Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Texto sugerido por: Maria de Fátima de Oliveira*
Ele quase não viu a senhora que estava com o carro parado no acostamento. Mas percebeu que ela precisava de ajuda. Assim, parou seu carro e se aproximou. O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho.
Mesmo com o sorriso que ele estampava na face, a mulher ficou preocupada. Ninguém tinha parado para ajudá-la durante a última hora. Ele iria ‘aprontar’ alguma? Não parecia ser de confiança, parecia pobre e faminto.
Ele pôde perceber que ela estava com muito medo e disse: “Eu estou aqui para ajudar, senhora. Por que não espera no carro? Lá deve estar mais quente. A propósito, meu nome é Brian”.
Bem, o problema dela era um pneu furado. Mas, para uma senhora, aquilo era o bastante. Brian abaixou-se, colocou o macaco, levantou o carro e começou a trocar o pneu. No final de todo, ele estava um tanto sujo e havia machucado uma das mãos. Enquanto apertava as porcas da roda, ela abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou que era de St. Louis e só estava de passagem por ali, não sabendo como agradecer pela preciosa ajuda. Brian apenas sorriu enquanto se levantava. Leia o resto do artigo »
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Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Rodrigo L. Medeiros
“O futuro de alguns países já pode ser o presente em outros, enquanto alguns ainda podem incorporar o passado dos demais. Mas o resultado é comum a todos eles: o sistema de mercado não será mais auto-regulável, mesmo em princípio, uma vez que ele não incluirá o trabalho, a terra e o dinheiro” (Karl Polanyi).
Pertence ao último capítulo do clássico livro A grande transformação (Campus, 2000), de Karl Polanyi, o título desta reflexão. Publicado em 1944, o respectivo livro tornou-se um clássico do pensamento econômico do Século XX. Sua tese central baseia-se na insustentabilidade sócio-ambiental do princípio do mercado auto-regulável.
Conforme afirma Polanyi, “uma tal instituição não poderia existir em qualquer tempo sem aniquilar a substância humana e natural da sociedade; ela teria destruído fisicamente o homem e transformado seu ambiente num deserto” (p.18) . Nesse sentido, “inevitavelmente, a sociedade teria que tomar medidas para se proteger” (idem). Como resultado da busca por proteção, a própria auto-regulação do mercado seria prejudicada.
A aparente contradição descrita por Polanyi traduz um dilema enfrentado pelos fundamentalistas de direita e esquerda, ortodoxos nas suas respectivas formas de pensamento. Estariam as sociedades efetivamente reféns de escolhas políticas extremas no campo da organização econômica?
Polanyi argumenta que “a verdadeira crítica à sociedade de mercado não é pelo fato de ela se basear na economia – num certo sentido, toda e qualquer sociedade tem que se basear nela – mas que sua economia se baseava no auto-interesse” (p.289). Reconhecer que houve a imposição do sistema de mercado, em muitos casos de forma violenta, por finalidades não-econômicas não exige grande esforço intelectual. Basta pensar no colonialismo praticado por diversas potências do passado. Dificilmente se pode considerar que as práticas colonialistas terminaram com o mercantilismo e com o advento dos pensadores liberais. O uso impiedoso da força contra os mais fracos, incluindo a sofisticação do poder condicionado no campo intelectual, e a corrupção desenfreada nos escalões administrativos ilustraram histórias de imposição de mecanismos de mercado.
Os diversos sistemas sociopolíticos sentiriam o peso da Revolução Industrial e da haute finance. Seria muito difícil não ser enredado nesse sistema em expansão. Dificilmente se pode afirmar tranqüilamente que havia pacifistas entre os membros dessa emergente classe de capitães de indústria e finanças. Muitos haviam feito fortunas financiando guerras e lucrando com a “paz dos vencedores”. Segundo Polanyi, “o objetivo da haute finance era o lucro; para atingi-lo era necessário um bom relacionamento com os governos, cujo objetivo era o poder e a conquista” (p.26). Empréstimos e suas renovações se articulavam com o crédito e este, por sua vez, dependia do bom comportamento. Leia o resto do artigo »
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Postado em 6 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Luís Nassif
A crise é importante, entre outras coisas, para desvendar a análise seletiva de economistas de mercado.
Por exemplo, no começo do ano já havia sinais nítidos de que a grande crise global se aproximava e que o aumento do déficit em transações correntes era uma ameaça, por dos efeitos previsíveis da crise: queda de preços das commodities e dificuldade de financiamento do déficit.
Uma das vozes que se ergueu contra esse diagnóstico foi a de Affonso Celso Pastores, em artigo de 24 de março passado, no Valor (co-autoria com Maria Cristina Pinotti).
