mais uma do Dôssie Nassif Veja. Publicado originalmente em: Blog Nassif X Veja – Por um jornalismo livre, em 16/03/2008
Por Luís Nassif
No capítulo “O Estilo Veja de Jornalismo” mostrei os princípios de atuação ficcional da revista e algumas análises de caso – como a material fantasiosa sobre o estouro do câmbio em 1999.
Não poucas vezes, a revista “criou” notícias meramente recorrendo a um recurso que, em jornalismo, se chama vulgarmente de “cozidão” – isto é, um apanhado de fatos velhos, já divulgados, mas apresentados como novidade.
Durante a campanha do “mensalão” e depois dela, poucas vezes se viu tamanha quantidade de factóides criados por uma única publicação. Mais surpreendente é que cada matéria, por mais inverossímil que fosse, acaba recebendo ampla repercussão dos demais veículos da grande mídia – com a irracionalidade e falta de critérios típicos do chamado “efeito-manada”.
O último factóide da revista, aquele em que aparentemente fez cair a ficha da mídia em relação ao festival de ficções da revista, envolveu diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Foi a matéria “A sombra do estado policial”, de Policarpo Júnior, capa da edição de 22 de agosto de 2007 (clique aqui), ainda dentro do clima conspiratório herdado da campanha eleitoral. Como sempre, capa, manchete, submanchete, tudo rescendia a conspiração.
Medo no SupremoMinistros do Supremo reagem à suspeita de grampo na mais alta corte de Justiça do país.
Ninguém mais na mídia tinha percebido qualquer sinal de “medo” do Supremo, ou de generalização das escutas atingindo os Ministros. Aliás, os últimos abusos contra juízes haviam partido da própria revista e do próprio autor da reportagem, no falso dossiê contra o então presidente do Superior Tribunal de Justiça Edson Vidigal – abordado no capítulo “O dossiê falso”.
Não se sabia ao certo qual a intenção da matéria. Seguramente, uma tentativa canhestra de se aproximar do Supremo, utilizando a moeda de troca da qual a revista sempre usou e abusou: a visibilidade, a apologia, pegando no centro de uma das fraquezas humanas, a vaidade. Leia o resto do artigo »