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Blog do Desemprego Zero

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O BACEN E A OBSESSÃO PELA TAXA DE JUROS

Postado em 4 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na semana que vem para decidir o futuro da Selic, a taxa básica de juros da economia. Analistas do mercado acreditam que a autoridade monetária deve mais uma vez aumentar a taxa, devido a um suposto risco inflacionário.

 

Apesar da elevação do índice de utilização da capacidade instalada, o que se vê na economia mundial é um arrefecimento dos preços das commodities, dentre elas o petróleo e o aço. Tal fato pode ter dois efeitos. Se por um lado, há um efeito de diminuição no nível dos preços, por outro lado a redução da receita das exportações pode levar a uma desvalorização da taxa de câmbio.

 

Entretanto, como já alertamos anteriormente neste espaço, é absolutamente questionável a utilização da taxa de juros para absorver choques externos. Economistas de alto gabarito, como o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, argumentam que o impacto de um aumento da taxa de juros para absorver tais choques pode ser inócuo ou ínfimo, o que o torna indesejável, dado seu alto custo em termos de crescimento econômico e geração de empregos.

 

Mesmo com tantos argumentos contrários, o Banco Central deve utilizar seu monetarismo cego para tomar a decisão da próxima semana. A crítica de importantes setores do governo à política monetária do Bacen nos leva ao questionamento de quem realmente dá as cartas por lá: o governo ou o mercado financeiro.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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O PRÉ-SAL E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

Postado em 28 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - A descoberta de abundantes reservas petrolíferas, da costa de Santa Catarina ao sul da Bahia, tem suscitado um grande debate acerca do modelo de regulação e extração da referida camada, o que pode impactar diretamente uma política de desenvolvimento.

 

O modelo norueguês parece ser o mais bem sucedido. Em primeiro lugar, ele é baseado na existência de uma empresa de capital misto responsável pela extração de petróleo. Em segundo lugar, há uma empresa estatal a quem é atribuída a gestão e regulação das reservas. Por fim, constituiu-se um fundo soberano com vistas a controlar uma possível apreciação da taxa de câmbio e garantir uma política de desenvolvimento para o país.

 

No caso brasileiro, parece razoável utilizar tal modelo dado que nossa taxa de câmbio já se encontra apreciada. Além disso, tal fundo poderia ser utilizado para investimentos em educação, tecnologia e infra-estrutura. A extração e exportação deste petróleo podem aumentar consideravelmente a margem de manobra da política fiscal brasileira, abrindo para o país uma oportunidade histórica de desenvolvimento.

 

Portanto, a camada pré-sal pode ser utilizada para fortalecer as indústrias petroquímica e naval, centrada na criação de setores de produção com alto valor agregado. Entretanto, tais possibilidades podem se concretizar somente se o governo adotar um modelo regulatório que favoreça a capacidade fiscal do Estado e a indústria nacional. Caso contrário, estaremos condenados ao retrocesso.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

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UMA NOVA ARQUITETURA DE POLÍTICA ECONÔMICA

Postado em 21 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - A crise econômica mundial tem trazido incertezas consideráveis aos diferentes países no que tange a melhor estratégia de política econômica a ser seguida. Os economistas alinhados à ortodoxia econômica, que até pouco tempo atrás exaltavam a “qualidade” da política econômica, atribuem as atuais fraquezas do país frente à crise que se avizinha à inconsistência de política econômica.

 

Para muitos deles, o país não tem feito o esforço fiscal necessário para alcançar uma taxa de juros em níveis civilizados. Além disso, a falta de reformas microeconômicas criaria uma insegurança jurídica que inibiria os investimentos. Por fim, a meta de inflação deveria ser seguida a risca para colaborar com a formação de expectativas por parte do mercado.

