Postado em 26 dEurope/London março dEurope/London 2008
Gustavo Antônio Galvão dos Santos *
Abaixo reproduzo umas trocas de comentários que tive com o economista Pedro. Pedro levantou pontos muito pertinentes sobre meu artigo anterior:
Por que o Brasil ainda é um dos que menos cresce entre os emergentes? Porque o Meirelles ainda não é Presidente da República
Fiz uma réplica sobre seus comentários esclarecendo meus pontos de vista. Gostei do resultado e resolvi colar aqui como um artigo para o blog. Acho que essa é uma discussão importante para os tempos atuais. Segue abaixo o debate:
Prezado Pedro,
Agradeço pelo comentário e pela forma tão educada de expor uma posição que é visivelmente tão divergente da minha. Não é fácil. Dou grande valor a isso.
O debate faz crescer a todos que participam. Vamos os pontos. Vou escrever em azul minhas posições, no meio de uma cópia do seu comentário.
Leia abaixo, por favor:
Caro,
senti falta de alguns pontos na sua análise. Se possível, gostaria de conhecer sua posição.
1) vc não mencionou em nenhum momento a palavra “poupança”. Na China e nos demais caso de sucesso na Ásia (Japão e tigres), a taxa de poupança interna é muito mais alta do que no Brasil (note que não se trata de poupança bruta, mas de taxa, que é determinada por fatores estruturais e não é signitivamente afetada pelo investimento prévio, como na análise keynesiana de curto prazo). Como a taxa de poupança baixa limita o crescimento, o quanto esse fator é que vem determinando o baixo crescimento brasileiro, e não o BC?
Os economistas ortodoxos confundem o conceito de poupança. No debate mais político tratam o conceito quase como o senso comum trata, como estoque de ativos, como uma caderneta de poupança. Mas na economia poupança é fluxo.
Não citei a palavra poupança porque ela é inútil. Na verdade, poupança no sentido que os economistas usam simplesmente não existe. Leia o resto do artigo »
Postado em Desenvolvimento, Gustavo Santos, Política Brasileira, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central | 13 Comentários »
Postado em 22 dEurope/London março dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Crítica Econômica
Gustavo Antônio Galvão dos Santos *
Ao contrário do que tentam difundir certos candidatos a “sábios modernos”, economia não tem grandes mistérios. Qualquer estudante de economia sabe que existem 3 tipos de políticas macroeconômicas indutoras do crescimento: juros baixos, expansão dos investimentos e gastos públicos e câmbio desvalorizado.
Qualquer estudante sabe também que existem três tipos de políticas para redução da taxa de crescimento: juros altos, redução dos investimentos públicos e câmbio valorizado.
Qualquer estudante sabe também que, se os empresários estiverem muito otimistas e investindo muito, pode não ser necessário realizar políticas macroeconômicas adicionais indutoras do crescimento; mas se estiverem muito pessimistas ou não tão otimistas, será, sim, necessário colocar em prática políticas indutoras do crescimento. Desde que o governo tenha realmente como meta evitar a estagnação.
Essas proposições são matéria básica em qualquer curso de economia há pelo menos 55 anos. O jornalismo econômico e o debate político já as consideram triviais há ainda mais tempo.
Nesse sentido, o motivo pelo qual a economia brasileira segue semi-estagnada é cristalino. Leia o resto do artigo »
Postado em Desenvolvimento, Gustavo Santos, Política Brasileira, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central | 17 Comentários »
Postado em 22 dEurope/London março dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Blog do Nassif, em 21/03/2008
Por Roberto São Paulo
‘Brasil está sendo vítima de cassino internacional’
Heiner Flassbeck: economista-chefe da Unctad; Para o ex-secretário de Finanças da Alemanha, a valorização do real resulta da especulação com os juros altos no País
Jamil Chade, Genebra, no “Estadão” de hoje
O real está sendo vítima de “um verdadeiro cassino internacional.” O alerta é de Heiner Flassbeck, ex-secretário de Estado do Ministério das Finanças da Alemanha e atual economista-chefe da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo ele, a valorização da moeda brasileira está sendo resultado não apenas dos bons fundamentos da economia do País, mas, principalmente, da entrada de capital externo em busca de ganhos com a taxa de juros. “Essa situação não é sustentável para as exportações brasileiras no médio prazo”, alertou Flassbeck. O problema, segundo ele, é que os investidores estão tomando dinheiro emprestado no Japão, a custo próximo de zero, e o levam para o Brasil para aproveitar a alta taxa de juros. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.
