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Blog do Desemprego Zero

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Luta pela reforma agrária denuncia prioridade do governo pelo agronegócio

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por: Luciana Sergeiro

MST intensifica as mobilizações neste ano para cobrar ações do governo; “A política agrária do governo Lula não está conseguindo resolver conflitos sociais causados pelo aumento da pobreza no campo”, protesta José Batista

A reforma agrária está parada em todo o país e, com isso, as famílias sem-terra se mobilizam para pressionar o governo. Este ano o movimento intensificou as mobilizações para cobrar ações do governo.

José Batista avalia que a promessa de campanha do governo de uma reforma agrária de qualidade não foi cumprida. Em contrapartida, “o governo Lula fez uma opção política e econômica pelo agronegócio, apoiando as grandes empresas nacionais e, especialmente, as estrangeiras, que produzem matéria-prima em latifúndio para exportação, como soja, eucalipto e, especialmente, cana-de-açúcar, para o programa de agrocombustíveis”MST intensifica as mobilizações neste ano para cobrar ações do governo;

Publicado em: Brasil de Fato 

Por: Michelle Amaral

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram em todo o país uma nova Jornada de Lutas pela Reforma Agrária no final de julho. Em torno do dia do trabalhador rural, comemorado em 25 de julho, o movimento coordenou a ocupação de superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 12 Estados, como também esteve à frente de marchas e ocupações de fazendas em posse privada ilegal.

Segundo o MST, o objetivo das manifestações foi “chamar a atenção da sociedade para a recusa do governo federal em tratar da reforma agrária”. O movimento aponta que as políticas do Planalto favorecem o agronegócio, destinando as terras que deveriam ser para os trabalhadores rurais aos grandes produtores. As ações condenaram também a criminalização dos movimentos sociais, especialmente no Rio Grande do Sul e no Pará onde o Poder Judiciário tomou decisões de caráter conservador. Leia o resto do artigo »

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Outdoor censurado por Cabral volta às ruas do Rio

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por: Luciana Sergeiro 

Desenho do artista gráfico Carlos Latuff em cartaz crítico à política de segurança do governo Sérgio Cabral é alvo de censura. Para chefe da Casa Civil do governo carioca, desenho traz “mensagem grave e equivocada sobre a PM”. Para Latuff, reação ao desenho é didática e serve de alerta: “Ninguém se comoveu com o assassinato da criança. As pessoas se incomodaram mais com a descrição do policial”.

Publicado em: Agência Carta Maior

Estão nas ruas três novos outdoors com críticas à política de segurança do governo Sérgio Cabral. O desenho – do artista gráfico Carlos Latuff, que segue anexado – é o mesmo que incomodou o governador, a ponto de o chefe do Executivo telefonar para o desembargador Siro Darlan para se queixar (Darlan preside o Conselho de Defesa da Criança e do Adolescente, o Cedca, que patrocinou a primeira veiculação dos outdoors, entre os dias 21 e 24 de julho). Além disso, o chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, afirmou à Agência Estado: “Liguei para o presidente do Cedca e ponderei que considerava a imagem de muito mau gosto, que isso não ajudava em nada a causa da criança e continha mensagem grave e equivocada sobre a PM”.

Desta vez, a veiculação dos outdoors está sendo patrocinada por seis entidades: Grupo Tortura Nunca Mais, Justiça Global, DDH, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, Instituto Carioca de Criminologia e Projeto Legal. O novo desenho traz uma tarja vermelha com a inscrição “CENSURADO”, uma crítica à postura antidemocrática do Poder Executivo Estadual, que mobilizou a máquina administrativa para suprimir a liberdade de expressão. Acompanha o desenho a pergunta: “Candelária, Vigário Geral, Baixada, Alemão, Acari, Providência.. . Estamos mais seguros?”. Leia o resto do artigo »

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Por que no te callas, Meirelles?

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Elio Gaspari

Fonte: FSP (06/08/2008)

“O presidente do Banco Central só deveria falar ao Congresso ou durante as reuniões da diretoria da instituição”.