 

Em primeiro lugar, é absolutamente questionável a existência de uma correlação estatística significante entre política fiscal e taxa de juros. Joseph Stgiltz, Dani Rodrik, Barry Eichengreen, dentre outros importantes economistas, colocam em dúvida tal relação. A taxa de juros é estruturalmente mais alta em países periféricos, dado o caráter inconversível da nossa moeda, ou seja, pelo fato da mesma não cumprir a função reserva de valor no plano internacional. Ademais, as altas taxas de juros são utilizadas para valorizar a taxa de câmbio com vistas a manter a inflação dentro da meta, dado que o passthrough, isto é, a variação da taxa de inflação resultante de uma variação da taxa de câmbio, é minimizada.

 

 O argumento da insegurança jurídica tampouco parece ser o principal problema para a falta de investimentos. Num país periférico com taxas de juros e de câmbio extremamente voláteis torna-se difícil estabelecer uma estrutura de financiamento de longo prazo. Por esta razão, faz-se necessária a intervenção direta do Estado em investimentos de longa maturação. Os anos de neoliberalismo e desmonte do Estado parecem ter contribuído para a escassez de investimentos. Já para controlar a volatilidade das taxas de câmbio e de juros, seria necessária a introdução de controles de capitais, de forma a selecionar os fluxos de capitais desejáveis, ou seja, aqueles ligados, direta ou indiretamente, ao investimento produtivo.

 

Por fim, a inflação não pode ser a única meta da autoridade monetária. Como demonstram as experiências do Federal Reserve Bank (FED, ou o Banco Central norte-americano) e do Banco central Europeu (BCE), taxas civilizadas de inflação devem ser alcançadas, mas sem perder de vista o crescimento econômico. Portanto, a meta não deve ser alcançada a custa de recessões e desemprego.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

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A VITÓRIA DE MORALES E OS NOVOS DESAFIOS DA BOLÍVIA

Postado em 12 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

A VITÓRIA DE MORALES E OS NOVOS DESAFIOS DA BOLÍVIA

 

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O presidente boliviano Evo Morales garantiu a vitória no referendo do último domingo. Com 63% dos votos, porcentagem maior do que a da sua eleição em 2005, o povo boliviano ratificou não apenas o desejo de permanência do líder aymar, mas também a esperança na continuação da revolução democrática que vem ocorrendo na Bolívia.

 

Não obstante, é necessário frisar que parte dos seus principais opositores também foram confirmados nos seus respectivos cargos. A vitória dos governadores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija possibilitou o endurecimento do discurso por parte da direita boliviana. Desta forma, o principal desafio do presidente boliviano é levar adiante as reformas progressistas, sem colocar em risco a unidade política do país.

 

Morales deve se concentrar em três pontos. O primeiro deles é a continuidade da nacionalização de empresas que controlam recursos estratégicos, tais como o gás. Além da sua importância política, os recursos oriundos da exploração dos mesmos é a principal fonte de recursos do Estado, que os utiliza para a criação de programas de distribuição de renda.

 

Em segundo lugar, o governo deve avançar na reforma agrária. A absurda concentração de terras, que persiste na maior parte dos países latino-americanos, tem expulsado importantes contingentes de mão-de-obra para as grandes cidades, criando significativos bolsões de pobreza urbanos, que se consolidam como exército industrial de reserva disponível a baixos salários.

 

Em terceiro lugar, o país deveria, na medida de suas possibilidades, diversificar seu parque industrial, para que a melhoria na distribuição de renda tenha uma contrapartida na estrutura produtiva do país. Como já nos ensinaram o mestre Celso Furtado e a tradição cepalina, o desenvolvimento de um país só pode ser alcançado quando há homogeneização dos padrões de consumo, compatíveis com sua estrutura produtiva.

 

O desafio da Bolívia, e do governo Morales, é levar a cabo tal projeto, a despeito dos interesses da oligarquia boliviana, que defenderá com unhas e dentes o latifúndio e o desenvolvimento associado, sem soberania e respeito ao povo boliviano.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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O PORQUÊ DOS JUROS ALTOS

Postado em 8 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

 

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - Depois da polêmica decisão do Copom em elevar a taxa de juros básica da economia surgiram diversos artigos na imprensa com o objetivo de explicar os motivos que nos levam a ter a maior taxa de juros real do mundo. Alguns economistas ligados aos cânones ortodoxos insistem em apelar para o argumento da solução única.