Como o sr. vê a turbulência internacional atingindo o real?
O que vem ocorrendo é que investidores estão usando o mercado brasileiro e o real para ganhar milhões. Obviamente que o governo diz que a valorização do real é causada por uma situação econômica estável e, em parte, isso até pode ser verdade. Mas o problema é outro e nenhum governo gosta de admitir isso. A realidade é que há um verdadeiro cassino internacional acontecendo e o Brasil está sendo uma de suas vítimas. Leia o resto do artigo »
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Postado em 22 dEurope/London março dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Blog do Nassif, em 20/03/2008
Entenda o que está ocorrendo.
1. Há uma imensa massa de capital especulativo circulando no mundo. Através de recursos de alavancagem (endividamento), de derivativos (que permite apostar apenas no diferencial de cotação) e operações estruturadas, sua capacidade ampliou-se desmedidamente. A conseqüência foi uma redução das taxas de juros internacionais e um aumento exponencial dos preços dos ativos.
2. Quando o dólar começou a despencar, esse capital financeiro procurou portos seguros onde se abrigar. O real foi uma mamata, com a liberdade total de fluxo, taxas de juros altíssimas e ganhos em cima da apreciação da moeda. Outros portos seguros foram as commodities.
3. À medida que se ampliou a crise americana, com o “subprime”, o Federal Reserve aumentou fortemente a liquidez da economia para impedir a recessão. Mais dinheiro colocado à disposição dos investidores e menos oportunidades de investimento nos Estados Unidos, por conta da recessão.
4. Esse dinheiro saiu correndo para commodities provocando o fenômeno do “overshooting” (radicalização do movimento pendular). Mas sempre através da interligação de mercados e das chamadas operações estruturadas (misturando vários ativos visando minimizar o risco). Leia o resto do artigo »
Postado em Internacional, O que deu na Imprensa, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central | Sem Comentários »
Postado em 19 dEurope/London março dEurope/London 2008
Após excelente palestra no Corecon-RJ, na qual o professor Luiz Filgueiras, da UFBA, demonstrou o quanto a economia brasileira continua vulnerável e dependente do cenário externo, uma pessoa da platéia, dizendo-se “ignorante em economia”, sugeriu que nós aqui no Rio organizássemos um “jurômetro” – placar de juros – em contraposição ao “impostômetro” instalado em São Paulo pare medir a carga tributária.
Confirmando o elevado grau de politização dos cariocas, o cidadão demonstrou ter a clara noção do destino da maior fatia dos impostos que pagamos: o pagamento de juros “de uma dívida que não pára de crescer”, e não as despesas com tapioca.
O vice-presidente do Corecon-RJ (e colaborador do nosso blog), Paulo Passarinho, quer bancar a idéia.
No mesmo dia, soube que na redação de um dos maiores jornais do país é muito comentada a figura do “repórter fada-madrinha”: o editor sonha e ele ajeita a matéria para realizar o desejo do chefe…
Postado em Comentários sobre a Imprensa Brasileira, Conjuntura, Desenvolvimento, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central, Rogério Lessa | 6 Comentários »
Postado em 18 dEurope/London março dEurope/London 2008
Por Bruno Galvão dos Santos*
E ainda o Banco Central fala em aumentar os juros. Fala sério!!! Isso é pôr o bode na sala! Eles querem que fiquemos agradecidos porque não aumentaram a taxa de juros. A questão é que não há qualquer justificativa técnica para esses juros. Não há dúvida: o Meirelles quer impedir a retomada sustentada do crescimento como ocorreu em 2005. Qual é a explicação para em 2005 o Brasil ter crescido menos do que todos os países da América Latina, exceto o Haiti? O crescimento das exportações no ano anterior tinha sido de 35%. E o mundo continuou a crescer no mesmo ritmo de 2004.