A PANCADA de 0,75% do Banco Central no aumento na taxa de juros ainda não esfriou e seu presidente, doutor Henrique Meirelles, já está no circuito insinuando uma nova punição para a economia nacional. Comprou seu forno de microondas? Sua mulher não precisa mais voltar para o fogão para servir a janta? Visigodo ignóbil, você está aquecendo o consumo. Conseguiu um trabalho com a queda da taxa de desemprego? Ostrogodo inconseqüente, você ofende a racionalidade econômica, abrindo o caminho para um surto inflacionário. Contra esses bárbaros só há um remédio, subir a taxa de juros brasileira que é, há tempos, a maior do mundo.

Quando o doutor Meirelles retoma o circuito da quiromancia financeira para dizer que a queda do IPCA não é bem uma queda do Índice de Preços aos Consumidor, não está praticando um exercício didático. Se há um aumento de casos de febre amarela, e o ministro José Gomes Temporão determina o aumento da produção de vacinas, a decisão é neutra. Quem quer vai ao posto de saúde. Quem não precisa não vai. Ninguém ganha dinheiro com isso. No caso dos juros, Meirelles ameaça com a propagação de uma epidemia que faz a felicidade da turma do papelório que se remunera com a expansão da moléstia.

Admita-se que a alta dos juros seja uma necessidade. Ainda assim, ela é uma decisão de Estado. Compete ao presidente da República, não a um funcionário demissível ad nutum. (Ele e todos os çábios do Copom.) Admita-se ainda que Nosso Guia, emparedado pelo terrorismo financeiro, tenha terceirizado essa atribuição. Ainda assim, o delegado do papelório não se pode investir no papel de ombudsman da administração pública, punindo a economia por conta de certezas e de dúvidas que são suas, mas que não são dos seus colegas de ministério.

O doutor Meirelles (como seus antecessores) investiu-se de um papel supraconstitucional, como se houvesse dois países, um governado pelos eleitos, outro sob regime de ocupação, disciplinado pelos sábios, com ele no papel de xamã. O presidente do Banco Central estimula essa bagunça saindo por aí a propagar platitudes. Por exemplo: “Achamos um pouco prematuro ainda fazer uma previsão da evolução dos preços das commodities nos próximos meses”. Segundo seu horóscopo (ele é de Libra), nesta semana deve evitar mortadela e guaraná.

Assim como se deve desejar que os ministros do Supremo Tribunal só falem durante as sessões da corte, coisa que está em desuso desde que surgiram os juristas-celebridade, seria melhor para todo mundo se o presidente do Banco Central só falasse ao Congresso ou durante as sessões do Copom.

Em abril passado, ao conferir a posição dos parafusos de sua cadeira, Meirelles viu que alguns deles estavam frouxos. Coisa da vida para quem ocupa um cargo da confiança do presidente da República. Sua postura recente é a de quem acredita ter pista própria, sem combinar com a federação de atletismo. Ou, talvez, a de quem quer aproveitar o fim da pista para sair do estádio debaixo dos aplausos da turma do cercadinho VIP. Nos dois casos, prejudica o bom andamento dos negócios do Estado.

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La vulnerabilidad moral de los mercados

Postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Robert Skidelsky

by Robert Skidelsky

Fonte: Project Syndicate

Hoy parece no existir ninguna alternativa coherente para el capitalismo. Sin embargo, los sentimientos anti-mercado están bien en forma, lo cual queda de manifiesto, por ejemplo, en la reacción moralista contra la globalización. Como ningún sistema social puede sobrevivir mucho tiempo sin un sustento moral, las cuestiones planteadas por los defensores de la antiglobalización son urgentes -mucho más en medio de la actual crisis económica.

Es difícil negar cierto valor moral del mercado. Después de todo, le adjudicamos valor moral a los procesos así como a los resultados, como en la frase “el fin no justifica los medios”. Es mejor, desde un punto de vista moral, que nuestros productos sean suministrados por mano de obra libre que por esclavos y que podamos elegir nuestros productos en lugar de que el Estado los elija por nosotros. El hecho de que el sistema de mercado sea más eficiente a la hora de crear riqueza y satisfacer las necesidades que cualquier otro sistema es un beneficio adicional.

Las críticas morales del mercado se centran en su tendencia a favorecer un tipo de personalidad moralmente deficiente, privilegiar motivos desagradables y promover resultados indeseables. Al capitalismo también se le adjudica la falta de un principio de justicia.