 

Para eles, o nível dos juros tem relação com os fundamentos fiscais e com a ausência de reformas microeconômicas. Tudo o que estiver fora deste campo de argumentação é visto como esoterismo, magias e crenças que se encontram fora do âmbito da “ciência” econômica. Entretanto, muitos autores do próprio mainstream (ver Eichengreen e Stigltiz, dentre outros) têm contestado sistematicamente, a partir de testes econométricos, a relação entre taxa de juros e fundamentos fiscais.

 

Se analisarmos o assunto mais atentamente, observaremos que o governo Lula, por exemplo, diminuiu a proporção de gastos correntes em relação ao PIB. O fato é que a rubrica juros da dívida interna tem comprometido a implementação de uma política fiscal mais ativa. O cachorro tenta morder o próprio rabo. Os juros são altos; por este motivo, parte considerável do orçamento é destinada a remunerar os juros desta dívida. Por fim, a situação fiscal se deteriora e o Banco Central consegue um motivo para manter os juros nas alturas.

 

De fato, a taxa de juros é utilizada para sobrevalorizar a taxa de câmbio. A apreciação cambial segura a taxa de inflação, ao evitar a ocorrência do passthrough, que é o aumento do nível de preços, dada uma depreciação na taxa de câmbio. Esse é o mecanismo que a autoridade monetária emprega para colocar a inflação dentro da meta.

 

Entretanto, a taxa de câmbio apreciada já apresenta seus resultados. A competitividade de nossas exportações está comprometida e as contas externas já apresentam déficit. Por outro lado, o diferencial de taxa de juros, associado a expectativa de apreciação cambial, tem estimulado a entrada de capitais especulativos, que podem sair abruptamente no primeiro sinal de crise.

 

Com todos estes ingredientes, não resta dúvidas que o Banco Central pode nos levar a problemas sérios num contexto de reversão do ciclo econômico. O momento exige cautela da autoridade monetária, mas aumentos excessivos dos juros podem comprometer nossa situação no futuro.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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CHOMSKY ANALISA O ESCÂNDALO DA GUERRA DO IRAQUE

Postado em 31 dEurope/London julho dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O lingüista e ativista político Noam Chomsky analisa com extrema lucidez e inteligência, em texto publicado no site de Carta Maior (clique aqui para ler), os verdadeiros motivos da invasão do Iraque pela administração Bush. A principal denúncia refere-se às negociações de renovação de concessões petrolíferas, que serão entregues, sem concorrência e redigidas pelas próprias companhias e por oficiais norte-americanos, às empresas Exxon Móbil, Shell, Total e BP, mesmo com o interesse de mais de 40 empresas ao redor do mundo.

 

Há muitos analistas que consideram o nosso tempo como o da dissolução dos Estados e dos interesses nacionais, sendo marcado pelo triunfo do neoliberalismo. A globalização financeira unificou mercados financeiros ao redor do mundo, dissolveu as barreiras dos fluxos de capitais entre muitos países e permitiu a criação de produtos derivativos, hedge funds e de investidores institucionais aparentemente sem pátria.

 

Entretanto, no primeiro sinal de crise, seja econômica ou geopolítica, o Estado é chamado à arena para arbitrar e/ou resolver os conflitos existentes. No caso da crise do subprime, por exemplo, o Federal Reserve Bank (FED, ou o Banco Central dos EUA) foi convocado para socorrer instituições financeiras alavancadas, que foram incompetentes na avaliação dos seus riscos, amparadas pelo ambiente da finança desregulamentada, sendo este sancionada pelas autoridades monetárias.

