociedade; ela teria destruído fisicamente o homem e transformado seu ambiente num deserto” (p.18) . Nesse sentido, “inevitavelmente, a sociedade teria que tomar medidas para se proteger” (idem). Como resultado da busca por proteção, a própria auto-regulação do mercado seria prejudicada.

A aparente contradição descrita por Polanyi traduz um dilema enfrentado pelos fundamentalistas de direita e esquerda, ortodoxos nas suas respectivas formas de pensamento. Estariam as sociedades efetivamente reféns de escolhas políticas extremas no campo da organização econômica?

Polanyi argumenta que “a verdadeira crítica à sociedade de mercado não é pelo fato de ela se basear na economia – num certo sentido, toda e qualquer sociedade tem que se basear nela – mas que sua economia se baseava no auto-interesse” (p.289). Reconhecer que houve a imposição do sistema de mercado, em muitos casos de forma violenta, por finalidades não-econômicas não exige grande esforço intelectual. Basta pensar no colonialismo praticado por diversas potências do passado. Dificilmente se pode considerar que as práticas colonialistas terminaram com o mercantilismo e com o advento dos pensadores liberais. O uso impiedoso da força contra os mais fracos, incluindo a sofisticação do poder condicionado no campo intelectual, e a corrupção desenfreada nos escalões administrativos ilustraram histórias de imposição de mecanismos de mercado.

Os diversos sistemas sociopolíticos sentiriam o peso da Revolução Industrial e da haute finance. Seria muito difícil não ser enredado nesse sistema em expansão. Dificilmente se pode afirmar tranqüilamente que havia pacifistas entre os membros dessa emergente classe de capitães de indústria e finanças. Muitos haviam feito fortunas financiando guerras e lucrando com a “paz dos vencedores”. Segundo Polanyi, “o objetivo da haute finance era o lucro; para atingi-lo era necessário um bom relacionamento com os governos, cujo objetivo era o poder e a conquista” (p.26). Empréstimos e suas renovações se articulavam com o crédito e este, por sua vez, dependia do bom comportamento. Leia o resto do artigo »

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O retorno do pêndulo: algumas breves reflexões

Postado em 24 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Movimentos pendulares nas questões humanas são certamente temas passíveis de intermináveis debates. No que diz respeito à intervenção do Estado na economia, deve-se esperar que o debate esquente. Como sempre, há grandes interesses em jogo.

A frustrada Rodada de Doha, da OMC, traduz, em uma larga medida, a tendência de que a primazia da política das nações se estabeleça nos próximos tempos sobre os interesses pecuniários imediatos dos grandes grupos econômicos e financeiros transnacionais. O endurecimento nas negociações internacionais por parte dos países menos desenvolvidos e as tensões internas nas sociedades mais evoluídas são sinais desse novo tempo.

Ralph Gomory e William Baumol avaliaram que os interesses nacionais podem entrar em conflito com o comércio global e que não há nenhuma garantia de que o livre-comércio possa atender ou mesmo conciliar os interesses de todos os participantes da arena econômica [1]. A captura de indústrias e empregos detentores de capacidades tecnológicas dinâmicas, por exemplo, representa um dos pontos de conflito mapeados pelos respectivos autores. O diagnóstico posterior de Paul Samuelson seguiu essa linha de raciocínio [2].

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“Não há evidência clara a demonstrar que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa” (John Maynard Keynes).

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O mais recente relatório anual da UNCTAD, o TDR 2008, por sua vez, traz duras críticas ao fundamentalismo de mercado praticado pela ortodoxia neoclássica. A crítica à agenda de desregulamentação dos mercados perpassa o documento. Não se precisa de muito esforço intelectual para se perceber como os instrumentos financeiros complexos, ao invés de reduzirem os riscos operacionais, serviram para espalhar os efeitos dos riscos por países e mercados. A recente crise das hipotecas nos EUA revelou, novamente, como o mercado é ineficaz para prevenir recorrentes episódios de exuberância irracional quando as firmas buscam obsessivamente extrair retornos de dois dígitos numa economia que cresce a um ritmo menor. Oportunidades para a especulação estão presentes na atual arquitetura financeira internacional e as mesmas são capazes de desestabilizar os sistemas econômicos.

As “expectativas racionais” dos agentes econômicos em torno da liberalização financeira iniciada na década de 1980 apontavam no sentido de que a abertura dos setores financeiros para os bancos estrangeiros introduziria maior competição na oferta de crédito, o que deveria ajudar a reduzir as taxas de juros praticadas nos mercados domésticos dos países emergentes. Houve uma expansão das atividades financeiras nos países em desenvolvimento, porém tal fato raramente levou a um crescimento sustentado do empréstimo bancário aos setores produtivos de bens e serviços para fins de investimento. O sistema financeiro preferiu continuar ofertando crédito para o consumo, mesmo que esse processo tenha desembocado recorrentemente em crises. Governos e bancos centrais precisaram agir. Após as crises, a maioria dos bancos comerciais ainda considerou mais rentável e menos arriscado emprestar para estender o consumo ou comprar títulos públicos do que financiar investimentos produtivos. Quando seguem suas estratégias e metas corporativas, os bancos e as outras instituições financeiras influenciam os rumos das atividades econômicas. Leia o resto do artigo »

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Nadando contra a corrente da sabedoria convencional

Postado em 10 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Não se trata de uma tarefa simples nadar contra a corrente da sabedoria convencional estabelecida. Tampouco se pode dizer que essa dificuldade é nova na história da humanidade. Mais recentemente, alguns exemplos chamam a atenção das mentes progressistas. Thorstein Bunde Veblen (1857-1929) foi um intelectual diferenciado e que causou diversas polêmicas. Sua capacidade de pensar fora do enquadramento acadêmico estabelecido de seu tempo lhe rendeu fama e seguidores do porte de Wesley Clair Mitchell (1874-1948) e John Kenneth Galbraith (1908-2006), dois ex-presidentes da Associação Americana de Economia.

