Postado em 27 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
STIGLITZ DENUNCIA HIPOCRISIA FINANCEIRA
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – Em artigo publicado pela revista eletrônica da Universidade de Berkley, o renomado (e lúcido) economista Joseph Stiglitz traça uma interessante comparação entre a crise asiática de 1997 e a atual crise do mercado de crédito imobiliário dos EUA (clique aqui para ler o artigo).
Segundo Stglitz, o FMI errou profundamente no diagnóstico e na profilaxia da crise asiática. Se a análise do FMI estivesse correta, segundo o economista, a recuperação destas economias não seria tão rápida (vide as taxas de crescimento dos países asiáticos). Mais do que isso, os países que superaram a crise com maior rapidez e eficácia foram aqueles que não seguiram a cartilha da entidade. Vale lembrar que China e Índia mantêm rígidos mecanismos de controles de capitais.
De certa forma, a crise atual tem como causa a excessiva liberalização da conta financeira, amparada nos interesses das grandes instituições financeiras. Para Stiglitz, a globalização financeira exacerbou a instabilidade dos fluxos de capitais e das principais variáveis monetárias de uma economia capitalista, quais sejam a taxa de câmbio e a taxa de juros, o que potencializa os efeitos de uma crise financeira e/ou cambial.
Portanto, o ilustre economista questiona a não-construção de uma arquitetura financeira que minimize a instabilidade financeira e que não onere de modo tão dramático o desempenho econômico de países periféricos. Apontam-se causas distintas das verdadeiras em função de interesses políticos e econômicos. Nisto consiste a famigerada hipocrisia financeira.
Beatriz Kushnir escreveu um livro “incômodo” para a mídia brasileira. É “Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988″, que conta histórias interessantes sobre os bastidores de jornais e emissoras de televisão durante o regime militar. Fala do funcionário que Victor Civita despachou para “treinar” censores em Brasília. Fala dos censores que foram trabalhar dentro da TV Globo. Fala dos policiais que se tornaram “jornalistas” e dos jornalistas que fizeram papel de policiais. Fala dos bastidores da “Folha da Tarde”, o jornal do grupo Folha que prestou serviços à repressão. Está explicado, portanto, o motivo pelo qual esse livro quase não foi resenhado. Beatriz hoje é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que tem um dos maiores acervos da imprensa alternativa que floresceu durante o regime militar.