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Blog do Desemprego Zero

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A teoria e a lógica desenvolvimentista

Postado em 13 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

* Heldo Siqueira

Freqüentemente nos deparamos com a distinção entre economistas liberais e desenvolvimentistas. Trata-se de um entendimento incompleto, afinal, em certo sentido, todos os economistas são desenvolvimentistas, no sentido de buscarem, ao menos em discurso, o desenvolvimento econômico através da elaboração das recomendações de política econômica.

Os liberais, por um lado, acreditam que o motor do desenvolvimento é a busca pelo lucro individual. A impessoalidade do mercado garante a justiça das negociações, favorecendo o espírito empreendedor e levando a eficiência econômica. Por isso, defendem a liberalização dos mercados, para fazer florescer esse espírito competitivo, levando ao desenvolvimento econômico. Nesse caso, a atuação do Estado, frequentemente voltada para alguns grupos específicos, gera ineficiência econômica, pois garante remunerações a agentes ineficientes. A tarefa do Estado, nesse caso, se encerrara em garantir o cumprimento das regras do mercado (segurança, marco jurídico, marco regulatório, e em alguns casos, saúde e educação). Leia o resto do artigo »

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Refazendo uma análise do legado de Greenspan

Postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Peter S. Goodman

Estadão

O proeminente financista George Soros evita usar os contratos financeiros conhecidos como derivativos “porque não entendemos realmente como funcionam”. Felix G. Rohatyn, banqueiro de investimento que salvou Nova York de uma catástrofe financeira na década de 70, qualificou os derivativos de “bombas de hidrogênio” em potencial. E há cinco anos Warren E. Buffett, previdentemente, observou que os derivativos eram “armas financeiras de destruição em massa, contendo perigos que, embora hoje latentes, são potencialmente letais”.

Um importante personagem do mundo das finanças, contudo, por longo tempo entendeu o contrário. E suas opiniões tiveram enorme influência nos debates sobre a regulamentação e o uso dos derivativos – contratos exóticos que prometem proteger os investidores contra perdas, com isso estimulando práticas mais perigosas que levaram à crise financeira. Por mais de uma década, o ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano) Alan Greenspan se opôs a que os derivativos fossem objeto de vigilância no Congresso ou em Wall Street.

“O que concluímos com os anos no mercado é que os derivativos têm sido um veículo extraordinariamente útil para transferir o risco daqueles que não deveriam assumi-lo para aqueles que assim o desejam e são capazes de agir assim”, disse Greenspan ao Comitê de Bancos do Senado, em 2003. “Achamos que seria um erro” regulamentar de modo ainda mais forte esses contratos.

Hoje, mesmo com o mundo apanhado por uma tempestade econômica que Greenspan descreveu recentemente como “o tipo de crise financeira devastadora que ocorre apenas uma vez num século”, sua fé nos derivativos continua inabalável.

O problema não é que os contratos falharam, diz ele. Mais exatamente, as pessoas que os utilizaram é que ficaram gananciosas. Uma falta de integridade engendrou a crise, disse Greenspan num discurso proferido há uma semana na Universidade Georgetown, sugerindo que aqueles que negociaram com derivativos não eram tão confiáveis como “o farmacêutico que avia a receita encomendada pelo nosso médico”.

Mas outros têm opinião totalmente diferente de como os mercados globais se livram da crise e do papel que Greenspan teve na criação desse tumulto.

“Claramente, os derivativos são a peça central da crise e Greenspan foi o principal proponente da desregulamentação desses derivativos”, disse Frank Partnoy, professor de direito na Universidade de San Diego e especialista no campo da regulamentação financeira.

O mercado de derivativos hoje é de US$ 531 trilhões, comparado com seu valor em 2002, de US$ 106 trilhões. Com a finalidade, teórica, de limitar o risco e proteger de problemas financeiros, esses contratos, pelo contrário, atiçaram a incerteza e, de fato, propagaram o risco em meio à dúvida sobre como as empresas os avaliam. Para muitos economistas, se Greenspan tivesse agido de modo diferente como presidente do Fed, de 1987 a 2006, a atual crise poderia ter sido evitada ou contida. Leia o resto do artigo »

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Europa debate medidas anticrise; Sarkozy pede “plano ambicioso”

Postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Folha On-line

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou neste domingo, antes da Cúpula do Eurogrupo em Paris, que espera a adoção de um “plano ambicioso, coordenado, que dê soluções” para a crise financeira. Os chefes de Estado e de governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reúnem hoje.