 

No plano geopolítico, a realidade não é diferente. O capitalismo, e a política externa do Império, não podem prescindir de recursos energéticos, que é a base da “economia real”. Ao menor sinal de discordância do governo iraquiano em relação aos interesses da elite ianque, o Estado foi chamado ao centro do conflito. Por se tratar de um país que possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, com fácil poder de extração, numa região hostil aos EUA, a resposta não poderia ser outro. Bush Jr. autorizou a invasão do Iraque e o conseqüente massacre de milhares de iraquianos em nome de supostas armas de destruição em massa e de supostas ligações com a Al-Qaeda, que na verdade escondiam o verdadeiro objetivo da empreitada: garantir acesso seguro aos recursos energéticos de forma a manter sua política imperial.

 

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O INEVITÁVEL FRACASSO DE DOHA

Postado em 30 dEurope/London julho dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - Após dias e dias de negociação, a rodada de Doha termina como um estonteante fracasso. Dois motivos podem ser apontados para tal resultado. Em primeiro lugar, devem-se apontar as inúmeras divergências entre os principais países presentes nas negociações. Em segundo lugar, a estrutura da Organização Mundial do Comércio (OMC) não reflete a nova correlação de forças da economia mundial.

 

Os divergentes interesses levaram as negociações a uma aporia. Por um lado, EUA e União Européia pressionavam para aumento na tarifa de acionamento do mecanismo de salvaguarda. Por outro lado, países como a China e outros africanos questionavam os altos subsídios agrícolas a produtores europeus, que criavam obstáculos às suas exportações. Por fim, Índia e Brasil eram pressionados a reduzir suas tarifas médias de importação para 11% ou 12%.

 

Não bastasse todo este imbróglio, a União Européia rachou no meio. Um grupo, liderado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, pressionava o negociador europeu para que as propostas não fossem aceitas. Outro grupo defendia uma posição mais branda.

 

O fracasso da reunião de Genebra reflete (i) que o Estado ainda é um agente fundamental na defesa dos interesses nacionais e (ii) que o liberalismo é bom, mas para os outros. Por fim, o impasse nas negociações deve-se ao crescente peso de países como Brasil, China e Índia nesta nova economia. Estes países souberam defender seus interesses com inteligência e preferiram apostar em futuros acordos bilaterais, dado o novo status que possuem na economia global.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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SARKOZY PASSA REFORMA CONSTITUCIONAL POR DOIS VOTOS: UM DELES, DO PS, ABRE NOVA CRISE NA OPOSIÇÃO FRANCESA

Postado em 24 dEurope/London julho dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O Congresso francês aprovou segunda-feira, em Versailles, o projeto de reforma constitucional proposto pelo Elysée. A vitória, por dois votos de margem, sendo um deles do deputado Jack Lang, do Parti Socialiste (PS), desencadeou uma nova crise na oposição francesa. O projeto prevê o aumento de poderes do parlamento, além de aparentemente dar mais garantias à oposição.

 

O presidente francês Nicolas Sarkozy sai fortalecido do embate. Já os socialistas terão que contornar mais uma crise. Além da eterna disputa entre o secretário-geral do partido, François Hollande, e a ex-candidata Ségolene Royal, o PS segue numa encruzilhada. O que fazer com Jack Lang, o deputado dissidente? Contrariando a orientação do partido, ele votou pelo projeto do governo.

 

Em teoria, o projeto traz alguns avanços e atende reivindicações históricas da esquerda francesa. Entretanto, falta confiança da oposição nos verdadeiros propósitos de Sarkozy. Além disso, o PS argumenta que esta é apenas uma reforma de fachada. A verdadeira reforma, que suprime de facto os poderes do premier ministre, e confere super-poderes ao presidente, já foi feita.

 

Mais um ponto para a direita. Se, por um lado, Sarkozy tem enfrentado seu inferno astral desde que chegou ao Palácio do Elysée, por outro, as constantes brigas e desentendimentos no campo da oposição têm ajudado o presidente, e seu partido, a Union pour un Mouvement Populaire (UMP), a levar adiante o projeto neoliberal na França.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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