A crise internacional estava vindo a galope, com duas conseqüências óbvias: redução nos preços das principais commodities (com aumento correspondente no déficit em transações correntes) e perspectiva óbvia de aumento da noção de risco de crédito reduzindo os investimentos para o país. Era tema diário aqui no Blog
A análise de Pastore, no entanto, lembrava as discussões dos velhos sábios de Bizâncio:
1. Lembrava que o padrão histórico brasileiro foi de superávit na balança comercial e déficit nas transações correntes. Em vez de utilizar essa informação como alerta – já que esse padrão resultou em inúmeras crises cambiais – utilizava como inevitabilidade do modelo brasileiro.
2. Atribuía o déficit nas transações correntes ao fato de se ter a absorção (consumo das famílias + consumo do governo + investimentos) maior do que o produto, ou ainda, que os investimentos superaram as poupanças domésticas (pública e privada). “E por que as poupanças no Brasil são baixas? Uma das razões é a política fiscal”. (…) .
3. Minimizava o papel do câmbio no aparecimento dos déficits nas transações correntes. “A variável relevante para determinar o comportamento das contas correntes é o câmbio real, que é um preço relativo – entre os bens internacionais e domésticos -, e não o câmbio nominal, que é volátil e se comporta como um preço de um ativo”. Uma afirmação verdadeira e absolutamente inútil, já que é o câmbio nominal quem determina o preço de todas as transações econômicas do país. Seria útil se Pastore admitisse que, por ser volátil, o câmbio nominal deveria ser melhor controlado pelo Banco Central. Mas ele se limita a essa conclusão acaciana para eliminar o câmbio nominal do seu modelo.
4. Para reforçar o não controle sobre o câmbio nominal, ele dizia que o câmbio estava sendo apreciado devido ao aquecimento da demanda, não ao diferencial de juros atraindo capital especulativo. Sendo assim, obviamente não havia razões para se reduzir os juros e o ingresso de capital especulativo. Nem se pergunte porque o câmbio foi para R$ 2,00 com o fluxo de dólar pronto praticamente estável. Ou nem tente indagar toda e engenharia financeira montada pelo mercado para compensar a apreciação irresponsável do câmbio – e que explodiu agora nos casos Sadia e Aracruz. Para Pastore, como essas operações não estavam na planilha da Cristina, não existiam. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
No cinema e no romance não há forças de redenção para a anomia descrita por Saramago. Algo semelhante parece ocorrer nesses dias marcados por um certo conformismo bovino na fila do matadouro. Reside aí, talvez, a verdadeira dimensão sistêmica da crise. Não se trata apenas de um atributo de abrangência econômica, mas sim da virtual incapacidade política de seus protagonistas para acionar uma mudança de rumo.
Saul Leblon
Carta Maior
Numa das cenas do filme “Ensaio sobre a Cegueira”, adaptação de Fernando Meirelles para o romance de Saramago, o personagem pergunta à esposa cuja visão subsiste na solidão de um mundo que perdeu a capacidade de enxergar e se auto-gerir: “Há sinais de governo?”
A resposta é dada pelo angustiante passeio da câmera nas ruas de uma metrópole onde nada funciona. O que as lentes mostram são bandos esfarrapados e famintos vagando sem destino. Modalidades previsíveis da barbárie preenchem um hiato em que o Estado desmoronou e os valores da convivência humana se eclipsaram. A auto-regulação dos mercados não funcionou.
Quem assistir ao filme nesses dias de convulsão financeira dificilmente resistirá à analogia. A crise iniciada nos EUA, que aos poucos contamina o resto do planeta, é o Ensaio sobre a Cegueira de quem vive sob a supremacia dos mercados desregulados no alvorecer do século XXI. Da esquerda à direita, dos trabalhadores aos banqueiros, passando por governantes, economistas e líderes políticos quase ninguém consegue enxergar a real extensão de um colapso que se arrasta desde agosto de 2007. Num crescendo ele se derrama de um setor a outro, salta de país a país como uma fatalidade intangível e ingovernável cuja visita cabe apenas aguardar. Mais inquietante, sobretudo, é a invisibilidade de alternativas que possam conduzir a sociedade a uma nova visão da economia e do seu desenvolvimento, escapando à propagação inexorável de solavancos que eclodem em intervalos cada vez menores, com virulência cada vez maior (1987 -1988-2001-2003-2007-2008). Leia o resto do artigo »
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Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
João Sicsú
Valor Econômico (01/10/2008)
No início do segundo mandato de FHC, foi estabelecido o tripé: I) política fiscal – realizar superávits primários necessários para reduzir a relação dívida/PIB; II) política monetária – utilizar a taxa de juros como único instrumento de controle da inflação; III) política cambial – estabelecer um regime de câmbio flutuante em que o mercado determinaria a taxa de câmbio e, portanto, o BC não precisaria acumular reservas em grandes volumes. O tripé macroeconômico de FHC era liberal e conservador.