Consideremos la personalidad. Muchas veces se dijo que el capitalismo retribuye la cualidad de autocontrol, trabajo arduo, inventiva, austeridad y prudencia. Por otra parte, deja afuera todas las virtudes que no tienen ninguna utilidad económica, como el heroísmo, el honor, la generosidad y la piedad. (El heroísmo sobrevive, en parte, en la idea romántica del “empresario heroico”).

El problema no es sólo la insuficiencia moral de las virtudes económicas, sino su desaparición. El trabajo arduo y la inventiva siguen siendo retribuidas, pero el autocontrol, la austeridad y la prudencia seguramente empezaron a desvanecerse con la primera tarjeta de crédito. En el Occidente opulento, todos piden dinero prestado para consumir tanto como sea posible. Estados Unidos y Gran Bretaña están ahogándose en deuda. Leia o resto do artigo »

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A geopolítica e o pensamento econômico

Postado em 6 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Heldo Siqueira*

A nova engenharia do mundo industrializado incita algumas discussões que haviam ficado ultrapassadas. A antes imparável e inevitável globalização parece agora ultrapassada e os países ganham novo fôlego para tomar atitudes protecionistas. Nesse ambiente, o papel das políticas estatais no desenvolvimento econômico volta a ser tema de debate e a liberdade dos mercados é posta em cheque.

Os anos 70 marcaram a economia mundial pelas crises no preço do petróleo. Os aumentos repentinos e drásticos no preço da commodity desviaram volumes dramáticos de divisas em direção aos países exportadores de petróleo (os petrodólares). Em geral, a exportação de petróleo ocorre dos países que consomem pouco combustível (em geral os mais pobres) em direção aos países ricos, que consomem mais combustível. Ou seja, o combustível ia dos países pobres em direção aos ricos, enquanto as divisas iam dos países ricos em direção aos pobres. O que permitia aos países pobres exportar petróleo era sua pouca industrialização. Afinal, caso houvesse políticas que oportunizassem inversões de recursos nos próprios países, é provável que a riqueza permanecesse nesses países e esses passassem a consumir mais petróleo. Por outro lado, era preciso criar mecanismos que permitissem a rápida mobilização das divisas de volta às matrizes localizadas nos países desenvolvidos.

Concomitantemente a esses problemas, há o ressurgimento da discussão acerca do liberalismo nos fóruns de debate econômico. Para os neoliberais (como foram chamados) as políticas de desenvolvimento estatais atrapalhavam o crescimento econômico pois geravam ineficiência e, em última instância, inflação ao invés de prosperidade. A solução era “desaparelhar” os Estados nacionais e permitir ao mercado alocar os recursos. Por outro lado, a liberalização financeira garantiria a mobilidade de divisas necessária para financiar as dívidas públicas.

A nova teoria econômica encaixava-se perfeitamente à necessidade dos países desenvolvidos, e talvez por isso tenha sido tão bem aceita nos principais círculos de debate econômico. Na prática, o neoliberalismo foi muito eficiente em uniformizar o ideal de bem-estar social no mundo. Afinal, com a abertura comercial todos os consumidores podiam adquirir mercadorias de qualquer lugar do mundo e podiam, finalmente, ambicionar ter os bens de consumo que antes eram proibidos de ter. Entretanto, a abertura financeira não conseguiu, em momento algum, uniformizar os meios de financiamento dos bens de consumo. Além disso, a remuneração do trabalhador comum nos países “em desenvolvimento”, diminuiu em relação aos ricos durante toda a fase de neo-liberalismo. Ou seja, enquanto os trabalhadores de países ricos podiam financiar seus luxos em condições extremamente favoráveis (o que, afinal de contas, gerou a crise dos sub-prime), os trabalhadores de países “em desenvolvimento” podiam apenas sonhar com os novos produtos de tecnologia de ponta.