“Espero um plano ambicioso, coordenado, que dê soluções”, afirmou o presidente em exercício da União Européia, ao receber o presidente da Comissão européia, Jose Manuel Barroso.

Os dois se encontraram antes de uma reunião em Paris que terá chefes de Estado e de governos dos 15 países da zona euro. Ainda antes da Cúpula, Sarkozy e Barroso se reúnem ainda com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que não faz parte do Eurogrupo.

“Receberemos o primeiro-ministro britânico para explicar-lhe o que vamos propor ao Eurogrupo. Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa”, disse o presidente francês. ‘Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz.”

A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise 

O objetivo do encontro de Paris passa por abrir a porta a uma nacionalização parcial dos bancos, coordenar as intervenções de cada Estado, garantir os depósitos dos poupadores, garantir os intercâmbios diários entre entidades e controlar as remunerações dos dirigentes

Ontem, porém, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, rejeitaram um plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos. Apesar disso, segundo as palavras ditas ontem por Merkel, “somente um ato de Estado pode devolver a confiança necessária”.

Uma cúpula européia dos 27 países-membros da UE ocorrerá quarta e quinta-feira em Bruxelas. A de hoje reúne apenas as 15 nações da zona euro.

Neste domingo, Barroso afirmou, por sua vez, que a Europa deve ir além das decisões do G7, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.

Medidas européias

Segundo diversos veículos de comunicação locais, as medidas que o Eurogrupo adotar podem ir na mesma linha que as adotadas por Londres, que pôs à disposição dos bancos um fundo de 35 bilhões de libras para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes.

Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro. Leia o resto do artigo »

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Quem acredita no poder da magia das finanças?

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros

“O episódio eufórico é protegido e sustentado pela vontade dos envolvidos, a fim de justificar as circunstâncias que os tornam ricos. E é igualmente protegido pela vontade de ignorar, exorcizar ou condenar aqueles que exprimem dúvidas” – John Kenneth Galbraith (1908-2006).

Há alguns anos trás, John Kenneth Galbraith escreveu: “Em Wall Street, como em toda parte, há uma fé profunda no poder da magia. A magia preventiva requeria que um importante número de pessoas repetisse com o máximo de firmeza que isso [a queda do mercado] não aconteceria”. O livro ‘1929: o colapso da bolsa’, originalmente publicado em 1955, se tornaria um clássico.

Não há dúvidas quanto ao fato do momento presente ser outro. No entanto, a clássica descrição de Galbraith merece ser revisitada. O “apoio organizado”, por exemplo, captura o quadro da recente concertação em torno da redução das taxas básicas de juros realizada por vinte bancos centrais. Segundo Galbraith, “apoio organizado significava que os homens poderosos se organizariam para manter os preços dos valores em níveis razoáveis”. Irving Fisher, professor e especulador, declarou na época que a queda do mercado traduzia apenas a eliminação dos irracionais. Mesmo assim, o pânico não cederia.

Uma onda de fusões ocorreu na década de 1920. Cada nova fusão demandou, invariavelmente, algum novo capital e novas emissões de títulos. Tratou-se também de uma época de consolidação. Entre as motivações, destaca-se a eliminação ou regularização da concorrência. Thorstein Bunde Veblen (1857-1929) havia identificado tal tendência quando analisou a sabotagem que os capitães de indústrias e finanças operavam para manter os lucros estavelmente elevados pela via da regulação do output para impedir que a oferta ultrapassasse gradualmente a demanda.