Tal modelo era tratado como solução única, inquestionável. Entretanto, o país e o mundo vivem hoje um momento diferente: a agenda foi desinterditada. Está sob agudo questionamento o modelo liberal que se dizia estar apoiado nas boas práticas internacionais. Quais? Aquelas praticadas pelas autoridades responsáveis pela regulamentação do sistema financeiro americano? Aquelas elogiadas e sugeridas pelo Lehman Brothers, AIG e o Merrill Lynch?
Os liberais não entregaram o que prometeram. Argumentam que a causa do insucesso foi que o modelo deveria ter sido aplicado em conjunto com reformas estruturais que não foram realizadas – embora isto não seja verdade, porque países como Argentina e Equador realizaram todas as recomendações. Dizem: “No caso dos países latino-americanos faltaram as reformas”. Mas o que dizer da economia americana em crise? Lá o que faltou? Lá se revela o esperado. O capitalismo desregulado é indomável: o mercado financeiro é capaz de cometer suicídio por overdose. Leia o resto do artigo »
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Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Publicado no Monitor Mercantil
Por: Paulo Metri*
Nessa época de luta feroz pela permanência dos lucros imensos das empresas no setor do petróleo, todos os meios têm sido utilizados para que o governo brasileiro atenda aos interesses estrangeiros no pré-sal.
Mais uma vez, vivemos grande movimentação do capitalismo mundial, respaldado pelos governos dos países centrais, que mandam recados diretos ao nosso governo. Recursos financeiros não têm sido poupados para garantir a usurpação em anos futuros e as conseqüências são sentidas.
Artigos buscando induzir o leitor a uma compreensão errônea das questões aparecem nos grandes jornais comerciais e os tempos dos canais de televisão, mantidos pelo mercado, se expandem para o assunto e locutores e comentaristas do pensamento único os ocupam.
Votos de políticos devem estar sendo negociados, de forma análoga à época da votação do projeto da reeleição. Aliás, este conjunto de congressistas, sobre o qual há denúncia nunca apurada de corrupção, é o mesmo que extinguiu o monopólio estatal do petróleo e liberou a entrada das multinacionais do setor no país. Leia o resto do artigo »
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Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Em um artigo intitulado “Querem nos meter medo”, o cineasta Michael Moore (foto) conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população.
Querem nos meter medo
Carta Maior
Todos diziam que a lei seria aprovada. Os especialistas do universo já estavam fazendo reservas para celebrar nos melhores restaurantes de Manhattan. Os compradores particulares em Dallas e Atlanta foram despachados para fazer as primeiras compras de Natal. Os homens loucos de Chicago e Miami já estavam abrindo as garrafas e brindando entre eles muito antes do café da manhã.
Mas o que não sabiam era que centenas de milhares de estadunidenses tinham acordado pela manhã e decidido que era tempo de se rebelar. Milhares de chamadas telefônicas e correios eletrônicos golpearam o Congresso tão forte como se Marshall Dillon (Comissário Dillon, personagem de uma série de televisão) e Elliot Ness tivessem descido em Washington D.C. para deter os saques e prender os ladrões.
A Corporação do Crime do Século foi detida por 228 votos contra 205. Foi um acontecimento raro e histórico. Ninguém conseguia lembrar de um momento onde uma lei apoiada pelo presidente e pelas lideranças de ambos os partidos fosse derrotada. Isso nunca acontece. Muita gente está se perguntando por que a ala direita do Partido Republicano se uniu à ala esquerda do Partido Democrata para votar contra o roubo. Quarenta por cento dos democratas e dois terços dos republicanos votaram contra a lei.
Eis o que aconteceu: Leia o resto do artigo »
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Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Dois parágrafos retirados de matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 23/9* (transcrição abaixo), foram interpretados como profundamente ameaçadores pela economista Ceci Juruá e pelo engenheiro Paulo Metri, sobre o futuro do pré-sal e da própria nação brasileira. A Comissão Interministerial que prepara projeto para ser encaminhado ao Congresso Nacional, visando definir as regras para a exploração do petróleo localizado nos campos do pré-sal, sugere a emissão de títulos com lastro nas reservas.
Quais são os complicadores? O argumento para justificar a transformação dessas reservas em títulos e colocá-los à venda é o mesmo de sempre: o governo alega não ter dinheiro. Ficam no ar as perguntas: o governo estaria querendo hipotecar o pré-sal? O valor dos títulos emitidos com lastro nas reservas ficaria ao sabor de mercado? Quem compraria esses títulos?
Sobre a alegada falta de dinheiro, a economista Ceci Juruá constata:
1) Não acredito que a Petrobrás não tenha crédito junto ao sistema bancário nacional e internacional para financiar a exploração do pré-sal; 2) Não acredito que os fundos de pensão não tenham recursos para comprar debêntures da Petrobrás, com correção monetária e juros garantidos de 6 ou 7% ao ano (juros reais); 3) Não acredito que o BNDES não possa financiar em parte esses investimentos, em vez de financiar multinacionais. Leia o resto do artigo »
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