Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
“A condição necessária para que o Brasil evite a perspectiva de um apagão da qualificação passa inexoravelmente pela modernização do processo seletivo de empregados pelas empresas privadas.”
Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Valor Online (restrito a assinantes)
Por: Marcio Pochmann*
Com a expansão da economia nacional em torno dos 5%, o Brasil passou a gerar cerca de 2,5 milhões de empregos ao ano. Considerando que o país ainda não dispõe de um efetivo sistema público de emprego, capaz de combinar simultânea e articuladamente as funções de intermediação de mão-de-obra, capacitação profissional e pagamento de benefícios vinculados ao risco do exercício do trabalho extensivo à População Economicamente Ativa (PEA) nos mais de 5.500 municípios brasileiros, cabe analisar as razões da prevalência do anacrônico processo de seleção de pessoal adotado, em geral, pelas empresas.
Atualmente, sabe-se que há, em média, quatro trabalhadores disponíveis para cada vaga aberta no mercado nacional de trabalho. Isso quando se combina o estoque estimado de 8 milhões de desempregados com os 2,3 milhões de novos ingressantes por ano na força de trabalho, o que resulta em mais de 10 milhões de demandantes de vagas para cerca de 2,5 milhões de ocupações abertas quando a economia consegue crescer 5%.
Havendo exigências na contratação compatíveis com os requisitos do posto de trabalho, como qualificação profissional e experiência de trabalho, a oferta de mão-de-obra disponível reduz-se de 10,3 milhões para cerca de quatro milhões de trabalhadores, encurtando a relação de menos de dois candidatos por vaga aberta pelo desempenho da economia. Isso tudo sem considerar a desconexão espacial existente entre a localidade do posto de trabalho gerado com a região de residência da mão-de-obra qualificada disponível. Uma vaga, por exemplo, é gerada na cidade de Campo Grande, mas com trabalhador com o perfil exigido disponível apenas em São Paulo. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
“A crise deixou de ser americana para ser global…”
Por: Luciana Sergeiro
Publicado em: Gazeta Mercantil
Por: Rodrigo da Rocha Loures
É prioritário evitar o risco de recaída para um quadro de vulnerabilidade do lado externo.
A crise internacional entrou em nova fase desde março. Deixou de ser de liquidez para ser de solvência. Deixou de ser americana para ser global. A auto-regulação dos mercados não está funcionando mais. A intervenção do Estado se fez necessária.
A injeção de liquidez realizada por diversos bancos centrais no sistema foi suficiente para acalmar o mercado financeiro mundial no curto prazo, mas não vai resolver os problemas estruturais das economias norte-americana e mundial, cuja dinâmica vem se acentuando.
Problemas de profundidade – turbulência e inflação internacional em franca expansão – estão exigindo mais do que as usuais mudanças de estratégia para correção de rumos. Estão implicando numa revisão de pressupostos, numa mudança do modelo mental e de governança econômica subjacente à ação das autoridades econômicas.
Momentos de crises são oportunidades para mudar paradigmas. Neles, os grandes estadistas fazem a diferença. É possível ingressar num ciclo virtuoso de crescimento e mudança estrutural que dure meio século, como fez Getúlio Vargas nos anos de 1930. Ou se pode levar o País à semi-estagnação por 25 anos, como se deu na década de 1970, em decorrência do receituário equivocado dos assessores do presidente Geisel para enfrentar o mundo pós-Bretton Woods que estava nascendo. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
“Com a desvalorização do peso em relação ao real, os argentinos encontraram no Brasil um mercado ávido por importações…”
Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Valor Online (restrito a assinantes)
Por: Raquel Landim
As indústrias da Argentina estão redescobrindo o mercado brasileiro. Graças a desvalorização do peso em relação ao real, o país vizinho e sócio do Mercosul ganhou competitividade e quer aproveitar o “boom” de importações do Brasil, provocado pelo crescimento da economia. Não são apenas empresas de capital local que se beneficiam do momento, mas também multinacionais e companhias brasileiras instaladas no país.