À análise crítica de Galbraith não escapou o fato de que se há alguma diferença entre o oráculo caldeu e um economista moderno ela se deve ao “detalhe” de que as previsões de chuva ou seca do caldeu não influíam no clima. Os rumos da economia dependem, cada vez mais, das previsões dos tomadores de decisão. Conforme alertou a UNCTAD, em seu TDR 2008, as estratégias dos bancos comerciais e das outras instituições financeiras influenciam a concessão do crédito e a alocação de recursos na economia. A crítica de Galbraith encontra-se em consonância com os movimentos atuais da Casa Branca, incluindo o Federal Reserve System, e os bancos centrais do Primeiro Mundo. Quanto ao fim da magia, Galbraith afirmou: “o milagre da alavancagem permitia realizar essa operação relativamente sem custos ao homem situado no final de toda a cadeia de grupos”. O socorro de instituições financeiras integra esse imbróglio sociológico. O “incesto fiscal” no âmbito das grandes corporações mostrou-se um instrumento de estímulo da alavancagem.

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“De todos os mistérios da Bolsa de Valores nenhum é tão impenetrável quanto a razão de sempre haver um comprador para cada vendedor. Ninguém sabia, mas nunca é demais ressaltar, que para a eficácia da magia o conhecimento não é nem necessário nem presumido. Um banqueiro não precisa ser popular; de fato, um bom banqueiro em uma sociedade capitalista coerente deve, provavelmente, ser objeto da reprovação geral. As pessoas não desejam confiar seu dinheiro a um cidadão complacente, mas a um misantropo que pode dizer não. Entretanto, um banqueiro não deve parecer fútil, ineficaz ou vagamente tolo” – J. K. Galbraith.

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Não se pode dizer que a disciplina de mercado mostrou-se capaz de monitorar os abusos do sistema. Onde estariam as virtudes da auto-regulação do mercado no momento em que elas são mais necessárias? Pois bem, essa ainda é uma questão atual. A crise de 1929 testemunhou uma queda do prestígio dos banqueiros. Longe de ajudar a estabilizar o mercado, o pool de banqueiros de então estava buscando se livrar do papelório. Leia o resto do artigo »

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A derrocada dos bancos americanos e seis efeitos no mundo

Postado em 10 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

A queda dos gigantescos bancos hipotecários e de investimento americanos e alguns europeus acelera o declínio do dólar e põe em xeque a hegemonia americana. Na Ásia bancos só balançaram; nenhum caiu. No Brasil, os bancos jogaram os riscos para as empresas e algumas vão quebrar. A análise é de Bernardo Kucinski.

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Bernardo Kucinski

O terremoto financeiro americano já derrubou seis de seus grandes bancos de financiamento habitacional, três dos cinco maiores bancos de investimento e sua maior seguradora. Seis desses gigantes seis sumiram do mapa, engolidos por outros bancos. Quatro foram estatizados. Um cenário desolador com prejuízos de 200 bilhões de dólares a cidadãos e bancos comerciais , pânico e perda de confiança no sistema financeiro. Tentando estancar uma corrida generalizada a bancos, o governo Bush elevou de 100 mil dólares para 250 mil a garantia para depósitos pessoais e já fala em mais estatizações. (1)

Os bancos de investimento americanos eram os reis da selva financeira, sugando e reaplicando milhões de todo o mundo, de bilionários, de outros bancos, e de fundos de pensão. Os únicos sobreviventes, Goldman Sachs e o Morgan Stanley, ficaram tão mal que o governo autorizou sua transformação em conglomerado financeiro, forma disfarçada de permitir que tenham acesso a linhas de crédito do FED. (2)

O terremoto atingiu com intensidade o mercado financeiro londrino, o maior importante da Europa e o mais ligado ao sistema financeiro americano, reverberando no continente, embora a Inglaterra não tenha aderido ao Euro. A economia da Inglaterra já estava deprimida, com queda de quase 30% nos valor dos imóveis desde janeiro. Além da estatização parcial do grande banco hipotecário Bradford& Bingley e venda de suas agências ao Santander numa operação de 733 milhões de Euros, outro banco de financiamento da habitação, o HBOS foi absorvido pelo Lloyds TBS por cerca de US$ 20 bilhões.

