Descobrindo a pólvora, mais uma vez!
Postado em 25 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
David Kupfer – professor do Instituto de Economia da UFRJ– no artigo abaixo faz uma observação sobre o documento final produzido pela Comissão para o Crescimento e Desenvolvimento (CCD), Criada em 2006 pelo Banco Mundial, sob a coordenação de Michael Spence – economista de grande reputação, laureado com o Nobel de 2001e outros economistas conceituados.
A CCD teve como objetivo realizar um balanço do estado do conhecimento sobre estratégias e meios de promoção do crescimento sustentável em países em desenvolvimento, concentrou seu foco na idéia de que desenvolvimento econômico deve corresponder a crescimento alto, sustentado e inclusivo.
De acordo com Kupfer, o relatório afirma que não há uma fórmula geral: estratégias e prioridades são dependentes do contexto e devem ser definidas no nível de cada país. E que conclusões desse tipo tendem a prevalecer, pois o problema do desenvolvimento tende a ser cada vez mais e não menos complexo, cada vez mais e não menos dependente da trajetória e cada vez mais e não menos local.
Publicado originalmente no Valor
Por David Kupfer
Em meados de 2005, nesse mesmo espaço, escrevi uma coluna chamada “A (Re)descoberta da pólvora”, na qual comentava as conclusões registradas no Relatório de Desenvolvimento Humano, então recém-publicado pela Pnud – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O relatório colocava o Brasil em má situação na comparação com outros países e afirmava que sem um Estado ativo os países atrasados não conseguiriam superar a barreira do subdesenvolvimento. Embora a parte diagnóstica desse relatório tenha provocado forte reação na mídia brasileira, as suas recomendações não causaram maiores impactos, talvez por não ser a ONU uma “porta-voz” muito representativa da ideologia das instituições supranacionais. A pólvora então, mais uma vez redescoberta, não teve muito poder de fogo.
Três anos depois, em um quadro econômico mundial completamente distinto, acaba de chegar ao público o documento final produzido pela Comissão para o Crescimento e Desenvolvimento (CCD). Criada em 2006 pelo Banco Mundial, sob a coordenação de Michael Spence – economista de grande reputação, laureado com o Nobel de 2001 – e formada por outros tantos conceituados economistas de vários países, a CCD teve como objetivo realizar um balanço do estado do conhecimento sobre estratégias e meios de promoção do crescimento sustentável em países em desenvolvimento. A enorme repercussão do relatório da CCD na imprensa não deve ser atribuída às idéias nele contidas, que também são antigas como a pólvora, mas sim à sua origem, pois vieram do Banco Mundial e, portanto, agora sim, chanceladas por uma das instituições-âncora do Consenso de Washington, que há anos se dedicava a propagar o ideário liberal do Estado mínimo e do mercado máximo.
Discutir crescimento e desenvolvimento somente faz sentido quando se entende que esses temas são duas categorias distintas Leia o resto do artigo »
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