Sobre dengue, mídia e autoridades públicas
Postado em 20 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Uma verdadeira batata quente que ninguém quer segurar e passa para o próximo. Assim tem sido o problema da epidemia de dengue no Rio. A mídia reforça o seu discurso contra os órgãos de saúde pública, criando e alimentando na população o sentimento de ineficiência desses órgãos, o que acaba por alarmar as pessoas, desestimulando-as a procurar ajuda médica adequada. Os governos, por sua vez, alfinetam-se de mais e cooperam de menos, colocando picuinhas políticas a frente do bem-estar social. Os agentes menores desse processo, os cidadãos, tornam-se os responsáveis por tudo, acabam ficando com a batata na mão que receberam do governo e da mídia…
Leia abaixo a análise do jornalista e historiador Rafael Fortes sobre este assunto…
*Por Elizabeth Cardoso
Publicado originalmente no Correio da Cidadania
Por Rafael Fortes*
Em 11/4, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro enviou à imprensa sugestão de pauta sobre a inauguração de uma “tenda de hidratação” para vítimas da dengue, a ser realizada em 14/4, com presença do secretário de estado de Saúde e do secretário de Atenção à Saúde (órgão do Ministério da Saúde). A “notícia” me foi encaminhada por um amigo jornalista, que perguntava: “para que a inauguração? Se os secretários são médicos, não seria melhor irem trabalhar atendendo os pacientes? Isto é festa? Haverá bolo, guaraná, balões de gás e fita para cortar?”. Esse ato é um desrespeito às mães que perderam os filhos. Só falta inaugurarem um cemitério especial para os mortos pela dengue, com fogos de artifício e inclusão da obra no PAC.
O despreparo e/ou má-fé das autoridades se revela também em algumas providências para “combater” o problema: a) iniciativa surreal de trazer médicos de fora do estado do Rio de Janeiro; b) recomendação para as crianças usarem calça, meia e sapato fechado (saúde é obrigação de Estado, se o uso de certas vestimentas é apontado como política de saúde pública, cabe ao Estado viabilizar imediatamente a distribuição para todas as crianças dos itens necessários); c) estímulo ao uso de repelentes (há pesquisas sobre possíveis efeitos da aplicação intensiva e prolongada de veneno sobre a pele de crianças e adultos?); d) a recente e inacreditável “parceria” entre governo do estado e empresas de dedetização; e) contratação de médicos, empresas e cooperativas em regime de urgência, o que dispensa licitação e é sujeita a ingerências pessoais, políticas e comerciais.
É nítido, mas paradoxalmente pouco se discute, que a situação é fruto, sobretudo, do baixo investimento em saúde e da privatização aberta ou velada (cooperativas, fundações, terceirizações etc.), como apontou matéria recente deste Correio.
Em debate no Programa Faixa Livre, o presidente do Sindicado dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, afirmou que o alto número de óbitos se deve à falta de atendimento, pois o poder público só se mexeu quando a sociedade organizada cobrou e protestou. Disse ainda que os governos federal e estadual se omitiram e demoraram a agir por oportunismo eleitoral, visando deixar à prefeitura o ônus político da epidemia. Caso o leitor não saiba, os governos federal (PT) e estadual (PMDB) são aliados, e a prefeitura (PFL, atual DEM), adversária de ambos. Leia o resto do artigo »
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Em primeiro lugar, é overdose, mesmo para mim que não vejo televisão. Ainda assim, na internet e nos jornais, é assunto diário.
Imagino também o sofrimento da mãe da Isabella (foto das duas), com a exposição permanente da chaga aberta naqueles que amavam a menina e não a terão mais no convívio diário, mas apenas na lembrança.