Alguém tem alguma outra explicação para a mediocridade do crescimento em 2005 e em 2006, além do choque injustificado dos juros feito pelo Meirelles? LULA TIRE O MEIRELLES DO BANCO CENTRAL ANTES QUE ELE DESTRUA UM NOVO CICLO DE CRESCIMENTO. Leia o resto do artigo »
Postado em Bruno Galvão, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central | 4 Comentários »
Postado em 18 dEurope/London março dEurope/London 2008
Por Bruno Galvão dos Santos*
Petistas iludidos sempre acreditam que as diversas trocas dos diretores do Banco Central fizeram o BC ficar menos conservador. Mas, depois dessa reportagem da Folha (Clique aqui para ler a reportagem) fica claro que o conservadorismo do Banco Central deve-se exclusivamente ao Meirelles.
Olha o que está escrito na ata do Copom:
“Nesse contexto, o Comitê discutiu a opção de realizar, neste momento, um ajuste na taxa básica de juros. Um ajuste da taxa básica de juros contribuiria para reforçar a ancoragem das expectativas, não apenas para 2008, mas também no médio prazo, e para reduzir o descompasso entre as trajetórias da demanda e oferta agregadas.”
Como assim? Eles querem falar que porque o Brasil cresceu a 5,4% no ano passado, a inflação pode estar numa trajetória de fugir da meta? Em primeiro lugar, a inflação está no centro da meta. De acordo com as regras do sistema de metas de inflação, quando isso ocorre, não há justificativa nenhuma para que a taxa de juros seja elevada. Ao contrário, nesses casos, os BCs tendem a reduzir a taxa de juros. O Armínio Fraga sempre fazia isso. Na Turquia, que o BC não é acusado de heterodoxia, há mais de 24 meses, a inflação é o dobro da meta (vejam vocês mesmos no Banco Central da Turquia), e há alguns meses o BC vem reduzindo a taxa de juros.
Em segundo lugar, a aceleração da inflação é mundial. Vejam vocês, de acordo com o critério de cálculo, a inflação nos Estados Unidos está em quase 8%.
clique no gráfico para ampliá-lo:
De qualquer forma, pelo cálculo oficial ela está em mais de 4%. Dessa forma, a inflação de cerca de 4,5% no Brasil não tem nada de extraordinário. Leia o resto do artigo »
Postado em Bruno Galvão, Política Econômica, Propostas de Mudanças para o Banco Central | 7 Comentários »
Postado em 17 dEurope/London março dEurope/London 2008

Em breve, apenas 500 grandes empresas controlarão toda a produção mundial e delas apenas cinco delas são brasileiras, mesmo assim ligadas à produção de commodities.
A advertência foi feita pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em palestra na UFRJ. “A China quer controlar 150 dessas empresas. E nós?”, indagou, frisando que o Brasil vive um momento de construir uma nova agenda civilizatória, visando à inserção competitiva na globalização e “não pode ficar preocupado apenas com o curto prazo e com o controle da inflação”.
O presidente do Ipea salientou que a financeirização da economia mundial empurra o planeta para uma crise de governança: “Hoje há deslocamento entre a riqueza real e a virtual. Enquanto o produto interno bruto (PIB) mundial é de US$ 48 trilhões, o total de ativos financeiros (capital fictício) já supera os US$ 150 trilhões”, contabiliza Pochmann.
“Diante da fraqueza dos governos e das instituições multilaterais criadas no pós-Guerra, como FMI, ONU, etc. quem vai governar o mundo?”, indagou, acrescentando que “pensar o desenvolvimento” significa refletir sobre o fato que o país possui apenas cinco empresas entre as maiores do mundo, nenhuma ligada à economia do conhecimento. “O Ipea tem a responsabilidade ímpar de pensar o país. Sua atividade é aplicada ao processo decisório do governo e desde sua fundação, em 1964, tem o compromisso de subsidiar as políticas públicas de médio e longo prazo”, afirmou, lembrando que o planejamento, na época, contava com menos recursos que hoje, pois praticamente não havia pós-graduação no país. Leia o resto do artigo »
Postado em Desenvolvimento, O que deu na Imprensa, Política Econômica, política industrial, Política Social, Propostas de Mudanças para o Banco Central, Rogério Lessa | 5 Comentários »