Ignorando a teoria econômica e adaptando-se de maneira formidável à nova economia, o gigante chinês fez exatamente o que fizera o Japão anos antes para reconstruir-se depois da IIª Guerra: usar uma moeda desvalorizada (controlada através da compra de títulos da dívida americana) para dar competitividade à sua indústria, e, de quebra, influenciar a política da economia hegemônica. Alguns outros países na Ásia seguiram o mesmo caminho e, como no Japão, a estratégia deu certo. Assim, o centro dinâmico da economia mundial passou, talvez definitivamente, para a Ásia. É a trajetória da China, ou o famoso descolamento, que os analistas utilizam para fazer suas previsões e não mais a dos países europeus ou da América do Norte. Por outro lado, as reuniões da OMC têm sido exemplares para demonstrar a capacidade de pressão dos países em desenvolvimento.

Os próximos anos vão dar a verdadeira dimensão de quão profundas serão as mudanças nas tomadas de decisões internacionais, pois os EUA continuam a ser a maior potência bélica e o maior pólo de desenvolvimento tecnológico. Entretanto já é inconcebível aos americanos tomar decisões, pelo menos no campo econômico, sem levar em conta os interesses de seus parceiros comerciais. Será interessante também, ver como ficarão as discussões acadêmicas acerca da liberalização econômico-financeira e seus benefícios.

* Heldo Siqueira: Gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo).

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Armas, drogas y mercados financieros

Postado em 6 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

by Dani Rodrik

Fonte: Project Syndicate

La crisis de las hipotecas subprime ha demostrado una vez más lo difícil que es controlar las finanzas, una industria que es al mismo tiempo vital para las economías modernas y la mayor amenaza a la que se enfrentan. Si bien esto no es noticia para los mercados emergentes, que han experimentado varias crisis financieras en los últimos 25 años, medio siglo de estabilidad financiera hizo que las economías avanzadas se volvieran complacientes.

La estabilidad reflejaba un simple quid pro quo : reglamentación a cambio de la libertad de operar. Los gobiernos impusieron reglamentación cautelar a los bancos comerciales a cambio de la prestación pública de seguros de depósitos y la función de prestamista de último recurso. Los mercados de valores quedaron sujetos a requisitos de divulgación y transparencia .

Pero la desregulación financiera de los años ochenta nos llevó a territorio desconocido. La desregulación prometía generar innovaciones financieras que mejorarían el acceso al crédito, permitirían una mayor diversificación de los portafolios y asignarían los riesgos a quienes estuvieran en mejores condiciones de soportarlos. Los liberalizadores argumentaban que la supervisión y la reglamentación estorbarían y que los gobiernos no podrían seguir el ritmo de los cambios.

Qué diferencia ha significado la crisis actual. Ahora nos damos cuenta de que los actores más sofisticados del mercado no tenían idea sobre los nuevos instrumentos financieros que se crearon y ahora nadie duda que la industria financiera requiere una reforma a fondo.

Pero, ¿qué es lo que se debe hacer exactamente? Los economistas que se concentran en esos temas se dividen en tres grupos.

Primero están los promotores de la libertad, para quienes cualquier cosa que se interponga entre dos adultos que se ponen de acuerdo es similar a un crimen. Si me venden un papel que yo quiero comprar, es mi responsabilidad saber qué es lo que estoy comprando y tomar conciencia de cualquier consecuencia adversa posible. Si la compra me daña, sólo yo tengo la culpa. No puedo suplicar al gobierno que me rescate.

Quienes no son partidarios de esta libertad reconocen el defecto fatal de este argumento: los colapsos financieros conllevan lo que los economistas llaman un “riesgo sistémico” – todos pagan un precio. Como lo demuestra el rescate de Bear Sterns, el gobierno puede verse obligado a rescatar instituciones privadas para evitar un pánico que tendría peores consecuencias en otras partes. Así, muchas instituciones financieras, sobre todo las más grandes, operan con una garantía gubernamental implícita. Esto justifica que el gobierno regule las prácticas de préstamo e inversión. Leia o resto do artigo »

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A história não acabou

Postado em 6 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Edward Amadeo

Fonte: Valor Econômico (06/08/2008)

Em 1896, o autor inglês E. E. Williams intitulou um ensaio “Made in Germany” porque quando começou a escrevê-lo notou que, para seu horror, o lápis que usava tinha sido produzido na Alemanha. Em 1885, o ministro prussiano Robert von Puttkamer ordenou a expulsão dos trabalhadores imigrantes poloneses. Os países toleram mal as ameaças da globalização – seja na forma de investimentos estrangeiros, da competição de importados, da imigração de trabalhadores. 