As exportações de produtos manufaturados de origem industrial da Argentina para o Brasil atingiram US$ 6 bilhões em 2007, 32% a mais do que em 2006. Para os demais países do mundo, as vendas externas de produtos industriais da Argentina cresceram 10%, segundo o estudo “A recuperação da Argentina e a nova fase de suas exportações”, feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a pedido do Valor.
“Os argentinos encontraram no Brasil um mercado ávido por importações e seu interesse tende a aumentar”, diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do departamento de comércio exterior da Fiesp. No fim de março, a entidade recebeu uma delegação de 60 empresários argentinos. Giannetti admite que pode haver problemas em alguns setores da indústria brasileira, mas ressalta que a tendência é reforçar o Mercosul e que as importações só incomodam quando há concorrência desleal. “É mais o caso da China do que da Argentina”, diz. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Quando se trata do Banco Central brasileiro, as notícias sempre podem piorar a cada dia. Elevar a taxa básica de juros (Selic) não em 0,25 ponto percentual, mas em meio ponto, foi uma enorme demonstração de arrogância. Além de dar um prejuízo anual da ordem de R$ 40 bilhões ao país, na política monetária de Meirelles até o fato dos chineses estarem comendo mais arroz e soja virou justificativa para aumentar juros e nossa distância para a Turquia, vice-campeã mundial nesse quesito.
Ao contribuir para a valorização do real, juros em alta também aceleraram ainda mais o ritmo da deterioração das contas externas e o processo de destruição de boa parte da indústria. “O ciclo que o BC vai ter que administrar não pode ser muito longo, senão o dólar vai despencar mais ainda e tornar a economia mais vulnerável”, alerta o Consultor Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas.
Freitas, que foi diretor do BC, me disse que para quem pretende fazer investimento produtivo (expandir a oferta e reduzir o risco de inflação) agora só resta esperar que o ciclo de alta dos juros seja bem mais curto do que o iniciado em 2004, quando o BC transformou em vôo de galinha um crescimento acima de 4%. “O cenário atual é totalmente diferente de 2004, tendo dois novos fatores fundamentais: alta dos investimentos e queda de juros nos EUA”, enfatiza.
Triste que a única alternativa à política monetária oferecida ao presidente Lula seja arrochar ainda mais o Orçamento, quando somente a isenção da cobrança de Imposto de Renda para estrangeiros que investem em títulos públicos implicou uma renúncia fiscal, apenas em 2007, de cerca de R$ 9 bilhões ao Tesouro Nacional. Segundo o jornal Monitor Mercantil (coluna Fatos & Comentários de 14/03/2008), esse número representou a não-cobrança sobre cerca de R$ 40 bilhões de IR de 22,5% para aplicações até 12 meses que incide sobre as aplicações dos nacionais. Somente em janeiro, o ingresso de cerca de R$ 3,4 bilhões com origem no exterior para esse tipo de aplicação resultou na não-arrecadação de mais R$ 765 milhões.
Tudo isso ocorre na semana em que o Ipea teve de reiterar, através de Nota Técnica, que ao contrário do que foi veiculado na imprensa, não está preocupado com a inflação. “Uma contração monetária seria um tremendo banho de água fria no espírito empresarial, o que pode reduzir drasticamente a sustentabilidade do atual ciclo de crescimento”, afirma o Instituto. “O presidente do BC reclamou dos grupos de interesse, como Fiesp e CNI, mas não menciona os interesses do mercado financeiro”, destacou o pesquisador Salvador Viana.
Já o economista Miguel Bruno, que também assina a nota do Ipea, frisa que a alta da Selic anulou o efeito do IOF sobre as entradas de capitais de curto prazo. “O dólar vai derreter, sepultando de vez a ilusão da eliminação da vulnerabilidade externa da economia brasileira”.