Na terça-feira, dia 9, quando rumores de quebra atacaram o Stanley Morgan- Chase nos Estado Unidos e o Banco Real da Escócia, a Europa entrou em pânico. As ações dos principais bancos ingleses desabaram e o governo anunciou o pacote de salvamento maior do que o de Bush, e com mais ênfase na estatização parcial dos bancos (3): equivalente a 35% do PIB inglês, o pacote destina 50 bilhões de libras (cerca de 90 bilhões de dólares) à compra de ações de bancos, ou seja estatização parcial, 200 bilhões de libras a empréstimos aos bancos, e mais 250 bilhões para garantia de empréstimos de curto e longo prazo. Leia o resto do artigo »

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O mito do colapso americano

Postado em 9 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Apesar da violência desta crise financeira, não deverá haver um vácuo nem uma ‘sucessão’ na liderança política e militar do sistema mundial. E, do ponto de vista econômico, o mais provável é que ocorra uma fusão financeira cada vez maior entre a China e os Estados Unidos.

José Luís Fiori

Artigo publicado originalmente no jornal Valor Econômico (08/10/2008)

“Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar” (N. Maquiavel, O Príncipe, 1513).

Na segunda feira, 6 de outubro de 2008, a crise financeira americana desembarcou na Europa, e repercutiu em todo mundo, de forma violenta. As principais Bolsas de Valor do mundo tiveram quedas expressivas, e governos e Bancos Centrais tiveram que intervir para manter a liquidez e o crédito de seus sistemas bancários. Neste momento, não cabem mais dúvidas: a crise financeira que começou pelo mercado imobiliário de alto risco dos EUA já se transformou numa crise profunda e global, destruiu uma quantidade fabulosa de riqueza, e deverá atingir de forma mais ou menos extensa, desigual e prolongada, a economia real dos EUA, e de todos os países do mundo.

Muitos bancos e empresas seguirão quebrando, nascerão rapidamente novas regras e instituições, e haverá nos próximos meses, uma gigantesca centralização do capital financeiro, sobretudo nos EUA e na Europa. Os bancos e organismos multinacionais seguem paralisados e impotentes e se aprofunda, por todo lado, a tendência à estatização de empresas, à regulação dos mercados, e ao aumento do protecionismo e do nacionalismo econômico.

De todos os pontos de vista, acabou a “era Tatcher/Reagan” e foi para o balaio da história o “modelo neoliberal” anglo-americano, junto com as idéias econômicas hegemônicas nos últimos 30 anos. Como contrapartida, mesmo sem fazer proselitismo explícito, deverá ganhar pontos, nos próximos meses e anos, em todas as latitudes, o “modelo chinês” nacional-estatista, centralizante e planejador.

No meio do tiroteio, é difícil de pensar. Talvez por isto, multiplicam-se, imprensa e na academia, os adjetivos, as exclamações e as profecias apocalípticas, anunciando o fim da supremacia mundial do dólar e do poder global dos EUA, ou, do próprio capitalismo americano. Na mesma hora em que os governos e investidores de todo mundo estão se refugiando no próprio dólar, e nos títulos do Tesouro americano, apesar de sua baixíssima rentabilidade, e apesar de que o epicentro da crise esteja nos EUA. E o que é mais interessante, é que são os governos dos estados que estariam ameaçando a supremacia americana, os primeiros a se refugiarem na moeda e nos títulos americanos. Para explicar este comportamento aparentemente paradoxal, é preciso deixar de lado as teorias econômicas convencionais sobre o “padrão ouro”e o “padrão-dólar”, e também, as teorias políticas convencionais sobre as crises e “sucessões hegemônicas”, dentro do sistema mundial. Leia o resto do artigo »

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‘O poder imensurável dos bancos e do capital acabou’

Postado em 9 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

“Economista alemão previu, em 2006, colapso da economia global até 2010. Para ele, Brasil está bem preparado”

Publicado em: O Globo
Por: Graça Magalhães-Ruether

BERLIM. Nas livrarias de Berlim, o best-seller hoje é um livro de 2006, “Der crash kommt” (“O crash vai chegar”), de Max Otte, da Universidade de Worms, na Alemanha, que prevê o colapso global da economia até 2010. Em entrevista exclusiva, o economista de 45 anos, que nos anos 90 foi aluno de doutorado de Ben Bernanke – o presidente do Federal Reserve, o Fed – afirma que o capitalismo como o conhecemos morreu. Em seu lugar virá uma economia regulamentada. Em sua opinião, o Brasil poderá ser afetado, mas está mais bem preparado que no passado.