O capitalismo passa por sua segunda onda de liberalismo e globalização. A primeira foi no século XIX, quando os fluxos de capital, produtos e migrantes, devidamente normalizados pelo “tamanho” da economia e da população, atingiram patamares iguais ou maiores que nos anos recentes. Mas nem a visão liberal, nem a globalização, duraram muito. A crise das primeiras décadas do Século XX foi o pano de fundo para uma forte reação aos dois movimentos. A resposta veio na forma de proteção do mercado nacional, restrição ao fluxo de capitais e fechamento das fronteiras aos imigrantes, além da introdução de uma série de políticas de proteção social. 

A competição gera insegurança e instabilidade. A regulação dos mercados (de capitais, de bens e serviços e de trabalho) produz segurança e estabilidade. O mundo do pós 1ª Guerra tornou-se pós-liberal.  Leia o resto do artigo »

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Os limites do câmbio

Postado em 6 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Luís Nassif

Fonte: Projeto Brasil

Mensalmente, a Agência Dinheiro Vivo realiza um encontro de economistas de diversas áreas de especialização e tendências – o “Tornos e Planilhas” – tentando encontrar um denominador comum sobre as perspectivas da economia global e brasileira.

Há uma conclusão quase majoritária: a de que se está próximo do fim da trajetória de apreciação do real. Em algum momento haverá a reversão do câmbio.

Segundo Paulo Tenani, do UBS-Pactual, há duas forças puxando o dólar para baixo. Uma delas, a política de juros do Banco Central. A segunda, a constituição de reservas cambiais, que dá uma sobrevida ao processo de apreciação cambial -

Na outra ponta, há um fantasma cada vez mais presente, puxando o dólar para cima: a deterioração das contas externas brasileiras, que desde dezembro assumiu uma dinâmica explosiva.

Aí se esbarram em fatores extra-econômicos. Professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda vê a política monetária-cambial atrelada ao calendário eleitoral. A exemplo do primeiro governo FHC, o que se pretende é segurar a inflação, via câmbio até as eleições presidenciais de 2010.

Há um fato adicional, que poderá acelerar o desfecho: a queda nas cotações de commodities agrícolas, que começou a ficar mais nítida na última semana. José Vicente Ferraz, da Agra FNP vê como inevitável as cotações despencarem ante a perspectiva de um desaquecimento da economia global.

Ocorre que – conforme já escrevi várias vezes aqui – os mercados de commodities estão fundamentalmente alavancados por fundos hedge. Quando se sente que o caminho é a alta, os fundos entram pesados tornando mais agudo o movimento – o chamado “overshooting”. O mesmo ocorre no sentido inverso. E isso aparentemente começou.

Na economia global, as mudanças não se restringirão ao comportamento das commodities. Os grandes fundos estão com a mão no gatilho aguardando o início da reversão da desvalorização do dólar frente ao euro e às moedas asiáticas.

Até agora o ajuste do dólar foi feito em cima de países com câmbio flexível – Europa e América Latina, particularmente o Brasil.

No segundo tempo do jogo, prevê Tenani, o ajuste será bancado pelos países que até agora mantiveram suas moedas protegidas, especialmente a China, que será obrigada a permitir a valorização da sua moeda.

Esse movimento está sujeito a fricções variadas. A China tem uma necessidade enorme de manter altas taxas de crescimento. Nos próximos anos enfrentará desafios econômicos e sociais dos mais intensos. No campo industrial, a necessidade de continuar gerando empregos. Na agricultura, o fantasma apavorante da escassez de água. Hoje em dia, lembra Ferraz, a agricultura chinesa tem produtividade das mais altas devido à irrigação. Mas precisará dobrar a capacidade de sua agricultura e em breve se deparará com a escassez de água.

Todo esse quadro sugere que o Brasil deveria se preparar rapidamente para a hipótese de reversão do quadro de euforia que marcou a economia global nos últimos anos.

Mas as mudanças, por aqui, só ocorrem em períodos de crise. É a sina histórica do Brasil.

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