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
“Talvez devêssemos procurar aprender com o lado bom do modelo asiático – educação, abertura e gastos públicos voltados para a infra-estrutura. E deixar de lado o seu lado ruim – a administração de preços e do câmbio”.
Por Katia Alves
Publicado no: Valor
Por Edward Amadeo
Na base do chamado “desequilíbrio global”, de enormes déficits das contas correntes em alguns países e superávits em outros, está o regime de câmbio fixo dos países asiáticos e de outros, como os árabes exportadores de petróleo, a Rússia e a Argentina. Dois vetores permitiram a longa sobrevivência do desequilíbrio.
Primeiro, o fato de os países com os maiores déficits estarem entre os mais seguros devedores do mundo – EUA, Reino Unido, Nova Zelândia e Austrália. Por que não financiar países com tradição de bons pagadores, mercados financeiros líquidos e empresas rentáveis?
Segundo, o excesso de poupança doméstica em relação ao investimento e a rigidez da política cambial nos países superavitários. Os superávits geram pressões para a apreciação das moedas. A apreciação tende a reduzir os superávits. Mas, se o câmbio é fixo, os superávits continuam.
A continuidade dos superávits traz problemas porque os bancos centrais são incapazes de controlar simultaneamente a taxa de câmbio e a liquidez do sistema financeiro. Por isso as economias com câmbio administrado estão sujeitas a surtos de endividamento e bolhas de ativos, como na Ásia em 1997 e agora, quando o mercado imobiliário está superaquecido em vários países da região. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
O crescimento da economia foi inferior ao crescimento da demanda.”Se a capacidade de o país se abastecer aumentou 5,4% e o consumo, quase 7%, a conta não fecha”, diz o economista Luis Fernando Lopes”
Por Katia Alves
Para ler o artigo na íntegra clique em: Época Negócio
Por Alexa Salomão
O salto do PIB no ano passado expõe os entraves ao crescimento (sustentado) do Brasil. Eles começam na infra-estrutura e chegam à educação e ao meio ambiente. O que fazer?
Em 1977, o custo de vida no Brasil deu um repique inesperado, e boa parte da alta foi atribuída a um único produto, o chuchu. O vegetal insosso virou assunto nacional e até Mário Henrique Simonsen, então ministro da Fazenda, gastou seu tempo explicando como aquilo era possível. Nem Simonsen, nem a maioria dos brasileiros comia chuchu, mas ele tinha um peso desproporcional na composição do índice que media a inflação. O caso entrou para a história como a inflação do chuchu e foi encerrado com seu expurgo do indicador. Nas últimas semanas, alarmado com a ata da reunião de março do Banco Central, o país voltou a discutir a inflação. O que se teme hoje, porém, não é a inflação em si, mas o “risco” de que ela ressurja alimentada pelo desequilíbrio entre o consumo dos brasileiros e a capacidade das empresas em atendê-lo. “É preciso que a gente tenha cuidado. Se o consumo cresce e a indústria não investe em novas fábricas, em nova produção, a gente tem de volta uma doença desgraçada, que é a inflação”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um discurso na cidade de Araraquara, interior de São Paulo.
A luz amarela que assustou o presidente apareceu na divulgação do PIB de 2007, em meados de março. A análise do crescimento no ano passado indicou que a economia avançou 5,4%, mas a demanda cresceu 6,9%. “Se a capacidade de o país se abastecer aumentou 5,4% e o consumo, quase 7%, a conta não fecha”, diz o economista Luis Fernando Lopes, sócio-fundador do Pátria Investimentos. “A demanda restante só pode ter sido suprida por importações. Se esse descompasso permanecer nos próximos 60 dias, duvido que o Banco Central não eleve os juros.” A Selic, taxa de juros básica, está estacionada em 11,25% desde setembro do ano passado. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Seguem abaixo dois artigos mostrando duas visões diferentes sobre a atuação do Banco Central: se ele deve aumentar ou não os juros.