Pelos padrões da vida acadêmica da época, Veblen não pode ser enquadrado como conformista. Veblen destacou-se como o intelectual que analisou com olhos penetrantes o ganho pecuniário e o modo como as pessoas se comportariam para obtê-lo. Teoria da classe ociosa (1899) ainda instiga profundas reflexões. Segundo Galbraith, “a grande obra de Veblen é um comentário de amplo alcance e atemporal sobre o comportamento das pessoas que possuem ou buscam a riqueza e que, olhando além de suas posses, querem a eminência que, como acreditam, a riqueza pode comprar” [1].

Thorstein Veblen

Veblen

Como se pode passar pela vida acadêmica sem reconhecer os efeitos do consumo conspícuo ou da emulação pecuniária? Aos trinta e cinco anos de idade Veblen foi lecionar na Universidade de Chicago. Lá, amparado por James Laurence Laughlin (1850-1933), ele colaboraria com o Journal of Political Economy e lançaria sua obra máxima em 1899, seu primeiro livro.

Teoria da classe ociosa ilumina o efeito da riqueza sobre o comportamento. Ninguém que tenha lido esse livro voltará a encarar o consumo à luz da ortodoxia neoclássica. Embora careça de fontes bibliográficas, a obra maior de Veblen contempla os anos de leituras e estudos antropológicos do autor.

Os professores liberais da Universidade de Chicago vinham sofrendo ataques da parte da plutocracia local na época da confecção do primeiro livro de Veblen. Seus membros, conta Galbraith, “esperavam que a economia e outras ciências sociais fornecessem a doutrina justificadora de seus privilégios” [2]. Chegou-se a contar aos estudantes de Chicago que aquela instituição devia sua existência à beneficência de Rockefeller. Guardadas as devidas proporções, o mesmo se passava em Cornell, em relação à Vanderbilt, e em outras instituições mais antigas que recebiam a beneficência da riqueza generosa e patriótica. Na década de 1890, The Chicago Journal publicou: “O dever de um professor que aceita o dinheiro de uma universidade por seu trabalho é ensinar a verdade estabelecida, não se envolver na ‘pesquisa de verdade’” [3]. Veblen não aceitou essa lição de bom comportamento. Leia o resto do artigo »

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Soberania do consumidor?

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros*

Há cinqüenta anos atrás, John Kenneth Galbraith publicou um clássico livro sobre as transformações que se passavam no capitalismo. A sociedade afluente foi traduzido para diversos idiomas e instigou reflexões sobre os rumos das sociedades industriais. Em um dos capítulos do respectivo clássico, Galbraith questiona até que ponto a soberania do consumidor se sustenta como um fato.

Em síntese: “À medida que uma sociedade se torna mais afluente, as necessidades são cada vez mais criadas pelo processo por meio do qual são satisfeitas” (Galbraith essencial. Futura, 2007. p.47). Uma pessoa com fome não precisa ser informada sobre a sua necessidade de alimento. Ela simplesmente sente uma necessidade. Para as necessidades de segunda classe, isto é, aquelas resultantes do esforço de manter-se adiante ou acima do seu próximo, quanto maior o seu nível, mais altas elas serão. Elas são praticamente insaciáveis, afirmou John M. Keynes.

Como economista institucionalista de corte liberal-democrata, Galbraith afirma que não se deve simplesmente defender qualquer forma de produção para satisfazer as necessidades individuais das pessoas. Em sociedades brutalmente desiguais em termos de distribuição de renda, o quadro analisado por Galbraith torna-se ainda mais dramático. Até que ponto a modernidade associada aos padrões de consumo propagados pelos grandes interesses pecuniários estabelecidos estão em consonância com as reais necessidades das sociedades retardatárias e, em que medida, ela se associa a uma estratégia de desenvolvimento sustentado para essas respectivas sociedades? Leia o resto do artigo »

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Keynes e a conjuntura: breves comentários

Postado em 15 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros*

Há muitos anos atrás John Maynard Keynes escreveu: “Os dois principais defeitos da sociedade em que vivemos são sua incapacidade para proporcionar o pleno emprego e a sua arbitrária e desigual distribuição da riqueza e das rendas” (Teoria geral. Cap. 24, I). Keynes não atacou a inconseqüente degradação do meio ambiente causada pela fúria industrialista, pois isso alargaria o escopo de sua obra clássica. As prioridades de seu tempo eram outras.

Keynes revolucionou a ciência econômica então estabelecida ao descrever como um sistema econômico poderia operar abaixo do pleno emprego dos fatores de produção e quais as suas conseqüências sociopolíticas para os sistemas democráticos. Estado e mercado, assim como havia descrito Adam Smith, eram complementares no processo de desenvolvimento das nações. Keynes demonstrou também como a teoria neoclássica estabelecida nas crenças dos seus adeptos mais ortodoxos negava a possibilidade do desemprego involuntário. Oferta e demanda encontravam periodicamente os seus pontos de equilíbrio abaixo do pleno emprego do fator trabalho.

Onde estariam as causas desse fenômeno? Keynes detectou nas expectativas dos agentes econômicos elementos psicológicos capazes de influenciar o nível dos investimentos produtivos numa economia. Em situações de grandes incertezas quanto à demanda por bens e serviços, a preferência pela liquidez era exercida com freqüência. Recursos financeiros acabavam sendo drenados da economia real para as aplicações financeiras. Os investimentos produtivos, medidos pela formação bruta de capital fixo, eram travados e a ociosidade dos fatores de produção tornava-se uma realidade crônica. Leia o resto do artigo »

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