No seu livro, o senhor adverte para os erros da economia americana e prevê a crise das hipotecas e a falência dos grandes bancos de investimento. Por que o governo dos EUA não agiu, se o perigo era conhecido?

MAX OTTE: Qualquer um podia ver, há cinco anos, o que havia de errado na economia dos EUA e na especulação global. Eu sou um professor da província e, embora tenha feito minhas advertências em livro, elas não foram registradas. Mesmo que um professor de Harvard tivesse advertido, ninguém teria ouvido. Enquanto os executivos lucravam milhões não tinham qualquer interesse em mudança. E o governo, que pregava o mercado livre, não queria interferir para não perder sua credibilidade de governo capitalista.

Quais foram os principais prenúncios da crise?

OTTE: Um deles podia ser visto nos anos 90: a explosão dos preços dos imóveis nos EUA, associada a um crédito descontrolado. Além disso, o setor especulativo da economia cresceu muito mais do que o produtivo. Em 2005, era possível ver que essa bolha especulativa romperia. Leia o resto do artigo »

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“Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose” (Maria da Conceição Tavares).

Postado em 9 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a crise. “As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso”, adverte. Para ela, o Brasil tem algumas vantagens importantes para enfrentar a crise, entre elas a existência de três fortes bancos estatais e pelo menos três grandes empresas públicas de peso, salvas do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior. Isso dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado.

Carta Maior

Decana dos economistas brasileiros, uma espécie de banco de reflexão de última instância ao qual se socorrem economistas quando o horizonte do mercado exibe mais interrogações que cifrões, a professora Maria da Conceição Tavares, 78 anos, quase não dormiu na noite de terça para quarta-feira. E voltou a fumar, muito, o que não deveria, por orientação médica. Motivo: os abalos seguidos nos alicerces do sistema capitalista norte-americano e seus efeitos sísmicos no mundo, inclusive no Brasil.

Conhecida pela rara capacidade de equilibrar razão e paixão – não necessariamente nessa ordem – , costuradas em frases contundentes e metáforas esmagadoras sobre os desafios da economia e do desenvolvimento, Conceição falou à Carta Maior sobre a crise em curso no sistema capitalista. A voz rouca e o cansaço de uma noite insone não impedirem que reafirmasse a reputação construída a partir de uma lucidez corajosa, que mesmo os adversários respeitam – e temem.

A seguir trechos de sua conversa com a Carta Maior:

“A questão central é que o crédito está congelado: entupiu o sistema circulatório do capitalismo. Sem crédito uma economia capitalista não funciona. Agora é torcer para que o entupimento não se transforme em trombose”.

“O Martin Wolf foi lento (NR: editor do Financial Times, conhecido pelas convicções neoliberais que, em artigo transcrito hoje pelos jornais brasileiros, pede um resgate estatal urgente, e amplo, do sistema bancário). Assim como ele, as autoridades norte-americanas também foram lentas. Demasiado lentas. Vão dizer que não sabiam o tamanho do estrago? Ignoravam a gravidade da bolha especulativa feita de hipotecas podres e derivativos, cuja soma vai além de US$ 6 trilhões, sem falar do resto? Como não sabiam? Eles são gente de Wall Street. São escolhidos entre os “piranhões” do mercado. Não podem dizer que não sabiam. O problema não é esse. O problema é que eles acreditam no mercado. Essa é a tragédia. Esperaram até o limite da irresponsabilidade para intervir. Aí perderam o controle e estão diante do pânico: ninguém empresta a ninguém, entupiu o sistema circulatório do capitalismo”. Leia o resto do artigo »

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