Por Katia Alves
Publicado na Folha
Por Carlos Eduardo Soares Gonçalves
O Banco Central deveria aumentar os juros na próxima quarta-feira para conter a inflação?
Sim
NA SEMANA que vem, o Copom (Comitê de Política Monetária) se reunirá mais uma vez para analisar a evolução do quadro econômico e, a partir daí, decidir o que fazer com a taxa de juros básica. Olhando os dados dos contratos de juros nos mercados futuros, fica claro que os agentes econômicos atribuem probabilidade muito alta de que a Selic seja elevada, ficando a discordância restrita ao tamanho do ajuste.
Recentemente, o professor Delfim Netto disse não ver excesso de demanda na economia brasileira. Com a ironia de sempre, aventou que a única coisa em excesso no Brasil é a dengue. Apesar de concordar com vários pontos levantados por Delfim Netto, como a crítica à visão de que o PIB potencial brasileiro tem um teto de expansão na casa de 3,5%, não me coaduno com a tese de ausência de excesso de demanda. De fato, não é trivial a afirmação de que o crescimento forte levará à inflação acima da meta, visto que ela só estará correta se o crescimento se dever eminentemente a impulsos de demanda, que causam aumentos dos preços. Quando a economia cresce a reboque de ganhos de produtividade e investimentos, a inflação não é um problema, como nos mostra a experiência americana da segunda metade da década passada.
Assim, preocupa o fato de que a taxa de crescimento de vendas do varejo esteja rodando na casa dos 12% (em 12 meses). Isso porque “vendas” é uma medida quase pura de demanda. A produção industrial, por sua vez, vem crescendo bem abaixo disso: 7%. Outra variável que os economistas gostam de olhar para medir a “temperatura” da demanda é a expansão da quantidade de moeda na economia. Até janeiro, o crescimento em 12 meses do agregado monetário chamado de M1 girou acima de 22% e apenas na ponta da série passou a situar-se abaixo de 20%. Não é pouco. Por fim, a utilização da capacidade instalada da indústria não tem cedido nem mesmo em meio à boa leva de investimentos que temos testemunhado, situando-se em torno dos 83%. Em resumo, há sinais de descompasso entre oferta e demanda, sim. Leia o resto do artigo »
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
O BNDES através de uma política de Arranjos Produtivos Locais pretende ampliar desembolsos no nordeste.
Por Katia Alves
Publicado no: Valor
Por Chico Santos
O BNDES vai usar o complexo industrial de Suape, em Pernambuco, como piloto de uma nova estratégia de financiamentos, que tem entre os objetivos principais ampliar a fatia dos desembolsos do banco estatal destinada à região Nordeste. A área está recebendo uma refinaria de grande porte da Petrobras (em parceria com a venezuelana PDVSA) e um estaleiro para grandes navios, de um consórcio liderado pelas construtoras Camargo Corrêa e Queiróz Galvão, além de projetos petroquímicos. Outro projeto com o mesmo objetivo vai apoiar a integração de arranjos produtivos locais (APLs) na calha do rio São Francisco, entre os Estados de Sergipe e Alagoas.
Os dois projetos estão sob a coordenação da Secretaria de Arranjos Produtivos e Desenvolvimento Local, criada pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, e vinculada diretamente a ele. A secretaria foi confiada à economista Helena Lastres, especialista no tema, pinçada dos quadros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para ajudar Coutinho a aumentar a presença nordestina nos recursos do banco. A secretaria coordena o Comitê de Arranjos Produtivos e Desenvolvimento Regional do banco, que realizou semana passada reunião para tratar do assunto.
Suape fica no município de Ipojuca, na região metropolitana de Recife, e já conta com um complexo portuário e vários projetos industriais. Ao mesmo tempo, a capital pernambucana e seu entorno convivem com um dos maiores bolsões de pobreza urbana do país, em grande parte atraído pelos investimentos industriais lá existentes. Leia o resto do artigo »
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